Influencer de moda perde seguidores ao assumir esposa

Para Silvia Henz, em seu ”perfil LGBTQIAPN+ o L não é de linda, faz parte da minha identidade e faz parte do meu orgulho de resistência”
por
Livia Vilela
Giulia Dadamo
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28/08/2023 - 12h

Silvia Henz, jornalista e influenciadora que fala de moda sustentável nas redes sociais, foi vítima de uma chuva de comentários lesbofóbicos depois de postar foto de ano novo beijando a esposa. 

A influenciadora acumulou mais de 300 mil seguidores no Instagram e no TikTok dando dicas de styling, moda consciente e atemporal para mulheres. Apesar de nunca ter escondido sua orientação sexual ou seu relacionamento de seis anos com a jornalista Nadia Bochi, em janeiro de 2023, foi surpreendida com o que chamou de “limpa de homofóbicos”, perdendo mais de 30 mil seguidores e recebendo uma onda de comentários preconceituosos a respeito do seu casamento. 

“Sempre que eu posto foto com a minha esposa eu sou ‘punida’ por isso em forma de perda de seguidores, mas dessa vez foi diferente. Eu achei que a minha orientação sexual estivesse clara, já que a Nadia sempre aparece nos meus stories, e postei uma foto no primeiro dia do ano. Eu não achei que fosse ter uma debandada tão grande”, afirmou em entrevista para a revista IstoÉ .“Eu demorei muito para chegar onde eu cheguei e parece que toda vez que eu bato um número grande de seguidores, eu sou cancelada por causa da minha orientação sexual. Será que 130 mil seguidores é o máximo que uma lésbica pode chegar?”, continuou. 

A reação de Silvia foi imediata: deletou as mensagens homofóbicas da sua postagem e bloqueou os usuários que realizavam os ataques. Além disso, fixou postagens com a esposa, incluindo uma foto posando com a bandeira LGBTQIAP+, para deixar claro este aspecto da sua vida pessoal e evitar outros possíveis ataques.

Silvia levantando uma bandeira LGBT
Silvia Henz em postagem do Instagram

Para o casal o mais inesperado foi a reação das seguidoras mulheres, com total falta de sororiedade.  “Ela é criadora de conteúdo e ajuda milhares de mulheres a aprender a se vestir, nunca imaginou que as próprias mulheres que a seguem pudessem ter uma reação homofóbica a um simples beijo.”, afirmou Nadia, que já foi repórter do programa Mais Você, da Rede Globo. 

Além disso, Silvia comentou sobre a dificuldade de garantir espaço de mulheres lésbicas no seu eixo. “Não tem grandes lésbicas da moda. Moda é minha área e eu não cresci vendo exemplos de sucesso. Sou a primeira influencer lésbica da [empresa] FHits e várias vezes sou a primeira lésbica dos espaços.” 

O diretor artístico de eventos e produtor, Ivan Oliveira, afirma em entrevista para a AGEMT, porém, que não vê tanta limitação, já que cada vez mais estão presentes todas as variáveis da representatividade LGBT.  

Como um homem gay, ele reconhece que a homofobia ainda é presente no dia a dia da população, visto que, o Brasil - pais de terceiro mundo, latino e patriarcal - possui padrões e paradigmas difíceis de quebrar. “Mas eu vejo cada vez mais a participação de pessoas da comunidade trabalhando em editoriais. As marcas têm tido políticas de inclusão e há uma aceitação muito maior do que antigamente.” 

Após trabalhar por quase 10 anos fazendo desfiles de moda para grandes marcas, incluindo a L´Oréal, percebeu que no caso de influencers, abre-se uma comporta para ‘haters’. “No meio digital existem pessoas que se escondem para comentar atrocidades anonimamente, muitas vezes a fim de conseguir visibilidade.”

“A violência existe, mas como uma consequência da educação do nosso país. Estamos longe de acabar com a homofobia, mas é um trabalho que precisa ser feito arduamente. Ninguém escolhe ser LGBTQIAP+, elas nascem desta forma. Elas são o que são.” 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo