No último domingo (4), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos como novos senadores do estado de São Paulo. Derrite foi o primeiro colocado, com 30,59%, e se tornou o senador mais votado da história do Brasil, com mais de treze milhões de votos. Prado ocupou a segunda posição e obteve 29,28% dos votos válidos. A partir de 2027, ambos irão compor a bancada no Senado e devem manter seus cargos até 2034.
Simone Tebet (PSB) terminou em terceiro lugar com 19,23% de votos, seguida de Marina Silva (Rede), que conquistou 18,12% do eleitorado. A distância entre André do Prado, segundo colocado, e Tebet foi de 10,05 pontos percentuais.
A votação para o Senado funciona de maneira diferente dos demais cargos. O senador é o único que possui mandato de 8 anos, e cada estado possui três senadores. Em uma eleição, renova-se um terço da bancada, como em 2022, em que Marcos Pontes (PL) foi eleito. Na eleição seguinte, os dois outros senadores são substituídos. Agora, em 2026, o eleitor teve dois votos para o Senado.
Conheça a trajetória dos eleitos
Guilherme Derrite
Guilherme Muraro Derrite é formado em direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e integrou a Polícia Militar de São Paulo entre 2003 e 2018. O senador também serviu nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a ROTA, de 2010 a 2013.
Sua trajetória na política começou em 2018, quando foi candidato ao cargo de deputado federal pelo PP. Derrite foi eleito em sua primeira eleição com 119.034 votos e foi o 30° deputado mais votado. No mandato iniciado em 2019, foi 2.º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado por dois anos. Derrite também foi relator do projeto da Lei Complementar 191/2022, que aprovou descongelar o tempo de serviço de profissionais de saúde e segurança pública durante a pandemia de Covid-19.
Em 2022, Guilherme Derrite foi reeleito deputado federal, dessa vez pelo PL. Em 2023, foi secretário da Pasta da Segurança Pública do Estado durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Por lá, recebeu críticas pelo aumento do índice de violência policial. Dados do Ministério Público revelaram um aumento de 98% de mortes cometidas por profissionais da Polícia Militar.
Guilherme Derrite, em entrevista para a CNN, definiu uma revisão do pacto federativo como prioridade absoluta no senado: “a distribuição de recursos do pacto federativo é algo que precisa ser revisto. São Paulo sempre foi o coração pulsante da economia do nosso país e se encontra com grandes dificuldades porque o acesso ao crédito está cada vez mais caro por conta da taxa de juros e por conta da crise econômica que a gente está vivendo”, afirmou.
A campanha do senador foi marcada por alinhamentos eleitorais com nomes da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele, juntamente com André do Prado, contou com o apoio das lideranças. Derrite chegou a acompanhar Flávio em diversos eventos e atos em São Paulo.
Em relação à apuração, Guilherme Derrite recebeu 33% dos votos em sua cidade natal, Sorocaba, e dedicou sua vitória à ela.
O sorocabano obteve resultados ainda mais expressivos em outros municípios. As cidades mais fortes foram Saltinho, com 42,8% dos votos válidos, Gabriel Monteiro, 42,3% e Marapoama, 41,4%. Na capital paulista também foi o mais votado, com um total de 25,5%, cerca de 2,5 milhões de pessoas. Por fim, ele liderou a votação das dez maiores cidades do estado, com uma média de 29,98%.
Em seu primeiro discurso como senador de São Paulo, Derrite fez questão de agradecer seus companheiros de campanha: “Quero agradecer ao governador, não só pelo período da eleição, à sua esposa Cristiane, nossa primeira-dama, todo o time da prefeitura, obrigado”. Ele também declarou apoio total a Flavio Bolsonaro e prometeu acabar com os recentes escândalos de corrupção: “Chega de corrupção no governo federal, chega de escândalo do INSS, mensalão, petrolão. A população de São Paulo deu o recado”.
André do Prado
André do Prado conquistou a segunda cadeira paulista após uma carreira concentrada na política municipal e estadual. Natural de Guararema, na região do Alto Tietê, iniciou sua trajetória como vereador em 1992. Também foi secretário municipal de Saúde, vice-prefeito e prefeito, antes de ingressar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
Eleito deputado estadual em 2010, Prado acumulou quatro mandatos consecutivos e presidiu a Alesp entre 2023 e 2026. Filiado ao Partido Liberal (PL) desde o início de sua carreira, manteve proximidade com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e com o governo de Tarcísio de Freitas. Durante a campanha, apresentou-se como um aliado do governador na defesa das políticas estaduais.
Na presidência da Assembleia, conduziu a sessão que aprovou a autorização para a privatização da Sabesp, em dezembro de 2023. A votação ocorreu após um confronto entre manifestantes e a Polícia Militar, com lançamento de gás lacrimogêneo no plenário. Parlamentares da oposição deixaram o local e pediram o adiamento da votação. Prado defendeu a condução do processo e a privatização em entrevista à Folha de São Paulo durante a campanha.
Ao longo da disputa, percorreu o estado ao lado de Tarcísio e fez campanha conjunta com Guilherme Derrite. A aproximação com lideranças municipais já aparecia na pré-campanha, quando participou das Caravanas 3D, encontros do governo estadual com autoridades regionais. Nessas agendas, discursou diante de prefeitos e destacou a relação entre o Executivo e a Assembleia. Em Votuporanga, recebeu apoio público de Tarcísio; em Ribeirão Preto, sua candidatura também foi defendida pelo prefeito Ricardo Silva (PSD).
Entre as prioridades anunciadas para o Senado, Prado destacou a defesa dos municípios, a saúde, o desenvolvimento econômico e a segurança pública. Também manifestou apoio à redução da maioridade penal e a mudanças na progressão de penas. Na última semana de campanha, recebeu o apoio de Ricardo Salles (Novo), que desistiu da candidatura em 28 de setembro, após ter feito críticas ao parlamentar durante a disputa.
Nas urnas, registrou percentuais elevados em sua região de origem, Guararema, onde recebeu 43,18% dos votos válidos para o Senado. Também alcançou 40,55% em Santa Branca, 39,65% em Biritiba Mirim e 38,15% em Igaratá. Esses foram os maiores percentuais identificados entre os municípios de seu levantamento sobre o Alto Tietê e entorno.
Na capital paulista, seu percentual foi menor: Prado recebeu 2.588.741 votos, correspondentes a 23,52% dos válidos, e ficou em terceiro lugar, atrás de Derrite e Simone Tebet. Já em Registro, no Vale do Ribeira, liderou a disputa com 19.842 votos, ou 34,21%. Os resultados evidenciam diferenças no apoio municipal, embora não constituam um ranking estadual das maiores e menores votações do candidato.
Após a vitória, Prado ressaltou a intenção de trabalhar com Tarcísio e aproximar sua atuação parlamentar das demandas das cidades paulistas.