Fundada durante o auge da ditadura militar, a maior torcida organizada do país acumula episódios de resistência
por
Esther Ursulino
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01/12/2022 - 12h

Por Esther Ursulino

No início de novembro integrantes da Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Brasil, desbloquearam vias interditadas ilegalmente por manifestantes bolsonaristas. Inconformados com o resultado das eleições, apoiadores do atual presidente pediam por intervenção federal. O episódio, protagonizado por torcedores do timão, entrou para a lista de vezes em que a organizada se posicionou, ao decorrer de sua história, contra o autoritarismo. 

Logo após o resultado das eleições ser divulgado pelo TSE na noite de 30 de outubro, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) inconformados com a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram protestos em diversas rodovias do país, impedindo a passagem de veículos. No dia seguinte, a Justiça Federal e o STF ordenaram que as forças de segurança realizassem o desbloqueio das estradas. Entretanto, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar não cumpriram a ordem.

Tendo em vista a omissão de quem deveria desobstruir as estradas, membros da Gaviões se mobilizaram para acabar com os bloqueios golpistas. Na noite do dia primeiro, o grupo liberou um trecho da Marginal Tietê, na altura da Ponte das Bandeiras, em São Paulo. Vídeos que repercutiram na internet mostram que, assim que os corintianos se aproximaram, os autores dos bloqueios saíram rapidamente com seus veículos. Em entrevista à Rede Brasil Atual, Chico Malfitani, um dos fundadores da Gaviões da Fiel, destaca que não houve conflito: “Ninguém foi lá para ‘quebrar o pau’, mas para dizer, ‘vamos sair’. O que a polícia poderia ter feito, é um absurdo. Isso mostra que há uma bolsonarização das forças de segurança do Brasil.”

Gaviões da Fiel estendem faixa com a frase "Somos pela democracia".
Membros da Gaviões da Fiel estendem uma faixa com a frase "Somos pela democracia" após abrirem rodovia interditada por bolsonaristas que pediam intervenção federal. 

Parte da torcida viajaria ao Rio de Janeiro para assistir ao jogo entre Flamengo e Corinthians no Maracanã. Contudo, a atitude dos torcedores do alvinegro não foi movida apenas pelo interesse em chegar até o estádio – como fez a torcida do Atlético-MG, Galoucura, que no mesmo dia furou bloqueios para assistir ao jogo contra o São Paulo no Morumbi. Os torcedores do timão expuseram o caráter político de sua ação ao arrancarem faixas e placas que pediam “intervenção federal”, penduradas em um viaduto, para estender um manto com a frase “somos pela democracia”. Também entoaram gritos de apoio a Lula, presidente eleito democraticamente.

Esse episódio de luta contra o autoritarismo, protagonizado por membros da maior torcida organizada do Brasil, se soma a um histórico de resistências que marcaram a trajetória da Gaviões da Fiel, agrupamento que nasceu para combater um ditador. 

Gaviões estendem faixa pedindo anistia
Torcedores da Gaviões da Fiel estendem faixa que pede por anistia ampla, geral e irrestrita

No momento em que a torcida organizada do Corinthians surge, em 1969, o Brasil começava a viver o auge do período de repressão da ditadura militar, que combatia de forma violenta qualquer reunião ou manifestação – além de perseguir opositores do regime. Em consonância com o contexto político, o Corinthians também passava por uma ditadura. 

No documentário Territórios do Torcer (2015), dirigido por Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Chico Malfitani conta que o clube era presidido desde 1961 por Wadih Helu, um político da ARENA – partido que apoiava o regime militar. Segundo o fundador da Gaviões, o deputado utilizava o time politicamente para se reeleger. Além disso, o Corinthians passava por um período que ficou conhecido como “faz-me rir”, pois não conquistava títulos de grande expressão há muitos anos.

Sendo assim, a torcida organizada Gaviões da Fiel surgiu para combater a autocracia instalada por Wadih Helu e dar um novo rumo ao timão. No documentário, Malfitani ainda diz que o intuito da organização era ser uma “força fiscalizadora” independente: “Já que o maior patrimônio do Corinthians são seus torcedores, caberia a ela [torcida] decidir o rumo do clube.”. 

No livro Territórios do Torcer: depoimentos de lideranças das torcidas organizadas de futebol, José Paulo Florenzano aponta que o novo agrupamento rapidamente se revestiu de um caráter político, militante e radical. Segundo o autor, os jogos do Corinthians ofereciam aos torcedores a oportunidade aguardada para veicular suas mensagens de protesto. Inspirados no vocabulário de manifestações estudantis da época, os integrantes da Gaviões da Fiel expunham faixas com críticas ao presidente do clube, que queria se perpetuar no poder.

Um jogo entre Corinthians e Palmeiras, que ocorreu em um sábado de abril, pouco antes da Copa de 70, foi palco desses protestos. Na arquibancada do Parque Antártica, torcedores ergueram uma faixa com a frase “Basta!!! Chega de Helusão”, fazendo uma combinação entre a palavra ilusão e o sobrenome do dirigente do time. 

Florenzano ainda resgata depoimentos que Flávio La Selva, sócio número um da Gaviões, deu à revista Placar sobre a relação de Wadih Helu com  a organizada alvinegra. Segundo La Selva, o presidente do Corinthians se sentiu acuado pela existência de um movimento que tinha se construído com o objetivo de apoiar o time, mas sem deixar de lado a crítica e o direito de expressá-la. Por isso, Helu intensificou a repressão  com o intuito de calar a revolta dos torcedores. 

A partir do clássico com o São Paulo pelo Campeonato Paulista de 70 os membros da torcida não puderam mais expor suas faixas. “Dois homens que se diziam agentes do Dops aproximavam-se de quem estava mostrando as faixas e diziam que Wadi Helu era deputado, que não podia sofrer campanhas desse tipo”, conta Flávio, deixando clara a relação do dirigente do clube com os porões da ditadura.  

La Selva também relata que integrantes da Gaviões, que faziam uma passeata pela avenida Pacaembu em comemoração à vitória do time contra o Santos, no início de novembro de 1970, foram alvos de uma emboscada. Enquanto os membros da organizada confraternizavam, vinham passando dois ônibus da torcida paga por Wadih Helu. Um pretexto qualquer serviu de motivo para que os veículos parassem e sessenta homens — munidos de armas, arames, porretes e barras de ferro — saltassem e começassem a agredir o grupo. 

O método repressivo utilizado por Helu ganhou repercussão na imprensa através de manchetes como “Gaviões da Fiel espancados após vitória sobre o Santos”, do jornal Última Hora; e “Gaviões da Fiel massacrados”, da Folha da Tarde. A partir desse episódio de intimidação, a imagem do dirigente do time foi sendo desgastada, e a organizada alvinegra se tornou mais popular. O agrupamento teve grande influência nas eleições para presidência do clube em 1971, quando Miguel Martinez se tornou o novo cartola. Assim, a autocracia imposta por  Wadih Helu foi finalmente derrotada. 

Após essa conquista, a Gaviões da Fiel seguiu lutando por democracia e participação. Ainda no documentário Territórios do Torcer, Chico Malfitani destaca que a organizada sempre esteve presente em eventos políticos importantes para a história do Brasil, como nas campanhas da anistia e das diretas. Em fevereiro de 1979 atos pela anistia já tinham chegado aos campos. Em um jogo contra o Santos, torcedores do Corinthians abrem uma faixa pedindo anistia ampla, geral e irrestrita.

Tendo em vista o histórico de resistência protagonizado pela Gaviões, os novos atos em favor da democracia, como os que ocorreram em 2020 na Paulista e em novembro de 2022, nas rodovias, mostram que a organizada não abre mão dos ideais que nortearam sua fundação.

Como é o processo de profissionalização de um atleta de basquete no Brasil
por
Vitor Coelho Palhares
Cristiane Santos Gabriel
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18/11/2022 - 12h

                 Ser um esportista e não jogar futebol no Brasil é um desafio. Em âmbito profissional é ainda mais trabalhoso e improvável. No cenário do basquete nacional não é diferente. O NBB (Novo Basquete Brasil), a primeira divisão do basquete nacional, começou a operar nesse formato apenas em 2008. Os clubes formam um corpo diretivo, administrando a competição como uma liga (todos os participantes têm o mesmo peso perante as decisões votadas pela liga). O grande desafio que esse campeonato enfrenta é a falta de estabilidade das equipes envolvidas, resultando em contratos de curto período, muitas vezes nem anuais, onde o atleta cumpre com seus deveres e utilizas as instalações recebendo pelo seu serviço apenas durante o período do campeonato vigente (menos de 6 meses se a equipe não atingir as fases finais).

                O basquete profissional passa a ser encarado como um ambiente profissional, mas também de muita incerteza, como comenta o atleta do Flamengo, Gabriel “Jaú” Galvanini: “Graças a Deus hoje em dia, depois de jogar pela seleção nacional e alguns clubes, tenho estabilidade aqui no Rio (Flamengo). No começo da minha trajetória no profissional tive passagens pelo basquete espanhol e depois no interior de São Paulo (Bauru), mas sempre na expectativa de dar tudo certo, não de me estabelecer como jogador em uma equipe e incorporar seu estilo”. Segundo fontes da própria liga nacional, apenas 17 times jogarão o campeonato de 2023, totalizando aproximadamente apenas 250 atletas profissionais com uma remuneração adequada em cenário nacional.

                O outro lado do espectro traz uma grande maioria de jogadores de base que enfrentam dificuldade nessa transição entre juvenil e profissional, muitas vezes abandonando a carreira de atleta, seja por falta de condições dignas de trabalho/pagamento, ou pela estabilidade que à profissão não apresenta, além de contar com o fato de ser um trabalho de curta duração, onde o atleta se aposenta das práticas esportivas na maioria dos casos em menos de 20 anos de exercício. O atleta Nicolas Ronsini comentou sobre essa transição: “Joguei na base do Palmeiras por 7 anos, passando pela maioria das categorias, jogando pela seleção de base e ganhando diversos títulos pela minha passagem. Quando completei 19 anos recebi uma proposta para jogar em Campina Grande, pelo time da Unifacisa, minha primeira chance como profissional, contrato de um ano com cláusula de renovação de mais um. Passado o primeiro, não jogando muito, fui transferido para o Corinthians, na minha cidade natal, mas nada foi como o esperado. Depois de um ano encerraram meu contrato. Como não tinha muita segurança, decidi abandonar o basquete. Hoje, trabalho com marketing digital e controle de tráfego”.

                O cenário esportivo no Brasil precisa necessariamente de políticas públicas eficientes, apoio financeiro e visibilidade em âmbito nacional, para que mais atletas envolvidos em esportes que não sejam o futebol tenham a condição de praticá-los como uma profissão estável e rentável, ou seja, com reconhecimentos de todas as partes.

Evento realizado no Parque Ibirapuera conta com itens históricos e acontece até o dia 20 de novembro
por
Gabriel Alberto
Lucas G. Azevedo
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09/11/2022 - 12h

A Fórmula 1 comemora 50 anos do GP do Brasil em 2022 e o governo do Estado de São Paulo decidiu organizar uma exposição nostálgica que conta com diversos itens e atividades para o público.

Entrada especial instalada na Oca. Foto: Gabriel Alberto.
Entrada especial instalada na Oca. Foto: Gabriel Alberto.

O evento começa com uma linha do tempo com imagens e textos sobre grandes momentos de corridas realizadas no Brasil, tanto no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, quanto no Circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com fatos datados desde 1972.

Fotos de momentos históricos. Foto: Gabriel Alberto.

Ao andar pela exposição, também pode-se observar a história do automobilismo brasileiro através dos objetos expostos. O que chama atenção é a presença dos troféus, principalmente o “gigante brilhante” que marca o quarto GP realizado aqui, em 1975, quando José Carlos Pace ganhou sua única corrida na Fórmula 1. O próprio jornalista Reginaldo leme colaborou para a exposição com a sua raríssima medalha de 500 Grande Prêmios cobertos. 

Outro ponto alto da exibição são as vestimentas dos pilotos. Vários capacetes, não só dos brasileiros, mas também de nomes estrangeiros que fizeram história nos GPs do Brasil como Lewis Hamilton, Jenson Button e Mika Hakkinen podem ser observados de perto. Ainda dá para ver macacões usados em corridas históricas, como o verde e amarelo da Ferrari que Felipe Massa usou na sua vitória em Interlagos e o clássico macacão vermelho de Ayrton Senna. 

Macacão histórico de Rubinho Barrichello. Foto: Gabriel Alberto.
Macacão histórico de Rubinho Barrichello. Foto: Gabriel Alberto.

Para os fanáticos, há uma seção separada com miniaturas que chama a atenção de colecionadores. Com mini réplicas da Toleman que Ayrton Senna pilotou em 1984, da McLaren de Lewis Hamilton de 2008 e a Prost de Luciano Burti, por exemplo. 

Por fim, a grande atração da exposição são os carros. Poder observar de perto veículos históricos mexe com o coração daqueles mais apaixonados pelo esporte. Alguns dos carros são a Lotus de Ayrton Senna, a Ferrari onde Felipe Massa quase foi campeão em 2008 e a Jordan de Rubens Barrichello.  

E se engana quem pensa que o evento só é divertido para os fãs da categoria, como afirma Julia Nunes Ferreira, uma visitante da exposição: “Eu achei a exposição bem interativa, com muitas fotos, vídeos e textos que contavam um pouco da história, sem falar nos capacetes, essa foi a parte mais legal pra mim. Eu mesmo nunca tinha chegado perto de um carro de Fórmula 1, foi muito legal. Até quem não gosta de corrida, só de ver a história, os minis carrinhos, os macacões, vale muito a pena.”  

Carro da Ferrari na temporada 2008. Foto: Gabriel Alberto.
Carro da Ferrari na temporada 2008. Foto: Gabriel Alberto.

A exposição ainda conta com diversas atividades interativas para os visitantes. A exposição terá simuladores e uma pista de autorama para o público se divertir. Também acontecerão entrevistas ao vivo com personalidades do esporte brasileiro. 

Aos finais de semana de corrida, será possível acompanhar tudo, desde os treinos até a linha de chegada, na garage fest. Onde um telão e um DJ serão instalados na Oca para acompanhar o GP com o clima da torcida. 

O evento começou no dia 18 de outubro e vai até o dia 20 de novembro na Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O ingresso é gratuito às terças, 50 reais nos outros dias e 150 reais durante os dias com garage fest. A exposição vai das 10h às 21h com grupos limitados a 200 pessoas e duração de 60 minutos. 

Falta de incentivo, pouca visibilidade e desigualdade salarial. A AGEMT conversou com a ex-jogadora Adriana e a técnica Pia Sundhage sobre os desafios do futebol feminino.
por
Giulia Cicirelli
Isabella Santos
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09/11/2022 - 12h

     O futebol feminino está em constante evolução e tendo uma visibilidade maior, porém, muitas vezes o esporte para as mulheres ainda é estigmatizado pela sociedade, fruto de um preconceito enraizado que se desfaz em um processo lento. O interesse das mulheres pelo esporte sempre existiu, mas por ser tratado como atividade feita apenas para os homens, foi reprimido por anos.


    No entanto, as mulheres que decidiram encarar o preconceito de frente, seguindo sua paixão pelo futebol, enfrentaram muitos obstáculos para consolidar uma carreira séria e reconhecida. Enquanto para os homens a prática desse esporte gerava riqueza e fama, para as mulheres ele gerava preconceito e desprezo. Enquanto eles nunca precisaram provar seu lugar no esporte para terem visibilidade, para as mulheres isso é uma luta constante que mesmo com a evolução do pensamento da sociedade ainda permanece.


    Muitas jogadoras que possuem as mesmas habilidades de atletas homens não têm seu trabalho reconhecido e valorizado apenas por serem mulheres. Um grande exemplo disso é a comparação entre o salário da camisa 10 da seleção brasileira feminina, a jogadora Marta, e o camisa 10 da seleção masculina Neymar.


    Marta já foi eleita 6 vezes a melhor jogadora do mundo pela FIFA, prêmio cobiçado pelo camisa 10 da seleção masculina, e ainda sim, a campanha, voltada para igualdade salarial entre homens e mulheres no esporte, mostrou que Marta recebe o equivalente a 1% da receita e Neymar durante toda uma temporada.


    A equipe da AGEMT conversou com a jogadora Adriana Oliveira, atleta que atuou profissionalmente de 2000 a 2013, que ressaltou o fato de em todos esses anos jogando por clubes como Corinthians, Palmeiras, São Caetano, São Bernardo, nunca ter obtido um patrocínio. “Na minha primeira participação com o Palmeiras, eles só davam a camisa e ponto, nós nem treinávamos no centro de treinamento, não tínhamos direito a usar estádio ou qualquer outra coisa do clube. Então, essa coisa de patrocínio é algo muito recente.


    Há também uma grande importância na atuação das mulheres fora de campo, especialmente em modalidades femininas. Ter um modelo feminino para incentivar as próximas gerações de atletas a seguirem no esporte e lutarem por mais direitos é essencial para a constante evolução da modalidade, servindo também como uma inspiração por quem admira e ama o esporte. Adriana reforçou a importância da representação feminina nos esportes. “Eu me considero até mãe dessas meninas, por ser de outra geração e participar dessa evolução ao longo dos anos”, afirmou a ex-atleta.

 

Mídia e visibilidade


    A mídia também tem contribuição para a evolução do futebol feminino, quanto maior o número de notícias mostrando ídolas do esporte e prestigiando seu trabalho maior a visibilidade para o grande público.

    Em 2022, o Campeonato Brasileiro Feminino passou a ser televisionado tanto na TV aberta quanto em canais fechados, além de algumas competições como o Campeonato Paulista, transmitirem os jogos pelas redes sociais.

    A técnica da seleção brasileira Feminina, Pia Sundhage, em entrevista a AGEMT destacou a importância da mídia e das redes sociais na valorização da modalidade. “É ótimo quando se tem a mídia por perto e eu sempre tento fazer um bom trabalho ao contar histórias, histórias pessoais sobre o quão importante é o futebol é pra mim, além de você ter as redes sociais, que é um papel importante para espalhar boas notícias", salienta a treinadora.


    Vencedora de dois ouros olímpicos com a seleção feminina dos Estados Unidos em 2008 e 2012, e prata com a seleção da Suécia em 2016, Sundhage também falou sobre a motivação para seguir na carreira. “Começou com a paixão, sem me importar com os obstáculos e ser persistente, então se você tem essas duas palavras para si você pode superar qualquer tipo de obstáculo. É desconfortável quando você é a única mulher, é desconfortável quando você é excluída em discussões algumas vezes, mas persistir é um começo, mesmo que seja desconfortável sua paixão vai te fazer passar por isso”, disse a treinadora sueca.

 Seleção Brasileira Feminina.
Pia Sundhage em seu primeiro treino com a Seleção Brasileira
Feminina. Foto: Mauro Horita/CBF


    A popularização das competições e a visibilidade na mídia, atrai o público para os estádios, a final do Brasileirão entre Corinthians e Internacional, em 24 de setembro deste ano, estabeleceu não apenas o recorde de público do futebol feminino no Brasil como na América do Sul. Com um público de 41.070 pessoas na NeoQuímica Arena, o Corinthians bateu o Inter por 4 a 1 e levantou mais uma taça.

 

E aí, CBF ?


    A luta por igualdade e direitos das mulheres deve ter participação também das instituições. Até 2013, por exemplo, não exista nenhum tipo de competição oficial de futebol brasileiro feminino organizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Em 2022, o campeonato brasileiros feminino passou a ter primeira e segunda divisão, um modelo inédito, com 16 times nas duas divisões.


Um passo de cada vez


    Nos últimos anos a modalidade tem obtido pequenos avanços, fundamentais para a afirmação das mulheres no futebol. Um grande exemplo disso é o fim da diferença no pagamento das diárias das jogadoras convocadas para a Seleção. Agora, homens e mulheres que atuam pelo Brasil recebem o mesmo valor.

    Um acordo entre a empresa de material esportivo Puma e as jogadoras do Palmeiras também é motivo de comemoração. Pelo acordo, as "palestrinas" são patrocinadas individualmente pela marca, algo inédito no futebol feminino.


    Esse reconhecimento é importante e essencial para as atletas superarem os obstáculos e continuarem na luta pelos seus sonhos, afinal, o lugar delas é dando espetáculo com a bola nos pés.

 

Undeca ou hendeca, chame como quiser. Palmeiras o único 11 vezes campeão brasileiro!
por
Luísa Ayres Dias de Oliveira
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03/11/2022 - 12h

Quando a gente é pequeno, ouve dos adultos que pra se acalmar basta respirar e contar até 10. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Assim.

Quando cresci, e passei a acompanhar mais de perto o futebol, comecei a duvidar da eficácia desse método. Às vezes, não dava tempo de contar até 10, o gol saia antes e o grito de emoção se misturava à contagem. Às vezes, contar até 10 soava como contar até mil e o fôlego acabava pela metade.

Mas no dia 2 de novembro, com a derrota do Internacional e o baile do Palmeiras em casa - literalmente, dá pra ver o oposto de tudo isso.

Para qualquer palmeirense, a partir dessa noite, contar até 11 é a melhor sensação de todas! E contar até 10, não é mais o que era antes. Já para o resto… Que eles continuem contando até 8, no máximo. E que aos de verde caiba contar até 11. Não para relaxar, mas para comemorar!

Contar até 10, agora, não é mais suficiente. É preciso contar até onze.

É preciso encher duas mãos e acrescentar mais um dedo. Colocar mais uma taça naquela sala de troféus. É preciso entender que, se em 2018, contar até 10 bastava, agora, em 2022, não basta mais.

O que acalma mesmo um torcedor alviverde hoje é contar, mais e mais - e não só títulos!

Entender que a tarefa do palestrino também é a de contar sobre ídolos, academias, sobre crianças de 16 anos que jogam como adultos e de adultos com tamanho de criança que jogam e encantam. 

Aquela mesma menina que eu era e que até aqui contava até 10, hoje é uma mulher que comemora poder contar até onze. O que soava como um castigo de infância, uma espécie de bronca em momentos de birra - respira! Conta até 10-, agora é um prazer inestimável.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, ONZE.

Sinto muito mãe, mas não vou ensinar meus filhos a contar até dez quando estiverem nervosos. Vou ensinar-lhes o prazer de torcer pra um time que pode contar até onze!

Palmeiras: 11 vezes campeão brasileiro!

Legenda: Comemoração do 11º título alviverde do brasileirão no Allianz Parque, na noite de ontem (02/11). Créditos: autoria própria (Luísa Ayres).
Comemoração do 11º título alviverde do brasileirão no Allianz Parque. Crédito: Luísa Ayres

 

Como funciona a participação feminina na elite do futebol profissional brasileiro
por
Vitor Palhares
Cristiane Santos
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28/10/2022 - 12h

 

                O futebol é o esporte mais consumido do mundo. Segundo relatório da FIFA (Federação Internacional de Futebol) metade da população mundial assistiu a copa do mundo realizada em 2018 na Rússia (cerca de 3.5 bilhões de espectadores). A competição feminina ministrada pela mesma entidade contou com audiência superior a um bilhão de pessoas, um aumento de 30% em comparação a anterior. Esses números compravam a popularidade e o alcance do esporte.

No Brasil não é diferente, conhecido como país do futebol, quase metade da população tem interesse no jogo e um a cada seis diz frequentar estádios, dados da ESPN Brasil. A popularidade é um fato e a prática movimenta bilhões de reais no país. Os clubes profissionais contam com estruturas pomposas, repletas de profissionais qualificados. Porém, a divisão entre gêneros dentro do quadro de funcionários está longe de igualitária, em matéria publicada pelo Metrópoles em agosto de 2020 aponta que 85% das comissões técnicas do futebol feminino são compostas por homens, no masculino esse número ultrapassa os 95%.

Alguns pontos podem explicar essa discrepância, em território nacional as mulheres foram proibidas de praticar futebol por 38 anos (1941 a 1979) devido às condições de sua natureza, escancarando o machismo estrutural que o gênero sofre não só no esporte, mas em todos os âmbitos sociais.

Após se deparar com a pesquisa do Metrópoles, Maria Victoria Poli Cipeda (chefe de conteúdo da 90 min) explicou: “Esses números assustam, mas não surpreendem aqueles que conhecem o meio” seguindo com o questionamento “você conhece quantas mulheres trabalhando no futebol masculino, não digo apenas do seu clube do coração, mas no contexto geral nacionalmente? Consegue citar nominalmente alguma”? Ela completa “existem profissionais mulheres altamente qualificadas para toda a hierarquia que um clube de futebol necessita, mas só as encontramos em funções indiretas a tática ao campo e bola, como nutricionista e massagistas, você nunca vê uma mulher comandar o corpo técnico ou ser diretora de futebol de uma agremiação masculina”.

Entre os 3 principais times da capital paulista (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) trabalham mais de 130 profissionais em diversas áreas, desde assessoria de imprensa até técnicos, apenas 12 são mulheres, com o Corinthians totalizando mais da metade delas. Os sites oficiais validam as falas de Maria Victoria Poli, nenhuma participa do chamado “corpo técnico” dos times citados, composto pelo técnico, auxiliares e diretores de futebol.

Football Manager

                                                                                    (comissão técnica da seleção masculina de futebol. Crédito: Lucas Figueredo/CBF)

              Matérias de cunho sexista, falas machistas de profissionais do meio, proibições passadas foram responsáveis por transformar o futebol numa área ainda mais tomada pela presença masculina nos cargos de liderança, problema da sociedade como um todo. Alguns movimentos, dentro e fora do futebol, estão contribuindo para quebrar esse paradigma, portais voltados a divulgação da mulher no futebol como “dibradoras” ou “ESPNW” servem como fonte de notícias imparciais, além de referência para outras mulheres que não se sentem representadas.

              “O caminho é longo, mas nos últimos tempos nós mulheres começamos a quebrar barreiras, até na Globo, em TV aberta, temos uma narradora mulher comandando o jogo (referindo-se a Renata Silveira). Precisamos ocupar todas as áreas do futebol, criar referência para as meninas que sonham em se envolver. A sociedade como um todo passa por essa mudança e o futebol não pode caminhar na linha contrária”.

 

Renata Silveira narrará jogos da Copa do Mundo em TV aberta

                                                                                                                   (Renata Silveira – Foto: João Cotta / TV Globo)

             

 

 

 

 

 

 

A Ucrânia, apesar de estar no conflito com a Rússia, continua ativa no futebol profissional
por
Octávio Alves
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28/10/2022 - 12h

 

O futebol é o esporte mais famoso do mundo, é praticado praticamente em todos os países do mundo, trazendo alegria para muitas pessoas,  e ainda pode trazer um sentimento de esperança  e diversão para populações no meio de um conflito interno ou uma guerra de alta escala.

Isso está ocorrendo na Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, ainda ocorrendo futebol profissional e disputando competições europeias.

 Shakhtar vs Metalist 1925 Kharkiv  jogo no Estádio Olímpico, em Kiev . Imagem :REUTERS/GLEB GARANICH
Shakhtar vs Metalist 1925 Kharkiv  jogo no Estádio Olímpico, em Kiev . Foto :REUTERS/GLEB GARANICH

 

 

Para isso ser possível precisou-se esperar o andamento da guerra  logo após 9  meses,23 de agosto, a competição voltou para ficar. Mudando o regulamento do campeonato local, Premier Liga Ucraniana, implementando novas regras de segurança como a proibição de público, para segurança  devido a possibilidade de um bombardeiro.

As equipes ucranianas disputam os torneios do continente europeu; Champions League( Shakhtar Donetsk), Europa League( Dynamo Kiev) e Conference League( SK Dnipro-1, Zorya Lugansk, Vorskla Poltava).Esses jogos internacionais estão sendo realizados em países vizinhos, principalmente na Polônia, pois a UEFA não autorizou a realização dos jogos no território ucraniano .

Pré-jogo da Chanpions Real Madrid x Shakhtar Donetsk
Real Madrid x Shakhtar Donetsk. Pré-Jogo Champions; foto: site oficial Shakhtar. Imagem transmissão ao vivo do jogo

                                    

O principal motivo para a volta do futebol foi para trazer alegria para a população  ucraniana e assim motivar os soldados a lutarem pela sua nação.

Nem tudo foi flores para a volta deste campeonato, pois 2 equipes tiveram que ser removidas do campeonato por terem fechado as portas por causa da distribuição da infraestrutura dos clubes, os times foram Desna Chernihiv e FC Mariupol.

Estádio de Densa Chernihiv. Imagem divulgada pelo governo ucraniano.
Estádio do Densa Chernihiv destruído. Foto divulgada pelo governo ucraniano 

Ocorreu também uma grande saída de jogadores estrangeiros que resultou em um grande impacto na qualidade dos elencos ucranianos, como ocorreu com o Shakhtar Donetsk  que na temporada passada possuía um quartel de 14 estrangeiros( 12 brasileiros)e 2 brasileiros naturalizados ucranianos, na atual só há 4 estrangeiros( 1 brasileiro), segundo o Transfermarkt.

Enquanto a Ucrânia luta pela sua soberania e usando o futebol como esperança, a  Rússia ainda continua com seu futebol profissional como se nada estivesse ocorrendo, apesar do país ter sido expulso de disputar  qualquer competição internacional e também ter tido uma debandada de estrangeiros na competição, claro de proporções bem menores do que ocorreu na Ucrânia.

Pré-jogo Zenit x FC Sochi. Print do canal (Russian Premier League) Highlights da partida.
Pré-jogo Zenit x FC Sochi. Print do canal (Russian Premier League) Highlights da partida.
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Estudo realizado pela reportagem demonstra como clubes argentinos e brasileiros quase "extinguiram" outras nacionalidades da competição continental
por
Matheus Marcolino
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28/10/2022 - 12h

No próximo sábado (29), em Guayaquil, no Equador, Flamengo e Athletico-PR lutarão pelo título da Copa Libertadores da América de 2022. A competição terá a terceira final consecutiva apenas com clubes brasileiros, um recorde — mas não o único recorde superado durante os últimos seis anos na Libertadores.

Um processo de dominação do torneio, iniciado em 2017, parece ter atingido seu auge (ou algo muito próximo disso). Em toda a história da Libertadores, brasileiros e argentinos nunca foram tão dominantes.

Para tentar entender os motivos dessa supremacia, esta reportagem fez um levantamento que considerou todos os participantes das fases avançadas da Copa Libertadores da América desde sua primeira edição, disputada em 1960, em moldes muito diferentes dos atuais. Foram feitos cinco recortes temporais, que separam bem as diferentes “eras” da competição continental: de 1960 a 1970, de 1971 a 1988, de 1989 a 1999, de 2000 a 2016 e, por fim, de 2017 a 2022.

 

linha do tempo da libertadores
As “eras” da Copa Libertadores; divisão foi feita para facilitar o entendimento das estatísticas

 

A ERA DA SELETIVIDADE

Antes de falar sobre os dias atuais, é preciso voltar um pouco no tempo.

No início de tudo, a Libertadores tinha a mesma (simples) premissa da “Copa dos Campeões” da Europa: reunir todos os campeões nacionais numa disputa pela soberania no continente — o que justificava o número de participantes bastante limitado. Até 1966, somente o vencedor do campeonato nacional de seu país obtinha o direito de participar da competição. Na temporada de 1967, os vice-campeões nacionais foram introduzidos, mas a fórmula de disputa se manteve: num período de 11 anos entre 1960 e 1970 (tendo 1969 como exceção, quando teve quartas com um clube de cada país), as fases de mata-mata existentes na Libertadores eram somente semifinais e finais.

Os brasileiros demoraram a se estabelecer no torneio, que teve domínio argentino e uruguaio. Durante essa “era”, 77% dos clubes que disputaram as finais da Libertadores pertenciam aos países platenses; o Brasil foi o terceiro com mais representações: 4, ou 18% do total.

O modelo de disputa foi modificado para a temporada de 1971, trazendo novidades para as fases decisivas da competição. A partir daquela edição, as semifinais passaram a ser disputadas com dois grupos de três equipes; além disso, o atual campeão recebia o direito de começar a competição já nesta fase, enfrentando alguns dos primeiros colocados de cada um dos cinco grupos.

Essa configuração de disputa se manteve até 1987 (com um ensaio de mudança em 1988, recebendo uma “terceira fase” antes das semis, que voltaram a ter quatro equipes) e, como cada grupo contava com quatro times (sendo dois de cada país) a variação de nacionalidades marcou este período da competição: apesar de 40% dos times que disputaram as semis entre 1971 e 1988 pertencerem a Brasil ou Argentina, os dez países representados na Libertadores tiveram ao menos três participações na primeira fase decisiva da competição até então.

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"MAIS OU MENOS" COMO HOJE

A Libertadores assumiu o formato de mata-mata que conhecemos hoje, com oitavas, quartas, semis e finais, a partir de 1989. As fases anteriores, no entanto, foram recebendo cada vez mais clubes com o passar dos anos.

Entre 1989 e 1997, cada país recebia duas vagas na competição (três para o país com o atual campeão, que entrava nas oitavas). Com a chegada dos clubes mexicanos, em 1998, a competição passou de 21 para 23 participantes e criou uma primeira fase, na qual os representantes mexicanos enfrentavam os venezuelanos em busca de duas vagas na fase de grupos.

O sistema de disputa só foi modificado em 2000, quando a Libertadores passou a ter 32 equipes; os países participantes receberam uma vaga a mais — indo de duas para três -, com exceção de Brasil e Argentina (que foram de duas para quatro) e de México e Venezuela (que mantiveram as mesmas duas vagas).

Em 2005, um novo aumento no número de vagas entrou em vigor e, com ele, o sistema de “pré-Libertadores” ao qual nos acostumamos, com confrontos ida e volta para definir a classificação à fase de grupos. Brasil e Argentina tinham cinco vagas, enquanto todos os outros países tinham direito a três, totalizando 38 vagas.

Algumas mudanças relevantes aconteceram no início da temporada 2017. Antes disputada durante o primeiro semestre, a Libertadores passou a ser jogada por todo o ano e, por conta de divergências de calendário, os clubes mexicanos não puderam mais participar da competição. Além disso, ocorreu também o mais recente “boom” de vagas, subindo o número de participantes de 38 para 47; duas novas fases preliminares foram introduzidas — para acomodar tantos clubes sem precisar mudar o formato de disputa de fase de grupos e mata-matas tradicionais.

Com um grande número de vagas disponíveis e a esperada dominância dos clubes dos países mais ricos, que se acentuou no período, bizarrices como o Brasil conseguir nove vagas (2022) na competição passaram a ser normalizadas.

 

A DISCREPÂNCIA ATUAL

Desde 2017, só uma final de Libertadores não teve um clube brasileiro: a edição de 2018, que teve simplesmente um Boca Juniors x River Plate, o maior clássico argentino. Todas as finais tiveram apenas clubes brasileiros e argentinos nos últimos seis anos.

Os dados das fases de mata-mata, para além da grande final (que passou a ser disputada em jogo único na edição de 2019), são assustadores. Não é exagero dizer que a Libertadores, principal competição da América do Sul, se tornou a Copa Brasil-Argentina.

Nunca argentinos e brasileiros foram tão dominantes na competição continental — não em todas as fases de mata-mata, pelo menos. Desde 2017, a fase de oitavas de final da Libertadores contou com 96 participantes; 65 deles brasileiros ou argentinos, o que representa 68% do total. Esse número representa um claro aumento em relação aos 39% registrados entre 1989 (quando a fase foi inserida no mata-mata) e 2016.

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Os dados das oitavas de final, porém, representam a menor predominância numa só fase. Nos últimos seis anos, 39 dos 48 participantes das quartas de final da Libertadores foram de Brasil ou Argentina, 81% do total. Se comparado com outros recortes de tempo, o número é muito maior que os 56% registrados entre 2000 e 2016 ou os 39% do recorte de 1989 a 1999.

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Terceiro clube com mais participações em fases avançadas da Liberta no levantamento desta reportagem, o Nacional-URU só passou das oitavas de final em uma única oportunidade no período (2020); seu maior rival Peñarol, quinto colocado nesta mesma contagem, não participou do mata-mata da competição nenhuma vez.

times com mais mata-matas

 

As semis (junto da final) apresentam os dados mais impressionantes: desde o “boom das vagas” em 2017, 92% dos participantes nesta fase de mata-mata — ou 21 dos 24 times — foram brasileiros ou argentinos. É, por larga margem, a maior representação desde a primeira edição da competição: a média histórica desta fase, desconsiderando os últimos seis anos, é de 47% dos clubes pertencentes a Brasil ou Argentina. A dominância foi crescendo com o tempo, atingindo 59% entre 2000 e 2016, mas foi acelerada de forma incrível nos últimos anos.

 
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BUSCANDO UMA EXPLICAÇÃO

Existe algo que pode explicar tamanho domínio da dupla Brasil-Argentina? Apesar de não existir uma resposta certa, existem algumas teses: uma delas defende que a questão predominante é, essencialmente, financeira.

Brasileiros e argentinos detém os clubes mais ricos na América do Sul desde que a Libertadores foi criada. A distância financeira para os outros países, porém, só vem aumentando, ano após ano. Realizado pela Pluri Consultoria em 2019, o estudo “Gigantes das Américas” mostra que, assim como na sociedade, no futebol o dinheiro se concentra entre os mais ricos. Seis dos 10 times com maior arrecadamento no ano de 2018 eram do Brasil; três, argentinos — o melhor deles, Boca Juniors, ocupou a sexta posição do ranking.

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Os 20 maiores faturamentos da América no ano de 2018. Fonte: Pluri Consultoria
 
 

Mas a desigualdade na parte sul da América é evidenciada por outro número: apenas três clubes sul-americanos fora da dupla Brasil-Argentina estavam na lista dos 60 maiores faturamentos do continente americano: do Chile, Colo Colo (26º) e Universidad de Chile (46º); do Equador, o Barcelona de Guayaquil (55º). Em 2018, o arrecadamento do Colo Colo foi de 52 milhões de dólares, enquanto o Flamengo, segundo colocado do ranking, faturou U$149 milhões; o Palmeiras, primeiro colocado, faturou 179 milhões de dólares —quase o dobro da arrecadação de Colo Colo, La U e Barcelona somados (U$110 milhões).

O domínio Brasil-Argentina, causado pela falta de competição financeira à altura, se explica, também, por meio de um marco na Copa Libertadores, justamente no ano de 2017. No ano em questão, em que aconteceu o “boom” de vagas e que inicia o atual recorte temporal da competição, os clubes mexicanos deixaram de disputar o torneio continental.

A saída dos times do México foi extremamente relevante. No período em que estiveram na Libertadores (entre 1998 e 2016), os clubes do México foram os que mais rivalizaram com o TOP2 da América do Sul nas fases avançadas do torneio. Nesse recorte de tempo, apenas Brasil e Argentina tiveram mais participações que os mexicanos nas fases de quartas de final e semifinais.

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Além da questão técnica (que deixou de acontecer em campo), a competição entre Brasil-Argentina e México segue ativa no “quesito grana”. Em 2018, oito dos 30 maiores faturamentos do continente americano vinham de clubes mexicanos, de acordo com o levantamento Gigante das Américas — o Chivas Guadalajara, inclusive, tinha a terceira maior receita entre os clubes analisados, à frente de todos os argentinos, com 131 milhões dólares (um milhão a mais do que o Corinthians, quarto colocado do ranking).

Como o dinheiro comanda, a saída de um dos países ricos contribuiu bastante para a dominação argentino-brasileira. O problema (para o lado que fala castelhano) é que, nos últimos quatro anos, a soberania está pendendo apenas para o país do samba e do carnaval.

 

BRASIL DOMINANDO A ARGENTINA?

Como o campeão da Libertadores 2022 será Flamengo ou Athletico-PR, é garantido dizer que o Brasil terá seu quarto título consecutivo na competição — o quinto em seis anos, depois do boom das vagas. Se o domínio das fases de mata-mata da Libertadores se dá por brasileiros e argentinos, por que os títulos ficam com apenas um dos lados da “parceria”?

Também é uma questão difícil de ser solucionada, mas essa resposta (a mais provável, pelo menos) segue na mesma linha das anteriores: dinheiro. Não dinheiro, simplesmente, mas a junção da explosão de receitas brasileiras à crise do futebol argentino. Vamos por partes.

A situação econômica do futebol brasileiro vem sendo inversamente proporcional à do povo do país nos últimos anos. Enquanto o Brasil voltou ao mapa da fome e convive com o desemprego e a desvalorização do salário mínimo, o futebol nacional jamais movimentou tanto dinheiro em sua história.

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Campeão brasileiro em 2021, o Atlético-MG faturou R$33 milhões apenas com a premiação do título. Foto: Pedro Souza / Atlético
 

Segundo o levantamento “A Evolução das Receitas no Futebol Brasileiro”, realizado pela PLURI Consultoria em 2020, a receita dos principais clubes do país cresceu 250% entre 2010 e 2019, quase o triplo da inflação oficial (IPCA) acumulada para o mesmo período (76,31%). Se descontada a inflação, o número representa um crescimento real de 98% (7,1% ao ano). A receita com direitos de TV e premiações de participação em campeonatos — maior fonte de renda dos clubes brasileiros — cresceu 330% na década passada.

Enquanto isso, no país ao lado, os hermanos vivem uma grande crise econômica, que obviamente assola o futebol. No momento do fechamento desta reportagem, um dólar equivale a mais de 150 pesos argentinos. A situação era diferente em 2015, quando, no fim do governo de Cristina Kirchner, a cotação era de um dólar para nove pesos. Mauricio Macri, ex-presidente do Boca Juniors, assumiu o governo argentino em dezembro daquele ano e, contrariando promessas de campanha, anunciou mudanças num programa que esteve ao lado da ex-presidente Kirchner desde 2009: o Fútbol Para Todos.

Durante 2009 e 2017, o “Fútbol Para Todos” foi um programa estatal argentino que buscou democratizar o acesso ao esporte. Ao vencer uma disputa com o principal grupo midiático da Argentina, o Clarín, o governo federal comprou os direitos de transmissão do campeonato nacional e passou a exibir as partidas na TV Pública Digital, uma rede estatal. Além de facilitar a exibição do futebol, que foi para a TV aberta, os valores de direitos de TV foram distribuídos de forma mais igualitária durante os anos em que o programa esteve ativo.

 

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Cristina Kirchner, presidente da Argentina entre 2007 e 2015, ao lado de Diego Maradona, no anúncio do programa Fútbol Para Todos. Foto: Marcelo Carroll

 

Coincidentemente — ou não — dois clubes que não estão entre os mais ricos do país conquistaram a Libertadores durante o período do Fútbol Para Todos (Estudiantes, em 2009, e San Lorenzo, em 2014). Macri encerrou o programa em 2017 e renegociou os direitos de transmissão para os grupos Clarín, FOX e Turner, retirando o futebol da TV aberta argentina. O acordo foi selado por cinco anos, tendo um piso de 3.2 bilhões de pesos como valor definido.

O dinheiro com direitos de TV, inclusive, é o mais relevante nessa discrepância econômica entre brasileiros e argentinos desde 2017. De acordo com o Levantamento Financeiro dos Clubes Brasileiros 2021, da EY Consultoria, os clubes brasileiros faturaram R$3,6bi com premiações e direitos de TV no ano passado.

Em matéria publicada em 2020, Carlos Aira, escritor argentino, divulgou dados sobre valores de direitos de transmissão do futebol do país. O último contrato do Fútbol Para Todos, em 2015, repartiu 1.6 bilhão de pesos (185 milhões de dólares, na cotação da época) aos clubes da Superliga; no balanço da temporada 2018/19, o valor repartido foi de 2.6 bilhões de pesos — como o dólar flutuou entre 30 e 65 pesos, fixando o câmbio em 50 pesos, o montante equivale a 52 milhões de dólares. Para se ter ideia, em 2019, o dólar equivalia a cerca de R$4; no ano em questão, o Flamengo, campeão da Libertadores e do Brasileirão, faturou R$329 milhões em direitos de transmissão — o equivalente a cerca de 82 milhões de dólares. Um único clube brasileiro provavelmente ganhou da TV mais do que toda a liga argentina somada.

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Gabigol beija a taça da Libertadores após a conquista de Lima, em 2019. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Em entrevista concedida à reportagem, o jornalista argentino Agustin Troyano disse não conseguir enxergar os clubes de seu país conseguindo competir com os brasileiros a curto prazo. “Não vão poder competir porque a Argentina, hoje, passa pelo seu pior momento econômico. Um futebol que não tem organização, em que um dia se diz que jogam 20 equipes [na primeira divisão], no outro dizem que jogam 30. Isso vai fazendo com que o futebol se desgaste e que mais futebolistas decidam ir mais jovens daqui da Argentina até o exterior, ou a outro futebol”, afirma.

Agustin cita, também, como clubes e federação tentam buscar formas de conseguir dinheiro. “A Argentina não teve um representante nos últimos anos, com bastante força nas finais da Sulamericana e da Libertadores. Se você notar, eles foram, por exemplo, Boca e River — que apostaram na Copa Libertadores e não no torneio local. Apostaram em um torneio internacional que te dá mais poder econômico que um torneio local. Obviamente tudo isso não vem de agora, mas com a pandemia se agravou ainda mais e saiu um pouco mais para a luz. Por isso também a Argentina firmou esse contrato para a Supercopa da Argentina ser disputada na Arábia Saudita. Obviamente pela questão econômica e para vender os direitos televisivos”, afirma o jornalista, que é setorista do River Plate.

Nada parece ser coincidência: na edição de 2022, a Libertadores contou com cinco brasileiros e três argentinos na fase de quartas de final; dentre os cinco clubes do Brasil que chegaram a esta fase, estão as quatro maiores receitas de direitos de TV e premiações: Palmeiras (R$551 mi), Flamengo (R$450 mi), Atlético-MG (R$279 mi) e Corinthians (R$266 mi). 50% de todo o valor arrecadado com TV e prêmios está concentrado em apenas 5 clubes — o São Paulo se junta aos quatro primeiros da lista. A tendência, inclusive, é de que o abismo vá aumentando a cada ano. Em 2021, 13 clubes da Série A do Brasileirão faturaram ao menos R$100 milhões em direitos de transmissão e premiações. Nunca existiu tanto dinheiro à disposição no Brasileirão.

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O argentino Felipe Silveyra, também jornalista, destaca que a maioria dos clubes argentinos se aproximam mais dos chilenos do que dos brasileiros, economicamente falando: “Hoje, o futebol chileno lida com orçamentos maiores do que muitos dos times argentinos que participam da Libertadores. Posso garantir que qualquer jogador da Universidade Católica ganha mais do que qualquer jogador de Talleres, Colón ou Vélez”, conta.

“O futebol argentino está cada vez pior. Hoje não há time que jogue bem e seja favorito na Libertadores. River e Boca sim, […] mas não os vejo como candidatos. Logicamente, eles botam medo por causa do nome e do que geram, mas não são mais os mesmos de antes da pandemia. Se você quer saber, acho muito difícil que a Libertadores saia do Brasil”, completa Felipe.

A base de dados utilizada como fonte das estatísticas citadas provavelmente será disponibilizada ao público em breve. As porcentagens foram arredondadas para simplificar os dados.
Após longos quatro meses, maior liga de basquete do mundo volta com mais de 40 jogos para curtir até domingo
por
Allan Henrique dos Santos Freires
|
18/10/2022 - 12h

Nesta terça (18), a temporada regular da NBA volta oficialmente após longos quatro meses. Em sua noite de abertura, dois jogos prometem trazer grandes emoções para os fãs da maior liga de basquete do mundo. 

Às 20h30, Boston Celtics enfrenta o Philadelphia 76ers no TD Garden. Às 23h, o atual campeão Golden State Warriors recebe o Los Angeles Lakers na Chase Center. O confronto também deve marcar a tradicional entrega dos anéis de campeões para a equipe californiana.

A LIGA

A NBA é composta por 30 franquias divididas em duas conferências.

Conferência Leste: Boston Celtics, Brooklyn Nets, New York Knicks, Philadelphia 76ers, Toronto Raptors, Atlanta Hawks, Miami Heat, Charlotte Hornets, Orlando Magic, Washington Wizards, Indiana Pacers, Detroit Pistons, Chicago Bulls, Cleveland Cavaliers e Milwaukee Bucks.

Conferência Oeste: Los Angeles Lakers, Los Angeles Clippers, Sacramento Kings, Phoenix Suns, Golden State Warriors, Denver Nuggets, Portland Trail Blazers, Oklahoma City Thunder, Utah Jazz, Minnesota Timberwolves, New Orleans Pelicans, Memphis Grizzlies, Houston Rockets, San Antonio Spurs e Dallas Mavericks.

Todas as 30 franquias se enfrentam entre si ao longo de 82 rodadas. Ao final, as oito franquias com mais vitórias em suas conferências se classificam para os playoffs (desde a temporada 2020-2021, a NBA também implementou o play-in, fase preliminar aos playoffs em que o sétimo, oitavo, nono e décimo colocado da conferência competem por duas vagas).

Os playoffs funcionam como um mata-mata, em que as equipes se enfrentam em séries de melhor de sete partidas para avançar à próxima fase. O campeão de cada conferência então, se enfrenta em uma série de melhor de sete pelo título da NBA.

divulgação// NBA

O QUE HÁ DE MELHOR 

A noite de abertura já conta com dois grandes jogos. Nesta terça-feira (18), às 20h30, horário de Brasília, o Boston Celtics, vice-campeão da última temporada, vai enfrentar o Philadelphia 76ers. Os Celtics vivem um momento com suas turbulências por conta da lesão do pivô Robert Williams III e da suspensão do treinador Ime Udoka, que após campanha exemplar em seu primeiro ano como técnico, foi afastado por toda a temporada após a investigação em torno de um relacionamento com uma funcionária da franquia. 

Apesar disso, o Boston conta com seus líderes Jayson Tatum e Jaylen Brown, além do DPOY (Melhor Defensor da Temporada) Marcus Smart, e apoiados por sua torcida, são favoritos para o jogo de hoje. O 76ers, no entanto, promete dar trabalho, já que se reforçou com bons jogadores como PJ Tucker e contando com as estrelas de Joel Embiid e James Harden, são também um dos favoritos para a temporada.

No outro confronto da noite, além do prestígio da entrega dos anéis para os jogadores do Warriors, destaca-se o duelo individual entre as prováveis duas maiores lendas do basquete na última década: Stephen Curry, do Warriors, e Lebron James, dos Lakers. Os jogadores já se enfrentaram em quatro finais da NBA - sendo três vitórias do armador do Warriors contra uma de Lebron James, e devem protagonizar mais um grande confronto nesta noite. 

Outros aspectos da partida também devem chamar atenção. No lado do Warriors, a agressão de Draymond Green ao armador Jordan Poole em um treino da equipe abalou muito o ambiente na última semana, mas a princípio, já foi apaziguada. 

Pelos Lakers, o armador Russell Westbrook é incógnita para a partida e caso tenha condições de jogo, também é dúvida sua condição de titular ou reserva. Vale lembrar que o jogador já foi uma das maiores estrelas da liga, mas teve uma temporada muito ruim com o Lakers ano passado.

Até domingo, mais de 40 jogos estão marcados. Veja os principais confrontos e os horários (seguindo fuso de Brasília):

Quarta-feira (19)

20h30 – Brooklyn Nets x New Orleans Pelicans

23h – Phoenix Suns x Dallas Mavericks

Quinta-Feira (20)

20h30 – Philadelphia 76ers x Milwaukee Bucks

23h – Los Angeles Lakers x Los Angeles Clippers

Sexta-Feira (21)

20h30 – Miami Heat x Boston Celtics

23h – Golden State Warriors x Denver Nuggets

Sábado (22)

21h – Chicago Bulls x Cleveland Cavaliers

21h30 – Dallas Mavericks x Memphis Grizzlies

Domingo (23)

18h – Atlanta Hawks x Charlotte Hornets

23h – Los Angeles Clippers x Phoenix Suns

A pouco mais de duas semanas para o início oficial da temporada, a NBA promove mais de 60 partidas dentro e fora dos Estados Unidos
por
Allan Henrique dos Santos Freires
|
03/10/2022 - 12h

Após quase quatro meses de off-season, os times da maior liga de basquete do mundo, a NBA, voltam à ativa em preparação para a próxima temporada, que começa no dia 18 de outubro. Desde a última sexta-feira (30), várias equipes vem disputando amistosos dentro e fora dos Estados Unidos visando ganhar ritmo e testar rotações de seus elencos.

A pré-temporada começou com a excursão de alguns times para promover a liga em outros países. No Japão, o atual campeão Golden State Warriors venceu o Washington Wizards em duas partidas entre sexta-feira (96 x 87) e domingo (104 x 95). Apesar de em um jogo de pré-temporada o resultado final não ser o mais importantes para as equipes, as atuações do jovem pivô James Wiseman (que enfrentou dificuldades de se manter saudável nas últimas temporadas) e da lenda da franquia Stephen Curry foram o suficiente para empolgar a torcida da equipe de São Francisco. 

Pelo lado dos Wizards, a presença de Rui Hachimura na quadra animou a torcida anfitriã, ao ver um dos únicos dois jogadores japonês na NBA tendo a oportunidade de jogar dentro de seu próprio país.

Além dos confrontos em si, um encontro em particular também chamou muita atenção durante a visita dos campeões da NBA ao país asiático. Trata-se do astro do k-pop SUGA, que conheceu os jogadores dos Warriors e posou para fotos com astros como Klay Thompson e Stephen Curry. As estrelas ainda se arriscaram em outras áreas da cultura japonesa, como o sumô.

Dentro dos Estados Unidos algumas franquias recebem times estrangeiros para partidas amistosas. Também na sexta-feira (30), o Los Angeles Clippers enfrentou o Maccabi Ironi Raana, de Israel, e venceu por 121 x 81. O Adelaide 36ers, da Austrália, enfrentou neste domingo (02) o Phoenix Suns, em partida que terminou em surpreendente vitória dos australianos por 134 x 124. 

Ambas as equipes ainda tem amistosos contra o Oklahoma City Thunder, sendo o Adelaide 36ers na quinta-feira (06) e o Maccabi no próximo domingo (09). A equipe israelense ainda enfrenta o Portland Trail Blazers, também na quinta-feira. Essas cinco partidas marcam o fim de uma série de três anos desde o último jogo entre franquias da NBA e equipes estrangeiras, já que após a pandemia, os protocolos de segurança da liga se tornaram mais rigorosos.

Por último, alguns outros jogos na pré-temporada já chamam a atenção. Neste domingo (02), após uma semana de muitas polêmicas em meio à severa suspensão de Ime Udoka por conta de uma relação entre o treinador e uma funcionária da franquia - na qual a investigação do Celtics identificou que Udoka utilizou de linguagem imprópria à funcionária, segundo reportou a ESPN americana -, os vice-campeões da NBA iniciaram a pré-temporada com vitória sobre o Charlotte Hornets por 134 x 93.

Nesta segunda-feira (03), outro confronto deve atrair os olhos dos amantes da liga de basquete. Trata-se de Brooklyn Nets x Philadelphia 76ers, recheado de rivalidades recentes que devem aumentar a expectativa para a partida, apesar de um amistoso. Será a primeira partida do armador Ben Simmons com a camisa dos Nets desde que saiu justamente da Philadelphia na temporada passada após relação extremamente desgastada com os jogadores, staff técnico e torcida local durante as quatro temporadas e meia em que foi um dos principais jogadores da franquia. 

O jogador, inclusive, se recusou a treinar e jogar pelos 76ers durante a última temporada enquanto a franquia procurava trocar o atleta. Após enfim ser trocado pela superestrela James Harden, o jogador sofreu com uma lesão nas costas e ficou fora de toda a última temporada, mas agora se encontra em condições de jogo e pronto para iniciar sua jornada em Brooklyn junto de Kevin Durant e Kyrie Irving. O confronto está marcado para às 20h30 no horário de Brasília.

Até o início da temporada, mais de 60 partidas amistosas estão marcadas para este mês de outubro. O primeiro jogo oficial da temporada será entre Boston Celtics x Philadelphia 76ers, no dia 18, 3a.feira.