Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, 76 anos, é o candidato do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência da República em 2026. Essa não é sua primeira disputa pelo Palácio do Planalto: em 1989, aos 39 anos, Caiado também concorreu à Presidência. Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente, era um de seus adversários.
Antes de se envolver na vida pública, Caiado se formou em Medicina, em 1972, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Ele vem de uma família tradicional em Goiás, com registros de atuação no estado desde o século XVIII. A influência familiar e a relação com o setor rural contribuíram para sua aproximação com a defesa dos interesses dos produtores. Em 1985, assumiu a presidência da União Democrática Ruralista (UDR), entidade ligada à representação dos interesses de produtores rurais. Nesse período, ganhou projeção nacional ao se posicionar contra propostas de reforma agrária e em defesa da propriedade rural.
A entrada de Caiado na política institucional foi em 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência. No ano seguinte, o goiano foi eleito como deputado federal pela primeira vez, com a posse em 1991, e posteriormente acumulando cinco mandatos consecutivos na Câmara e um mandato no Senado. E, mais recentemente, em 2019, foi governador de Goiás, permanecendo no cargo até 31 de março de 2026, quando deixou o governo para concorrer ao Planalto.
Suas candidaturas presidenciais, em 1989 e agora em 2026, não foram as únicas disputas contra o PT. Em 2016, Caiado foi um dos principais opositores à ex-presidente Dilma e defendeu seu impeachment no mesmo ano. O posicionamento do então senador gerou comparações na imprensa com sua postura no processo de impeachment de Fernando Collor em 1992, quando, na função de deputado federal, votou contra o impedimento do então Presidente.
Recentemente, em dezembro de 2024, Caiado também enfrentou uma decisão da Justiça Eleitoral por abuso de poder. Foram realizados encontros com lideranças políticas no Palácio das Esmeraldas (sede oficial do governo do estado de Goiás) após o primeiro turno das eleições municipais, em apoio à campanha de Sandro Mabel, prefeito de Goiânia. A Justiça Eleitoral de Goiás determinou a inelegibilidade do governador, de Mabel e da vice-prefeita Cláudia Lira por oito anos, porém, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) derrubou a decisão em abril de 2025 por unanimidade, mas manteve a multa de R$100 mil.
Entre as principais propostas de Caiado destacam-se medidas nas áreas de segurança pública, economia e reforma política.
No quesito de segurança pública, o goianiense reforçou o combate ao crime organizado. Entre as propostas estão a criação da Lei do Terrorismo Doméstico, que prevê penas mais severas para integrantes de organizações criminosas, além de medidas para atingir financeiramente as facções, como o confisco e a perda de bens ligados às atividades criminosas. Além disso, Caiado apoia a aprovação da PEC da redução da maioridade penal para 16 anos em casos específicos, como homicídio, estupro de vulnerável e roubo com violência.
Outro destaque na segurança pública é a criação da “SULPOL”, uma polícia integrada aos países vizinhos do Brasil que transitaria livremente entre as nações. O objetivo da corporação seria de integrar dados, formar núcleos conjuntos de investigação e coordenar operações contra tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, cibercrime, tráfico de pessoas e redes criminosas transnacionais.
O candidato também apresenta propostas de combate ao feminicídio e de ampliação dos direitos das mulheres. Entre os projetos na área, estão a criação de uma rede integrada nacionalmente para medidas protetivas e alertas, expansão do monitoramento eletrônico de “agressores de alto risco”, implementação de um botão de emergência para a mulher violentada e destinação dos bens do condenado às vítimas e filhos. Também é projetada a expansão das casas de acolhimento e atendimento à mulher, aceleração da oferta de creches em áreas de maior demanda, ampliação e incentivo à participação de mulheres no agronegócio, ciência, tecnologia e indústria, e criação do selo “Empresa pela Igualdade”, que reconheceria empresas que promovam equidade de gênero.
Na área política, o candidato defende extinguir a reeleição consecutiva para cargos do Poder Executivo (presidente da República, governadores e prefeitos). A justificativa apresentada é a busca por maior igualdade nas disputas eleitorais e o incentivo ao planejamento a longo prazo, já que os governantes não precisariam pautar suas decisões pela busca de uma reeleição imediata. Ele também propõe a adoção de um sistema distrital misto, um modelo de reforma eleitoral para cargos legislativos (senadores, deputados e vereadores) que visa manter a proporcionalidade das forças políticas no parlamento. A medida combina a eleição de uma parte dos parlamentares em distritos territoriais menores (voto distrital) e a eleição de outra parte por meio de listas partidárias.
Embora não conste em seu plano de governo, Ronaldo Caiado já confirmou, durante a sabatina da GloboNews, que pretende anistiar os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Se eleito, pautar esse projeto seria uma das suas primeiras ações já no primeiro dia de mandato, a fim de “pacificar o país”.
Na economia, o ex-governador busca a estabilização fiscal do país sem elevar os impostos. Isso seria feito por intermédio de medidas para desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias e por meio da revisão de subsídios e benefícios fiscais. Além disso, ele propõe o “orçamento da verdade”, um documento que transparece todas as despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários, restos a pagar e riscos fiscais do governo.
Ainda no campo econômico, Caiado apresenta o estímulo à produtividade e ao investimento privado – uma vez equilibradas as contas públicas. O candidato propõe fortalecer micro e pequenas empresas, definir metas de produtividade e investimento que seriam revistas a cada quatro anos, reduzir o custo do capital produtivo, expandir o ensino técnico e reindustrializar o país por meio da energia limpa.
Na cultura, o candidato busca estruturar um financiamento pelo “Sistema Nacional de Cultura”, sem “dirigismo ideológico” e focado na liberdade artística. Ele propõe regras para o uso de obras com inteligência artificial, criar um programa de manutenção do patrimônio material e imaterial, política industrial para audiovisual e jogos e o incentivo à economia criativa e trabalho cultural.
A saúde inclui modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de transformá-lo em uma rede preventiva e digitalizada. Caiado também propõe a criação de um “Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente” que “substitua progressivamente a fila passiva por uma jornada clínica rastreável” com base na gravidade e risco de progressão da doença do paciente. Também são apresentadas medidas de “soberania sanitária”, a fim de reduzir a dependência externa; as propostas incluem o desenvolvimento e produção nacional de vacinas, terapias avançadas e medicamentos de alto custo.
As medidas de Caiado para a educação contam com com um “Pacto Nacional pela Alfabetização e Matemática na Idade Certa”, que apoiaria estados e municípios para que todas as crianças leiam, escrevam, compreendam e dominem fundamentos matemáticos até o final do 2º ano do ensino fundamental. Além disso, o candidato prevê a criação de itinerários com implementação curricular no ensino médio e fala em “transformar o Enem em instrumento coerente de conclusão e acesso, com avaliação das competências essenciais.” As propostas também abordam a elevação do padrão das licenciaturas, restrição de cursos de baixa qualidade e oferecimento de bolsas a bons estudantes que escolham a docência. O aperfeiçoamento de recursos de permanência estudantil a estudantes de baixa renda no ensino básico e a elevação das exigências de avaliação de cursos do ensino superior também foram apresentadas.