Estudantes da PUC-SP e UNINOVE promovem ato pela democracia

Por iniciativa de coletivos acadêmicos, estudantes, trabalhadores e políticos se reúnem 3 dias antes do segundo turno
por
Sofia Martins
Gustavo Tonini
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23/10/2026 - 12h

 

Nesta quinta-feira (22), estudantes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em conjunto com alunos da Universidade Nove de Julho (Uninove), organizaram um ato em defesa da democracia, a três dias do segundo turno das presidenciais do Brasil. O ato contou com uma passeata dos universitários às 18h30, em frente ao Campus Memorial da  Uninove, e seguiu até às 22h, no Teatro TUCA, da PUC-SP, onde discursaram figuras políticas reconhecidas e representantes de outros setores. 

Entres os que discursaram, destacaram-se Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Sônia Guajajara (PSOL), além de Sâmia Bomfim (PSOL),  a Bancada Feminista (PSOL) e Ediane Maria (PSOL). Os jornalistas Juca Kfouri, do UOL, e Laura Kotscho, do ICL, também discursaram, assim como a filósofa e professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), Marilena Chauí.

 

imagem palco dos discurssos
Representantes políticos e dos movimentos. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

 

O principal intuito do ato político era reforçar a importância da democracia e da voz dos jovens, principalmente em um momento acirrado politicamente como no segundo turno das eleições presidenciais. O deputado estadual Leonardo Grandini (PT) avaliou que: “é o momento em que a juventude retoma o seu papel de vanguarda da disputa revolucionária". Desde a redemocratização, e eu digo até em relação ao movimento caras-pintadas, a juventude nunca havia cumprido um papel como vem cumprindo nessa eleição”. 

Entre as pautas levantadas pelos estudantes estavam; o fim da escala 6x1, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o combate à violência de gênero, o feminicídio e a manutenção do Prouni e do Fies. A codeputada Paula Nunes, da Bancada Feminista (PSOL) destacou a importância dos programas educacionais no Brasil: “As universidades públicas não existiriam se não fosse a política pública, e as universidades privadas não teriam cada vez mais a cara do povo se não fossem políticas públicas como Prouni”. 

 

imagem cidadãos "comuns"
Idealizado por estudantes, o ato também reuniu trabalhadores. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

 

Entre as preocupações levantadas, esteve a atuação da Meta, empresa responsável pelas plataformas como Facebook e Instagram, diante suspeitas de que a atuação das plataformas possa estar favorecendo o engajamento de conteúdos da extrema-direita no Brasil, supostamente, em apoio ao candidato à presidência, Flávio Bolsonaro. 

Em entrevista à AGEMT,, a filósofa e professora Marilena Chauí afirmou que a democracia não é apenas um sistema político, é a forma da:Numa democracia você não elege alguém para ocupar o poder. O poder é da sociedade sempre. Você delega alguém que realize um governo para a vontade da maioria, continua.”  Chauí complementa: “Essa é uma guerra ideológica, ela é a guerra no totalitarismo neoliberal contra a democracia. É o poder do capital é o poder da Meta é o poder do grupo da PayPal.  É esse poder econômico voraz que quer destruir a democracia.”

O ato integra uma série de mobilizações em defesa  da democracia feitas por estudantes em todo o Brasil nas últimas semanas. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) destacou o papel dos jovens nas mobilizações: “Quem deu o start que segue nas ruas com criatividade, com ousadia, é a juventude, e essa energia vai ser muito importante pro próximo período”.

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges dos Santos, 26 anos, reitera “os estudantes não estão dispostos a se calar, a se intimidar, e a democracia segue sendo pra nossa geração inegociável”. 

 

imagem estudantes em frente ao ônibus
Estudantes de diversas universidades de São Paulo marcaram presença no ato. Gustavo Tonini/ AGEMT

 

Durante a passeata, cartazes, palavras de ordem e canções em apoio ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva marcaram o percurso. Os manifestantes também direcionaram críticas à família Bolsonaro, com questionamentos sobre Flávio Bolsonaro, suas supostas ligações com a milícia do Rio de Janeiro, às controvérsias envolvendo o Banco Master e o caso de Ana Clara.

 

imagem cartaz contra Bolsonaro
Jair Bolsonaro, pai do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, dedicou seu voto ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff à memória do Comandante Ustra, quem a torturou durante o período da Ditadura Militar. Gustavo Tonini/ AGEMT

 

Sobre as notícias e fake news que se alastram na reta final para as eleições, a jornalista do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Laura Kotscho, em entrevista à AGEMT declarou que “Sem jornalismo não tem democracia sem democracia não tem jornalismo. Isso é muito importante ver os estudantes de esquerda de direita, seja o que for se juntando por um bem maior que é manter os nossos direitos”. 

Rodrigo Mariano, Presidente da Associação dos funcionários administrativos da PUC, complementa: “Os estudantes têm que ler bastante e rever a história, parar de acreditar nessa política de redes sociais em que fazem cortes e fake news. Se informar e estudar. Então acho que o estudo abre portas, fazendo entender o que significa isso e a importância de um mundo mais igual.”

Em meio ao ato, o DataFolha divulgou uma nova pesquisa de intenção de voto para a presidente da república. Flávio Bolsonaro e Lula apareceram empatados com 50% cada. Marina Silva, atual ministra do meio-ambiente, comemorou  o resultado durante o seu discurso: "Nós conquistamos a democracia”. Além disso, a ministra ainda reiterou a importância dos estudantes para o empate: “Vocês vão preservar a liberdade, a democracia”. 

Fernando Haddad, em seu discurso, ainda reiterou que ainda não é possível “cantar vitória” com a eleição ainda a ser disputada no domingo, além de relembrar a todos sobre a caminhada que será feita no próximo sábado (24) em apoio ao atual presidente Lula, que considera que será “a caminhada mais cívica desse país”.