Nesta terça-feira (29), o empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL), tornou públicos detalhes da relação que manteve com o senador. A reportagem exclusiva da PlatôBR, realizada pelo jornalista Rodrigo Rangel, mostra que Santini apresentou mensagens, fotografias e registros de encontros privados com garotas de programa à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro.
De acordo com a reportagem, o rompimento ocorreu em meio a uma disputa financeira que envolvia uma parceria comercial, que surgiu no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por intermédio de amigos em comum. Alexandre entrou em conflito com Flávio ao cobrar judicialmente cerca de R$1,4 milhão, que afirma ter a receber da antiga sociedade.
A parte mais sensível das declarações de Alexandre Santini envolve o STF. Segundo as reportagens, Santini enviou uma mensagem a Flávio em 2023 demonstrando ter conhecimento sobre uma suposta atuação do senador em favor de um cliente de Alan Belaciano, que teria um processo em andamento no gabinete do ministro Kassio. A mensagem fazia parte de uma série de cobranças e acusações trocadas durante a disputa financeira entre os ex-sócios.
Outro registro que chama atenção nessas revelações feitas por Alexandre Santini é a respeito de um Rolex, relógio de luxo, supostamente pago por um terceiro próximo de Flávio Bolsonaro. O objeto de alto valor, avaliado em mais de R$300 mil, foi comprado em fevereiro de 2022 pelo advogado Alan Belaciano. De acordo com a reportagem, o relógio foi adquirido para uso pessoal de Flávio.
A reportagem também menciona outras despesas. Segundo relatos publicados, Belaciano também arcou com outros gastos atribuídos ao senador, como por exemplo: equipamentos de academia instalados na residência de Flávio, em Brasília, com valor estimado em R$90 mil. Sobre os aparelhos para exercícios, o candidato à Presidência já havia afirmado anteriormente que se tratava de um “empréstimo pessoal”.
Entre os registros conservados pelo ex-sócio estão fotografias, recibos e trocas de mensagens por aplicativos que detalham a organização de encontros privados em hotéis de luxo, no Rio. Nas mensagens, Santini combina encontros particulares e faz referências à participação de Flávio, identificado pelo termo “meu filho” por Santini. Em busca de recuperar valores que alegava ter direito, Santini apresentou o acervo diretamente à esposa do senador, a dentista Fernanda Bolsonaro.
O episódio teria causado um grande abalo na vida conjugal do senador durante a campanha eleitoral de 2022. Em uma mensagem posterior a Santini, Flávio confessou ter feito "muitas escolhas erradas” e que não pretendia cometer os mesmos erros com sua família. O senador também teria pedido para que o ex-sócio deixasse Brasília e interrompesse o contato com Fernanda.
Além da franquia de chocolates Bolsotini Chocolates e Café Ltda, ligada à marca Kopenhagen, Santini manteve proximidade com o candidato à Presidência por quase 20 anos, desde 2001 quando ambos foram apresentados por amigos em comum. Desde então, Santini participou de viagens e eventos privados da família Bolsonaro.
A empresa de chocolates ganhou notoriedade anos depois, quando foi citada em um esquemas de “rachadinhas” envolvendo o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O Ministério Público do Rio de Janeiro apurava suspeitas de que o estabelecimento pudesse ter sido usado para movimentar ou ocultar recursos supostamente obtidos por meio do esquema investigado.