A única seleção pentacampeã, o Brasil, chega para tentar conquistar seu sexto título no mundial. A seleção do Marrocos também quer provar que não está na competição por acaso e merece a vaga. Após mais de 50 anos, o Haiti está de volta nos gramados da Copa do Mundo. E finalizando essa volta no atlas, a Escócia representa o futebol europeu do Grupo C.
BRASIL
O Brasil chega para a Copa do Mundo de 2026 com torcedores divididos, grandes nomes lesionados e, após 60 anos, um estrangeiro como técnico. A expectativa para a seleção é incerta, mas o título de melhor do mundo ainda assusta rivais e pesa a camisa canarinho.
Carlo Ancelotti assumiu o comando do Brasil em maio de 2025 sob muitas expectativas. Em 10 partidas, o italiano viu o time ganhar 5 vezes, empatar 2 e perder 3, logo alcançou um aproveitamento de 56,7%.
Antes da estreia oficial na Copa, em 13 de junho, eles entrarão em campo no dia 31 de maio contra o Panamá e dia 06 de junho contra o Egito para mais amistosos. Nas ocasiões, será utilizada a equipe que disputará o Mundial oficialmente, já que a convocação dos jogadores acontecerá ainda esse mês, no dia 18.
Nos últimos amistosos, contra a França e a Croácia, o treinador buscou diversificar alguns nomes para a convocação oficial. Jogadores como Rayan (AFC Bournemouth - Inglaterra), Gabriel Sara (Galatasaray - Turquia) e Igor Thiago (Brentford - Inglaterra) estrearam na seleção com orgulho e entusiasmo. Por outro lado, atletas que antes eram altamente cotados para a competição foram cortados devido lesões.
Rodrygo e Militão, ex-companheiros de Ancelotti no antigo clube do técnico, Real Madrid, e principais nomes do Brasil, passarão por cirurgias nas próximas semanas. O atacante trata de uma ruptura do ligamento no joelho direito, enquanto o zagueiro teve uma ruptura do tendão da coxa esquerda. Devido ao tempo de recuperação, os dois foram descartados da lista oficial.
Estevão também foi cortado devido a uma lesão que causou uma ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita, já Neymar JR segue dividindo opiniões quanto a sua presença, visto que não foi convocado para nenhum amistoso.
A recepção dos torcedores quanto a seleção e a Copa é mais cética. Segundo pesquisa do DataFolha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse em assistir às partidas do Mundial. Apenas 17% das pessoas ouvidas afirmaram ter grande vontade de acompanhar a competição.
Uma matéria do jornal Exame afirma que esse é o menor percentual da série histórica. O maior índice de interesse foi registrado em 1994, com 56% dos brasileiros afirmando que iriam acompanhar o torneio. O estudo explica a queda gradual com que o público deixou de torcer para a seleção. Se antes a prática era maior, o cenário da torcida nacional para com o Brasil deixa a desejar.
Entretanto, as polêmicas e críticas não são uma situação nova ou diferente em comparação aos últimos anos. Momentos como o Maracanazo, partida perdida em 1950 contra o Uruguai no Maracanã, o 7 a 1, goleada da Alemanha em cima dos brasileiros no Mineirão, e até a eliminação dolorosa contra a Croácia na última Copa, são manchas negativas no manto verde e amarelo.
Em todas as edições da competição, o Brasil sempre chegou como favorito no cenário internacional, mas em solo nacional o clima era amistoso e de pouca fé. Brigas internas, cenário político, complicações técnicas e má fase de jogadores famosos sempre estiveram entre os motivos pelos quais o time não teria apoio.
Apesar disso, foram cinco vezes em que a seleção brasileira conquistou o tão sonhado título de “melhor do mundo” e fez jus ao título de “futebol arte” pelo mundo afora. A expectativa é que o time avance à fase de grupos sem complicações e, assim como em 2022, chegue pelo menos às quartas de final.
Seleção brasileira pode dar oportunidades a novos jogadores e consolidar antigos no elenco. Foto: Divulgação/CBF.
As vitória em Copas
1958 - Suécia
Essa foi a Copa que marcou o surgimento do Rei do Futebol, que nem imaginava que seria convocado para a seleção. Com apenas 17 anos, Pelé apareceu para o mundo pela primeira vez com lances magistrais nos gramados da Suécia, país sede daquele ano, e a partir dali virou uma das maiores lendas da história do esporte.
Outro jogador importante desse título foi Didi, o Waldir Pereira, que se tornou um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Ele era o capitão e teve que lidar com a pressão de um país todo ansioso para ver o Brasil levantar a taça.
Com adversidades dentro e fora de campo, como o episódio do Maracanazo ainda recente, jogadores convocados muito jovens e sem experiência e outras seleções, inclusive a Suécia que era anfitriã e rival no último jogo, com maior favoritismo, foi Didi quem conduziu a equipe para lidar com tudo isso da melhor forma possível.
Para Nelson Rodrigues, escritor e jornalista esportivo, a conquista deste mundial representou o fim do complexo de vira-latas do homem brasileiro. Esse foi o começo da glória do país do futebol.
1962 - Chile
Nessa Copa, o Brasil era favorito para conquistar o bicampeonato e não decepcionou. Pelé e Garrincha seguiam no elenco, agora mais maduros e decisivos. Outros nomes também eram destaque no time canarinho, como Zito, Amarildo, Didi, Vavá e Zagalo.
Mas o caminho até o título foi intenso, com jogadores lesionados e cheio de pancadas, o que fez essa ser considerada a “Copa das Brigas”. Pelé, por exemplo, sofreu uma contusão na virilha esquerda após um chute forte de longa distância no segundo jogo da competição, contra a Tchecoslováquia, e não conseguiu mais atuar no restante do torneio.
O ferimento, apesar de ruim, estava prestes a melhorar o desempenho do time e a imagem de outro jogador: Mané Garrincha. O camisa 7 teve a personalidade transformada após o companheiro se despedir das jogadas. Compadecido, o atleta que já encantava pelas jogadas e personalidade brincalhona, ficou ainda mais focado e com dribles impressionantes.
1970 - México
O título de “país do futebol" chegou oficialmente em 1970, ano em que o Brasil foi a primeira seleção a se tornar tricampeã. Com a conquista, a taça Jules Rimet, o troféu da copa, foi oficialmente entregue à federação brasileira de forma permanente graças a uma regra estabelecida pela Fifa, que dizia que a equipe campeã de três edições do torneio teria o direito de manter o troféu original.
Anos depois o troféu foi roubado da sede da CBF e derretido. Após cinco anos, a Fifa reenviou uma réplica aos brasileiros. A edição de 70 foi a última Copa com o prêmio Jules Rimet, depois ele foi substituído pelo "Troféu da Copa do Mundo da FIFA", que não fica mais disponível para posse definitiva com os campeões.
Com Gerson, Tostão, Rivellino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Pelé e Jairzinho, o elenco de 1970 era composto por estrelas e deu um show em campo. Sob o comando do técnico Zagallo, o time elevou o nível.
Por causa da altitude do México, país sede da edição, a atenção à saúde física dos jogadores foi reforçada. Vocação ofensiva sem perder o comprometimento defensivo foram peças chaves para a conquista épica.
1994 - Estados Unidos
A falta de tradição dos Estados Unidos em copas não impediu esta edição de ser uma das mais icônicas. Na final, o Brasil empatou com a Itália no tempo normal e, para quebrar um jejum de 24 anos sem título, precisava vencer os europeus nos pênaltis. O momento ficou marcado como a primeira final da história dos mundiais a ser decidida nos penais.
A comemoração oficial do título só aconteceu depois que o melhor jogador da época e rival, Roberto Baggio, perdeu a cobrança e ficou conhecido como “o homem que morreu em pé”, tamanho o peso que sentiu ao ser derrotado.
Uma equipe organizada e entrosada tinha nomes como Bebeto, Dunga, Mauro Silva e Romário, que brilhou em campo e se tornou o melhor jogador da Copa de 94, eleito pela Fifa. Apesar de ter sido criticado por instaurar um futebol conservador, pouca criatividade no meio de campo e solidez defensiva, o técnico Carlos Alberto Parreira nunca deixou de dizer que o time “sempre foi brasileiro”.
2002 - Coreia do Sul e Japão
O jornalista José Ricardo Leite definiu a competição para o Brasil como “a Copa das dificuldades”. As adversidades na preparação e durante o torneio foram constantes, ainda mais com a ausência do craque Romário e as divergências quanto a saúde de Ronaldo Fenômeno.
Mesmo assim, os torcedores que se mantiveram firmes, inclusive em relação aos fusos dos jogos, e os jogadores determinados tiveram uma grande recompensa. A seleção brasileira despontava como favorita e a vitória veio em grande estilo: pentacampeã com a melhor campanha da história graças a sete vitórias em sete jogos.
Sob o comando de Felipão, a seleção adotou um estilo de jogo equilibrado, focado na superação e no brilho individual do trio 3R, composto por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. A defesa sólida e a criatividade no ataque uniram as habilidades do time.
Essa é considerada a copa mais marcante para os brasileiros, principalmente pelo elenco inesquecível e por ter sido uma das mais recentes. Além dos famosos atacantes, se destacavam também Cafu e Roberto Carlos, que otimizaram ainda mais o desempenho da seleção.
MARROCOS
Quando a bola rolar para a Copa do Mundo de 2026, uma das seleções mais observadas do torneio será o Marrocos. Depois de fazer história no Catar, em 2022, ao se tornar a primeira equipe africana e árabe a alcançar uma semifinal de Mundial., Os Leões do Atlas chegam à competição com a missão de confirmar que aquela campanha não foi apenas um momento isolado, mas sim o resultado de um projeto sólido e ambicioso de desenvolvimento do futebol no país.
A seleção marroquina conquistou respeito internacional ao eliminar potências como Bélgica, Espanha e Portugal antes de terminar na quarta colocação. O feito transformou o time em símbolo de orgulho nacional e continental, além de elevar as expectativas para o torneio de 2026, que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá.
Segundo a FIFA, o Marrocos disputará sua sétima Copa do Mundo e a terceira consecutiva, algo inédito em sua história.
Durante muitos anos, o Marrocos foi visto como uma seleção competitiva, mas irregular. O país participou de Copas importantes, como a de 1986, quando se tornou a primeira equipe africana a avançar às oitavas de final. Ainda assim, faltou consistência para se manter entre os protagonistas do futebol mundial.
A criação da moderna Academia Mohammed VI de Futebol, em Salé, e os investimentos da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) transformaram a estrutura esportiva do país. O centro de treinamento é considerado um dos mais avançados da África e tem sido fundamental para revelar jogadores e oferecer condições de alto nível às seleções nacionais.
Além da infraestrutura, o Marrocos adotou uma estratégia eficiente de integração de atletas nascidos na Europa, filhos de imigrantes marroquinos. Dessa forma, o país conseguiu reunir jogadores formados em grandes clubes do continente europeu, que elevaram o nível técnico da equipe.
Copa de 2022
Na Copa do Mundo do Catar, o Marrocos entrou como azarão e terminou como sensação do torneio.
Na fase de grupos, empatou com a Croácia e venceu Bélgica e Canadá. Nas oitavas, eliminou a Espanha nos pênaltis. Nas quartas, derrotou Portugal por 1 a 0, com gol de Youssef En-Nesyri.
A campanha só terminou nas semifinais, com derrota para a França, que ficou em segundo lugar, seguida de um revés diante da Croácia na disputa do terceiro lugar.
A campanha de 2022 teve um enorme impacto simbólico. O Marrocos passou a representar não apenas sua torcida, mas também milhões de africanos e árabes que viram esperança no futebol.
Após o sucesso no Catar, a expectativa em torno da seleção aumentou. O objetivo deixou de ser apenas tentar uma boa campanha e passou a ser realmente brigar por protagonismo.
Em 2026, o Marrocos chega com uma geração mais madura, que mescla jogadores experientes e jovens promessas como: Achraf Hakimi, Yassine Bounou, Sofyan Amrabat, Brahim Díaz, Youssef En-Nesyri, Bilal El Khannouss, Eliesse Ben Seghir.
Achraf Hakimi é um grande nome e rosto para representar a equipe. Nascido em Madrid, filho de marroquinos, Hakimi optou por defender o país de origem da família e se tornou capitão e principal referência técnica da equipe. Com passagens por Real Madrid, Borussia Dortmund, Inter de Milão e Paris Saint-Germain, ele é conhecido mundialmente por sua velocidade e capacidade ofensiva.
No Catar, Hakimi protagonizou um dos momentos mais icônicos da campanha ao converter o pênalti decisivo contra a Espanha com uma cavadinha. Para 2026, o lateral continua sendo o motor da equipe e o jogador capaz de desequilibrar partidas.
Já Yassine Bounou, goleiro, foi um dos grandes destaques da Copa de 2022, com atuações decisivas, especialmente na disputa por pênaltis contra a Espanha. Sua presença é um dos fatores que tornam o Marrocos uma equipe difícil de ser batida.
Coletivo
Apesar de contar com estrelas, o principal diferencial do Marrocos está no coletivo. A equipe combina disciplina tática, compactação defensiva e velocidade nas transições. O time sabe sofrer sem a bola e aproveita muito bem os espaços deixados pelos adversários.
Essa organização permite que a seleção enfrente potências sem se intimidar.
O ciclo rumo à Copa de 2026 teve mudanças importantes. Após liderar a histórica campanha de 2022, o técnico Walid Regragui deixou o cargo em março de 2026. Para seu lugar, a federação apostou em Mohamed Ouahbi, treinador identificado com as categorias de base.
A mudança aconteceu às vésperas do Mundial, mas a expectativa é de manutenção da identidade competitiva da equipe.
Nas Eliminatórias Africanas, o Marrocos confirmou o favoritismo e liderou seu grupo com autoridade. O desempenho reforçou a percepção de que o país consolidou sua posição entre as principais forças do continente.
Em 2022, as comemorações reuniram torcedores em cidades como Rabat, Casablanca, Paris, Bruxelas e Amsterdã. O time se tornou um símbolo da diáspora marroquina e da conexão entre diferentes gerações espalhadas pelo mundo.
A bandeira palestina exibida por jogadores após as vitórias também gerou repercussão internacional, ampliando a dimensão política e cultural da campanha.
Desafios
Apesar do crescimento recente e da consolidação como uma das principais seleções africanas, o Marrocos ainda terá desafios importantes na Copa do Mundo de 2026. A equipe precisará manter o equilíbrio emocional diante da pressão de repetir ou até superar a campanha histórica de 2022.
Outro fator de atenção é a adaptação às mudanças no comando técnico ocorridas pouco antes do torneio, o que pode exigir ajustes táticos e de entrosamento. Além disso, será fundamental evitar lesões de jogadores-chave, como Achraf Hakimi e Yassine Bounou, que são peças essenciais para o desempenho da equipe. No aspecto ofensivo, os Leões do Atlas também terão o desafio de transformar maior posse de bola em gols, especialmente contra adversários que adotam uma postura mais defensiva e fechada.
A expectativa é grande, e a margem para surpresa já não existe. Agora, o Marrocos entra em campo como candidato real a avançar novamente às fases decisivas. Com Hakimi liderando uma geração talentosa e um país inteiro sonhando alto, a seleção entra no Mundial com condições concretas de repetir e talvez até superar, a melhor campanha da história do futebol africano.
HAITI
O Haiti volta a disputar a Copa do Mundo da FIFA em 2026, após não participar desde 1974, na Alemanha Ocidental. Em sua primeira participação no torneio, sob o comando de Antoine Tassy, a seleção conhecida como os Granadeiros caiu em um grupo extremamente forte, que contava com a então vice-campeã Itália, além de Argentina e Polônia.
O Haiti terminou a campanha com três derrotas em três jogos, mas deixou uma impressão positiva ao marcar gols em duas partidas e demonstrar competitividade em sua estreia em Copas do Mundo.
Na Copa do Mundo de 1974, o atacante haitiano Emmanuel Sanon entrou para a história ao marcar contra a Itália e encerrar uma impressionante sequência do goleiro Dino Zoff, que não sofria gols pela seleção italiana havia mais de 1.100 minutos. Apesar da vitória italiana por 3 a 1, o jogo ficou marcado pelo feito de Sanon, que interrompeu uma das maiores séries de invencibilidade da história das Copas.
Classificação histórica
Sob o comando do técnico Sebastien Migne, os haitianos conseguiram uma vaga direta para o mundial deste ano ao superarem, com autoridade, as três fases das eliminatórias da CONCACAF. Na segunda etapa, os Granadeiros terminaram na vice-liderança do grupo comandado por Curaçau. Conquistaram três vitórias em quatro partidas e sofreram apenas uma derrota, justamente diante dos curaçauenses.
Na fase seguinte, o Haiti integrou um grupo complicado, ao lado de Honduras, Costa Rica e Nicarágua. Mesmo enfrentando adversários mais tradicionais em Copas do Mundo, os haitianos perderam apenas uma vez em seis jogos e encerraram a campanha na liderança da chave.
A vaga histórica veio na rodada final e enquanto Honduras e Costa Rica empataram, o Haiti venceu a Nicarágua por 2 a 0 e colocou fim a um jejum de 52 anos. Isso assegurou seu retorno à Copa do Mundo e trouxe um sopro de esperança para a nação haitiana.
De certa forma, o cenário de sua primeira participação em Copas se repete: o Haiti volta a cair em um grupo com seleções fortes. No Grupo C, os haitianos enfrentarão Brasil, Marrocos e Escócia. No Grupo C, os haitianos terão pela frente Brasil, Marrocos e Escócia.
Estratégia tática
Na última década, o Haiti obteve resultados importantes na Copa Ouro da CONCACAF, com destaque para as campanhas de 2015, quando chegou às quartas de final, e de 2019, quando alcançou as semifinais após eliminar o Canadá.
Atualmente, o sistema mais utilizado pela equipe é o 4-4-2, sempre priorizando transições rápidas. No gol, o titular é Johny Placide, experiente e líder defensivo.
Na defesa, nomes como Ricardo Adé se destacam pela força na marcação, enquanto os laterais contribuem tanto ofensiva quanto defensivamente.
No meio-campo, jogadores como Leverton Pierre são responsáveis pela organização e transição. No ataque, o principal destaque é Duckens Nazon, artilheiro histórico da seleção, apoiado por pontas rápidos que exploram os contra-ataques.
Artilheiro haitiano
O principal nome da seleção haitiana para a disputa da Copa do Mundo é Duckens Nazon. Experiente e decisivo, o atacante de 32 anos chega ao torneio como maior artilheiro da história do Haiti e como uma das maiores referências técnicas da equipe.
Dono de 44 gols com a camisa dos Granadeiros, Nazon construiu trajetória importante pela seleção em torneios internacionais, incluindo participações na Copa Ouro da CONCACAF e na Copa América Centenário, competição em que enfrentou o Brasil. O atacante também acumula longa história pela equipe nacional, são 80 partidas disputadas, marca inferior apenas à de Pierre Richard Bruny, recordista de jogos pela seleção.
Nas Eliminatórias da CONCACAF para o Mundial de 2026, Nazon voltou a ser protagonista. O camisa 9 terminou entre os principais goleadores da competição, empatado com Óscar Santis, ambos com seis gols. O grande destaque ficou para a atuação histórica contra a Costa Rica, quando marcou um hat trick em San José e comandou um dos resultados mais emblemáticos da campanha haitiana.
A nação haitiana
Mesmo em meio à grave crise econômica enfrentada pelo país, o governo haitiano anunciou no início de abril um investimento de 264 milhões de gourdes (cerca de R$ 10 milhões na cotação atual) destinado à seleção nacional. O valor servirá como premiação pela classificação histórica e também como apoio à preparação para a Copa do Mundo de 2026, em que o Haiti dividirá o Grupo C com Brasil, Marrocos e Escócia.
No Haiti, o futebol ultrapassa o esporte e ocupa um lugar quase sagrado na cultura popular, mesmo sem infraestrutura adequada. O principal estádio do país, o Estádio Sylvio Cator, está fechado desde fevereiro de 2024, por estar localizado em uma região de Porto Príncipe dominada por gangues, cenário que hoje atinge grande parte da capital haitiana.
O Jogo da Paz
A relação entre Brasil e Haiti no futebol começou muito antes do encontro no mundial desse ano. Em agosto de 2004, em meio à grave crise social e política vivida pelo país, a população encontrou no futebol um raro momento de alegria. Naquele período, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), liderada pelo Brasil, atuava no país após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide. Como gesto de aproximação com o povo haitiano, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o Brasil para disputar um amistoso contra a seleção do Haiti, no chamado “Jogo da Paz”, realizado em Porto Príncipe.
A partida terminou com vitória brasileira por 6 a 0, mas o placar foi o que menos importou naquele dia. Craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos foram recebidos com enorme festa pelos haitianos, que lotaram as ruas e transformaram a chegada da delegação em um evento histórico. Muitos se penduravam em árvores, carros e telhados apenas para ver de perto seus ídolos, em uma demonstração de carinho que emocionou os jogadores brasileiros.
ESCÓCIA
Após 28 anos fora do torneio, a Seleção Escocesa de Futebol voltará a disputar a Copa do Mundo FIFA de 2026. A última participação da Escócia havia sido na Copa de 1998. A classificação veio nas eliminatórias europeias da UEFA.
A Escócia terminou na liderança do Grupo C, superando as seleções dinamarquesa e grega. A equipe comandada por Steve Clarke, de forma dramática, se classificou com dois gols nos acréscimos, em uma vitória de 4 a 2 sobre a Dinamarca em novembro de 2025.
A geração atual é considerada uma das melhores da Escócia nas últimas décadas. Um dos pontos mais fortes é a experiência internacional dos jogadores que atuam em grandes ligas europeias. Já o ponto negativo mais aparente é a dificuldade ofensiva contra seleções muito fortes. A ideia principal é defender bem e competir fisicamente para aproveitar os erros dos adversários e conseguir uma boa performance em público.
Estratégia tática
O estilo de jogo adotado pela seleção é uma forte organização ofensiva, transições rápidas, intensidade física e uma linha com três zagueiros. Alguns dos maiores nomes da história escocesa são: Kenny Dalglish, Denis Law e Jim Baxter. A seleção escocesa tem como base do time a compactação defensiva. O técnico Steve Clarke prioriza o equilíbrio antes da partida, por isso, a equipe raramente se desorganiza.
Em 2021, os escoceses deixaram escapar novamente o sonho de voltar a uma Copa do Mundo, sendo eliminada na repescagem pela Ucrânia, que em seguida perdeu sua vaga para o País de Gales. O resultado do jogo contra a seleção ucraniana acabou em 3 a 1, com gols de Zinchenko e Yarmolenko. A dificuldade para controlar esses dois jogadores contribuiu para a derrota.
A derrota foi muito sentida, pois a geração era considerada uma das melhores da Escócia em décadas, então havia uma grande expectativa para retornar ao Mundial, jogadores como Robertson, McTimoney e McGinn estavam em grande fase.
Desde sua última participação em Copas do Mundo, a Escócia esteve presente em apenas duas edições da Eurocopa: em 2020 e 2024. Sendo eliminada na fase de grupos em ambas. A seleção da Escócia será uma das adversárias do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo 2026.
A última vez que a Escócia participou de uma Copa do Mundo a seleção era comandada por Craig Brown, e o principal jogador da equipe era John Collins, autor do gol contra o Brasil no jogo de abertura do torneio. A seleção escocesa nunca passou na fase de grupos da competição, totalizando apenas um ponto marcado na sua última Copa.