AGEMT na Copa: Espanha conquista a Copa do Mundo

La Roja dominou a partida contra a Argentina, levou para a prorrogação e levantou a taça pela segunda vez em sua história
por
Lucas Leal
Pedro Premero
|
20/07/2026 - 12h

A Copa do Mundo 2026 terminou neste domingo (19) com o confronto entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Os espanhois se consagraram campeões após derrotarem os sul-americanos por 1 a 0 com um gol de Ferran Torres, no segundo tempo da prorrogação. A Fúria voltou a levantar a Copa após 16 anos desde sua primeira, e até então última, conquista.

Com a vitória, a Espanha se tornou a seleção com a maior sequência invicta da história com 38 jogos sem perder. Outro feito inédito foi ser o primeiro país a ser o atual campeão mundial tanto no futebol masculino quanto no feminino, que também levantou a taça na última Copa do Mundo Feminina de 2023.

Já do lado argentino, além do vice-campeonato, Lionel Messi encerrou o torneio como vice-artilheiro, atrás de Mbappé, com oito gols marcados. O francês também superou o argentino como maior goleador da história das Copas, com 22 gols.



 

Lionel Messi com medalha de prata
O camisa 10 encerrou o torneio como o maior assistente da história da Copa com 12 passes. Reprodução/X/@Argentina

 

Para a decisão, a Argentina promoveu duas alterações na equipe titular. Nicolás González entrou no lugar de Leandro Paredes, enquanto Montiel substituiu Molina. Já a Espanha repetiu a mesma equipe da semifinal. 

No começo do jogo, sob temperatura de 27 °C, a Espanha teve a oportunidade de abrir o placar com Lamine Yamal. Após passe de Dani Olmo no meio da área, o camisa 19 bateu fraco e o lance parou em Dibu Martínez.

A Espanha se impôs desde o início e marcaram individualmente a saída de bola da Argentina. A Albiceleste se viu encurralada e, nesse cenário, Rodri interceptou um passe e criou mais uma chance para Yamal, que não teve êxito no cruzamento.

Em seguida, Laporte parecia ter recuperado a posse, mas dominou mal e a bola caiu nos pés de Julián Álvarez, que passou em profundidade para o camisa 10 argentino. Unai Simón, porém, foi esperto e antecipou uma jogada que poderia ser promissora.

A Espanha não abriu mão do seu estilo de jogo, com muita posse de bola, paciência e troca de passes em um ataque posicional. A Argentina, sabendo disso, montou uma defesa sólida e bastante agressiva na região central do campo, foram nove faltas marcadas e um cartão amarelo para Lisandro Martinez, somente no primeiro tempo. 

Sem muitas chances claras, aos 38 minutos, uma troca de passes entre Rodri, Baena e Fabián Ruiz pelo meio abriu espaço para Mikel Oyarzabal finalizar de fora da área, mas Dibu defendeu. Quatro minutos depois, Marc Cucurella recebeu pela ponta esquerda com liberdade e arriscou um chute cruzado, que saiu pela linha de fundo. Foi a última oportunidade antes do intervalo, encerrando um primeiro tempo de domínio espanhol, mas sem gols

No país dos shows do Super Bowl, o intervalo da final da Copa do Mundo contou com apresentações de Madonna, Shakira, Justin Bieber e BTS no campo. O espetáculo durou 27 minutos, e não os 15 convencionais.

O começo do segundo tempo mostrou que a situação da Argentina não iria melhorar. Logo no primeiro minuto, o passe fraco de Leonardo Paredes foi interceptado por Alex Baena, que cortou para o meio e chutou, mas a finalização não teve força e Emiliano Martínez defendeu com tranquilidade.

Aos 5 minutos, Paredes deu um encontrão em Rodri quando a bola não estava em disputa, os jogadores se reuníram em torno do espanhol caído e iniciaram uma pequena confusão. O jogador do Boca Juniors ainda empurrou Aymeric Laporte e Dani Olmo e saiu amarelado da jogada.

A Espanha continuou a dominar a partida com boas trocas de passes e ótimas construções de jogadas, como a que ocorreu aos 9 minutos. Pau Cubarsí saiu jogando de sua grande área e passou para Pedro Porro que fez um lançamento para Fabián Ruiz. O jogador do PSG passou de primeira para Dani Olmo que também deu de primeira para Mikel Oyarzabal. O atacante carregou a bola encontrou Ruiz. O meio-campista fez o pivô e tentou devolver para Oyarzabal, mas foi interceptado por Otamendi.

A Fúria não saia de seu campo de ataque, mas não conseguia passar pela defesa argentina. Aos 17 minutos, Luis De La Fuente colocou Ferran Torres e Pedri no lugar de Fabián Ruiz e Oyarzabal, para dar fôlego para o setor de criação e continuar com a pressão sobre os sul-americanos.

Aos 21 minutos, Lamine Yamal cobrou o escanteio, mas Alexis Mac Allister afastou. Na sobra, Pedro Porro devolveu para Yamal que passou por dois defensores e cruzou para Ferran Torres, mas cabeceou em cima de Martínez. Apesar do domínio, os espanhóis ainda pecavam nas finalizações ou saia fraca, ou sem direção ou parava em Dibu Martínez. 

Na saída de jogo, para tentar aliviar a pressão que estavam sofrendo, os argentinos tentavam conseguir faltas para se recompor em campo. Em um erro na troca de passe espanhola, Mac Allister deu um passe longo para Enzo Fernández, mas ele não alcançou. Rodri fez a proteção e o argentino, ao sentir o toque, caiu, pediu falta e reclamou com o juiz, assim, recebeu um cartão amarelo.

 

Enzo Fernández é expulso do jogo Argentina x Espanha
Enzo Fernández foi o sexto jogador a ser expulso em uma final de Copa do Mundo - Foto: Reprodução/X/@Argentina

 

Nos Acréscimos, a Argentina conseguiu ter um pouco de posse de bola, porém não levou perigo. A Albiceleste foi a primeira seleção a não finalizar no gol durante o tempo regulamentar de uma final.

O lance que mudou o rumo da partida aconteceu aos 47 minutos. Enzo Fernández foi disputar uma bola afastada pela defesa argentina mas chegou atrasado e deu uma entrada dura em Cubarsí, que fez o zagueiro espanhol dar uma cambalhota no ar. O meio-campista do Chelsea tomou o segundo amarelo da partida e foi expulso.

Com um a mais, antes de acabar o jogo, a Espanha teve uma falta perigosa na entrada da área para bater. Lamine Yamal cobrou à meia altura, Emiliano Martínez fez uma grande defesa e levou a decisão para a prorrogação.

Na prorrogação, o cenário continuou favorável aos espanhóis. Lamine Yamal recuperou a bola no campo de ataque e tocou para Pedri. O meio-campista levantou na área para o desvio de Nico Williams, obrigando Dibu Martínez a fazer mais uma defesa milagrosa.

A Espanha conseguiu anular o jogo de Messi, pressionando constantemente o argentino e utilizando sua maior arma para se defender: a posse de bola, com média de 65% de posse e 419 passes no campo adversário.

Com um jogador a menos, a Argentina já não pressionava tanto o portador da bola e, aproveitando essa liberdade, Pedro Porro cruzou rasteiro para a área. Ferran Torres não alcançou a bola, Mikel Merino conseguiu finalizar caindo e Dibu fez outra defesa, mas Nico Williams marcou no rebote. O lance, porém, foi anulado por falta, após Merino pisar no pé do zagueiro Otamendi.

Após 105 minutos de jogo, a Argentina ainda não havia conseguido finalizar uma única vez na partida.

O segundo tempo da prorrogação começou com o lance que mudou a história do jogo. Rodri passou para Yamal na lateral, que passou para Pedro Porro. O jogador do Tottenham cruzou para Nico Williams que ajeitou a bola de cabeça para trás para Ferran Torres encher o pé e abrir o placar.

 

Fernan Torres comemora gol da vitória
Ferran Torres marcou seu primeiro gol na Copa na final contra a Argentina - Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

 

Aos 7 minutos, a Espanha chegou a ampliar o marcador após passe de Yamal que deixou Ferran Torres cara a cara com Dibu Martínez. Porém, o atacante espanhol estava impedido e o gol foi anulado.

Aos 10 minutos, a equipe europeia teve a chance de matar o jogo. Em uma bola afastada pelos espanhóis, Nico Williams ganhou no corpo de Molina, arrancou pela lateral, deu um belo drible no argentino e avançou para área. Ao invés de cruzar para Yamal, Williams tentou outro drible, mas errou bizarramente, para a revolta do jogador do Barcelona, que estava bem posicionado para marcar.

Nos minutos finais, a Argentina pressionou em busca de um gol para levar a partida para os pênaltis. Aos 11 minutos, Messi recebeu a bola na entrada da área e finalizou forte, mas foi bloqueado pelo rosto de Merino.

Aos 14 minutos, Messi cobrou uma falta e tabelou com Otamendi e deu um belo passe para Giuliano Simeone. O atacante estava livre de marcação e cruzou fechado para Senesi, porém, Cubarsí conseguiu fazer um corte providencial e evitar o empate da Argentina. 

Logo em seguida, a Albiceleste teve dois escanteios. O primeiro foi afastado pelos espanhóis após uma confusão na pequena área. No segundo, após desvio na primeira trave, a bola sobrou livre para Simeone, que isolou a chance de ir às penalidades.

A Argentina até tentou chegar na área espanhola com um chutão de Martínez, a defesa afastou e o juiz apitou o fim do jogo. A Espanha se consagrou bicampeã mundial após uma partida dominante diante dos agora antigos campeões.

Após o apito final, Paredes entrou em confusão com Eric Garcia e Gavi, e acertou o rosto do meio-campista da Espanha. O argentino foi expulso. A FIFA (Federação Internacional de Futebol) publicou um comunicado em que diz que vai investigar o tumulto causado pelos vice-campeões.

Apesar disso, nada parou a festa dos espanhóis. Nas premiações individuais, Unai Simón recebeu a Luva de Ouro, após conceder apenas 1 gol durante toda a competição. Pau Cubarsí levou o prêmio de melhor jogador jovem do torneio. Já Rodri foi nomeado o melhor jogador da Copa do Mundo, o capitão espanhol comandou o meio campo da sua equipe com ótimas atuações defensivas e ações ofensivas.

 

Jogadores da Espanha recebem prêmios em diferentes categorias após o fim da Copa do Mundo
A Argentina finalizou apenas duas vezes na partida, o que evidencia a força defensiva dos espanhóis - Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

 

A próxima edição da Copa do Mundo acontecerá em 2030 e, pela primeira vez, será disputada em seis países e três continentes ao mesmo tempo. Uruguai, Paraguai e Argentina, na América. Espanha e Portugal, na Europa e Marrocos, na África.

Além disso, segundo Gianni Infantino, presidente da FIFA, a entidade estuda a possibilidade de ter mais 12 seleções para o mundial seguinte. “Algumas pessoas já sugerem ampliar o torneio para 64 seleções. Certamente esse assunto será analisado após esta Copa do Mundo e discutido pelos órgãos dirigentes da Fifa”