Conflito no Oriente Médio causa efeito dominó na economia

Guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã afeta o mercado mundial com destaque para o petróleo
por
Carolina Machado
|
12/03/2026 - 12h

Após os ataques israelenses e norte-americanos matarem o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, no dia 28 de fevereiro de 2026, o Irã reagiu. Não só inúmeras instalações energéticas foram paralisadas no Golfo Pérsico, como também o Estreito de Ormuz foi fechado. O objetivo do país era desestabilizar os Estados Unidos, atacando seus interesses econômicos e reafirmando sua posição na região. Dentre os países afetados pelo Irã, encontram-se Catar e Arábia Saudita. Além de apresentarem bases militares americanas, ambos têm importância no cenário econômico afetado.

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para o comércio exterior brasileiro - Imagem: Petrobras/Divulgação
O agravamento das tensões no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para o comércio exterior brasileiro - Imagem: Petrobras/Divulgação

O Irã ocupa uma posição geopolítica estratégica. O país controla um corredor crucial para o transporte mundial de petróleo e gás natural, o Estreito de Ormuz. No início de março, ao decretar seu fechamento, o país ameaça interromper um quinto do fluxo global desses combustíveis fósseis e já compromete o equilíbrio econômico ao redor do mundo.

A produção de 20% da oferta global de gás natural liquefeito catariano foi interrompida e a maior refinaria de petróleo saudita foi suspensa, a partir dos ataques iranianos. Junto a outros países do Golfo Pérsico, Catar e Arábia Saudita dependem do Estreito de Ormuz para sustentar sua economia. “Se fecharem o estreito, é um suicídio econômico para eles”, afirmou Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.

O choque na distribuição de petróleo fez com que o preço disparasse. De acordo com Pedro Paulo Coelho, formado em geografia pela USP (Universidade de São Paulo) e em economia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), o aumento se sobressai e pressiona o cotidiano mundial. “O bloqueio do estreito reduz tanto a quantidade, quanto a oferta de petróleo disponível para movimentar a economia e, o resultado, é o encarecimento do preço dos barris”, afirmou.

Em poucos dias de conflito, o produto encareceu mais de 20 dólares por barril e, desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares, afirmam economistas do JPMorgan. Hoje, o aumento ultrapassa os 90 dólares e já pode afetar o Brasil que, apesar de produzir  4 milhões de barris de petróleo por dia, importa 300 mil barris diários desse combustível para a produção de querosene de aviação e insumos petroquímicos, como plástico e asfalto. Além disso, o país importa 20% do diesel consumido internamente. “No Brasil, a questão é mais o transporte. O caminhão, o carro e os meios de locomoção terrestres dependem da gasolina. Seu custo, apesar de estipulado pela Petrobras, acompanha o Preço Internacional do Petróleo, indicador econômico que define o valor do barril em bolsas de commodities internacionais”, acrescenta Pedro Paulo.

Reunião da Petrobras, em que se pautava a guerra no Oriente Médio  - Imagem: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Reunião da Petrobras, em que se pautava a guerra no Oriente Médio  - Imagem: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Em São Paulo, a população sente o aumento de 8,4% do preço de diesel, gasolina e etanol. Ainda que os reajustes acompanhem os preços pagos pelos importadores, a Petrobras não confirmou qualquer reajuste por causa da guerra no Oriente Médio. A presidente da petrolífera, Magda Chambriard, afirmou que se a volatilidade for grande, certamente, ela exigirá respostas mais rápidas. Caso contrário, sendo mais lenta, permite respostas graduais. Mas, não se tem sequer essa premissa.

Em reunião, nesta quinta-feira (12/03), a equipe do governo brasileiro avaliou os impactos e afirmou que trabalhará para garantir que as medidas de controle econômico cheguem às bombas. “Distribuidores têm de se somar ao esforço governamental para manter a economia brasileira funcionando normalmente", disse Fernando Haddad, Ministro da Fazenda.