Centro-Oeste define três governadores no primeiro turno

Daniel Vilela, Otaviano Pivetta e Eduardo Riedel vencem em seus estados, enquanto Celina Leão e Leandro Grass disputam o governo do DF
por
Rafael Jorge
Isabella Damião
Ingrid Luiza Lacerda
Renata Lopes
|
07/10/2026 - 12h

No dia 04 de outubro, eleitores de todo o Brasil foram às urnas para escolher seus representantes. A votação definiu os nomes que estarão à frente do governo de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com exceção do Distrito Federal, onde a disputa será decidida em segundo turno.

Distrito Federal

Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) foram os dois mais votados no primeiro turno da eleição para governador do Distrito Federal. Com 100% das 6.969 seções totalizadas, Celina recebeu 49,93% dos votos válidos (825.530 votos), enquanto Grass obteve 34,47% (569.930 votos). 

Os votos brancos foram 4,11% (74.774) e os nulos 4,95% (89.910). A abstenção foi de 18,99% (426.067 eleitores), e 81,01% do eleitorado compareceu (1.817.921 votos). Somando brancos, nulos e abstenções, foram 590.751 eleitores que não deram voto válido a nenhum dos dois finalistas. Os percentuais dos candidatos seguem a regra da legislação eleitoral e são calculados apenas sobre os votos válidos. Celina Leão liderou em 17 das 19 zonas eleitorais. Grass venceu na Asa Norte, onde teve 46,8% dos votos, e na Asa Sul, com 42,8%.

Paula Belmonte (PSDB) ficou em terceiro lugar, com 8,51% dos votos válidos (140.765 votos). Kiko Caputo (Novo) terminou em quarto, com 4,36% (72.148 votos). Na sequência, Ricardo Cappelli (PSB), com 2,23% (36.828 votos), Samara Mineiro (UP), com 0,24% (3.958 votos) e Robson Raymundo (PSTU), com 0,10% (1.640 votos).


Quem é Celina Leão?

Celina Leão (PP) tem 49 anos, é natural de Goiânia (GO), empresária e atual governadora do DF. Foi eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha em 2022. Antes disso, foi deputada distrital e presidiu a Câmara Legislativa. Disputa a reeleição como aliada de Flávio Bolsonaro (PL) e teve apoio explícito de Michelle Bolsonaro (PL-DF), eleita para o Senado.

Celina Leão no dia da votação do primeiro turno. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Celina Leão no dia da votação do primeiro turno. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Quem é Leandro Grass?

De janeiro de 2023 a fevereiro de 2026, presidiu o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) , por indicação da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Concorre pela coligação DF do Povo, que reúne a Federação Brasil da Esperança, o PDT e a Federação PSOL-Rede. Após o resultado, o candidato afirmou que irá disse que vai buscar eleitores de candidatos derrotados e também os que votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram. O petista incluiu nessa conta os eleitores de José Roberto Arruda (PSD), cuja candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral antes da votação. Ricardo Cappelli (PSB) já declarou apoio a Grass no segundo turno.

Leandro Grass durante audiência pública para debater os impactos da decisão judicial sobre a ocupação de boxes nas feiras no DF. Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF
Leandro Grass durante audiência pública para debater os impactos da decisão judicial sobre a ocupação de boxes nas feiras no DF. Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

 

Mato Grosso

O estado do Mato Grosso reelegeu o governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos. Em segundo e em terceiro lugar, ficaram, respectivamente, Wellington Fagundes (PL), com 23,19%, e Doutora Natasha (PSD), com 15,17%.
Pivetta foi vice-governador de Mauro Mendes (União) por dois mandatos. Em março de 2026, Mendes renunciou o cargo para dedicar-se à sua candidatura ao Senado.  Otaviano Pivetta assumiu o governo mato-grossense e garantiu sua reeleição. Mendes foi o senador mais votado no estado, com 33,21% dos votos válidos.

Posse de Otaviano Pivetta para o governo do estado, em março de 2026. Foto: Reprodução/ Republicanos 10.
Posse de Otaviano Pivetta para o governo do estado, em março de 2026. Foto: Reprodução/ Republicanos 10.

Otaviano Pivetta nasceu no Rio Grande do Sul e é produtor agropecuário. Foi prefeito três vezes de Lucas do Rio Verde, também no Mato Grosso. Seu primeiro mandato teve início em 1997 e o último terminou em 2016. Pivetta também foi deputado estadual no estado entre 2007 e 2010.
O Mato Grosso, que tem um eleitorado de mais de 2,6 milhões de pessoas, teve 22,2% de abstenções. Entre os 77,8% dos comparecimentos, 1,01% foram em branco e 1,86% foram nulos.

 

Mato Grosso do Sul

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador do Mato Grosso do Sul no primeiro turno. Com 100% das seções totalizadas, ele recebeu 67,07% dos votos válidos (914.323 votos), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Riedel venceu nos 79 municípios sul-mato-grossenses. Fábio Trad (PT) ficou em segundo lugar, com 23,68% (322.807 votos).

Dos 2.024.430 eleitores aptos a votar no estado, 483.210 não compareceram às urnas, o que representa uma abstenção de 23,87%, a maior já registrada em uma eleição no Mato Grosso do Sul. Para governador, foram computados 1.539.009 votos, sendo 88,58% válidos (1.363.298), 5,23% em branco (80.522 votos) e 6,19%  nulos (95.189 votos).

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul no primeiro turno. Foto: Saul Schramm/Governo do Mato Grosso do Sul
Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul no primeiro turno. Foto: Saul Schramm/Governo do Mato Grosso do Sul 

Eduardo Riedel nasceu no Rio de Janeiro, é formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas construiu a carreira política no governo de Mato Grosso do Sul. Foi secretário de Governo e Gestão Estratégica de 2015 a 2021 e secretário de Infraestrutura e Habitação até abril de 2022, ambos na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Também presidiu o Conselho Deliberativo do Sebrae e foi diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi eleito governador em 2022, pelo PSDB, ao vencer Renan Contar (PL) no segundo turno. Passou a integrar o PP para concorrer à reeleição, tendo José Carlos Barbosa (Republicanos) como seu vice-governador.

 

Goiás

Daniel Vilela (MDB) foi reeleito governador de Goiás no primeiro turno, com 59,17% (2.148.218 votos) dos votos válidos. O candidato foi o mais votado em 238 dos 246 municípios de Goiás. Vilela disputou a eleição contra Wilder Morais (PL) que ficou com 21,96% dos votos válidos, Luis Cesar Bueno (PT), com 9,82% e Marconi Perillo (PSDB), com 8,69%.  

Foto: Daniel Vilela junto de sua família e Ronaldo Caiado no primeiro turno. Reprodução/Instagram/@danielvilelaraiz_
Daniel Vilela junto de sua família e Ronaldo Caiado no primeiro turno. Foto: Reprodução/Instagram/@danielvilela15 

Natural de Jataí, Daniel Vilela tem 42 anos, é formado em Direito e pós-graduado em gestão pública. Foi vice-governador no segundo mandato de Ronaldo Caiado (PSD) e assumiu o governo goiano em março deste ano, após Caiado renunciar para disputar a Presidência da República. O início de sua vida política foi como vereador de Goiânia em 2008. Foi eleito deputado estadual em 2010 e federal em 2014 e, também chegou a disputar o governo contra Caiado em 2018, terminando a disputa em segundo lugar.

Daniel faz parte da coligação "Pra Goiás Seguir em Frente" (Republicanos, MDB, Pode, Mobiliza, Democrata, Agir, PSD, Avante, Federação Renovação Solidária, Federação União Progressista) e tem como seu vice o empresário Luiz do Carmo (PSD), de 68 anos. Vilela é filho de Maguito Vilela, liderança do MDB que governou Goiás entre 1995 e 1998, além de ter sido eleito prefeito de Goiânia em 2020