Guilherme Derrite (PP) iniciou a semana com importante reforço à sua candidatura com a desistência de Ricardo Salles (Novo), na segunda-feira (28). Em evento com Tarcísio de Freitas, Derrite e André do Prado (PL) – candidatos da chapa bolsonarista – Salles renunciou à candidatura e declarou apoio aos dois aliados do governador. “Seria muito ruim se São Paulo tivesse candidaturas da esquerda chegando ao Senado Federal. A gente precisa, então, se unir em torno daquelas candidaturas que vão poder ser vitoriosas”, declarou Tarcísio.
Nesta terça-feira (29), o Instituto Quaest atualizou as intenções de voto para o Senado de São Paulo. Segundo a pesquisa, apesar de Guilherme Derrite liderar numericamente com 18%, o candidato está em um empate técnico com Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e André do Prado.
A campanha de Derrite é a segunda mais cara da disputa, com R$ 5,3 milhões declarados à justiça eleitoral até o dia 29 de setembro, perdendo apenas para Tebet, que declarou gastos da ordem de R$ 6 milhões. Os números parciais de arrecadação de campanha apontaram que Derrite é o candidato com mais recursos disponíveis, arrecadando R$ 7,6 milhões.
Na quinta-feira da semana anterior (24), o deputado participou de uma entrevista para O Globo. Nela, Derrite novamente endossou o modelo de segurança de El Salvador, mas quando questionado sobre sua posição diante da aplicação de medidas de exceção, que poderiam contrariar a Constituição, esquivou-se dizendo que defende apenas mudanças legislativas.
O deputado retomou o tema da mudança das regras da audiência de custódia, que hoje determinam que o preso deve ser apresentado a um juiz em até 24 horas após sua prisão, alegando que a medida contribui para o que ele chama de fenômeno da “porta giratória do sistema prisional”.
Derrite novamente afirmou que é preciso “encarecer o custo do crime” e que os direitos à audiência de custódia, saída temporária, auxílio-reclusão, visitas íntimas e a progressão do regime de cumprimento de pena são incompatíveis com essa meta.
A respeito da possibilidade da classificação do PCC e do CV como organizações narcoterroristas levar a um ataque à soberania brasileira, Derrite disse: “Isso foi uma ilação criada pelo governo Lula” , porque o Brasil estaria protegido por tratados internacionais. Para o Direito Internacional, o ataque a um país só é considerado legal se anteriormente aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU ou em legítima defesa por um ataque sofrido.
No entanto, logo em seguida, o candidato se contradisse ao afirmar que o motivo do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi consequência de um suposto envolvimento com narcoterrorismo no país. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em janeiro deste ano pelas forças militares dos Estados Unidos em ataque justificado pelo Presidente Donald Trump por ser uma resposta às ameaças à segurança nacional americana depois do Departamento de Justiça dos EUA acusar Maduro de narcoterrorismo.
Apesar de ser a última semana de campanha, a agenda do candidato do Progressistas contou com poucos compromissos oficiais. Mesmo assim, participou de eventos de campanha eleitoral com aliados políticos na capital paulista, Carapicuíba, Barueri e Marília.
Derrite também se engajou na onda de publicações que distorceram uma fala do Presidente Lula em comício em Belém (PA) nesta segunda-feira (28), sobre exames de toque em homens e mulheres. “Olha que absurdo, o Presidente da República fazendo piadinhas com crianças, com meninas que são abusadas na infância”, alegou o candidato.
Na verdade, Lula se referia a exames de saúde para a conscientização do câncer nos meses de outubro rosa e novembro azul e criticou a resistência de homens em realizá-los, enquanto mulheres são acostumadas com exames íntimos ainda jovens: “O homem é covarde, ele não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena”, foi a fala do presidente.