Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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“You seem pretty sad for a girl so in love” retoma a carreira da cantora após três anos de seu último lançamento
por
Jeórgia Sophia
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07/04/2026 - 12h

Na última quinta-feira (2), a cantora Olivia Rodrigo anunciou seu novo álbum, “You seem pretty sad for a girl so in love” — “Você parece muito triste para uma garota tão apaixonada”, em tradução livre para o português. O título do projeto quebrou a expectativa dos fãs, que especulavam uma palavra com 4 letras que nem nos outros discos. A capa também muda a estética roxa e o lilás dos álbuns anteriores,usando o rosa como cor principal.

Com lançamento marcado para o dia 12 de junho, data que coincide com o Dia dos Namorados no Brasil, o álbum aumenta a ansiedade dos fãs após três anos de espera. O projeto já está disponível para pré-venda em diversos formatos, como vinis, CDs e cassetes.

Pela manhã de quinta, logo após deletar todas as fotos de seu perfil oficial no Instagram, a cantora oficializou a chegada do novo álbum. “O meu terceiro álbum ‘You seem pretty sad for a girl so in love’ sai em 12 de junho. Não importa o quanto eu tente escrever músicas de amor, elas sempre vêm cobertas por um pouco de melancolia. Estou tão orgulhosa desse disco e mal posso esperar para que vocês escutem”, escreveu na publicação.

Dona de dois álbuns de grande sucesso, SOUR (2021) rendeu singles como “good 4 u”, “deja vu” e “traitor”. Ela foi nomeada “Mulher do Ano” pela Billboard em 2022, uma honra rara para uma artista tão jovem. Dois anos depois, Olivia lançou GUTS (2023), mostrando seu amadurecimento no mercado, com sucessos como “vampire” e “bad idea right?”.

Os dois álbuns somam três Grammys, sete Billboard Music Awards, quatro VMAs e um American Music Award. Olivia Rodrigo veio ao Brasil pela primeira vez como atração do Lollapalooza 2025, em São Paulo, e fez um show único de sua turnê “Guts World Tour” em Curitiba, Paraná.

Olívia Rodrigo na “Guts Word Tour” em 2025 Foto: Instagram @oliviarodrigo
Olivia Rodrigo na “Guts Word Tour” Foto: Instagram @oliviarodrigo

 

A artista pop de 22 anos confirmou, em entrevista à Vogue, que seu novo projeto é um álbum de amor. “As teorias dos fãs estavam certas: são todas músicas de amor, mas especificamente sobre obsessão e ansiedade — ou a depressão quando seu amante vai embora. São músicas tristes de amor”, disse Olívia 

 

 

 

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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A mineração do Bitcoin consome mais energia do que a Argentina inteira. Precisamos de mudanças, inclusive nas fontes de energia que usamos
por
Fernando Bocardo, João Kerr e Pedro Duarte
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07/05/2021 - 12h

Desde os anos 1990, se desenvolve o fenômeno das criptomoedas, moedas digitais que proporcionam maior liberdade e privacidade aos usuários, através do uso da criptografia. Hoje, a mais famosa criptomoeda é a Bitcoin, avaliada em mais de 300 mil reais. Por serem 100% digitais, as transações utilizando esse tipo de moeda não passam por uma autoridade central. Isso as difere da grande maioria das moedas como o real, controlado pelo governo brasileiro, e o dólar, controlado pelo governo americano. Toda transação feita com criptomoedas deve ser registrada em seu respectivo blockchain. 

Fonte: Infográfico da Fintech explica o que é o blockchain

As transferências precisam ser registradas e validadas por computadores, fornecidos por pessoas físicas. Esse processo é chamado de mineração e pode ser feito por qualquer pessoa que esteja disposta a ceder a capacidade operacional de seu computador, sendo remunerada por isso.

Por exigir muito poder computacional, a mineração de criptomoedas gasta muita energia. Esse gasto tem sido alvo de muitas críticas por parte da imprensa, às vezes de forma equivocada. Segundo a BBC, o uso energético voltado para a rede Bitcoin durante um ano é maior que o necessário para sustentar um país como a Argentina pelo mesmo período. O número assusta, mas engana. Qualquer tipo de tecnologia de ponta utilizada no mundo todo possui valores nesse nível. O Youtube e a indústria gamer, por exemplo, emitem quase o dobro de gás carbônico que o Bitcoin.

 

Gráfico mostra o valor da pegada de carbono do Bitcoin comparado ao de outras tecnologias

Críticas ao sistema de criptomoedas muitas vezes se baseiam em comparações com sistemas de pagamento como o cartão de crédito e o dinheiro impresso. Segundo Nic Carter, especialista em finanças, essa não é uma comparação justa

“Como o Bitcoin propõe um sistema monetário próprio e um sistema de pagamento próprio, o certo seria comparar seu gasto ao de todo o sistema do dólar e todos os pilares que o sustentam”

— Nic Carter, em entrevista à Bloomberg.

 

Nic é um economista e filósofo, especializado em “tecnologia anti-autoritária”

A mineração exige muita energia, mas o maior problema não é o gasto por si só, e sim o uso de energias não renováveis. Esse tipo de energia impacta o meio ambiente ao fazer uso de recursos que podem se esgotar em um futuro próximo.

Como os mineradores sempre buscam as melhores condições para obter maior lucro, acabam optando pelos locais que oferecem o melhor preço. A China, por exemplo, possui um dos melhores preços de energia elétrica do mundo, e por isso responde por quase 75% das operações do Bitcoin. Mas porque isso ocorre? Porque a China faz uso de uma das formas mais baratas de produção de energia: a queima de carvão mineral. Essa forma é, no entanto, uma das mais poluentes no mundo.

 

Usina de carvão em pleno funcionamento (Foto: SkyNewsBiz)

Nesse caso, uma mudança no sistema de energia chinês seria muito mais benéfica do que no sistema de mineração em si, e segundo Oderval Duarte, economista formado na UFMG, elas são cada vez mais acessíveis:

“A geração de energia através de fontes renováveis produz energia limpa sem agressão ao meio ambiente. (…) Em termos de custo, elas têm se tornado cada vez mais competitivas, se situando hoje em um custo muito menor do que algumas fontes que usam combustíveis fósseis para a geração”

— Oderval Duarte

No entanto, reformar enormes sistemas de produção de energia não é algo que pode ocorrer de um dia para o outro, e uma mudança rápida nos níveis de poluição é necessária. Caso contrário, cientistas estimam que teremos um aquecimento global de 2ºC até 2033, colocando em risco diversas espécies de animais e plantas.

As empresas de criptomoedas têm, portanto, o dever de promover ações que diminuam seu gasto energético. Tara Shirvani, especialista em sustentabilidade, sugere o sistema Proof of Stake.

Esse sistema atribui a responsabilidade da mineração aos maiores participantes na cripto, ou seja, quem tem mais dessa moeda. Dessa forma, não há uma gigantesca competição pela mineração e os mineradores não são obrigados a usar supercomputadores que gastam quantidades alarmantes de energia. A Ethereum, uma das maiores redes de criptomoedas do mundo, já aderiu ao sistema.

 

Platafroma de mineração de Bitcoin (Foto free: Shutterstock)

As criptomoedas vieram para facilitar transações fora dos bancos, sendo uma opção alternativa segura e eficiente. Seu gasto energético não é tão alto quando comparado a outras formas de tecnologia, mas pode trazer sérios problemas ao meio ambiente à medida que seu uso cresce.

Dessa forma, as empresas e governos nacionais precisam criar projetos eficientes para cortar os gastos dessa tecnologia, pois ela veio para ficar. As mudanças não passam por sanções à essa tecnologia, e sim pela utilização de fontes de energia renováveis e do sistema Proof of Stake.

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A tecnologia permite realizar o seu trabalho em qualquer lugar. O escritório é o mundo.
por
Guilherme de Lima Alavase e Luiza Mazzer
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20/04/2021 - 12h

O processo de desurbanização de grandes cidades do mundo, como Nova York, Chicago e Londres deve-se ao extraordinário avanço tecnológico que permite conectar os trabalhadores onde quer que eles estejam. Nas grandes cidades americanas, cerca de 25% dos profissionais já trabalham remotamente e muitos estão se mudando para outras regiões do país, conforme dados da empresa de videochamadas GotToMeeting, a qual analisa a origem das ligações. 

O fenômeno do home office, previsto para acontecer gradualmente, foi acelerado pela pandemia da covid-19 em diferentes lugares do mundo. No Brasil, segundo o IBGE, 7,8 milhões de trabalhadores atuam remotamente, podendo chegar a 20,8 milhões de postos de trabalho que facilmente podem ser convertidos para a forma remota. 

 A experiência inicial de trabalhar a partir de qualquer lugar parece ter sido bem aceita pelos trabalhadores, principalmente pelo fato de não precisarem mais perder horas no trânsito das grandes cidades. Alguns gastavam duas horas para ir e duas horas para voltar do trabalho, o que, para eles, era considerado uma grande perda de tempo.  

Com a consolidação do trabalho remoto, muitos trabalhadores passaram a considerar a possibilidade de mudança para fora das cidades grandes., Conforme pesquisa realizada pela empresa Ticket com 1000 trabalhadores brasileiros, eles querem mais contato com a natureza e mais tempo para outras atividades de seu interesse e, por estes motivos, consideram a mudança definitiva de cidade caso o trabalho remoto seja permanente. Como fator positivo do trabalho remoto, indicam principalmente a melhoria da qualidade de vida, devido a diminuição de deslocamentos e aos horários mais flexíveis, que permitem outras atividades na rotina. Além disso, o meio ambiente também é beneficiado com a diminuição de veículos na rua,

 

André Ferreira Endres, analista de negócios, trabalha remotamente para a  empresa “Consultoria Transnacional de Tecnologia” desde o início da pandemia da covid-19 e diz que o ganho de três horas desperdiçadas no trânsito todos os dias são sentidos de forma imediata. Endres tem utilizado essas horas para cozinhar, passando um bom tempo com a família em volta da mesa e do fogão, abolindo assim o fast food de sua rotina, o que para ele foi mais uma vantagem. O analista afirma que sua vida melhorou muito com estes momentos de relaxamento em volta das panelas. 

Porém, mesmo assim, ainda cumpre à risca sua rotina de trabalho: dedica à empresa quatro horas pela manhã e depois, no meio da tarde, trabalha outras quatro horas. Dessa forma, consegue equilibrar o trabalho, a vida pessoal e seus hobbies. Endres acredita que a empresa onde trabalha manterá grande parte de seus funcionários em trabalho 100% remoto. Se isso se confirmar, pretende se mudar para uma cidade média do interior de São Paulo, pois quer morar em uma casa mais espaçosa e com mais proximidade da natureza.

 Rodrigo Guimarães, especialista em educação profissional, antes trabalhava em São Paulo, mas atualmente trabalha da cidade de Franca, onde nasceu.  Para ele, o fato de morar em uma cidade menor, lhe dá mais tempo para se exercitar fisicamente e se alimentar de forma mais saudável. Nos últimos doze meses conseguiu perder 10 Kg com a mudança de estilo de vida. Guimarães afirma estar adorando o trabalho remoto e que se a empresa mantiver este formato, pretende voltar definitivamente para sua cidade natal, e apenas voltará à São Paulo a turismo nas férias ou finais de semana prolongados.

Essa mudança não tem acontecido apenas para cidades do interior, mas tem sido bastante frequente no litoral de São Paulo. O casal Tinay e Daniel Mondini, publicitária e engenheiro respectivamente, mudaram para Ubatuba após a decisão de suas empresas, localizadas na cidade de São Paulo, de adotar o trabalho remoto para seus colaboradores. Ambos afirmaram a melhora na qualidade de vida por morar em meio a natureza e a diminuição do stress. Um dos principais hobbies de Daniel é o surfe, e morando a poucos metros da praia de Itamambuca, consegue surfar antes do trabalho, o que deixa sua rotina mais leve.

O sonho dos dois é morar definitivamente em Ubatuba, porém a oferta de trabalhos em suas áreas é muito pequena na cidade, além da média salarial ser bem mais baixa do que em São Paulo. Com a possibilidade do trabalho remoto, podem continuar em suas respectivas empresas e realizar o sonho de morar perto da praia.

Muitas empresas brasileiras, inclusive a de Mondini, já decretaram fechamento de suas unidades físicas e seus funcionários passarão a trabalhar apenas remotamente.

 

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João Tognonato
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05/04/2021 - 12h

 

O monitoramento da COVID-19 nos esgotos tem sido uma arma bem utilizada para ajudar as autoridades na hora de adotar políticas públicas. Em países como Estados Unidos, Holanda, Austrália e até no Brasil seu uso é frequente, podendo inclusive se somar à detecção pelo teste de RT-PCR (Reação em cadeia de polimerase)

 

A prática não é nova. Em 1854, o médico inglês, John Snow,– conhecido como o pai da epidemiologia moderna – conteve um surto de cólera no bairro do Soho ao identificar uma bomba de água contaminada, que era verdadeira causa da epidemia. Ele não apenas salvou inúmeras vidas naquela ocasião, como também derrubou uma velha teoria científica que atribuía à causa das doenças, o ar contaminado pelos corpos em decomposição.

 

O conhecimento também foi usado no combate à poliomielite na década de 1950 e na identificação de usuários de drogas. Mas a técnica, na atual circunstância, só pôde ser aplicada após informações terem sido divulgadas; a principal delas, descoberta pela Dra. Michelle Holshue, da universidade de New England, foi saber que o vírus (ou pelo menos parte de seu material genético) sobrevivia nas fezes.

 

Após a publicação desse artigo, outros pesquisadores aprofundaram a pesquisa; até perceberem que existia nos esgotos uma taxa suficientemente alta de Sars-CoV-2 para ser extraída e analisada. Porém, foi o Dr. Gertjan Medema, na Holanda quem liderou o próximo passo; quando desenvolveu um método eficaz em conjunto com outros cientistas do instituto de águas KTW com aplicação direta na pandemia de COVID-19.  

 

No dia 6 de fevereiro de 2020, antes do vírus chegar na Holanda, ele fez uma espécie de teste, recolhendo amostras dos esgotos para experimentar a potência do seu equipamento. Mas foi só no dia 27 que detectou traços do coronavírus circulando nos subterrâneos das cidades de Amsterdan e Utretch. Como prova final, o Dr. Medema se dirigiu à pequenas cidades onde vírus ainda não fora encontrado, e fez outra bateria de coletas; a partir disso, descobriu lá o Sars-CoV-2 muito antes das fontes oficiais.

 

Em entrevista dada para o portal SmartWaterMagazine o Dr. Medema falou que “uma amostra de esgotos, quando colhida de forma apropriada, pode refletir os dejetos de 1.000 a 100.000 pessoas – e isto é particularmente importante quando vemos os índices de contaminação caírem, mas não sabemos ainda se o vírus está sob controle ou “escondido” em algum lugar, pronto para ressurgir dias depois”.

 

Dr. Medema foi enfático quando perguntado sobre as dificuldades de implementar este sistema, e disse que o empecilho não estaria propriamente na execução do projeto – pois ele é cientificamente muito simples –, mas num gap institucional entre os departamentos de meio-ambiente e de saúde que, segundo ele, dificulta a troca de informações. “É uma coisa que vem sendo construída na prática” – diz animadamente – repetindo sempre seu slogan: “nem todas as pessoas se testam, mas todas precisam ir ao banheiro.”

 

No Brasil, o projeto é liderado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em parceria com diversas instituições: a ANA (Agência Nacional de Águas) se responsabiliza pela articulação política e pelo investimento, o IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) envia membro aos comitê gestor que cuida dos contratos e da burocracia, a COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) apoia o setor de projetos e fornece os dados do sistema sanitário, e, por fim, a Secretaria de Saúde do estado de MG, que auxilia com dados do seu sistema – fazendo também uma ponte entre as instituições.

 

A equipe do “Monitora Covid” Iniciou seus trabalhos no dia 13/4, e já coletou as primeiras amostras em menos de 20 dias. O grupo promove “webinares”, com um detalhamento preciso de suas ações e divulga no site uma “nota técnica especificando cada parte do projeto.

 

Num país onde poucos testes são feitos, o monitoramento dos esgotos é imprescindível. Ele pode auxiliar as autoridades na hora de fechar ou abrir determinada região e ainda prever surtos no futuro. Contudo, não se trata de uma medida que, isoladamente tem poder de ação. É preciso sempre unir esses dados com as testagens individuais para obter uma documentação mais precisa acerca dos infectados.

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Grupo de alunos do curso de jornalismo na PUC-SP desenvolve robô-feminista
por
Daniela Oliveira
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26/06/2020 - 12h

Inspirados pela bibliografia básica do curso, Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Adichie, na disciplina Narrativas Jornalísticas: Transmídia, um grupo de alunos do terceiro semestre de jornalismo na PUC-SP desenvolveu um chatbot para responder perguntas sobre feminismo. Chatbot é uma plataforma digital que busca simular conversas humanas com os indivíduos que acessarem o ambiente virtual.

O bot leva o nome de Chia pois, além de assemelhar-se ao nome da autora do livro de inspiração, chia é uma semente que foi muito consumida por civilizações antigas, principalmente por aqueles que precisavam de força e resistência física. O projeto busca trazer informação e conhecimento para pessoas que querem aprender um pouco mais sobre feminismo, sendo assim, lhes oferecendo força, apoio e resistência, como a própria semente chia.

Além disso, orientados pela professora Pollyana Ferrari, o grupo desenvolveu dois perfis em redes sociais: um no Instagram e outro no Facebook (rede pela qual o bot também pode ser acessado), onde abordam diversas pautas feministas com seriedade, referenciando filmes, livros e outros projetos.

Logotipo: Brotos

 

Link para o chatbot: https://app.cosmobots.io/landing/c683cb86-a780-11ea-98cd-bb65306983b8

Link para o Instagram: https://www.instagram.com/projetobrotos/

Link para a página no Facebook: https://www.facebook.com/projetobrotos

 

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