Os candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), disputarão o segundo turno das eleições no dia 25 de outubro. Segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 votos. Já Lula obteve 45,16%, o que representa 53.879.538 votos.
O candidato Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar na disputa e recebeu 3.448.569 votos (2,89%). Em seguida, Renan Santos (Missão) alcançou 2,24%, o que equivale a 2.675.887 votos. Em quinto lugar, Ronaldo Caiado (PSD) teve 2.605.148 votos (2,18%), seguido por Romeu Zema (Novo), com 326.488 votos (0,27%).
Entre os candidatos de menor expressão, Samara Martins (UP) conquistou 122.911 votos (0,10%), seguida por Hertz Dias (PSTU), que obteve 43.103 votos (0,04%). Logo atrás, Clariana Barão (DC) alcançou 40.043 votos (0,03%). Edmilson Costa (PCB) apareceu em seguida com 22.693 votos (0,02%). Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) alcançaram o mesmo percentual de 0,01%, com 16.881 e 15.024 votos respectivamente.
O TSE apurou 125.275.835 votos, dos quais 95,23% foram válidos: 119.300.788 votos. Entre os votos inválidos, foram 2.300.798 brancos (1,84%), enquanto 3.674.249 (2,93%) foram nulos. Entre os 158.745.502 eleitores aptos ao voto, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, o que representa 21,08% de abstenções – o maior índice registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998.
Em sua primeira disputa à presidência, Flávio Nantes Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, chegou ao segundo turno com um resultado superior ao obtido pelo pai no primeiro turno de 2018. Flávio foi deputado estadual do Rio de Janeiro por quatro mandatos, entre os anos de 2003 à 2018, e ocupou o cargo de senador de 2018 a 2026.
Já Luiz Inácio Lula da Silva participa de sua oitava disputa à presidência, sendo a quarta vez que vai ao segundo turno. Sua estreia na corrida pelo Executivo aconteceu em 1989, primeira eleição após a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, quando perdeu no segundo turno para Fernando Collor. Lula sairia derrotado novamente nas disputas de 1994 e 1998, ambas perdidas para Fernando Henrique Cardoso.
Em 2002, foi eleito no segundo turno, com 53 milhões de votos pelo Brasil. Quatro anos mais tarde, em 2006, se reelegeu com o voto de 58 milhões de eleitores. O candidato voltou a concorrer pelo cargo mais alto do Executivo em 2022. Em uma disputa acirrada com o então presidente Jair Bolsonaro, Lula foi eleito no segundo turno por uma diferença de 2,1 milhões de votos, a menor margem percentual registrada em uma eleição presidencial brasileira.
Confira o resultado do 1º turno nas cinco regiões:
Sudeste
No Estado de São Paulo — o maior colégio eleitoral do país — Flávio Bolsonaro manteve o desempenho à frente de Lula. O candidato do PL obteve 12.922.023 votos (51,93%), já o candidato à reeleição alcançou 9.505.413 votos (38,20%).
Em Minas Gerais — o segundo maior colégio eleitoral do país e tido como um “espelho” para as projeções nacionais — Flávio se manteve à frente do adversário, mas com uma diferença menor do que em São Paulo. O ex-senador recebeu 5.777.468 votos (48,24%), enquanto Lula teve 5.188.546 votos (43,33%). Apesar de ter ficado mais de sete anos à frente do governo do Estado, Romeu Zema teve menos de 1% dos votos válidos. O candidato do Novo recebeu 98.407 votos (0,82%).
No Rio de Janeiro, Bolsonaro permaneceu em vantagem sobre Lula, com 4.966.844 votos (53,01%), contra 3.693.021 votos (39,41%) do presidente. No Espírito Santo, o candidato do PL seguiu à frente do petista, com 1.233.194 votos (54,78%), já Lula teve 850.028 votos (37,76%).
Sul
O candidato Flávio Bolsonaro teve mais votos nos três estados do sul do país. No Paraná, o ex-senador registrou 3.945.345 dos votos (59,91%). Lula, por sua vez, angariou 2.054.597 (31,20%). Mais ao sul, em Santa Catarina, estado que possui forte presença do bolsonarismo, Flávio recebeu 3.000.020 dos votos (66,65%), o candidato à reeleiçãocontabilizou 1.127.168 (25,04%).
No Rio Grande do Sul, o candidato do PL também saiu à frente no primeiro turno: 3.573.783 eleitores (55,64%) optaram por ele, enquanto o candidato do PT levantou 1.127.168 de votos (25,04%). Apesar da predominância de Flávio no estado, Lula conquistou mais eleitores na capital gaúcha, Porto Alegre, recebendo 377.252 votos (48,57% ) do total.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro também predominou sobre Lula. No Distrito Federal, menor unidade federativa do país, Lula recebeu 675.627 votos (38,11%), enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 909.616 votos (51,31%). Em Goiás, Flávio Bolsonaro obteve 2.051.888 votos, equivalentes a 53,60% dos votos válidos. Lula recebeu 1.188.880 votos (31,06%). O candidato Ronaldo Caiado, que governou o Estado por dois mandatos, terminou na terceira posição, com 472.041 votos (12,33%).
No Mato Grosso, o ex-senador registrou 1.298.581 votos (65,15%), enquanto Lula recebeu 581.681 votos (29,18%). Abaixo desse estado, em Mato Grosso do Sul, Flávio também terminou à frente, com 873.351 dos votos válidos (58,60%), e o atual presidente contabilizou 516.855 eleitores (34,68%).
Norte
Na região Norte, os resultados mostraram vantagem de Flávio em quatro dos sete estados, enquanto Lula apareceu à frente no Amazonas, no Pará e, por uma diferença mínima, no Amapá, onde o atual presidente recebeu 212.503 votos (45,71%) — 225 votos a mais que o adversário do PL, que alcançou 212.278 (45,67%).
No Acre, Flávio Bolsonaro registrou 302.807 votos (64,56%), contra 134.770 (28,73%) de Lula. Em Rondônia, foram 652.988 votos (67,45%) para o candidato da direita e 250.667 (25,89%) para o petista. Já em Roraima, Flávio somou 231.322 votos (71,06%), enquanto Lula teve 74.420 (22,86%). No Tocantins, Flávio também ficou à frente, com 469.321 votos (50,44%), contra 404.009 (43,42%) de Lula.
Nos demais estados, Lula aparece na liderança. No Amazonas, o candidato recebeu 1.046.996 votos (48,23%), enquanto Flávio teve 976.764 (45,00%). No Pará, Lula somou 2.427.237 votos (49,91%), contra 2.163.957 (44,50%) de Flávio.
Nordeste
No Nordeste, Lula liderou a votação nos nove estados, com mais que o dobro dos votos de Flávio Bolsonaro no total. O petista obteve 63,77% dos 33.704.652 votos válidos na região. O presidente somou 21,49 milhões de votos, contra 10,39 milhões (30,85%) do candidato do PL.
Na Bahia, Lula teve a maior votação absoluta da região, com 5.664.771 votos (66,17%), enquanto Flávio recebeu 2.442.585 (28,53%). No Ceará, foram 3.555.263 votos (63,29%) para Lula, contra 1.756.850 (31,27%) de Flávio. Em Pernambuco, o petista somou 3.553.971 votos (63,45%), enquanto o senador teve 1.738.043 (31,03%).
No Maranhão, Lula recebeu 2.566.301 votos (63,99%), contra 1.239.040 (30,90%) de Flávio. Na Paraíba, foram 1.541.127 votos (61,31%) para Lula e 831.377 (33,07%) para Flávio. Já no Rio Grande do Norte, o petista teve 1.237.963 votos (59,75%), enquanto Flávio ficou com 720.493 (34,77%).
O Piauí registrou a maior vantagem percentual de Lula no Nordeste: 70,99% dos votos válidos, contra 24,09% de Flávio. Foram 1.523.710 votos para o petista e 517.028 para o candidato do PL, uma diferença superior a 1 milhão de votos.
Em Sergipe, Lula alcançou 856.019 votos (62,75%), contra 417.839 (30,63%) de Flávio. Já Alagoas teve a disputa mais equilibrada da região: Lula recebeu 995.459 votos (54,73%), enquanto Flávio somou 735.718 (40,45%) — diferença de 14,28 pontos percentuais.
Próximos passos
Após o término da apuração, o presidente Lula falou à imprensa em um hotel em São Paulo, ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). Também acompanharam o pronunciamento os candidatos da chapa paulista de Lula: Fernando Haddad (PT), que disputou o governo do Estado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado — todos derrotados nas respectivas disputas.
“Eu confesso que estava convencido de que eu ia ganhar as eleições no primeiro turno, mas eu já pensei isso outras vezes”, reconheceu o presidente. Lula afirmou que o segundo turno representa uma "prorrogação” da disputa e relembrou eleições anteriores em que também precisou enfrentar uma segunda votação. “É a hora da gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, declarou.
Segundo o petista, além de apresentar as diferenças entre sua trajetória e a de Flávio Bolsonaro, sua campanha deverá se concentrar na mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas. A campanha fará um "apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil o voto é necessário", explicou o presidente.
Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, se pronunciou em seu QG de campanha, no Lago Sul, em Brasília, ao lado de apoiadores e integrantes da campanha. O candidato do PL se antecipou em dizer que o resultado da votação representa o “fim da era do Partido dos Trabalhadores”, cujo legado, segundo o presidenciável, é “um recorde de desesperança”.
O senador também reforçou duas das principais bandeiras apresentadas durante sua campanha: a defesa do fim da reeleição para presidente e a acusação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) teria interferido na eleição para beneficiar o adversário petista. “É assim que vou continuar me comportando nessas próximas três semanas: com uma campanha limpa, como alguém que não está preocupado com a perpetuação no poder”, declarou.