Flávio Bolsonaro deixa Brasil, após perder as eleições

Depois de Alexandre de Moraes, a pedido da PF, determinar a entrega de seu passaporte, candidato derrotado foge para os Estados Unidos
por
Carolina Machado
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30/10/2026 - 12h

Na noite da última terça-feira (27), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, apesar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ter proibido sua saída do país e determinado a entrega dos passaportes dele e de sua família à Polícia Federal. O senador, a esposa e suas duas filhas viajaram aos Estados Unidos, após cruzarem a fronteira entre o Brasil e a Argentina e embarcarem para Miami, com escala no Equador.

Coletiva de imprensa de Flávio Bolsonaro após o resultado do segundo turno das eleições de 2026. Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil
Coletiva de imprensa de Flávio Bolsonaro, após o resultado do segundo turno das eleições de 2026. Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

No domingo (25), depois da oficialização da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) e determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro às autoridades. A decisão de Moraes ocorreu em meio a um inquérito que investigava o senador e o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso “Dark Horse”.

“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele saia do país”, disse Eduardo Bolsonaro em entrevista ao podcast americano, Louder with Crowder, em 23 de outubro. Segundo a PF, três fatores  indicavam a fuga do ex-candidato à Presidência: a fala do irmão; seu “expressivo poder econômico”; e a existência de estruturas “já estabelecidas no exterior” que poderiam facilitar uma estadia prolongada.

Na segunda-feira (26), depois de uma visita ao pai, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo no Instagram afirmando que havia sido abordado pela Polícia Federal. Na gravação, ele afirmou que jamais havia pensado em sair do Brasil. “Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, concluiu. No dia seguinte, com o vencimento do prazo para a entrega dos documentos, o paradeiro do senador passou a ser questionado.

Enquanto aliados da família Bolsonaro e fontes ligadas ao governo Donald Trump afirmaram que Flávio  já havia atravessado a fronteira com a Argentina  e chegado aos Estados Unidos, ele ainda estava em território brasileiro. As informações desencontradas alimentaram a percepção de que ele já havia deixado o país, desviando a atenção de seu trajeto de saída do Brasil para sua suposta chegada ao território americano.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que ele cruzou a fronteira apenas às 22h50 da terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves que liga Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, usando um passaporte italiano. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda e das filhas, Carolina e Luiza.

Seu trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro para afastar o risco de intercepção pelas autoridades locais. Na madrugada da quarta-feira (28), a família embarcou em um voo privado com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, a mesma aeronave seguiu em direção aos Estados Unidos, traçando uma rota que evitou sobrevoar o território brasileiro. Às 10h30 (horário de Brasília), Flávio Bolsonaro chegou no aeroporto de Opa-Locka, em Miami. Na chegada, utilizou seu passaporte diplomático brasileiro, embora, segundo o STF e a PF, o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal, após o vencimento do prazo para a entrega.

Flávio Bolsonaro e Fernanda, juntos em coletiva de imprensa durante a campanha eleitoral. Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil
Flávio Bolsonaro e Fernanda, juntos em coletiva de imprensa durante a campanha eleitoral. Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

No mesmo dia, Flávio divulgou uma carta na qual afirmou não reconhecer o resultado do segundo turno da eleição presidencial, alegou suposta fraude eleitoral e se declarou o “verdadeiro líder do Brasil”. A carta, que segundo apurações foi escrita com auxílio de inteligência artificial, trazia "verdadeiro presidente eleito" em sua primeira versão publicada.