“Sou Bukele na forma de Milei, tão anti-Lula como anti-Bolsonaro”, responde Renan Santos à CNN. O candidato à presidência pelo Missão, partido político formado por membros do Movimento Brasil Livre (MBL), aposta em um discurso radical, opondo-se ao crime organizado e à política tradicional.
Renan é mais um “outsider”, personalidade que entra na política sem tradição política ou influência familiar na vida pública. Foi estudante de Direito na USP, quando começou seu envolvimento em manifestações estudantis. Largou a graduação antes de se formar e passou a trabalhar com o pai na empresa da família de recuperação de capital. Seu primeiro partido como político foi o PSDB em 2010.
Após sua saída do partido em 2014, Renan Santos foi cofundador do Movimento Brasil Livre, o MBL. A partir disso, sua trajetória política ganhou notoriedade. Um ano depois, o atual candidato participou ativamente de manifestações políticas contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, coordenando as manifestações. Nesse período, o movimento começou a ganhar notoriedade, Renan era responsável pela campanha política de Kim Kataguiri e Arthur do Val, o Mamãe Falei, ambos eleitos em 2018.
O grupo ganhou fama por utilizar as redes sociais como forma de provocação política, popularizando a utilização de memes e cortes em redes sociais como propaganda eleitoral.
No mesmo ano, o candidato apoiou a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, porém em 2019, declarou, junto ao MBL, a oposição ao governo. Desde então, o candidato se descreve “à direita de Flávio Bolsonaro", e acata pautas comuns aos setores da extrema-direita brasileira. É o caso do principal slogan da campanha: “prendeu matou".
“Bukele no conteúdo”?
Nayib Bukele é o atual presidente de El Salvador, conhecido por transformar a segurança pública do país ao custo de fortes críticas sobre direitos humanos e democracia. Renan descreve suas propostas como inspiradas pelo governo salvadorenho, mas em sabatina na Globonews, a jornalista Andréia Sadi lê as principais características do governo: “Prisão ou aumento de pena sem mandado judicial e prisão por meio de denúncias anônimas” e pergunta a Renan quais dessas medidas ele pretende acatar. Renan nega que seu governo irá seguir qualquer uma dessas medidas.
O que apresenta a suposta “forma de Milei” é a apresentação de sua imagem. Um homem branco e rico, associado aos acionistas do país de terno e cabelo bagunçado.
Em 2022, Renan viajou ao lado de Mamãe Falei, à Ucrânia. Na época, áudios vazados por uma ex-participante do MBL, mostraram Arthur do Val afirmando que as mulheres ucranianas seriam “fáceis porque são pobres”. Ele também disse ter recebido de Renan orientações para abordar mulheres durante viagens europeias.
Em 2025 o candidato fundou o partido Missão e se tornou o primeiro presidente de sua bancada, sendo sua estrutura formada de forma semelhante ao MBL, um partido com raízes 100% digitais. Em um vídeo divulgado em 2018, Renan Santos aparece com um grupo de homens que são barrados ao entrar em um bar . Na ocasião, o politico declarou: “se não formos permitidos entrar, a Bárbara será estuprada”. A apologia ao estupro coletivo é descrita pelo candidato como uma brincadeira.
Entre suas propostas estão principalmente: o combate violento contra o crime organizado, com um “banho de sangue” e o aumento de até quinhentas mil vagas no sistema carcerário, além de mais autonomia para a polícia. Além da criação de metas para instituições de ensino e bonificações e de restringir a atuação do STF com a criação de uma nova corte específica de desembargadores.
Na economia, o candidato planeja maior autonomia econômica com base na criação de data centers na região Nordeste do Brasil, venda de matéria bruta nacional além da criação de uma reserva nacional de Bitcoin.