Michael B. Jordan leva Oscar de Melhor Ator

O ator de “Pecadores” disputava o prêmio com o brasileiro Wagner Moura
por
Isabelli Albuquerque
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20/03/2026 - 12h

No último domingo (15), a 98° cerimônia do Oscar aconteceu no Dolby Theater em Los Angeles. Essa temporada de premiações foi marcada por diversos momentos singulares e a presença do brasileiro, Wagner Moura, na categoria de Melhor Ator. Dessa vez o troféu não veio para casa, Michael B. Jordan levou pela sua atuação no filme Pecadores.

 

Disputa pelo prêmio 

Jordan veio como um foguete e passou na frente de seus colegas nas chances de ganhar o prêmio. “Pecadores” teve sua estreia no primeiro trimestre de 2025, mas manteve sua relevância até o fim do ano, algo muito difícil de se atingir.

Desde a estreia do longa, a performance do ator tem sido muito comentada e bem prestigiada. Na trama, Jordan interpreta dois gêmeos gângsters no sul dos Estados Unidos, cada um com uma personalidade distinta e arcos opostos na história.

Durante a temporada de premiações, Jordan ocupou o segundo lugar como ator mais premiado por muito tempo, ficando atrás apenas de Timothee Chalamet. Foi após sua vitória no The Actor Awards que o ator se tornou oficialmente o favorito da categoria.

Wagner Moura começou sua campanha muito bem, lá em maio de 2025, quando ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Sua vitória, e de Kleber Mendonça Filho como Melhor Diretor, alavancaram “O Agente Secreto” num alcance mundial.

O filme recebeu diversas críticas positivas mundialmente, conquistando prêmios e 3 indicações ao Oscar, uma na categoria de Melhor Ator. Wagner, que havia ganhado o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, foi ganhando força ao longo da temporada, aumentando as esperanças de todos os brasileiros em ver o baiano ganhar um Oscar.

Quando a temporada de premiações iniciou, o favorito da crítica era o ator franco-americano, Timothée Chalamet pelo filme “Marty Supreme”. O ator teve sua primeira indicação ao Oscar aos 21 anos, por “Me Chame Pelo Seu Nome”.

O longa, que estreou em outubro do ano passado para a imprensa e críticos, recebeu muitos elogios e foi de cara marcado como um dos melhores do ano. Chalamet rapidamente ganhou o favoritismo dos especialistas e era a principal aposta para conquistar a tão desejada estatueta.

Porém, sua campanha foi por água abaixo quando o marketing do filme começou. A promoção de “Marty Supreme” foi extravagante, para dizer o mínimo, com grandes eventos em todo o mundo e outros artifícios mirabolantes. 

O maior problema, contudo, foi a arrogância que Chalamet transpassou em suas entrevistas. Em uma entrevista com o também ator, Matthew McConaughey, Chalamet fez um comentário de mau gosto sobre artes clássicas. Enquanto discutia suas ambições e paixão pelo cinema, o ator - que cresceu em uma família de bailarinas - afirmou não querer trabalhar com ópera e balé pois “ninguém se importa mais com isso”.

Seu comentário irritou a comunidade de artes clássicas, além do público geral, que passou dias comentando a fala polêmica do ator. A entrevista tomou enorme proporção e, durante sua introdução na cerimônia do Oscar, o apresentador Conan O'Brien brincou “A segurança está bastante reforçada esta noite. Ouvimos dizer que pode haver ataques tanto da comunidade da ópera quanto da comunidade do balé”.

Chalamet, que com apenas 30 anos já conquistou 3 indicações ao Oscar e outros prêmios importantes, afirmava ter sido esnobado pela Academia e deixava escapar frases que indicavam sua vitória no Oscar pelo papel de Marty Mauser. As falas esnobes do ator diminuíram suas chances e, o até então favorito para o prêmio, ganhou a antipatia do público e dos votantes da Academia.

Leonardo DiCaprio também foi indicado na categoria. O ator, que protagonizou o maior vencedor da noite, “Uma Batalha Após a Outra”, estava no topo das listas para ganhar a estatueta. DiCaprio têm uma longa história com a premiação, tendo sido indicado 8 vezes com apenas 1 vitória, conquistando uma fama de azarão por muitos anos.

Nessa temporada, foi considerado um dos grandes nomes para vencer na categoria, batendo de frente com Chalamet. Mas, surpreendendo críticos e apostadores, DiCaprio perdeu força ao longo de sua campanha, sendo substituído por Michael B. Jordan como principal oponente do francês.

O veterano Ethan Hawke, também foi indicado por sua performance em “Blue Moon”. Hawke, é o mais velho da categoria e possuí diversos filmes de sucesso, em bilheteria e crítica, em sua carreira.

Críticos previam sua performance como sendo a vencedora justamente pela carreira lendária do ator, que protagonizou os clássicos “A Sociedade dos Poetas Mortos” e a trilogia “Antes do Amanhecer". Além da filmografia aclamada, Hawke é querido por muitos membros da Academia - fato importante para a conquista de um Oscar, já que a cerimônia é conhecida por premiar atores que tiveram uma campanha impecável e não necessariamente as melhores performances.

Conforme o dia da cerimônia se aproximava, o resultado estava ficando mais e mais incerto. Alguns ainda acreditavam que Chalamet levaria um Oscar para casa, os brasileiros mantinham a fé em Wagner e outros confiavam que Jordan levaria a melhor - e estavam certos.

Em seu discurso, Jordan menciona outros artistas negros que receberam a mesma honraria como Forest Whitaker e Will Smith. O ator também agradeceu sua mãe, que estava na plateia, em um momento emocionante. Confira abaixo:

 

 

 

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