A Praça Zilda Natel, por muito tempo foi marcada pela aparência decadente e por uma arquitetura pouco convidativa à permanência e à convivência das pessoas. Esse cenário, no entanto, passou por uma verdadeira transformação, conduzida por aqueles que enxergaram potencial no concreto e naquele ambiente pouco ortodoxo: os skatistas.
O que costumava ser um espaço vazio e escuro, preenchido por uma arquitetura obsoleta e que parecia desenhada, justamente para reprimir a ocupação pública, foi completamente ressignificado por uma comunidade acostumada a encontrar valor em espaços que a maioria costuma evitar: os esportes radicais de rua, como skate, bicicleta e patins. Foto: Felipe Achoa Coelho da Rocha
Foram muitos anos de luta por uma reforma estrutural e conceitual. Desde 2009, a comunidade já tinha se apropriado do espaço e construído diversas estruturas por iniciativa própria. Entre as primeiras intervenções estavam o Bowl (ou piscina, em português) e a Mini Ramp, além de outras estruturas como as rubas, adicionadas nos anos subsequentes em decorrência de um evento de skate na praça. Foto: Felipe Achoa Coelho da Rocha
Somente em 2025, as barreiras e cantos desgastados e imperfeitos deram lugar a curvas, rampas e transições feitas e pensadas para a prática do Skate. Hoje, o local não é apenas uma praça pública, mas um autêntico templo do skate em São Paulo, consolidando-se como um polo cultural latente, no qual o esporte reinterpreta a arquitetura da cidade. Foto: Felipe Achoa Coelho da Rocha
As antigas barreiras de concreto foram transformadas em paredes de grafite, que revitalizam o ambiente e valorizam a natureza local. O piso, já muito corroído desde a construção original, foi completamente substituído por concreto armado, que evita imperfeições que possam travar o skate e gerar acidentes. As novas rampas criaram linhas icônicas, exploradas pelos grandes skatistas que ajudaram a construir a identidade do local. Além disso, as características taciturnas , que antes afastavam boa parte das pessoas, deram espaço a um ambiente muito mais receptivo a famílias e iniciantes na modalidade. Foto: Ivo de Carvalho
A inclusão de elementos arquitetônicos clássicos da praça, aliada a detalhes da própria cultura do skate, criou uma identidade única e positivamente melancólica. O bowl com as pastilhas verdes resgata a memória da primeira piscina construída no local, ao passo que a reconstrução do coping e o novo piso de concreto armado permitem uma evolução muito maior na prática do skate e ampliam as possibilidades de manobras. Foto: Ivo de Carvalho
Com uma identidade completamente nova e muito mais receptiva ao público geral, a praça conta com iluminação apropriada, caixotes, novas rampas e obstáculos de solo, tornando-se um paraíso para skatistas de todas as idades e níveis técnicos. O que antes era um mero local de passagem, inóspito e nada convidativo, se transformou em um polo cultural do skate em São Paulo, provando que a cidade pode (e deve) ser reinterpretada e apropriada pelas pessoas à sua maneira. Foto: Ivo de Carvalho