Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas e empata tecnicamente com Lula

Com empate técnico com Lula, candidato reforça ofensiva contra o governo e promove manifestação na Avenida Paulista
por
Carolina Zaterka
Gabriel Thomé
João Moura
|
11/09/2026 - 12h

Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a última semana em uma posição mais competitiva na corrida presidencial. Pesquisas divulgadas entre os dias 7 e 9 de setembro, apontaram empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A campanha do candidato do PL intensificou os ataques ao governo, participou das manifestações de 7 de Setembro e ampliou sua presença em São Paulo.

O levantamento da Quaest, divulgado na segunda-feira (7), apontou empate numérico entre os dois principais candidatos em um eventual segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada candidato. Em julho, Lula ainda mantinha oito pontos de vantagem sobre o senador.

O cenário também foi registrado por outros institutos. Na pesquisa BTG/Nexus, Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno, com 46%, contra 45% de Lula. Já o levantamento Palver, indica 46% para o candidato do PL e 44% para o petista. As diferenças permanecem dentro das respectivas margens de erro, o que caracteriza empate técnico. No primeiro turno, porém, Lula ainda lidera em parte dos cenários. Os resultados mostram uma eleição mais polarizada e competitiva, a menos de um mês da votação. 

Antes da divulgação das pesquisas, Flávio cumpriu agenda eleitoral em São Carlos, no interior paulista, ao lado do governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na sexta-feira (4), os dois realizaram a primeira agenda conjunta desta campanha e visitaram o ONOVOLAB, espaço que reúne empresas, pesquisadores e iniciativas voltadas à inovação. A comitiva também contou com candidatos ao Senado e lideranças políticas da região.

Durante a passagem pela cidade, Flávio defendeu a aproximação entre universidades e empresas como caminho para incentivar a inovação e reduzir a burocracia. A agenda do candidato cobriu temas como tecnologia, empreendedorismo e desenvolvimento econômico, além de segurança pública. 

A presença de Tarcísio também reforçou a tentativa de Flávio de unir a direita e conquistar o eleitorado paulista: “Nesse momento aqui, o Tarcísio, se Deus quiser, vai ser reeleito no primeiro turno como governador de São Paulo pela sua competência, pela sua capacidade que ele demonstrou”, declarou o senador.

Na última segunda-feira (7), ainda em São Paulo, Flávio Bolsonaro promoveu uma manifestação na Avenida Paulista. O senador chegou ao evento pouco antes das 15h junto de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. 

O trio elétrico em que estava contou com a presença de outros candidatos aliados ao senador, como seu candidato à vice-presidência, Alfredo Gaspar (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal por Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL). 

Balões de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são expostos em passeata. Foto: João Moura/ AGEMT
Balões de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são expostos em passeata. Foto: João Moura/ AGEMT

 

Segundo levantamento feito pelo Monitor do Debate Político da USP, o evento contou com cerca de 28.500 manifestantes, número semelhante à manifestação promovida pela direita, também na Avenida Paulista, em 2022. O ato foi marcado, principalmente, por críticas ao STF e ao presidente Lula. 

Flávio começou seu discurso, que durou aproximadamente 17 minutos, com um ataque direcionado ao presidente da República e ao Supremo: “Boa tarde, São Paulo! Boa tarde, Brasil! Primeiramente: fora Lula, fora Moraes!”

Flávio também dedicou parte do discurso para homenagear seu pai, Jair Bolsonaro. O senador define a prisão do ex-presidente como uma “segunda facada”, em alusão ao ataque que recentemente completou oito anos: “Eu sei que vocês estão olhando para cá e estão enxergando outra pessoa parecida comigo: Jair Messias Bolsonaro. Deram uma segunda facada em Bolsonaro: essa farsa que foi esse 8 de janeiro, essa farsa em que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração por crimes que ele não cometeu”.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em setembro de 2025 pelos crimes de  liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. O nome do ex-presidente foi atrelado aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando a sede dos Três Poderes, em Brasília, foi depredada por milhares de pessoas. 

Em relação ao presidente Lula, Flávio definiu o governo do PT como o mais corrupto da história. Ele afirmou que o presidente indicou ministros e procuradores para perseguirem a família Bolsonaro e nomeou o chefe da Polícia Federal para proteger seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, investigado por crimes de tráfico de influência e corrupção. 

Em entrevista à AGEMT, um senhor de 64 anos, morador da Vila Sabrina, que não quis ser identificado e estava presente na Avenida Paulista, demonstrou forte preocupação com os rumos políticos do Brasil em caso de continuidade do atual governo: "Nosso país está caminhando para se tornar uma nova Venezuela com Lula na presidência e nós não queremos isso".

Ainda sobre Lula e o STF, o senador prometeu a queda de Alexandre de Moraes e a indicação de cinco novos ministros: “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes. Alexandre de Moraes vai cair. Eu vou indicar para o Supremo Tribunal Federal homens e mulheres que sejam contra o aborto, que sejam contra as drogas, que sejam contra a ideologia de gênero nas escolas e que ajudem a resgatar a credibilidade do Supremo”.

Célio Morais, apelidado pela direita como “Lula do bem”, candidato a deputado federal, posa ao lado de Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro. Foto: João Moura/ Agemt
Célio Morais, apelidado pela direita como “Lula do bem”, candidato a deputado federal, posa ao lado de Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro. Foto: João Moura/ AGEMT

 

No fim do discurso, Flávio garantiu declarar guerra contra o crime organizado se eleito: “os narcoterroristas deste país — PCC, Comando Vermelho e as Milícias — vão ser classificados como terroristas e a partir do ano que vem, você não vai mais precisar olhar para a cara deles, porque eles vão estar presos ou serão neutralizados pela nossa polícia”. O senador também defendeu pautas como a redução da maioridade penal, aumento de pena para ladrões de celular e castração química para estuprador e abusador de mulher.

Apoiador de Flávio ergue cartaz de Alexandre de Moraes. Foto: João Moura/Agemt
Apoiador de Flávio ergue cartaz com foto de Alexandre de Moraes. Foto: João Moura/AGEMT

 

Enquanto Alexandre de Moraes foi alvo de xingamentos e críticas durante a manifestação, outro ministro do STF recebeu homenagens e orações, André Mendonça. 

Em meio à crise interna no Supremo, Mendonça recebeu status de heroi pela condução do caso Banco Master.  Em certo momento do evento, o candidato ao senado de Goiás, Gustavo Gayer (PL), exaltou e desejou forças ao ministro: “André Mendonça, o que você está vendo aqui na Paulista é um milhão de pessoas dizendo que você não está sozinho, é um povo grato pelo trabalho que você tem feito”. A Bispa Sônia, da Igreja Renascer em Cristo, também subiu no trio e pediu bênçãos à Mendonça.

Dois dias depois da manifestação, na quarta-feira (19), Flávio Bolsonaro refez o percurso em que seu pai foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG). O senador foi carregado pelo ombro de apoiadores, trazendo ainda mais semelhança à cena ocorrida em 2018: “Vocês junto comigo completaram o trajeto que o presidente Bolsonaro não conseguiu concluir”. Ainda no ato, Flávio retomou críticas ao ministro Alexandre de Moraes.

8 anos depois, Flávio completou o percurso que seu pai não concluiu. Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
Oito anos depois, Flávio completou o percurso que seu pai não concluiu. Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro