Conheça os principais candidatos ao Senado por SP

Veja a trajetória, posicionamento e principais propostas de André do Prado (PL), Geraldo Rufino (PODE), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo) e Simone Tebet (PSB)
por
Catarina Lafetá
Carolina Machado
Gabriela Thier
Ingrid Lacerda
João Pedro Amador
Raissa Cerqueira
|
26/08/2026 - 12h

Nas eleições de 2026 os brasileiros devem votar para representantes de seus estados ao Senado, entre outros cargos. Formado por 81 parlamentares, cada um dos 26 estados e o Distrito Federal podem eleger este ano até dois senadores para o mandato de oito anos – resultando na renovação de 54 cadeiras, isto é, dois terços da Casa.

Como órgão máximo do Poder Legislativo federal, o Senado é responsável por estabelecer, alterar ou revogar – por meio de votação – leis e normas jurídicas. Atualmente, os representantes de São Paulo são Giordano (Podemos) e Mara Gabrilli (PSD) que deixarão o cargo no início de 2027; e o astronauta Marcos Pontes (PL), cujo mandato expira somente em 2031.

A disputa paulista conta com 15 candidatos: Marina Silva (Rede); Simone Tebet (PSB); André do Prado (PL); Guilherme Derrite (PP); Ricardo Salles (Novo); Geraldo Rufino (PODE); Dra. Eliana Ferreira (PSTU); Guto Schiavetto (Missão); Soninha Francine (Cidadania); Márcio Alves (UP), Maíra de Souza (UP); Ednelson Cesaretti (PCO), Petter Maahs (PCB); Wiliam Teixeira (Agir) e Weller Gonçalves (PSTU).

Até o momento, as pesquisas de intenções de voto apontam uma disputa acirrada pelas vagas ao Senado e grande indecisão do eleitorado. Conheça os seis candidatos com maior intenção de voto segundo a pesquisa do Datafolha, divulgada em 21 de agosto, e suas principais propostas para o Senado, dispostos em ordem alfabética:

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Plenário do Senado Federal durante sessão especial destinada a homenagear os 80 anos do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Foto: Carolina Curi/Agência Senado.

 

André do Prado (PL)

Nascido em 1969, hoje com 57 anos, André do Prado (Partido Liberal) é formado em análises de sistemas e iniciou sua carreira política em 1992, ao ser eleito vereador em sua cidade natal, Guararema. Em 1997, ocupou o cargo de presidente da Câmara Municipal. Nos anos seguintes, atuou como vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, até ser eleito prefeito do município em 2004.

Em 2010, conquistou seu primeiro mandato como deputado na ALESP. Desde então, consolidou sua presença no parlamento paulista com quatro mandatos consecutivos, alcançando mais de 216 mil votos na eleição de 2022. Em março do ano seguinte, foi eleito presidente do Poder Legislativo paulista.

Filiado ao Partido Liberal desde o início de sua carreira política, este ano, André do Prado disputa uma das vagas ao Senado Federal por São Paulo, contando com o apoio do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), além do alinhamento com a base política do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na busca pelo eleitorado paulista. O candidato também conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), que participou do evento de pré-campanha em junho para reforçar a união do partido e mobilizar os votantes da direita no estado. 

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O deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, André do Prado. Foto: Bruna Sampaio/ALESP.

Sua campanha prioriza o fortalecimento da autonomia municipal; o  direcionando de emendas orçamentárias majoritariamente para a saúde, com repasses a hospitais regionais e Santas Casas; verbas para a infraestrutura viária regional e o setor do agronegócio. Suas propostas reúnem a modernização da gestão pública, o incentivo ao desenvolvimento econômico regional, a simplificação de processos administrativos e a garantia de maior transparência e eficiência na alocação de emendas parlamentares em benefício dos municípios.

 

Geraldo Rufino (PODE)

Geraldo Rufino, 67 anos, é candidato pelo Podemos. Empresário, escritor e palestrante, disputa pela primeira vez um cargo político  sob o slogan “Senador do Povo”. Ele defende um mandato em que as prioridades e decisões legislativas sejam construídas a partir das demandas apresentadas diretamente – sem explicar como – pelos cidadãos.

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Recém chegado na política, Geraldo Rufino é candidato ao Senado por São Paulo. Foto: Divulgação partidária.

Nascido em Campos Altos, Minas Gerais  e criado na Favela do Sapé, na zona oeste da capital paulista. Ainda na infância, Rufino ajudava a família financeiramente com trabalhos informais, como  coleta de materiais recicláveis. Em 1985 fundou a JR Diesel, empresa especializada na reciclagem e reaproveitamento de peças de caminhões e ônibus, considerada uma das maiores do segmento na América Latina com faturamento anual de aproximadamente R$ 50 milhões. 

Além da atuação empresarial, tornou-se conhecido nacionalmente por palestras e livros sobre empreendedorismo, gestão e superação pessoal, O Catador de Sonhos e O Poder da Positividade, ambos escritos por Rufino e Os Improváveis, uma coletânea de histórias de diversos autores organizada pelo candidato. Em sua campanha,  defende a valorização do empreendedorismo, da autonomia econômica e do fortalecimento dos pequenos negócios como ferramentas de transformação social.

 

Guilherme Derrite (PP)

Aos 41 anos, o atual deputado federal pelo Partido Progressista, Guilherme Derrite, também faz parte da disputa. Antes de entrar para a política, Derrite foi capitão da Polícia Militar de SP, cuja experiência na área moldou sua carreira na Câmara dos Deputados, na qual ingressou em 2019 eleito pelo PP. O deputado migrou para o PL em 2022, quando foi reeleito, e retornou ao partido de origem em 2025. 

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Em discurso, à tribuna, deputado Guilherme Derrite (PP-SP). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Um ano após o início de seu segundo mandato, Derrite se afastou do cargo para assumir a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo durante o governo Tarcísio de Freitas. Sob sua gestão, a letalidade policial em São Paulo aumentou cerca de 98%, segundo dados do Ministério Público. Em 2024, Derrite afastou-se temporariamente do cargo para agir como relator do projeto de lei, conhecido como “PL das Saidinhas”,  que visava extinguir a saída temporária de presos. Após a votação do projeto, retomou o cargo de  Secretário até 2025.

Em sua campanha eleitoral, o candidato foca na área de segurança pública. Derrite foi relator do projeto de lei conhecido como PL Antifacção (PL 5582/2025), cuja proposta era o endurecimento da pena para o crime organizado, aprovado pelo Congresso Nacional. 

Em maio, o  deputado apresentou o PL 2301/2026, que visa incluir no rol de crimes hediondos figuras agravadas de homicídio doloso, latrocínio, e extorsão quando praticada por membros de organizações criminosas, paramilitares e milícias privadas. Paradoxalmente, um levantamento da Revista Piauí de 2024 indicou que, como Policial Militar, o deputado participou de operações policiais que resultaram em 16 homicídios, segundo dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. 

 

Marina Silva (Rede)

Duas vezes  ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), 68 anos, é integrante da Federação PSOL-Rede que é apoiada pelo atual presidente, Lula. Nascida no Acre, Marina iniciou sua trajetória política no movimento dos seringueiros e na defesa da floresta amazônica. Foi vereadora (1989 a 1990), deputada estadual (1991 a 1994) e senadora (1995 a 2011) pelo Acre por três mandatos. Ocupou o Ministério do Meio Ambiente durante os governos Lula, entre 2003 e 2008 e novamente a partir de 2023, posição que deixou em abril para disputar o Senado.  Sua trajetória é marcada principalmente pela atuação na área ambiental e pela defesa do desenvolvimento sustentável. 

Em pronunciamento à Comissão de Meio Ambiente (CMA), a ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.
Em pronunciamento à Comissão de Meio Ambiente (CMA), a ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

Na disputa de 2026, Marina apresenta como principais compromissos a transição ecológica, a recuperação de bacias hidrográficas, o incentivo à economia verde e à geração de empregos ligados à tecnologia e à sustentabilidade. Entre suas propostas para o Senado estão, também,  o fortalecimento do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação); a valorização dos professores; a conectividade das escolas públicas e medidas para reduzir filas no SUS por meio da integração digital.

A candidata também tem direcionado sua campanha para questões específicas de São Paulo, como segurança hídrica, proteção da Mata Atlântica, prevenção de danos frente às mudanças climáticas e reindustrialização sustentável.

 

Ricardo Salles (Novo)

Nascido em São Paulo em 1975, o deputado federal Ricardo Salles tem passagens pela Secretaria do Meio  Ambiente do estado entre 2016 e 2018, no então governo de Geraldo Alckmin (na época pelo PSDB, hoje vice-presidente do Governo Federal filiado ao PSB) e pelo Ministério do Meio  Ambiente, entre 2019 e 2023, no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Como deputado (na época pelo PL), Salles foi relator da PEC 45/2023, mais conhecida como PEC das Drogas, que visava enrijecer o texto da constituição, criminalizando a posse e o porte de qualquer quantidade de entorpecentes sem autorização. Também como deputado, Salles se posicionou veementemente contra a implantação do fim da escala 6x1, proposta como a PEC 221/2019, ingressando com um mandado de segurança ao STF, trazendo o argumento de que os métodos  da PEC eram inconstitucionais. 

Salles coleciona filiações e rompimentos com partidos. Iniciou sua carreira política no Partido Frente Liberal (PFL), hoje Democratas, e concorreu às eleições de 2010 para Deputado Estadual. Em 2011 se filiou ao PSDB e ingressou no governo de Geraldo Alckmin. Entre 2016 e 2018, teve breves passagens pelo Partido Social Liberal (PSL), Partido Progressista (PP) até se filiar ao NOVO e concorreu a uma vaga de Deputado Federal, da qual foi suplente. Em 2020, devido a conflitos internos no partido, Salles foi expulso do NOVO e se filiou ao PL para concorrer novamente como Deputado Estadual e apoiar a reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Nas eleições de 2022, Salles foi eleito Deputado Estadual com 640 mil votos. 

Em agosto de 2024, Salles rompeu com o PL e voltou a integrar o partido NOVO, pelo qual foi candidato a Deputado Federal nas eleições de 2018. Salles alegou que o motivo do seu rompimento com o partido foi a decisão de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL,  barrar sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo e apoiar Ricardo Nunes (MDB). 

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Em pronunciamento, à CPI das ONGS (CPIONGS), o deputado Ricardo Salles (PL-SP). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.

Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, Salles, como Ministro do  Meio Ambiente, ganhou visibilidade ao tecer comentários, como “passar a boiada” e “fazer “baciada de mudanças” durante reuniões ministeriais com o então presidente Bolsonaro, que tiveram grande repercussão ao utilizar o contexto da  pandemia como oportunidade para desburocratizar e mudar regras ligadas à proteção ambiental.

Ao Senado, Salles propõe o endurecimento das penas  e tolerância zero contra a criminalidade; revisão da distribuição de recursos federais para favorecer os estados mais arrecadadores, como São Paulo; diminuição da carga tributária sobre o setor produtivo e aprovação de reformas que eliminem exigências burocráticas no âmbito federal.

 

Simone Tebet (PSB)

Simone Tebet, 56 anos, é advogada e foi professora universitária de Direito de 1992 a 2004 em diferentes instituições, como a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Começou a vida pública em 2002 como Deputada Estadual pelo Mato Grosso do Sul. Depois, foi eleita prefeita da sua cidade natal, Três Lagoas (MS), por duas vezes, em 2004 e 2008. Em 2010, foi Vice-Governadora e, em 2014, Senadora por seu Estado.

Em 2022, ao se lançar candidata à presidência da República, Tebet ampliou sua projeção política em São Paulo. No primeiro turno, foi a terceira candidata à presidência mais votada no estado, com 6,34% dos votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2023, foi eleita ministra do Planejamento e Orçamento e deixou o cargo no fim de março de 2026, quando, após quase 30 anos de trajetória no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), filiou-se ao PSB (Partido Socialista Brasileiro). A mudança possibilitou que Simone Tebet disputasse o Senado em chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT).

No Legislativo por São Paulo, Tebet defende o  fortalecimento da segurança pública, principalmente no combate à violência contra a mulher; o fim da escala 6x1 e a regulamentação dos aplicativos de apostas, conhecidos como Bets. A candidata também pretende lutar pela transparência nas emendas parlamentares; pelo fortalecimento dos municípios e por medidas para estimular a inovação, a indústria, a geração de empregos e, sobretudo, o agronegócio.

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Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, em pronunciamento durante a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) para 2026. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.