Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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“You seem pretty sad for a girl so in love” retoma a carreira da cantora após três anos de seu último lançamento
por
Jeórgia Sophia
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07/04/2026 - 12h

Na última quinta-feira (2), a cantora Olivia Rodrigo anunciou seu novo álbum, “You seem pretty sad for a girl so in love” — “Você parece muito triste para uma garota tão apaixonada”, em tradução livre para o português. O título do projeto quebrou a expectativa dos fãs, que especulavam uma palavra com 4 letras que nem nos outros discos. A capa também muda a estética roxa e o lilás dos álbuns anteriores,usando o rosa como cor principal.

Com lançamento marcado para o dia 12 de junho, data que coincide com o Dia dos Namorados no Brasil, o álbum aumenta a ansiedade dos fãs após três anos de espera. O projeto já está disponível para pré-venda em diversos formatos, como vinis, CDs e cassetes.

Pela manhã de quinta, logo após deletar todas as fotos de seu perfil oficial no Instagram, a cantora oficializou a chegada do novo álbum. “O meu terceiro álbum ‘You seem pretty sad for a girl so in love’ sai em 12 de junho. Não importa o quanto eu tente escrever músicas de amor, elas sempre vêm cobertas por um pouco de melancolia. Estou tão orgulhosa desse disco e mal posso esperar para que vocês escutem”, escreveu na publicação.

Dona de dois álbuns de grande sucesso, SOUR (2021) rendeu singles como “good 4 u”, “deja vu” e “traitor”. Ela foi nomeada “Mulher do Ano” pela Billboard em 2022, uma honra rara para uma artista tão jovem. Dois anos depois, Olivia lançou GUTS (2023), mostrando seu amadurecimento no mercado, com sucessos como “vampire” e “bad idea right?”.

Os dois álbuns somam três Grammys, sete Billboard Music Awards, quatro VMAs e um American Music Award. Olivia Rodrigo veio ao Brasil pela primeira vez como atração do Lollapalooza 2025, em São Paulo, e fez um show único de sua turnê “Guts World Tour” em Curitiba, Paraná.

Olívia Rodrigo na “Guts Word Tour” em 2025 Foto: Instagram @oliviarodrigo
Olivia Rodrigo na “Guts Word Tour” Foto: Instagram @oliviarodrigo

 

A artista pop de 22 anos confirmou, em entrevista à Vogue, que seu novo projeto é um álbum de amor. “As teorias dos fãs estavam certas: são todas músicas de amor, mas especificamente sobre obsessão e ansiedade — ou a depressão quando seu amante vai embora. São músicas tristes de amor”, disse Olívia 

 

 

 

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Se tecnologicamente o vestibular pode ser considerado um acerto, pedagogicamente ainda é algo a ser discutido
por
Daniel Dias
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17/09/2021 - 12h

Por Daniel Dias

 

A tecnologia continua a evoluir a passos que a humanidade ainda se surpreende. Anos atrás os emails substituíram as cartas e após isso aplicativos como o Whatsapp, encontrados nos smartphones, deixaram tudo ainda mais prático.

Por muito tempo saber mexer nesses aplicativos era algo somente para o público adulto ou para pessoas que estudaram sobre o assunto, por conta da complexidade apresentada. Porém, hoje em dia são os jovens que comandam a utilização da tecnologia.

A geração atual praticamente nasce sabendo utilizar um celular ou um computador, sendo agora eles a ensinar os adultos. Tudo se tornou mais prático. Os livros físicos vêm sendo substituídos por digitais, as perguntas que necessariamente teriam que ser feitas para professores podem ser encontradas no Google, entre outras questões.

Por conta dessa evolução, tanto dos jovens quanto da própria tecnologia, o mundo e suas mais diversas áreas tiveram que se modernizar para não se tornar algo retrógrado em relação a esta geração. Recentemente, a área que sofreu com tal alteração foi a educação, as apostilas vem deixando de serem utilizadas e sendo substituídas em escolas que possuem condição, por tablets. Os livros que são indicados para leitura podem ser baixados em celulares, e provas podem ser feitas de modo digital.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) decidiu realizar em 2020, criando o ENEM digital para diminuir o gasto de folhas impressas, facilitar a correção da prova e também a velocidade da liberação dos resultados. Em relação a tecnologia, a ideia é interessante, pois ajuda em diversas questões ambientais e praticidade, no entanto por ser eletrônico ainda pode apresentar problemas como panes elétricas, falta de energia e outras questões.

Entretanto, e pedagogicamente falando? Como isso afeta os estudantes, escolas e cursinhos preparatórios? Tal mudança é realmente uma melhoria para a educação e será que é mesmo algo justo? Todos estarão prontos para realizar a prova digital até 2026 como está previsto?

A coordenadora Yanka Xavier do Cursinho Comunitário A-SOL, em Guarulhos, acredita que no momento a tecnologia possa escancarar a desigualdade social no sentido de auxiliar jovens da periferia a entrarem no ensino superior.

Mulher branca de cabelos pretos um pouco abaixo da linha do ombro . Está usando uma blusa preta, óculos pretos, um brinco de argola na orelha esquerda, e um piercing na região do nariz. Possui uma tatuagem de flor na região do peito, outra no braço direito
Yanka Xavier, coordenadora do cursinho A-Sol (Foto: Revista A-Sol)


Agemt: Como você vê essa mudança de alguns vestibulares, principalmente, do Enem para o digital? 

Yanka Xavier: Como coordenadora do cursinho A-Sol, percebi que, pelo menos nas periferias onde atuamos, não houve antes da implementação das provas digitais, o letramento e treinamento necessário para manter a qualidade na avaliação dos estudantes. Acredito que a tecnologia deve sim servir a melhorias, principalmente na questão do gasto de papel em relação ao meio ambiente, mas ainda assim percebemos que instituições como o INEP, por exemplo, atropelaram essa questão sem o fundamental preparo prévio dos estudantes, o que pode salientar ainda mais a desigualdade no acesso às provas, e não o contrário como impele a proposta. Muitos, por exemplo, mal tem contato com computador em casa e só acessam a rede de internet pelo celular que muitas vezes não tem a mesma qualidade de processamento e ferramentas.


Agemt: Você acredita que pedagogicamente falando, essa mudança facilita ou complica a vida dos estudantes e instituições de ensino a se prepararem para o vestibular? 

Yanka Xavier: Acredito que se houver o investimento no preparo, ou seja, no letramento digital e o investimento em maquinário principalmente com os estudantes que não tem condição alguma de ter um computador em casa, pode ser que comecemos a implementar a ideia de forma que atenda as demandas sem precisar atropelá-las. Como essa ideia foi imposta numa situação precária onde muitos estão mais preocupados em manter empregos e não passar fome do que conseguindo priorizar os estudos, acredito que surge aí o aumento da insegurança e não a melhoria no preparo do estudante para determinada prova. 

 

Cursinho Comunitário Arrastão da Solidariedade (símbolo do A-SOL)

Agemt: Neste momento, o cursinho tem condições de auxiliar os alunos a prestar o Enem digital? Com computadores que já os habituem a tal prova

Yanka Xavier: Como somos um movimento social e militantes voluntários, sem exceção, dependemos muito um do outro para fazer as coisas acontecerem, visto que, na cidade o poder público tão pouco se preocupa com a existência de cursinhos comunitários ou vimos o Estado com essa preocupação com o ensino médio, por exemplo, pelo menos nessa atual gestão. Por outro lado, mesmo sem qualquer apoio, sempre disponibilizamos questionários para saber como anda cada um deles e fazemos levantamentos per capita de quantos de nossos estudantes possuem ou não computador e internet em casa, ou se trabalham, tem o que comer, etc. Assim, podemos buscar soluções no nosso alcance para resolver um problema que não está na nossa alçada, visto que essas obrigações fundamentais teria de vir dos órgãos responsáveis já que o cursinho só existe porque o Estado ainda não tem cumprido seu papel de eficiência nas escolas, por outro lado, vem sucateando e privatizando as instituições de ensino. O resultado disso é menos acessos e menos soluções para problemas estruturais. Basta observar que este ano batemos recorde de baixa nas inscrições para o Enem em qualquer formato.


Agemt: Acredita que esse novo formato seja justo para todos os alunos? Desde os que possuíam uma qualidade financeira melhor até os de periferia?

Yanka Xavier: Acredito que este novo formato sem investimento e resoluções para problemas concretos e estruturais, pode na verdade salientar a desigualdade entre os estudantes no momento da prova com as justificativas que expliquei anteriormente. 

Agemt: Por enquanto esses vestibulares são somente opcionais, porém é estipulado que até 2026 o Enem será somente digital. Até lá, em relação a estrutura, a método de ensino e até mesmo pedagogicamente no geral, vocês já se vêm prontos para tal feito? 

Yanka Xavier: Sobre o corpo docente e a equipe diretiva e pedagógica do A-Sol, temos voluntários especialistas em ciência da computação e contamos com projetos voltados ao letramento digital a partir do ano que vem (2022). Nossa luta agora será conseguir equipamentos para que esse feito seja concretizado. Mas com certeza todo o estudante que entrar no A-Sol poderá contar com a força da nossa militância para que tenha um bom alcance em suas provas e consiga enfim alcançar seus sonhos e uma vida melhor. A gente acredita muito no potencial dos estudantes das periferias, mesmo que seja a classe mais prejudicada com toda a realidade material imposta a elas e a eles.

 

 

 

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O HCFMUSP recebeu robôs que ajudam no atendimento, diminuindo o contágio
por
Mário Gandini
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01/10/2021 - 12h

Por Mário Gandini 

No começo da pandemia, no ano de 2020,o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) recebeu robôs que permitiram aos médicos da unidade fazer atendimento aos pacientes com COVID-19, remotamente, usando recursos de telepresença. Os equipamentos foram doados pela empresa de tecnologia Pixeon e estão em cinco áreas do HC sendo usados para visitas virtuais de familiares aos pacientes internados e até mesmo na triagem, tudo isso com a finalidade de manter esse distanciamento social.

A doação reforça a estratégia da Pixeon de oferecer a hospitais e clínicas tecnologias que permitam aos pacientes uma jornada de saúde cada vez mais digital, sem deixar de lado o aspecto humano, tão importante em qualquer tratamento. O uso de robôs na medicina não é nenhuma novidade, principalmente na área da cirurgia. Com a chegada da pandemia muitos avanços foram agilizados e era de se esperar que essas inovações seriam realizadas de forma orgânica, fora desse cenário caótico que estamos vivendo com milhares de mortes decorrentes do Covid-19. Uma das grandes inovações foram os robôs usados no Hospital das Clínicas para realizar a triagem dos pacientes com suspeita de Covid-19

 

Na etapa de triagem, logo quando uma nova pessoa chega no ambulatório, o enfermeiro é quem controla o robô, se mantendo afastado de quem está com suspeita de contaminação. O robô se aproxima e realiza as primeiras perguntas, como, por exemplo, se a pessoa já apresenta problemas respiratórios etc. Em alguns casos, até mesmo os pacientes internados na UTI, quando precisarem de ajuda dos profissionais de saúde, são atendidos via robô. Thiago Maciel, formado em Ciência da Computação e funcionário do Hospital das Clínicas na área de tecnologia explica que durante a pandemia muitas empresas com projetos de utilização de robôs. "Ajudamos principalmente na parte da aplicação do desenvolvimento" como foi o caso da televisita. "O robô vai até o leito, se posiciona da melhor forma e faz a chamada com a família, com o pessoal que está de fora, e então podem usar vários softwares, como o do próprio aparelho ou o zoom, ou o WhatsApp”, afirma.

robôs usados na pandemia no HCFMUSP
Robôs usados na pandemia  no HCFMUSP
crédito: Divulgação O Globo

Maciel conta ainda que a pandemia trouxe necessidade de soluções tecnológicas que estavam em segundo plano. Projetos engavetados e ideias inovadoras tornaram-se prioridade numa sociedade pulsante por inovações. Além da aceleração de projetos antigos, muitos profissionais estão trabalhando para inovações tecnológicas. “Nós ficamos com um protótipo de um carrinho autônomo que não chegou a ser usado com o mesmo volume que o da televisita". Ele planeja integrar esse carrinho em projeto um pouco maior na UTI. "A nossa ideia é que todos os dispositivos de uma UTI se conectem em uma mesma rede e transmitam dados de forma uniforme para nós conseguirmos enxergar tudo sobre o paciente em um mesmo local", planeja. Mais: "hoje em dia não é assim, nós pensamos em um paciente um pouco mais complexo, ele tem um ventilador mecânico ligado a ele, uma bomba de infusão para aplicação de medicação, um monitor multiparamétrico e eventualmente mais um aparelho que ajuda na respiração. Então, você olha o posto de enfermagem tem várias telas, cada uma para você enxergar uma coisa, a ideia é justamente unificar esses dados que alimentarão a inteligência artificial do robô para ele tomar as decisões necessárias”, prevê.

 

 

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Com a crise energética de 2021, a energia solar é uma alternativa para minimizar danos econômicos
por
Rafael Monteiro Teixeira
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01/10/2021 - 12h

Por Rafael Monteiro

No final do segundo trimestre de 2021 um antigo alerta, que não era aceso desde 2001, está em evidência. Trata-se de uma nova crise energética, que obriga o País economizar energia mais uma vez. Por conta da crise hídrica, que leva ao problema em relação a energia, a conta de luz aumentou seu valor em 5%, além da aplicação de sucessivos aumentos nas bandeiras tarifárias, fato que tem pesado no orçamento das famílias ao redor do Brasil.

Nesse cenário atual, a saída mais viável seria a adoção de novas maneiras de se conseguir energia. Entre elas os painéis solares ou fotovoltaicos, que devem evoluir bastante, tanto no Brasil quanto em outros países, nos próximos anos. Mas primeiro, o que é energia solar? Se trata de toda a energia proveniente do sol, sendo essa térmica ou luminosa, fornecida em forma de radiação solar. É considerada por estudiosos como uma fonte energética inesgotável e superior a outras fontes de energia renováveis, como por exemplo, eólica, hídrica e geotérmica.

E para se obter essa energia solar é preciso dos painéis solares cujos preços para instalação podem variar bastante, podendo ser de R$ 4mil até R$ 10mil para uso residencial, e o preço apenas do painel pode ser de R$750 até R$900 por unidade.

painéis solares 1
Painéis solares (Imagem- Google imagens)

Além do próprio painel, também tem que ser comprado e instalado um inversor, que transforma e habilita a energia acumulada pelos painéis para que se possa utilizar em casa, onde os preços são de R$1.500 à R$40mil. Outro dispositivo importante seria as baterias solares, pois elas armazenam a energia restante, possuindo quatro tipos:  Baterias AGM (para instalações pequenas), Baterias Monobloco e Estacionárias (para instalações de uso contínuo) e as Baterias de Lithium (funcionais, porém com preços elevados).

Também é preciso contar com alguns outros elementos, como uma estrutura de suporte para os painéis, um contador bidirecional, cabeamento, um regulador de carga, e claro, o mais importante uma mão de obra especializada para instalar os aparelhos. Para Gustavo Sá, Engenheiro ambiental, MSc em Engenharia de Energia e professor de Pós-graduação do Senac Jabaquara, a utilização de painéis solares em residências é possível, porém não de imediato:

“Com um payback de aproximadamente 3,5 anos, para um tempo mínimo de geração estimado em 25 anos, tem-se um ganho médio de 21,5 anos sem pagar pela tarifa de energia – TE, cabendo somente o pagamento da tarifa mínima da concessionária, caso a unidade consumidora seja conectada à rede (on grid). O problema, creio eu, é o acesso ao recurso, pois prover um montante médio de R$ 13 mil para adquirir um sistema fotovoltaico e suprir o consumo de uma residência com 4 pessoas, muitas vezes não é fácil. Mesmo assim, observa-se que as pessoas preferem trocar seu veículo por um mais novo com esse recurso, mesmo que obtido em financiamentos (pagando juros não tão suaves), mas têm resistência em adquirir um ativo (isso mesmo, um ativo, gera lucro, já o carro só deprecia) e facilidade para financiar um veículo.”

Ele explica que existem dois tipos de energia solar mais comuns, a solar fotovoltaica (geração de energia elétrica) e solar térmica (aquecedores para água), ambas com contribuições positivas para o setor energético. “Para a geração solar fotovoltaica, cabe ressaltar que a geração pode ser feita em pequena escala (Geração Distribuída – GD: residências, comércios e indústrias, onde a unidade consumidora pode gerar sua própria energia e injetar o excedente na rede local) e grande escala (Geração Centralizada – GC: projetos de geração de energia elétrica de grande porte, voltados ao abastecimento público por leilões públicos de energia ou por venda no mercado livre de energia).” Diz Sá, ressaltando como funciona a energia solar fotovoltaica.

Ele fala também da geração de energia de grande e pequeno porte: “Para a geração de grande porte, existe uma regulação diferenciada, cujos incentivos são inerentes às fontes renováveis, aplicando-se ao atendimento público da oferta de energia ou pelos produtores do mercado livre de energia, o ML”, explica. Mais: “Para a geração de pequeno porte, em GD, que têm sido alvo de muitas discussões e polêmicas, a política energética praticada no país não prevê incentivos diretos, na forma de tarifas prêmio, por exemplo (buscar por feed in tariff). O que existe são convênios do Confaz que reduzem ou zeram alguma carga tributária (a depender da adesão por estados), o que na prática, reduz o preço dos kits de equipamentos”, informa.

É possível afirmar que a política energética atual do País não relaciona incentivos financeiros à importância da GD, que incluí a energia solar fotovoltaica, para o sistema interligado nacional (SIN). “Primeiramente é necessário dizer que a geração de energia solar fotovoltaica requer do sistema local uma capacidade de suporte, pois se todas as unidades consumidoras passarem a injetar energia na rede, certamente haveria a necessidade de uma atualização dessa rede local, entenda-se investimentos em ampliação”, prevê.

painéis solares
painéis solares com uma estrutura de suporte (Imagem- Google imagens)

Nesse contexto, a injeção de energia gerada por fonte fotovoltaica distribuída, dentro dos limites que o sistema suporta na atualidade, certamente é benéfica, pois evita-se que a energia gerada remotamente em usinas de fontes diversas tenha a necessidade de ser transmitida (pelas linhas de transmissão de energia, essenciais para este fim). Mas, ainda no ponto positivo, se por exemplo, uma residência produz exatamente a média de energia que necessita consumir, através de um sistema fotovoltaico de pequeno porte, não necessitando dessa forma injetar excedentes na rede, tem-se um cenário essencialmente positivo, pois supre a necessidade daquela unidade consumidora e ao mesmo tempo não exige da rede local um suporte, justamente por não estar injetando energia e sim consumindo somente o que necessita.” Comenta o engenheiro ambiental, sobre como alguns pontos positivos da energia solar para uso residencial e com ela pode reduzir os impactos da crise energética.

Vai na contramão da sustentabilidade energética-econômica e ambiental, já que a diversificação da matriz energética se constitui no melhor cenário, principalmente quando pensado em termos da "avaliação do ciclo de vida – LCA” sobre a implementação dos painéis. Ele ainda complementa que é preciso ser avaliada a possibilidade de uma matriz cada vez mais limpa, com fontes renováveis em geral, eliminando os combustíveis fósseis. Se durante a noite o sistema solar não gera energia, e então se a necessidade por energia é maior, a única forma seria armazenar durante o dia e distribuir a noite, fato que implicaria em uso de baterias (em grande escala e com proporções físicas gigantescas), tornando nos padrões de mercado de hoje, inviável. É necessário saber que, por exemplo, a utilização do hidrogênio vem se mostrando muito importante no contexto da sustentabilidade ampla, ou seja, econômico-energética e ambiental.

painéis solares 2
Painéis solares (Imagem- Google imagens)

 Sá garante que o que se percebe pelo ponto de vista da avaliação de ciclo de vida, é que um sistema de geração fotovoltaica tem tantos problemas quanto os demais, contudo, ao utilizar a energia do sol para conversão em energia elétrica, há diversos pontos de economia, principalmente porque dezenas de milhares de km de linhas de transmissão podem deixar de ser implantadas, conhecido como “do berço ao túmulo” na LCA. Assim, a possibilidade de gerar energia no local onde irá consumi-la é outra característica positiva importante no uso de painéis solares.

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Em 25 de agosto de 1991, o desenvolvedor mandara uma mensagem dizendo que estava com o sistema operacional quase pronto
por
Julia Nogueira
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11/09/2021 - 12h

Por Julia Nogueira

Este ano conta a marca de 30 anos do lançamento (17 de setembro de 1991) e da criação do engenheiro de software, Linus Torvalds, do sistema operacional Linux. O pinguim Tux (mascote oficial do Kernel Linux) segue representando mais de 600 distribuições existentes, e até hoje um dos maiores exemplos de colaboração de software livre. Com essa filosofia contrapondo a lógica dos mercados, o Linux ainda é de pouco conhecido das pessoas.

Cristina Motinha, 26, utiliza uma distribuição do Linux há mais de cinco de anos, e afirma que “é muito ‘não natural’ para nossa sociedade pensar que alguém vai fazer algo e deixar você usar de graça. E o software livre vem justamente para mostrar que não, que é possível você retornar seu conhecimento para comunidade sem cobrar. "É possível você distribuir gratuitamente e ainda assim pessoas pagarem pelo produto, mesmo podendo usar de graça. É um ‘modelo de negócio’ que não é fácil de ser compreendido, e por isso, acaba ficando muito fechado nas bolhas de computação, essa discussão não sai pra sociedade como um todo", afirma. Não chega nas escolas, "no máximo alguém esbarra nisso quando faz algum trabalho sobre pirataria". O software livre que muita gente interpreta como "software de graça" na verdade é muito mais do que isso, é uma mensagem de inclusão, de comunidade, de dar sem esperar algo em troca.”

Se Torvalds, 30 anos atrás, foi o passe para a criação, o Linux se mantém porque desenvolvedores e colaboradores do mundo todo avançam ao longo desses anos com o código aberto para todos. Motinha complementa: “eu vejo o software livre como uma horta comunitária: todo mundo ajuda com o que pode, vai ter gente fazendo muito, gente que não pode colaborar, mas todos os envolvidos sabem que todos tem direito a comer o que surgir dali.”

Centenas de distribuições podem ter vindo a acrescentar ao longo do tempo, mas esses 30 anos mostram que o que não mudou é que mesmo sob a perspectiva de inclusão digital, continuamos à mercê da lógica do mercado, e desinformação sobre o universo de software livre confirma isso. Cristina continua:  ”Tudo de computação é visto como feito por outros países, e o preço fica salgado pela conversão do dólar/importação, e assim como tem milhões de jogos piratas para os consoles, tem muitos CDs de softwares piratas também. Então, acaba juntando tudo. Você aprende na aulinha de informática a usar o Windows; vai pro seu trabalho, nos computadores Windows e Microsoft Office; vai pra casa, no seu notebook que já veio com Windows instalado. Vale a pena ficar sofrendo porque o formato do Libre Office não é compatível com o Word do trabalho? Mais fácil comprar um CD por 10 reais no camelô”, explica.

Mais do que apenas recuperar computadores velhos que não rodam novas atualizações de Windows, o Linux está presente em lugares que nem se tem ideia, como smartphones Android e as Smart TVs e, cerca de 85% das empresas o utilizam em seus servidores, como os casos do Facebook, Google, Amazon e até a NASA. Longe de alcançar a predominância do Windows nos desktops, a “horta comunitária” ainda cresce a cada dia, sem desviar da filosofia proposta 30 anos atrás.

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Jogado de maneira inteligente e pensado na segurança do praticante, o esporte prevê equipamentos pessoais e tecnologias de transmissão atualizadas
por
Gabriel Aragão Rodrigues Pereira
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04/11/2021 - 12h

Por Gabriel Aragão

O futebol americano, por natureza, é um esporte de contato que exige muito do físico de seus atletas e, diferentemente de muitos outros, seu equipamento é pesado e cobre diversas partes do corpo. Seu uso é essencial para a saúde do praticante, mas a consciência coletiva sobre sua relevância nem sempre foi tão elevada quanto é hoje, tendo avançando de mãos dadas com a tecnologia.

Na década de 1920, o capacete era feito de couro endurecido e depois o couro moldado (sim, o mesmo material usado em carteiras) tomou o lugar na proteção. Em 1949, o plástico é adotado para os capacetes ganhando, também, acolchoamento, mas não parou aí, sendo sempre aperfeiçoado até a versão que é hoje.

Em conversa, Paulo “Mancha” D’Amaro, comentarista e historiador de futebol americano, aponta inclusive para a importância do desenvolvimento desse equipamento para a segurança do jogo: “o capacete hoje em dia é desenvolvido de modo tecnológico, ele é simples, na verdade, mas é feito com cada vez mais testes para absorver os impactos e minimizar as chances de concussão”, explica. O comentarista lembra também que, nos primórdios do jogo, o esporte correu sérios riscos de ser banido por Theodore Roosevelt em 1905, por conta de muitas lesões e algumas mortes, resultando em mudanças de regras para um jogo mais seguro.

No capacete também se inseriu a facemask. Originalmente, se tratava apenas de uma barra. A facemask entrou em campo quando o técnico do Cleveland Browns, Paul Brown, exigiu que seu quarterback, Otto Graham, a utilizasse depois de sofrer um corte, precisando de 15 pontos no queixo. Nos anos 1970 foi adicionada uma nova barra (abaixo da original) com outras menores, ligando as duas, versão que ficou conhecida como “full cage”. Duas décadas mais tarde chegou a versão “grill”.

Evolução do capacete e da facemask.
(Evolução do design do capacete e da facemask. Ilustração de Sarah Niemann)

Todas essas mudanças foram pensadas com intuito de preservar a saúde dos jogadores, uma vez que as concussões são algo comum no esporte. Porém, não é só a cabeça que está em risco no futebol americano. Nos ombros, a proteção foi de feltro, lã e couro nos anos 1920, para espuma, couro endurecido, fibra sintética até, finalmente, plástico nas décadas de 1950 e 1960. A partir daí as grandes mudanças foram no design com os shoulder pads diminuindo de tamanho e o peso, ajudando na qualidade do jogo, sem perder a capacidade de proteger os atletas. O mesmo vale para o acolchoamento nas costelas, no abdômen, no quadril, nas coxas e nos joelhos.

Em entrevista, Patrick Dutton, fundador e CEO da Rio Football Academy (RFA), além de ter experiência como jogador, disse que, no cenário brasileiro: “Tem muitos atletas com condição de comprar do melhor e a gente vê bastante gente usando o mesmo equipamento da NFL (National Football League), quando se trata de capacete, proteção de ombro, chuteira, luva. A qualidade é muito boa”, opina. O que contribui para uma situação complexa é que, como Dutton lembra, existem mais lojas que vendem o necessário para a prática, mas, na acachapante maioria, é material importado, fazendo do custo arcado pelo jogador ser maior. Por esse lado, Dutton completa a questão anterior afirmando que ainda tem muitos atletas que usam equipamentos precários ou "equipamentos com mais de 10 anos de uso. Isso com certeza é prejudicial e é um perigo para a saúde física e mental dos atletas”, afirma.

Paulo Mancha lembra que nas décadas de 2000 e 2010 a ênfase das tecnologias desenvolvidas para o futebol americano se voltou a saúde dos praticantes, depois de anos projetando em como vender melhor o jogo e atrair mais fãs. Isso se deu pensando que a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) se tornou um problema conhecido publicamente, tanto na NFL como na National Collegiate Athletic Association (NCAA), que rege o esporte em nível universitário. O comentarista ainda encontra um papel importante da evolução da tecnologia nesse sentido fora do campo, com a inserção de um protocolo médico em suspeitas durante a partida, através de exames clínicos e com equipamento médico. Mas quando falamos de NFL e NCAA, estamos tratando da principal liga profissional do esporte no mundo e da principal organização do futebol americano em nível universitário, portanto, duas empresas bilionárias.

Pensando na brutalidade do futebol americano e no status do esporte no Brasil, Dutton afirmou que é irresponsável praticar o esporte (que no país é amador) sem plano de saúde.

Nem todas as melhorias tecnológicas no futebol americano, porém, são em prol da saúde, mas também no lado estratégico. No capacete, por exemplo, o quarterback e um jogador de defesa, de todos os times, tem um ponto eletrônico para ouvir qual jogada o técnico escolheu e que deverá ser executada. A partir daí, ele passa as instruções aos seus companheiros em campo. A ideia foi pensada por Paul Brown e no início houve dificuldades, como interferência do rádio da polícia e, em uma partida em Nova Iorque, até rádio de aviões, mas a ideia foi abandonada até voltar para o QB em 1994 e chegar ao lado da defesa em 2008.

No caso do Brasil, se tratando do aspecto tático, Dutton aponta para as plataformas de vídeo como Hudl, pensadas inteiramente no esporte para o estudo de vídeo e, por consequência, traçar a estratégia de jogo.

Paulo Mancha lembra que as melhorias tecnológicas desenvolvidas por causa do futebol americano tendem a se espalhar por outras ligas americanas, como as de beisebol, basquete, hóquei no gelo e até no automobilismo, através da troca de informações. O comentarista até cita que um “grande exemplo negativo disso é o VAR no futebol, mais por culpa do futebol, da FIFA e das confederações [do esporte], que são muito arrogantes e nunca foram buscar, junto à NFL, informações do Instant Replay. A NFL usa o replay desde 1994, então tem muito know-how disso, mas o futebol preferiu partir da estaca zero”.

A utilização do replay por aqueles que apitam os jogos da NFL já passou por várias mudanças. Hoje, o juiz principal do jogo vai até a lateral, onde uma pessoa segura um tablet da Microsoft com o lance sendo revisado. Além disso, o arbitro também discute com o chefe de arbitragem da liga (que fica em um escritório) o que estão vendo. Esses tablets também ajudam os jogadores fora da ação, já que podem observar o posicionamento do oponente no campo. Com isso as câmeras que revelam fotos instantaneamente perderam seu lugar no jogo. De maneira geral, a tecnologia faz o futebol americano um jogo melhor de se jogar e, por tabela, de se assistir.

O futebol americano, portanto, durante toda sua história se usou da tecnologia para evoluir, tanto na proteção dos seus praticantes que fazem as partidas acontecerem, quanto no aspecto tático, de estudo dos oponentes e formulação de uma estratégia para vencer, criando um esporte mais inteligente. 

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