Ariana Grande volta aos palcos após sete anos

Depois de um período dedicado à atuação, a cantora retorna com a "Eternal Sunshine Tour" com uma produção grandiosa e vocais à altura
por
Helena Haddad
|
12/06/2026 - 12h

 

Na noite de sábado (6), na Oakland Arena, Califórnia, Ariana Grande lembrou ao mundo que é uma das vozes mais talentosas de sua geração. A abertura da Eternal Sunshine Tour, sua primeira turnê desde 2019, veio para agradar. Dividido em atos, o show começa ao som de "yes, and?", single do álbum Eternal Sunshine (2024). Um house dançante, à la "Vogue", de Madonna, que rebate críticas à sua vida pessoal.

abertura do show
 Abertura do show com “yes, and?” / Foto: Instagram @arianagrande

O palco, equipado com LEDs e uma casa “abandonada”, permitia mudanças constantes de atmosfera visual, e os interlúdios em vídeo, inspirados no curta “Brighter Days Ahead”, conduziam uma narrativa de confronto com o passado, trauma e recomeço, assunto recorrente em seus últimos lançamentos musicais. 

Um dos primeiros grandes momentos da noite chega com "The Boy Is Mine". A cantora  brinca com uma de suas dançarinas em uma performance que referencia diretamente o videoclipe da faixa, no qual ela interpreta uma versão da Mulher-Gato, meio obsessiva. A apresentação rapidamente se tornou uma das mais comentadas nas redes sociais, especialmente entre o público LGBTQ+.

A setlist reserva espaço para Positions (2020), álbum que ganhou nova vida no palco. A inclusão de faixas como "Positions", "Just Like Magic" e "Safety Net" surpreendeu o público. O disco que foi muito bem recebido pela crítica no lançamento, mas ofuscado por parte dos fãs na época, acumulou status de clássico com o tempo. Poucos esperavam tamanho destaque para ele na turnê.

"Grande não é deste mundo", a afirmação é do San Francisco Chronicle, e nenhum momento da noite a ilustrou melhor do que "Dangerous Woman". No quarto ato, com o vocal já completamente aquecido, Ariana se apresenta stripped down, acompanhada apenas por microfone e guitarra. Os vocais impecáveis dominam a cena e superam o instrumento. Um clássico da discografia entregue em sua melhor versão até hoje, arrancando aplausos imediatos da plateia e dos críticos.

A artista também aproveitou para cantar seu novo single. Ao introduzir "Hate That I Made You Love Me", do aguardado Petal — álbum previsto para 31 de julho. Ariana anunciou que a faixa havia acabado de alcançar o número 1 na Billboard Hot 100 e a estreia ao vivo ofereceu um primeiro vislumbre da nova era da cantora.

ariana performando
Ariana grande performando no palco. / Foto: Instagram @arianagrande

Os figurinos são destaque à parte. Desenvolvidos sob medida para a turnê, os looks reúnem criações de Givenchy, Vivienne Westwood, Alexander McQueen e outras grifes de alta-costura. Ariana também usa botas exclusivas da Christian Louboutin de salto stiletto, sua marca registrada. A curadoria é assinada por Law Roach, stylist mais requisitado da geração, que chegou a aparecer ao vivo em um cameo sob o palco, fazendo ajustes de última hora nos looks, durante a intro de “Into You”. 

backstage
 Ariana e law roach no backstage. / Foto: instagram @arianagrande 

Nem tudo, porém, agradou aos fãs. A ausência total de músicas do Sweetener (2018), álbum responsável pelo primeiro Grammy da cantora e considerado um marco de amadurecimento em sua trajetória, frustrou boa parte dos fãs.

No encerramento, Ariana recria a capa de Brighter Days Ahead, edição de luxo de Eternal Sunshine. Ao cantar "Supernatural", ela e seus dançarinos se reúnem no centro da arena e, com cabos em seu corpo, Grande levita em direção a iluminação suspensa, que remete a uma nave espacial. Um dos momentos visualmente mais grandiosos de toda a carreira, e o encerramento perfeito para uma artista que, como escreveu o Chronicle, não é deste planeta.

A Eternal Sunshine Tour conta com 41 shows distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, incluindo dez apresentações em Londres. Com todos os ingressos esgotados, a turnê confirma o retorno triunfal de Ariana Grande ao lugar onde sempre foi bem-vinda: o palco.

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