Direita domina primeiro turno em estados do Norte

Alianças ligadas ao PL e partidos aliados conquistam governos no Amapá, Pará, Rondônia e Roraima
por
Carolina Machado
Carolina Nader
Catarina Lafetá
Evandro Tortolani
Felipe Assis
Gabriela Thier
Vitória Teles
|
06/10/2026 - 12h

A apuração das Eleições Gerais de 2026 na Região Norte definiu os novos governadores de quatro estados ainda no primeiro turno, enquanto três unidades da federação precisarão de uma nova votação para escolher seus gestores estaduais. Dr. Furlan (PSD) no Amapá, Dr. Daniel (Podemos) no Pará, Marcos Rogério (PL) em Rondônia e Arthur Henrique (PL) em Roraima garantiram a vitória com mais da metade dos votos válidos. Por outro lado, eleitores do Acre e do Amazonas voltarão às urnas no próximo dia 25 de outubro para decidir as disputas entre Mailza Assis e Alan Rick, e Omar Aziz e Professora Maria do Carmo, respectivamente.

 

Mailza e Alan Rick avançam ao 2º turno no Acre

Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos), candidatos para o governo do Acre que disputarão o segundo turno. Foto: Reprodução/Agência Brasil.
Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos), candidatos para o governo do Acre que disputarão o segundo turno.
Foto: Reprodução/Agência Brasil. 

A governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos) disputarão o segundo turno pelo governo do Acre, em 25 de outubro, ambos apoiam Flávio Bolsonaro. No primeiro turno realizado neste domingo (4), com 100% das urnas apuradas, Mailza teve 49,76% (218.760 votos) dos votos válidos e  Alan Rick, 32,27% (141.859 votos) , segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB) ficou em terceiro lugar, com 10,22% (44.946 votos). Thor Dantas (PSB), candidato da frente de esquerda apoiada por Lula (PT), teve 7,5% (32.963 votos). Eudo Raffael (PCB) e Dr. Luisinho (Agir) registraram 0,16% (715 votos) e 0,09% (404 votos), respectivamente.

Esse ano, a eleição acreana coloca em disputa a sucessão de Gladson Cameli (PP), eleito governador em 2018, reeleito em 2022 e que deixou o Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, em abril deste ano para concorrer ao Senado. Mailza Assis, vice de Cameli desde 2023, assumiu o governo. Mailza concorre pela coligação “Avança Acre”, formada pelo Partido Progressista (PP), União Brasil, Movimento Democrata Brasileiro (MDB), Partido Liberal (PL), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Democrata. Sua vice é a ex-deputada Jéssica Sales (MDB). Ela declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente e fez campanha ao lado do senador Márcio Bittar (PL).

Alan Rick, eleito senador em 2022, também integrou a base de Cameli antes de se lançar ao Executivo estadual. A ruptura entre os dois se consolidou no último ano. Em fevereiro de 2025, Cameli exonerou integrantes ligados ao senador, incluindo familiares de Rick e aliados políticos, em meio ao processo de definição dos nomes para a sucessão estadual.

Ele lidera a coligação “Trabalho da Esperança”, com Republicanos, Partido Social Democrata (PSD), Novo, Democracia Cristã e Avante. O vice é Ricardo Leite, do mesmo partido de Alan. O Republicanos do Acre também declarou apoio a Flávio Bolsonaro, e a candidata do grupo ao Senado, Mara Rocha, recebeu apoio do presidenciável do PL.  A disputa deste ano coloca em lados opostos nomes que integram o mesmo grupo político nos últimos anos: Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com um aliado em cada uma das duas chapas acreanas.

 

Eleito no primeiro turno, Dr. Furlan é o novo governador do Amapá 

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Candidato eleito ao governo do Amapá. Foto: Reprodução Instagram @dr.furlan

Neste domingo (4), Antonio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), obteve 62,75% dos votos necessários para ser eleito ao cargo de governador do Amapá (AP), ficando na frente de Clécio (União Brasil) que recebeu 37,72% dos votos. Sua vice-governadora é a empresária Luciana Gurgel (PL).  

Furlan tem 53 anos e nasceu em San José, na Costa Rica, mas é filho de brasileiros. Ele foi eleito deputado estadual em 2014 e reeleito em 2018. 

Em 2020, foi eleito prefeito de Macapá e reeleito em 2024. Em março deste ano, Dr. Furlan foi afastado do cargo  após indícios de desvio de recursos federais destinados à construção do Hospital Geral Municipal. Logo após, ele renunciou ao madato. 
 

 

 Amazonas decide governador em segundo turno 

Omar Aziz e Maria do Carmo disputarão segundo turno para governador. Foto: Agência Brasil Omar Aziz e Maria do Carmo disputarão segundo turno para governador. Foto: Agência Brasil 
Omar Aziz e Maria do Carmo disputarão segundo turno para governador. Foto: Reprodução/ Agência Brasil 

 

Após a apuração de 100% das urnas no Amazonas, foi constatado que nenhum candidato para governador ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos. Os candidatos.  Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) disputarão a vaga no segundo turno. Os seguintes resultados foram: Osmar com 45,55% dos votos válidos (835.519 votos) e Maria do Carmo com 24,58% (506.544 votos). 

Omar Aziz é um político com longa carreira política no Amazonas. O candidato já foi governador entre 2010 e 2014, e antes de disputar o cargo nas eleições de 2026, ocupava o cargo de senador da República pelo estado. Entre os candidatos que concorrem ao 2º turno, ele é o que possui a experiência mais extensa em cargos políticos. 

Já a professora Maria do Carmo possui um perfil diferente, a candidata do PL é contadora e advogada, ficou conhecida principalmente por sua atuação como reitora da Fametro, Instituição de ensino superior sediada em Manaus. Entrou na política partidária recentemente.  Ela atuou primeiro no Novo e migrou para o PL em 2025, porém não ocupou nenhum cargo político anteriormente. 
 

 

Pará elege Dr. Daniel do Podemos no 1° turno

Daniel Barbosa Santos, conhecido como Dr. Daniel. Imagem: Reprodução/Prefeitura de Ananindeua
Daniel Barbosa Santos, conhecido como Dr. Daniel.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Ananindeua

 

O candidato do Podemos, Daniel Barbosa Santos, 40 anos, conhecido como Dr. Daniel, foi eleito governador do Pará no primeiro turno das eleições de 2026 com 51,37% dos votos válidos. O estado teve uma abstenção de 19,10% de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Junto de sua vice, Ellayne de Almeida (PL), Dr. Daniel concorreu pela coligação O Pará é do Povo (Podemos, PL, DC, Novo, Federação Renovação Solidária - PRD/Solidariedade) com apoio do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Nascido no Maranhão, Daniel se mudou para o Pará ainda aos três anos de idade. Após se formar em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) o Doutor entrou no cenário político em 2012 e concorreu  como vereador no município de Ananindeua (PA) pelo Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB).  Ele foi eleito naquele ano e reeleito em 2016 quando assumiu a presidência da Câmara Municipal.

Já em 2018, ainda como vereador Daniel foi eleito deputado estadual e se tornou presidente da Assembleia Legislativa do estado do Pará (Alepa). Em  2020, ainda em Ananindeua, o político se tornou prefeito pelo partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sendo reeleito em 2024 depois de outra troca de partido, naquele ano concorreu  pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e permaneceu  no cargo até este ano, quando se filiou ao Podemos para concorrer a governador.

 

 

Marcos Rogério é eleito governador de Rondônia no primeiro turno

Antes da carreira política, trabalhou como radialista e repórter de televisão. Foto: Senado Federal
Antes da carreira política, trabalhou como radialista e repórter de televisão.
Foto: Reprodução/ Senado Federal


Marcos Rogério (PL) foi eleito governador de Rondônia no domingo (4), no primeiro turno das eleições. A totalização de 100% das seções eleitorais confirmou 537.370 votos para o candidato, equivalente a 56,86% dos votos válidos. Como ultrapassou a metade dos votos válidos, Marcos Rogério foi eleito sem a necessidade de uma segunda votação para o governo de Rondônia. 

Adailton Furia (PSD) terminou a disputa em segundo lugar, com 189.547 votos, ou 20,06% dos votos válidos. Hildon Chaves (União) ficou em terceiro, com 134.355 votos, correspondentes a 14,22%. Expedito Netto (PT) recebeu 72.851 votos, ou 7,71%. Pedro Abib (MDB) teve 6.591 votos, 0,70%, e Samuel Costa (PSB) recebeu 4.344 votos, 0,46%. 

A eleição para governador registrou 945.058 votos válidos, que representaram 95,43% dos votos. Foram registrados 23.607 votos em branco, equivalentes a 2,38%, e 21.648 votos nulos, correspondentes a 2,19%. O comparecimento foi de 990.313 eleitores, 78,29% do eleitorado apto. A abstenção foi de 274.695 eleitores, ou 21,71%. Os dados são da Justiça Eleitoral após a totalização das 4.698 seções de Rondônia. 

Marcos Rogério terá como vice-governador Rodrigo Camargo Ribeiro Pinho, conhecido como Delegado Camargo (PODEMOS). Ele é deputado estadual e foi escolhido para compor a chapa de Marcos Rogério. A candidatura dos dois integrou a coligação Juntos por Rondônia, formada por PL, Podemos, Democracia Cristã, Novo e Mobiliza.

A eleição encerra uma etapa da trajetória de Marcos Rogério na política de Rondônia. Natural de Ji-Paraná, ele iniciou a carreira eleitoral em 2008, quando foi eleito vereador do município. Em 2010, chegou à Câmara dos Deputados e foi reeleito em 2014. Em 2018, foi eleito senador por Rondônia para o mandato iniciado em 2019. Em 2022, deixou o Senado durante a campanha para disputar o governo do estado. Naquele pleito, chegou ao segundo turno contra Coronel Marcos Rocha, que foi reeleito. Em 2026, voltou a disputar o cargo e foi eleito no primeiro turno. 

Marcos Rogério é formado em Direito e Jornalismo e possui mestrado em Administração Pública. No Congresso Nacional, exerceu dois mandatos como deputado federal antes de chegar ao Senado. O mandato de senador, iniciado em 2019, tinha previsão de término em 2027.

O resultado do último domingo também definiu a composição da disputa para o governo sem a realização de uma segunda votação. Pela legislação eleitoral, o candidato a governador é eleito no primeiro turno quando obtém mais da metade dos votos válidos. Caso nenhum candidato alcance esse percentual, os dois mais votados disputam o segundo turno. Em Rondônia, a votação terminou com Marcos Rogério acima desse limite, enquanto Adailton Furia ficou na segunda posição. 

A votação ocorreu junto com as eleições para presidente da República, senador e deputados federais e estaduais. Em Rondônia, a Justiça Eleitoral informou que 26.959 pessoas trabalharam no processo eleitoral, entre mesários e equipes de apoio. O estado possui 29 zonas eleitorais e, neste pleito, foram utilizadas 4.698 urnas eletrônicas. 

A apuração foi concluída no mesmo dia da votação. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, a totalização das seções terminou às 19h50. O comparecimento correspondeu a 78,29% dos eleitores aptos, enquanto a abstenção foi de 21,71%. A Justiça Eleitoral divulgou os percentuais de votos válidos, brancos e nulos após a conclusão da totalização. 

O resultado estabeleceu uma diferença de 347.823 votos entre os dois primeiros colocados. Marcos Rogério recebeu 537.370 votos, enquanto Adailton Furia teve 189.547. Em percentual dos votos válidos, a diferença foi de 36,80 pontos percentuais. 

O governo de Rondônia será exercido por Marcos Rogério a partir de 2027. O mandato de senador iniciado em 2019 tinha previsão de término em 2027. Com a eleição para o governo, ele deixará o Senado para assumir o Executivo estadual. A escolha do vice-governador ocorreu na mesma chapa apresentada ao eleitorado.

O pleito de 2026 foi realizado em 4 de outubro, conforme o calendário das Eleições Gerais. O segundo turno, previsto para 25 de outubro, não será realizado para o cargo de governador em Rondônia.


 

Arthur Henrique (PL) é eleito governador de Roraima

Arthur Henrique foi eleito com mais de 69% dos votos válidos. Foto: Agência Brasil
Arthur Henrique foi eleito com mais de 69% dos votos válidos.
Foto: Reprodução Agência Brasil

 

Arthur Henrique, de 45 anos, (PL) foi eleito governador de Roraima neste domingo (4),  no primeiro turno das eleições de 2026. O candidato do PL obteve 220.809 votos, o equivalente a 69,13% dos votos válidos, mais que o dobro do governador interino Soldado Sampaio (Republicanos). Sampaio recebeu 93.434 votos, 29,25%. 

A abstenção no estado foi de 17,14%, o que corresponde a 68.644 eleitores que não compareceram às urnas. Dos 331.959 que votaram, 3.677 votos foram em branco, o que representa 1,10%, e 8.869 foram nulos,  2,67%.

Na eleição suplementar de 21 de junho, Arthur Henrique terminou na frente, com 160.004 votos, ou 60,87%. Mas não foi proclamado eleito. Sua candidatura estava sub judice depois de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a norma do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima que flexibilizava o prazo de desincompatibilização. Sampaio, derrotado nas urnas, seguiu como governador interino. Arthur Henrique havia renunciado à prefeitura de Boa Vista em abril para disputar o governo. Agora, com a nova votação, ele garante o mandato definitivo. Na chapa, tem como vice o empresário Haroldo Cathedral (Novo), de 73 anos. A posse está prevista para 6 de janeiro de 2027, com mandato de quatro anos. 

Arthur Henrique Brandão Machado nasceu em Boa Vista, em 19 de agosto de 1981, e tem 45 anos. Antes da política, trabalhou nas multinacionais Siemens e Capgemini. Foi secretário municipal de Inclusão Digital entre 2013 e 2019 e de Educação entre 2019 e 2020, vice-prefeito e, de 2021 a 2026, prefeito da capital. Chegou ao cargo com o apoio da então prefeita Teresa Surita, de quem foi secretário durante duas gestões.

 

Tocantins deixa a decisão para o segundo turno

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Professora Dorinha na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo. Foto/Reprodução: Waldemir Barreto/Agência Senado.

Vicentinho Júnior na Câmara dos Deputados.
Foto/Reprodução: Câmara dos Deputados
 

O governador do Tocantins será eleito no segundo turno, no dia 25 deste mês, pela terceira vez na história. O estado constou com 848.629 votos válidos e os candidatos mais votados foram Professora Dorinha (União), que recebeu 396.260 votos, equivalente à 45,52%, e o candidato Vicentinho Júnior (PSDB), com 372.848, equivalente à 43.94%.

Professora Dorinha, Maria Auxiliadora Seabra Rezende, de 62 anos, é natural de Goiânia (GO). A senadora já foi secretária da Educação e Cultura do Tocantins e teve 3 mandatos como deputada federal. Atos Gomes (Republicanos) é seu candidato a vice-governador. 

Já Vicente Alves de Oliveira Júnior, Vicentinho Júnior de 41 anos, é deputado federal em seu terceiro mandato consecutivo. Em 2023 assumiu a presidência do Progressistas de Tocantins, mas deixou o partido no início deste ano e filiou-se ao PSDB. Seu candidato a vice-governador é o atual presidente da Assembleia Legislativa,  Amélio Cayres do MDB.

Os demais candidatos tiveram menos de 10% dos votos: Laurez Moreira (PSD) recebeu 8.24%; Ataídes de Oliveira, 1.55%; Prof Witer Naves (PSOL), 0.60%; e Du Pereira (DC), 0.15%. Além disso, o estado constou com 9,14% de votos nulos e 2,81% brancos.