Na sexta-feira (17), a Rio Fashion Week promoveu desfiles de marcas como Adidas, Helô Rocha e Misci, no Rio de Janeiro, com a apresentação de coleções autorais na passarela por meio de propostas que unem sustentabilidade e identidade, com o objetivo de fortalecer a moda como forma de expressão.
Angela Brito começou o dia de desfiles com uma coleção marcada pela representação do Rio, “Entropia”. Conhecida por sua ligação com a cultura africana, a estilista trouxe recortes e sobreposições diferentes em comparação à sua coleção anterior, “Pangeia”. Tecidos leves, recortes assimétricos e acessórios dominaram o ambiente. O auge foi a transição de tons que dialogam com o caos e a beleza do Rio de Janeiro.
Logo após, Karoline Vitto ocupou a passarela. A marca evoluiu de um discurso de inclusão para um de protagonismo. Os looks vieram mais ousados, com recortes que valorizam com uma paleta entre preto, branco, marrom, cinza, laranja e rosa, e a junção de detalhes em metais. A coleção foi pensada para corpos diversos e na beleza singular que deve ser valorizada em cada peça.
Em sequência, Apartamento 03 trouxe sua já conhecida linguagem experimental, mas com mais equilíbrio. Luiz Claudio Silva, diretor criativo e fundador da marca, acostumado a transformar o cotidiano em arte, inspirou-se na personagem Macabéa de “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector. O destaque foi a construção em camadas e fluidez que pareciam se adaptar naturalmente ao corpo. Os detalhes sutis em cada peça, seja em frases ou brilhos escondidos resgataram a alma da personagem, ingênua, invisível no mundo.
Helô Rocha apresentou uma coleção mística e repleta de poder feminino. Mantendo o trabalho artesanal como base, a estilista combinou bordados detalhados com cortes modernos. O contraste entre a fantasia e a passagem do tempo, com tecidos de segunda mão e materiais incomuns, como colheres para serem ressignificadas, gritaram autenticidade.
Em seguida, a Adidas trouxe a cultura periférica para a passarela. Com a abertura de Tasha e Tracie, a marca apostou na nostalgia pelo tênis Megaride, dos anos 2000. Peças streetwear dialogaram com bordados e macramê. As camisas da Copa do Mundo e do Time Brasil, em parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) ganharam destaque destque ao lado das bolsas em formatos de apitos de juízes.
Encerrando o evento na área externa, a Misci trouxe a identidade brasileira de forma única. O azul se espalhou pela locação junto com a bateria da Beija-Flor que ecoou pelo desfile. Brasil em foco. Gal Costa em 1970 serviu de inspiração para o conjunto apresentado. Peças de couro de pirarucu ou de origem vegetal fizeram do desfile um lugar surreal.