Revolta. Em qualquer mulher que acompanhou o caso de Kleiton Lima, esse sentimento surgiu. Foram 19 denúncias contra o agora ex-técnico do Santos Feminino. Foram 19 atletas desse mesmo clube, que tiveram a coragem de expor situações de assédio e, ainda assim, não foram ouvidas.
Durante sua primeira passagem pelas Sereias da Vila, em 2023, foram escritas cartas, de forma anônima, denunciando comportamentos do comandante. Alguns meses depois, ele retorna ao mesmo cargo, e com diversos protestos é ele quem pede para sair, e não o Santos que o demite. Mesmo depois de incentivar as jogadoras a denunciar, o próprio clube as coloca sob uma situação de imenso desconforto. E mesmo assim, não o tira do comando.
Os protestos foram fundamentais para a saída dele. De times do Brasileirão Feminino à Rayssa Leal na SLS, as mulheres mostraram que não vão se deixar ser silenciadas. Mas, mesmo assim, Marcelo Teixeira, presidente do Santos – time pioneiro no investimento do futebol praticado por mulheres – disse, em coletiva, que “o futebol feminino não precisa de protestos”.
Para quem acompanha o futebol feminino, sabe que isso passa longe de ser a realidade, e que o cenário é bem diferente da modalidade masculina. Os protestos, a expressão de opiniões e daquilo que incomoda são infinitamente mais presentes, do que com os homens. A luta é diária, por mais investimentos e seriedade na modalidade. Tudo que elas querem são boas condições para praticar o esporte que elas escolheram viver.
Ainda assim, é inevitável.
A sensação que fica é de que nunca conseguiremos ser ouvidas. Acredito que seja por isso que é tão difícil para mulheres denunciarem casos de assédio, violência doméstica e estupro. Por que acreditam que não serão ouvidas. “Se dezenove mulheres não foram, por que eu, sozinha, seria?”. É por isso que muitas mulheres no país seguem sem voz. Infelizmente, alguns casos no futebol brasileiro mostram que quem faz tudo o que faz, ainda tem espaço.
Mas continuaremos a ocupar os lugares que nos foram negados. Na imprensa. Nas arquibancadas. Nos gramados.
Lançada em 2023, a F1 Academy é um projeto da Fórmula 1, que decidiu investir em uma nova categoria, completamente feminina. Apoiada por equipes já existentes, as corridas da “Academia da Fórmula 1” são realizadas por pilotas, mecânicas e engenheiras. Com o intuito de desenvolver e aumentar o número de mulheres no automobilismo, ela serve de base para campeonatos, como a W Series, a Fórmula 3 e a Fórmula 2.
Na categoria, são usados carros que são modelos da Fórmula 4, produzidos pela montadora italiana Tatuus, e que podem atingir até 240 km/h. Cinco equipes disputam, com três pilotas em cada uma. Elas são patrocinadas por diferentes marcas e, pela primeira vez, as dez equipes da Fórmula 1 apareceram como patrocinadoras das atletas.
A diretora do projeto é Susie Wolff, ex-pilota e ex-chefe de equipe da Venturi na Fórmula E. “A F1 Academy apresenta uma oportunidade de promover mudanças genuínas em nossa indústria, criando a melhor estrutura possível para encontrar e cultivar talentos femininos em sua jornada para os níveis de elite do automobilismo, dentro e fora das pistas.”, disse ela após seu anúncio.
Para Wolff, ainda é só o começo: “Acho que há muito mais que podemos fazer, mas já consigo perceber o impacto positivo que estamos tendo”, continuou.
A CATEGORIA
Os finais de semana tem quatro sessões diferentes, divididas em três dias. Nas sextas-feiras acontecem até dois treinos livres, o que depende do local de disputa. Aos sábados, acontece a classificação, em que a volta mais rápida das pilotas determina o grid de largada da Corrida 1, e a segunda, da Corrida 2. A primeira corrida acontece no próprio sábado, e a outra, aos domingos – cada uma com 30 minutos de duração.
A pontuação é a mesma para as duas provas e as dez primeiras colocadas pontuam. São 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 pontos, respectivamente. E desde que termine entre as dez primeiras, é dado um ponto adicional para a competidora que cravar a volta mais rápida, em cada corrida.
Neste ano, a F1 Academy iniciou a temporada de 2024, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em Jeddah, na Arábia Saudita. O campeonato terá 7 rodadas no total, e acompanha o calendário da F1, passando por Estados Unidos, Espanha, Holanda, Singapura, Catar e, por fim, Emirados Árabes.
No grid, temos uma representação brasileira: Aurélia Nobels, da ART Grand Prix e patrocinada pela Puma. Filha de pais belgas e nascida em Boston, nos Estados Unidos, a jovem de 17 anos reside no Brasil desde a infância e iniciou sua trajetória no kart cedo, aos 10. Em 2022, Nobels venceu a competição “FIA Girls on Track - Rising Star” e como prêmio, ingressou na academia da Scuderia Ferrari, a mesma que levou Charles Leclerc até a Fórmula 1.
PRESENÇA DE MULHERES NO AUTOMOBILISMO
Segundo uma pesquisa da iniciativa "More than Equal", criada pelo ex-piloto David Coulthard, o público feminino da Fórmula 1 – atualmente a principal categoria do automobilismo mundial – representa cerca de 40% do total. A instituição também procura entender as principais barreiras para mulheres ingressarem na elite dos esportes de motor, entre elas foram citados o estereótipo negativo em cima das habilidades, os custos, a falta de pesquisa sobre os empecilhos físicos, a falta de modelos e exemplos femininos, entre outros.
Em entrevista à AGEMT, Rafaela Ferreira, pilota da F4 Brasil, contou as dificuldades de ser uma mulher em um meio tão masculino, como o do automobilismo. Há 11 anos no ambiente, a jovem afirmou que já teve a sua competência contestada diversas vezes e que já disseram a ela que, por ser mulher, ela não merecia estar lá. Porém, sua paixão pelo esporte foi mais forte e a fez superar as adversidades: com apenas 18 anos, Rafaela foi a primeira mulher no pódio da Fórmula 4 no Brasil. Ela também comentou sobre a relevância da F1 Academy: “Acho um campeonato importante para nós mulheres, não só que competimos, mas para as torcedoras também. Tem potencial para aumentar ainda mais a presença feminina no esporte”.
Thayná Weissbach, assistente de mídia da página Girls Like Racing, disse à AGEMT que ser mulher no meio automobilístico é complicado, mas que não deve desmotivar as jovens que querem seguir esse caminho. “Isso não deve te deixar pra baixo, mesmo ainda tendo menos reconhecimento, a gente sente que tem mais mérito, essa realização é mais valiosa”. Ela acredita que essa nova categoria vai ajudar as pessoas envolvidas a lidar melhor com as diferenças e aumentar a presença feminina nas categorias automobilísticas.
RESULTADOS E PRÓXIMOS COMPROMISSOS
Na primeira rodada, no circuito Jeddah-Corniche, a francesa Doriane Pin, da Prema Racing (e apoiada pela Mercedes) dominou a pista. Ela foi a mais rápida no treino livre, conquistou as duas pole positions e venceu a primeira corrida, na sexta-feira (07/03). Na segunda prova, a pilota sofreu uma punição de 20 segundos, por passar duas vezes pela bandeira quadriculada, e perdeu a primeira colocação para a inglesa Abbi Pulling, da Rodin Motorsport (apoiada pela Alpine), a atual líder do campeonato, com 44 pontos.
A F1 Academy retorna às pistas para sua segunda etapa neste final de semana dia 3 de maio, no circuito de Miami, nos Estados Unidos.
Pela 2ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Botafogo recebeu o Atlético Goianiense na última quinta-feira (18), no estádio Nilton Santos. As duas equipes vinham de derrotas e buscavam a sua primeira vitória na competição, especialmente o recém-contratado, Artur Jorge. O treinador do glorioso não teve vida fácil e desde que estreou a beira dos gramados, já acumulou 3 derrotas, a última de virada contra o Cruzeiro. Para o confronto contra o time goiano, o técnico português repetiu a formação da última partida, com apenas duas modificações. O lateral esquerdo Hugo começou na vaga ocupada por Marçal, enquanto Tiquinho Soares, poupado por desgaste, deu a vez para Matheus Nascimento.
Precisando dar uma resposta a sua torcida, o Botafogo iniciou de forma intensa e logo aos 5 minutos, assustou o goleiro Ronaldo, em cobrança de falta de Jeffinho, passando a direita do arqueiro rubro negro. Aos 18, foi a vez de Tchê Tchê arriscar, mas finalizou por cima do gol. Não demorou muito para os planos de Artur irem por água abaixo. Logo aos 25 minutos, Matheus Nascimento não aguentou e teve que ser substituído, forçando Tiquinho Soares a sair do banco de reservas. Apesar disso, os alvinegros seguiram firmes e aos 32, em jogada que se iniciou e terminou com o lateral direito Mateo Ponte, Júnior Santos encontrou Luiz Henrique, que abriu na entrada da área para o camisa 4 finalizar no canto de Ronaldo, abrindo o placar para o glorioso. Inflamados e empurrados pela torcida, a equipe carioca quase ampliou o marcador aos 40 minutos com Jeffinho, mas o goleiro atleticano evitou.
No segundo tempo, o Atlético Goianiense começou sem alterações e manteve a escalação da primeira etapa. Porém, aos 18 minutos, o técnico Emílio Faro optou por fazer uma mudança, substituindo Alejo Cruz e Rhaldney por Vagner Love e Yony González. O objetivo da substituição de Yony por Alejo era melhorar a capacidade de marcação pela direita, visto que o uruguaio não estava nas melhores condições. Já a entrada de Love tinha por essência fortalecer o ataque da equipe. Aos 30 minutos, Derick entrou no lugar de Emiliano Rodriguez, buscando maior presença na grande área adversária. As mudanças surtiram efeito e o Atlético passou a dominar o jogo, pressionando a defesa do Botafogo. Aos 34, após cobrança de lateral, Vágner Love girou para cima da marcação e obrigou o goleiro Gatito Fernández a fazer grande defesa. Mesmo com a imposição do Dragão, a equipe goiana não conseguia superar a defesa botafoguense. A partir dos 38 minutos, o Botafogo optou por se fechar por completo, o que deu ao Atlético mais espaço para criar oportunidades de ataque. Apesar disso, os visitantes não conseguiram furar o bloqueio adversário e foram derrotados fora de casa.
Com a vitória garantida, o técnico Artur Jorge destaca seu primeiro resultado positivo, mas ressalta sua insatisfação pelo desempenho:
“A vitória é o que fica. Primeiro jogo em casa, uma vitória, em frente aos nossos torcedores. Muito satisfeito pelos três pontos, não tanto pelo que fizemos. Temos a sensação clara de que podemos e devemos fazer muito melhor.”, disse o português.
O próximo desafio do Botafogo será contra o Juventude, no próximo domingo (21), às 18:30, no estádio Nilton Santos, enquanto no mesmo dia e horário, o Atlético Goianiense encara o São Paulo, no estádio Antônio Accioly, pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro.
As quartas de final da UEFA Champions League chegaram ao fim desta última semana com partidas realizadas na terça-feira (16) e na quarta-feira (17). Os jogos foram marcados por confrontos emocionantes e surpresas, com algumas das equipes mais prestigiadas do futebol europeu lutando pela vitória e a tão cobiçada vaga na próxima fase do torneio.
PSG x Barcelona:
O Barcelona chegou com a vantagem de um gol no Parc des Princes - no jogo de ida, o time catalão venceu pelo placar de 3x2 -, o visitante abriu o placar com o brasileiro Raphinha aos 11’. No entanto, o confronto complicou para o time catalão depois da metade do 1º tempo; o zagueiro Araújo foi expulso ao fazer uma falta dentro da área, abrindo espaço para o Dembele diminuir a diferença para o Paris. No 2º tempo o PSG dominou o jogo - com o gol de virada de Vitinha e o ultimato do craque Mbappe, marcando com um pênalti e um golaço. Sendo assim, a partida finaliza com um resultado inesperado e com emoção digna de Champions League.
Borussia x Atlético de Madrid:
O time da casa chega na Alemanha com o placar do jogo de ida à favor dos espanhóis com um gol de diferença. O jogo começa quente, ambas equipes com chances claras de gol sendo desperdiçadas. No entanto, com a atmosfera da torcida alemã, não demorou para o Borussia reagir, pressionando o adversário. Após lançamento de Hummels, Julian Brandt deixa o marcador para trás e atira para o fundo da rede, sem chances para o goleiro. Ainda no primeiro tempo, Dortmund ampliou com gol de Maatsen, deixando a equipe em vantagem.
Na segunda etapa, o clube espanhol conseguiu uma reação imediata, com uma bola aérea, o placar agregado estava empatado novamente. O time visitante seguiu pressionando, com bate e rebate dentro da área, Ángel Correa aproveitou a chance e estufou o gol de Kobel. O Atlético de Madrid tomava a frente novamente. Porém, Sabitzer foi a peça crucial para garantir a vaga do Borussia nas semifinais, o meio-campista cruzou para Fullkrug que marcou de cabeça. Na sequência, o próprio Sabitzer, com um chute dentro da área, devolveu a vantagem do agregado para o time da casa.
Manchester City x Real Madrid
Com o placar igualado pela partida na Espanha, ambas equipes precisavam de uma reação. Na Inglaterra, Rodrygo Goes, artilheiro brasileiro do Real Madrid na Champions, abre o placar com a assistência de Vinicius Jr. No gol merengue, Lunin brilha em muitos momentos, com defesas espetaculares e segura a vitória do Madrid, no entanto, aos 75’ Kevin de Bruyne, iguala o placar e em seguida perde uma chance clara de garantir a vitória do City. Devido ao empate, o jogo foi para prorrogação que não foi marcada por grandes momentos, levando à decisão aos pênaltis.
Nos pênaltis, o Real superou o City por 4 a 3. Do lado madridista, Bellingham, Lucas Vázquez, Nacho e Rudiger converteram para o clube espanhol, enquanto Modric perdeu a cobrança. Do lado dos ingleses, Alvarez, Foden e até o goleiro Ederson fizeram pelo City, mas Bernardo Silva e Kovacic deixaram escapar a chance.
Bayern x Arsenal:
Na Allianz Arena, na Alemanha, o Bayern de Munique venceu o Arsenal e está classificado para as semifinais da competição europeia. O jogo começou equilibrado, tendo ações ofensivas das duas equipes, porém sem criar chances claras. Na segunda etapa, o Arsenal pressionava: ocupou a área de ataque, contudo não provocou ameaças ao gol do clube alemão. O Bayern tampouco atacou muito, mas não desperdiçou uma das oportunidades. Após o goleiro Raya defender um chute de Sané, Raphael Guerreiro pegou o rebote pelo lado esquerdo e cruzou para Kimmich que estava livre na área e marcou de cabeça o gol da classificação.
As semifinais prometem jogos intensos em busca da glória no torneio mais prestigiado do futebol. Os classificados Borussia e PSG se encontram na casa do clube alemão no dia 1 de maio para o primeiro jogo do confronto; a classificação será decidida no dia 7 de maio em Paris. Além disso, Real e Bayern se enfrentam no dia 30 de abril para o jogo de ida na Alemanha, a partida da decisão será no Santiago Bernabéu no dia 8 de maio. Os jogos ocorrerão às 16h no horário de Brasília.
O futebol na cidade de São Paulo nasceu elitizado, sendo praticado pelos jovens ricos e estrangeiros, sobretudo ingleses, que trabalhavam nas ferrovias e empresas inglesas instaladas na cidade.
Por ser um esporte com regras simples, podendo ser praticado de forma improvisada em qualquer lugar, rapidamente o futebol se popularizou nos bairros periféricos e nas várzeas dos rios da cidade, por isso, foi apelidado de forma pejorativa e preconceituosa de varzeano.
Seguindo os passos dos times da várzea, os trabalhadores começaram a jogar futebol como entretenimento nos horários de folga e nos finais de semana. Montaram times com os colegas de trabalho, adotando o nome da empresa, organizaram disputas contra as fábricas vizinhas e criaram torneios amadores. Quase sempre por iniciativa dos trabalhadores, os times de fábrica criaram uma tradição operária do futebol paulistano.
Para a historiadora Fátima Antunes, a popularização do futebol e o sucesso dos times de fábrica criaram as condições para os primeiros passos no futebol profissional como conhecemos hoje. Os industriais logo perceberam o potencial do futebol, pois os times estampavam o nome da fábrica em seu uniforme, garantindo publicidade à sua marca.
Para obter sucesso nos jogos, os empresários patrocinavam o time, contratando bons jogadores para trabalhar como operários e defender a empresa nos campeonatos. Para os bons jogadores, a contratação pela empresa como jogador operário permitia certa ascensão social, pois, além de receber uma premiação como jogador, recebia o salário como operário da fábrica, geralmente em ocupações menos penosas e mais bem remuneradas.
A saga do Clube Atlético Juventus começou em 20 de abril de 1924, época em que o bairro da Mooca reunia diversas fábricas ao longo da linha do trem, e era ocupada por imigrantes, sobretudo italianos, que trabalhavam nas indústrias da região.
A partir da união de dois times de várzea, criados por trabalhadores da empresa de tecidos da família Crespi no bairro da Mooca, o Extra São Paulo F.C. e o Cavalheiro Crespi F.C., criou-se o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Club, em homenagem ao industrial italiano, patrocinador do time.
Em 1925, o industrial, satisfeito com os resultados do time em campo, cedeu um terreno de sua propriedade, situado na atual Rua Javari, para a construção de um campo de futebol, com arquibancadas de madeira, onde o time mandava os seus jogos. Anos mais tarde, o campo da Rua Javari passaria por reformas e, em 1941, o estádio Conde Rodolfo Crespi foi inaugurado. Embora utilizado pelo clube, o estádio pertencia a família Crespi. Somente em 1976 o clube comprou o estádio da antiga empresa.
Em março de 1930, o conde Rodolfo Crespi, presidente do clube, resolveu rebatizar o time, adotando o nome de Juventus, em homenagem ao famoso time italiano. Como seu filho Adriano era torcedor da Fiorentina, adotaram a cor grená e branca para o uniforme.
Entre tantos momentos que orgulham os torcedores juventinos, um é especial. No dia 14 de setembro de 1930, o time estreava na elite do futebol profissional de São Paulo. Por ser o mais jovem clube, era conhecido como Garoto, e em um jogo realizado no Parque São Jorge, conhecida popularmente como fazendinha, derrotou o forte time do Corinthians. A ousadia do Garoto da Mooca foi chamada de uma grande travessura, imortalizando o apelido de Moleque Travesso.
Nestes cem anos de lutas e glórias, o Juventus revelou grandes jogadores para o futebol brasileiro, tais como: Julinho Botelho (disputou a Copa de 1954), Hércules (jogou a copa de 1958), Lima (jogou a Copa de 1966) e Félix (goleiro tricampeão na Copa de 1970 no México) e mais recentemente, Thiago Motta que jogou no Barcelona e PSG e Luisão, zagueiro da seleção brasileira e ídolo do Benfica de Portugal.
Assistir aos jogos do Juventus na Rua Javari é como voltar no tempo do futebol raiz. Arquibancadas de cimento rústico, poucos banheiros, corredores estreitos e jogos geralmente às 10 horas da manhã, terminando ao meio-dia com sol a pino, pois o estádio não tem iluminação para jogos no final da tarde ou à noite, sem contar que os ingressos só podem ser adquiridos em dinheiro vivo. À parte os inconvenientes, os torcedores acompanham os jogos colados ao alambrado, perto dos jogadores, exercendo grande pressão nos adversários.
Foi na Rua Javari que um menino de 19 anos fez o gol mais bonito de sua longa carreira. Pelé deu três chapéus seguidos na zaga, antes de vencer o goleiro juventino, garantindo ao Santos a vitória por quatro a zero. Este gol de placa ficou apenas na memória de quem estava na Rua Javari, pois as emissoras de televisão não fizeram a cobertura deste jogo.
Atualmente, podemos ver nas arquibancadas torcedores com camisetas estampadas com a frase: “ódio eterno ao futebol moderno” demonstrando que parte dos torcedores respeita e idolatra a história operária do clube, e assim querem se manter. Outros torcedores defendem que o estádio se modernize, que tenha iluminação para os jogos noturnos, e que amplie a sua capacidade. Defendem melhorar o estádio, sem descaracterizá-lo ou erguer outra coisa em seu lugar.
A discussão entre modernidade e tradição parece não ter consenso. O único consenso é no início, no meio ou no final do jogo, passar na banquinha do Sr. Antônio, dentro do estádio, e comprar o famoso cannoli. O doce típico italiano é vendido na Rua Javari há mais de 50 anos.
E por falar em aniversário de 100 anos, o presente mais esperado pelos torcedores seria voltar à série principal do Campeonato Paulista, mas o clube bateu na trave. Na reta final do Campeonato Paulista da série A2, o Juventus conseguiu passar de fase, derrotando a Ferroviária de Araraquara na disputa por pênaltis, após empatar em casa por 1 a 1 e segurar um novo empate em 0 a 0 na casa do adversário. Nos pênaltis o Moleque Travesso ganhou por 3 a 1.
Na semifinal enfrentou o Velo Clube de Rio Claro. Se vencesse o duelo, garantiria, não apenas a vaga para a final do Campeonato, mas também garantiria a sua volta ao Campeonato Paulista da primeira divisão em 2025, depois de 16 anos amargando a segunda e terceira divisão do futebol paulista. No primeiro jogo, na Rua Javari, O Juventus tomou um gol aos dois minutos do primeiro tempo, após um erro na saída de bola da defesa juventina. O Moleque Travesso pressionou o adversário, mas não conseguiu reverter o placar.
No segundo jogo, na cidade de Rio Claro, o Juventus, apesar de lutar muito, apenas empatou, sem gols, deixando de presentear a sua apaixonada torcida.
Não faltou empenho aos jogadores e, sobretudo, apoio da torcida juventina. Ao final da jornada, os torcedores reconheceram o empenho e compreenderam que o presente, tão desejado, ficará para o próximo ano.