Olivia Rodrigo lança música sobre direito das mulheres

Na faixa “Serena Joy”, inspirada no “Conto da Aia”, a cantora explora opressão política e feminismo
por
Jeórgia Sophia
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16/09/2026 - 12h

A cantora norte americana Olivia Rodrigo lançou, no fim de agosto, a música “Serena Joy”. A faixa é inspirada na personagem do “O Conto da Aia”, um romance de Margaret Atwood. A cantora trata de temas em relação à opressão política e as consequências que se tem de apoiar movimentos que limitam seus próprios direitos e liberdades.

Na trama, mostra um mundo distópico onde os Estados Unidos, que se tornou República de Gilead, passou por uma revolução teocrática, mantendo uma nova ordem social onde as pessoas são divididas em “castas” e perderam liberdade e direitos básicos. Todos são obrigados a seguir seu papel na sociedade em prol de um mundo melhor. As mulheres perderam seus direitos fundamentais, inclusive controle sobre o próprio corpo. 

Antes do regime, Serena era uma forte ativista religiosa, lutava para que as mulheres voltassem aos valores e papéis familiares “tradicionais”. Entretanto, com a revolução, passou também a atingi-la, perdendo seus direitos, sendo impedida de ler, escrever, e se manifestar.

Olivia Rodrigo divulga nova música. Foto: Reprodução/Instagram @oliviarodrigo
Olivia Rodrigo divulga nova música. Foto: Reprodução/Instagram @oliviarodrigo

Ela passa a experimentar as consequências desse sistema que ajudou a construir, e que não abre exceções mesmo as mulheres que o apoiam. Se tornou amarga e infeliz, presa em casa o dia todo na espera do marido. Metáforas como “Se fazem isso com elas, vão fazer com você” são utilizadas ao decorrer da música. 

Em entrevista, Erich Mafra, jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduando em Literatura, Artes e Filosofia, explica que a relevância da personagem está justamente na reflexão sobre a participação da sociedade na ascensão dos regimes autoritários. “Ela representa muito como o autoritarismo chega ao poder não só pela força, pela violência ou pelo discurso, mas também pela conivência das pessoas que apoiam determinado sistema”, afirmou

Na letra, Serena Joy funciona como uma espécie de narradora, usada para provocar a reflexão de não aceitar sistemas autoritários ou prejudiciais ao bem-estar social, exige se colocar no lugar do outro. Segundo o Mafra, essa urgência explica por que o livro segue tão atual, enquanto há 40 ou 50 anos nomes como Angela Davis lutavam para conquistar espaço para o debate feminista, hoje esse espaço está em risco. Para ele, Olivia Rodrigo estaria justamente alertando sobre isso. Torna-se necessário sair de um lugar privilegiado e refletir sobre o que se pode perder daqui para frente.

Para o jornalista, unir literatura e música não é novidade na atualidade. Os artistas sempre se inspiraram em livros e filmes, e essas referências também mostram o que a geração consome. Ele cita o The Cure, que tem uma música baseada em O Estrangeiro, de Camus, como exemplo desse tipo de diálogo que aproxima o público de obras mais difíceis de acessar, algo especialmente relevante num país com baixos índices de leitura como o Brasil.

Em junho desse ano, a cantora anunciou seu próprio festival de música “Daisy Chain Fields”. O lucro da venda dos ingressos foi destinada a organizações dedicadas a defesa dos direitos das mulheres. Nas suas redes sociais anunciou a doação de US$ 10 milhões (R$ 52 milhões). “Espero que o Daisy Chain possa ser uma celebração de amor e da determinação que essas mulheres estão colocando para fazer deste mundo um lugar melhor” disse Olivia em discurso após anunciar o valor doado. Além do festival, a cantora lançou o single “Serena Joy” como faixa bônus do seu novo álbum “You seem pretty sad for a girl so in love”, também colaborando com parte do lucro ao fundo beneficente

 

 
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