Fortes temporais devastam o sudeste de Minas Gerais

Juiz de Fora e Ubá batem recordes de chuvas e população sobre com desastre climático
por
Vitoria Wu
Gustavo Tonini
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02/03/2026 - 12h

Da noite de segunda-feira (23) para a madrugada de terça-feira (24), a região Sudeste de Minas Gerais foi atingida por intensas chuvas. No município de Juiz de Fora, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), foi registrado um volume total de 209,4 milímetros, um recorde histórico para o mês de fevereiro. No município de Ubá, as chuvas provocaram a inundação do rio Ubá e alcançou a marca histórica de 7,82 metros de altura

Os índices pluviométricos extremos provocaram inundações e deslizamentos que resultaram em mortes e desaparecimentos nos municípios afetados. Em Juiz de Fora, até o momento, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) registrou 69 mortes. Em Ubá, foram confirmadas seis mortes. Juiz de Fora chegou a registrar 16 desaparecidos, enquanto em Ubá, duas pessoas. Além das vítimas fatais, a prefeitura de Juiz de Fora confirmou 8.584 desabrigados e desalojados, enquanto Ubá registrou 396 desalojados e 25 desabrigados. As buscas aconteceram na manhã da última segunda-feira (02).

(Os rastros de destruição deixados após o desastres em juiz de fora,@engenhariaambientalbr)
Os rastros de destruição deixados pelas chuvas, em Juiz de Fora. Foto: Instagram/@engenhariaambientalbr

 

Fazendo fronteira com Juiz de Fora, pontos do município de Matias Barbosa também sofreram com os temporais. Mesmo sem registros de óbitos, 300 imóveis foram atingidos, deixando mil pessoas desabrigadas, de acordo com estimativas da prefeitura.

Para lidar com a situação, os bombeiros locais organizaram oito frentes de trabalho; seis em Juíz de Fora e duas em Ubá. As prefeituras de ambos os municípios declararam estado de calamidade pública, medida que possibilita o recebimento de recursos estaduais e federais para o controle da situação, além da instauração de um plano de contingência. 

O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou estado de calamidade pública federal, mobilizando a Força Nacional do SUS para auxiliar na situação. 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou estado de luto e, em entrevista coletiva na terça feira (24), declarou que em “15 ou 30 dias” fará uma avaliação de como o governo auxiliará para a reconstrução de estradas e pontes nos municípios afetados - o que será feito com a verba federal. Até o momento, o Governo do Estado antecipou R$ 8 milhões para Ubá e R$ 38 milhões para Juiz de Fora, para gastos emergenciais.

reproduçao:Instagram,@cartunistagilmar
Charge denuncia a responsabilidade e pouca assistência do governo estadual de Minas Gerais. Reprodução: Instagram/@cartunistagilmar

     

O que aconteceu?

O verão brasileiro tem sido afetado por anomalias climáticas recorrentes. Segundo pesquisas feitas no INMET pela meteorologista Andrea Ramos, os riscos de temporais aumentaram muito nos meses de Janeiro e Fevereiro, e chuvas como as ocorridas em Minas Gerais são classificadas como extremas.

Segundo ela, o principal fator para os temporais foi uma Supercélula, sistema de tempestade de grande desenvolvimento vertical. O fenômeno se intensifica com a presença do calor, da alta umidade e de um cavalo atmosférico, uma área de baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera, caracterizada por uma ondulação de fluxos de ventos que atua como área de instabilidade. 

Ainda de acordo com o INMET, o cenário de instabilidade tende a continuar nos próximos dias.