Desde a infância, Tabatha Almeida, 24 anos, transitou entre diferentes expressões artísticas. Do canto à dança, ou até a mescla dos dois, no teatro musical, a arte sempre esteve ali por e para ela. “Minha casa sempre foi um ambiente muito musical. Meu pai é músico e foi muito importante para mim, cantávamos juntos. Quando descobri os musicais, concluí que aquilo era a salvação da minha vida. Enquanto minhas amigas queriam ser médicas ou advogadas, eu só queria cantar e dançar”, relata em entrevista. A artista já realizou pelo menos cinco grandes produções teatrais, participando como cover da personagem Elphaba recentemente, durante a temporada de 2025 de Wicked Brasil.

Quando pequena, Almeida realizava inúmeras performances, cantando e fazendo acrobacias por todos os cantos. Aos 14 anos, participou da nona edição do The Voice Kids Brasil. “Para mim, é muito louco olhar para trás e pensar: o que eu faço hoje sempre esteve ali, não tinha como seguir outro caminho”, reflete. Em um mundo criado por homens e voltado para seus desejos, a atriz considera corajoso expressar-se por inteiro, como ela faz, e é grata à menina que foi por moldar quem ela é hoje.
Aos 17 anos, mudou-se de Recife para o Rio de Janeiro, passando por inúmeros imprevistos, desilusões amorosas e muito, muito trabalho. A partir desse processo, Tabatha descobriu que o machismo não é disfarçado no mundo das artes, pelo contrário ele faz parte de uma das indignações do seu dia a dia profissional. Em entrevista à AGEMT, ela afirma que, apesar de se considerar uma pessoa que sempre conseguiu se expressar livremente em sociedade, existe uma disparidade de salários e de holofotes, e declara essa uma questão latente. Ainda assim, acredita que as mulheres encontrarão seu lugar ao se posicionarem, mostrando-se abertas e comprometidas, percorrendo diferentes caminhos e lutando por espaços.

A atriz destaca e entende a importância das amizades e parcerias femininas nesse processo. “Tento me cercar de mulheres fortes. Levo minhas grandes amigas dos trabalhos que realizei para a vida e pretendo estar no topo com elas”, disse. Almeida acrescenta sobre as relações, afirmando ser uma forma de empoderamento e fortalecimento do coletivo feminino, em que se fomentam opiniões e posicionamentos com o objetivo de enfrentar o mundo que é o mesmo para todas: difícil e injusto.

Tabatha acredita que ter uma rede de apoio é essencial. Isso porque sua própria família e amigas sempre estiveram por perto, nunca a deixando à mercê de situações que comprometessem seu trabalho e, sobretudo, sua integridade como mulher. “Foi fundamental me rodear de pessoas. Tentei nunca me ‘dobrar e desdobrar’ por ninguém, e sim aprender com as experiências, fortalecer laços e a mim mesma”, conclui.