O Partido Social Democrático (PSD) prepara-se para lançar sua primeira chapa presidencial própria, com três pré-candidatos: o governador do Paraná, Ratinho Junior; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; e o recém-filiado governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Fundado em 2011, o partido agora abriga três nomes interessados na vaga da presidência. Em 27 de janeiro de 2026, Caiado deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, anunciando em vídeo que mantém sua pré-candidatura presidencial. Ele destacou ter sido “acolhido em um gesto de total desprendimento” no novo partido, afirmou não ver interesses pessoais conflitantes entre os concorrentes e disse que o nome escolhido terá o apoio unânime dos demais. Na ocasião, Gilberto Kassab declarou que Leite, Ratinho Jr. e Caiado passarão “a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”

No último dia 6, o governador Eduardo Leite oficializou sua pré-candidatura por meio de um “Manifesto ao Brasil” divulgado nas redes sociais. No texto de lançamento, Leite pregou por otimismo e inovação: “O Brasil pode ser um país estável em um mundo instável, pode ser potência em tecnologia, mas isso não acontecerá por inércia” e defendeu um “novo pacto pela governabilidade democrática”, criticando a excessiva judicialização da política. Leite buscou marcar diferenças em relação aos rivais, afirmando lamentar um país “dividido, fragmentado e excessivamente concentrado em disputas ideológicas”. Ele já havia deixado o PSDB em maio de 2025 para se filiar ao PSD, tornando-se um dos nomes disponíveis.

Ratinho Junior, filho do apresentador de televisão Ratinho, embora ainda não tenha feito uma cerimônia formal de lançamento, consolidou-se como pré-candidato ao Planalto. Em março ele chegou a afirmar publicamente que o partido deve definir “nos próximos dias” quem será a opção presidencial. Em entrevistas e eventos, Ratinho destacou que não se vê como “terceira via”, mas sim como “o candidato da direita democrática, da direita cidadã”, afirmando um projeto que combine eficiência estatal e atenção aos mais humildes. Em coletiva no dia 9, ao lado de Kassab, Leite e Caiado, na Associação Comercial de São Paulo, Ratinho reforçou que, independentemente de quem for escolhido, “a chapa a ser apresentada pelo PSD será ‘muito bem-vinda’ para a população”.

A decisão de Kassab de antecipar a escolha interna reflete a percepção de que o espaço para uma “terceira via” está se estreitando. Em 2025 Kassab chegou a apontar como opção inicial Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), mas o governador desistiu da corrida presidencial e preferiu buscar a reeleição no estado de São Paulo. Isso fortaleceu o trio do PSD como principais apostas da legenda. Kassab comentou que “quem tem três candidatos não tem nenhum” e por isso decidiu concentrar esforços em um só nome mais cedo. O partido não planeja prévias: o escolhido deverá ser aquele com melhor desempenho nas pesquisas e maior capacidade de articulação política junto a lideranças de centro e empresariais.
Uma pesquisa realizada pelo portal de notícias Terra aponta Ratinho Jr. na liderança entre os três nomes, mas todos ainda atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. As reações no partido ressaltam o caráter “alternativo” à polarização Lula-Flávio, com foco em propostas de transparência e eficiência. A estratégia implica riscos de dispersão de votos, e o escolhido precisará consolidar apoio cedo para evitar o “efeito voto útil”.
No PSD, Kassab elogiou o projeto de lançar candidato próprio e classificou a decisão como “saudável e positiva”, argumentando que é preciso começar cedo para consolidar a alternativa à polarização. Entre os pré-candidatos, observa-se certa cortesia mútua: Leite e Ratinho afirmaram apoio ao escolhido, e Caiado garantiu que, se outro for indicado, trabalhará pela unidade do partido. O presidente do PSD chegou a dizer que essa chapa “reúne pessoas que pensam o Brasil” e concedeu que haverá “apoio dos demais” ao nome definido. Nenhum dos três insistiu em compor chapa com Bolsonaro; Ratinho Jr. chegou a descartar aliança com o PL neste momento, prevendo candidaturas próprias.
A notícia da filiação de Caiado e da movimentação de Leite e Ratinho despertou reações variadas. No campo governista, aliados de Lula minimizam a viabilidade eleitoral do PSD: veem a iniciativa como tentativa de evitar que o eleitor de centro migre para Bolsonaro, mas ressaltam que os governadores do PT seguem favoritos. No espectro de direita, parte da estratégia do PSD deve disputar apoios de grupos conservadores que não se alinharam a Bolsonaro em 2022. O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), por exemplo, insistiu em manter sua candidatura. O presidente do União Brasil , Antônio Rueda, divulgou nota sobre a saída de Caiado, desejando-lhe sucesso na nova etapa.
Pesquisas recentes testaram os pré-candidatos do PSD em cenários presidenciais. Um levantamento Datafolha divulgado em março de 2026 mostrou Lula (PT) liderando no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com os três nomes do PSD ainda atrás. Em um cenário restrito de Lula, Flávio, Ratinho, Caiado e Leite, o atual presidente atinge 41%, Flávio 18%, Ratinho 12%, Caiado 7% e Leite 3%. Outro levantamento do Datafolha, que incluiu outros possíveis postulantes à Presidência, indicou que Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado aparecem com índices ainda modestos de intenção de voto no primeiro turno, distantes dos principais nomes da disputa. Em outras pesquisas recentes, como as realizadas por institutos e veículos como Record/RTIB e AtlasIntel, o cenário se repete: os pré-candidatos associados ao PSD ou ao campo de centro-direita não conseguem, neste momento, consolidar uma base eleitoral capaz de rivalizar diretamente com os principais polos da corrida presidencial. Mesmo quando testados em simulações de segundo turno, os dados mostram variações, com Ratinho Jr. apresentando desempenho relativamente melhor dentro desse grupo. Ainda assim, o panorama geral das sondagens indica que esses nomes permanecem atrás tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do principal representante do campo bolsonarista.
Segundo a legislação eleitoral, os interessados em disputar o cargo devem cumprir prazo de desincompatibilização. Ou seja, Ratinho Jr., Leite e Caiado precisam deixar seus postos de governadores até o início de abril de 2026 . Todos os três já manifestaram disposição de se licenciar dos cargos para a campanha se forem oficializados como candidatos. Caiado, que enfrentou processo de inelegibilidade por abuso de poder nas eleições de 2024, teve sua condenação revertida em recurso e atualmente está elegível.
Não há impedimento constitucional para que Kassab escolha diretamente o candidato, já que o PSD não adota sistema de prévias obrigatórias. O partido deverá realizar convenção nacional até abril para oficializar o nome escolhido. Caso o partido decida não lançar candidato próprio (hipótese improvável segundo Kassab), poderia formar aliança, mas ele já declarou que considera viável apenas chapa pura. Outra implicação é que, caso qualquer dos pré-candidatos fique de fora, ele poderá optar por concorrer a cargos proporcionais ou auxiliar sua bancada nas eleições legislativas estaduais e federais, estratégia mencionada por Kassab como importante para montar palanques regionais.