Como escolas atuam para identificar casos de abuso

Preparo pedagógico facilita reconhecimento de sinais e proteção de crianças e adolescentes
por
Carolina Nader
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10/04/2026 - 12h

O 19° Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou que os casos de produção e distribuição de materiais de abuso sexual infantil aumentaram 14,1% em relação ao ano anterior, número chega a mais de três mil vítimas. Os dados foram divulgados em 2025 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em sua última edição.

Uma instituição de ensino preparada possui protocolos claros de atuação, formação continuada para educadores e articulação com a rede de proteção, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) as escolas devem saber reconhecer sinais de alerta e realizar os encaminhamentos adequados.

Mudanças de comportamento costumam ser os primeiros sinais observados no ambiente escolar. Baixo rendimento, agressividade, apatia e dificuldade de concentração estão entre os sinais mais comuns.

Em entrevista à AGEMT, a psicóloga Mariângela Alves, que atua no acompanhamento de crianças e adolescentes na área educacional, conta que a escola desempenha papel essencial na identificação inicial dos casos. “A escola está em contato contínuo com a criança e muitas vezes é o primeiro espaço onde sinais de sofrimento aparecem. Não cabe investigar, mas identificar, acolher e encaminhar corretamente”, explica. 

Segundo ela, o ambiente escolar facilita essa interpretação, uma vez que reúne convivência social e demandas cognitivas que revelam possíveis mudanças emocionais. A especialista ressalta que os sinais variam de aluno para aluno e podem ser confundidos com problemas disciplinares. 

Apesar da importância desse papel, a preparação das escolas ainda é considerada insuficiente. “Muitas instituições não têm formação específica nem protocolos bem definidos, o que gera insegurança nos profissionais”, afirma Mariângela.

Entre as necessidades apontadas estão a formação continuada para professores, conhecimento sobre desenvolvimento infantil e orientação sobre encaminhamentos corretos. A presença de psicólogos nas escolas também é vista como um diferencial importante para apoiar educadores e acolher estudantes. 

“A escola não é apenas um espaço de ensino, mas também de proteção. Estar atento e encaminhar pode transformar e até salvar a vida de uma criança”, conclui a psicóloga.