O final do debate para o governo de São Paulo realizado pela TV Cultura, Folha de S. Paulo e UOL foi marcado por mais um ataque contra a imprensa. A vítima mais uma vez foi a jornalista Vera Magalhães que sofreu insultos desrespeitosos do deputado estadual Douglas Garcia (Republicano), convidado do candidato ao governo paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ao fim do debate, a jornalista se encontrava na primeira fileira destinada à imprensa quando Garcia se retirou de seu assento, ao lado direito da plateia. O deputado começou a filmar Magalhães, emitindo ofensas como "vergonha para o jornalismo brasileiro" e comentando sobre o valor do contrato da jornalista com a TV Cultura.
Com o clima acalorado, Leão Serva, diretor de jornalismo da TV Cultura e chefe de Vera, tomou o celular da mão do deputado e o arremessou. Garcia foi escoltado para fora do evento pela segurança.
📽️ Em outro ângulo postado por @veramagalhaes, dá para ver o momento em que o apresentador Leão Serva surge do meio da multidão, arranca o celular da mão do deputado estadual Douglas Garcia e joga longe#DebateNoUOL #DebateNaCultura pic.twitter.com/3U4C21v8EG
— UOL Notícias (@UOLNoticias) September 14, 2022
Pedido de desculpas… a Tarcísio de Freitas
Douglas Garcia comentou o caso no Instagram na manhã desta quarta-feira (14). Em um vídeo curto, o parlamentar conta: "não me arrependo de absolutamente nada que eu fiz hoje. Se é pra eu pedir desculpas pra alguém, não é pra jornalista nenhum não. Tenho que pedir desculpas pro Tarcísio".
Desabafo
Em suas redes sociais, Vera Magalhães postou um vídeo sobre o ocorrido. Na postagem, a jornalista relata que precisou sair escoltada do Memorial da América Latina, onde aconteceu o debate. Além disso, desmentiu as acusações sobre seu contrato expressas por Garcia, que afirmou que Vera recebia 500 mil reais anuais pela TV Cultura. Acrescentou, ainda, um apelo pela liberdade de imprensa: “O brasil é uma democracia. uma democracia pressupõe imprensa livre”.
Vera afirma que prestou boletim de ocorrência contra o parlamentar.
Histórico de ataques a jornalistas mulheres
Esta não é a primeira vez que a base bolsonarista hostiliza jornalistas. No debate presidencial da TV Bandeirantes, ocorrido em 28 de agosto, Jair Bolsonaro também se referiu à Vera Magalhães como "vergonha para o jornalismo", frase reproduzida pelo seu apoiador Douglas Garcia.
Magalhães não foi a única vítima dos ataques à imprensa por parte do Presidente da República. Em 2021, Bolsonaro foi condenado pela justiça por usar o jargão jornalístico "furo" com conotação sexual ao mencionar Patrícia Campos Melo. "Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim", afirmou o presidente em meio a risos. Na ocasião, Bolsonaro foi multado em R$35 mil pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Em abril deste ano, Eduardo Bolsonaro (PL) debochou da tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão ditadura militar. Pelo Twitter, o deputado federal respondeu a uma publicação da jornalista dizendo "Ainda com pena da (emoji de cobra)...". Leitão já relatou que, quando foi presa durante a ditadura, foi torturada e presa junto a uma jiboia em uma sala escura.
Ainda com pena da 🐍 … pic.twitter.com/4DLVBtIPZI
— Eduardo Bolsonaro 22.22🇧🇷 (@BolsonaroSP) April 3, 2022
Candidatos repudiam desacato nas redes
Perante a hostilização do deputado do Republicanos, os candidatos ao governo de São Paulo, incluindo Tarcísio de Freitas, repudiaram a atitude nas redes sociais.
Lamento profundamente e repudio veementemente a agressão sofrida pela jornalista @veramagalhaes enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje. Essa é uma atitude incompatível c/ a democracia e não condiz c/ o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa.
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) September 14, 2022
Deputado que agride ou assedia jornalista deve ser cassado por falta de decoro. Vamos transformar a Assembleia Legislativa de SP em território livre da misoginia. Solidariedade a @veramagalhaes.
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) September 14, 2022
É estarrecedor o ódio q essa gente q atacou a @veramagalhaes sente das mulheres. O método se repete há anos. São traumas muito mal resolvidos. Hj, meu PGM eleitoral será dedicado às mulheres de SP. Fortes, donas do próprio destino e corajosas. Covardes e agressores não passarão.
— Rodrigo Garcia (@rodrigogarcia_) September 14, 2022
A nova rodada da pesquisa IPEC, encomendada pela TV Globo, divulgada nesta segunda-feira (12), mostra que o ex-presidente Lula (PT) segue na liderança isolada para a disputa do Palácio do Planalto. O petista aparece com 46% das intenções de voto, ante 31% do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em relação a pesquisa feita em 05 de setembro, Lula subiu dois pontos percentuais, dentro da margem de erro. Já Jair Bolsonaro seguiu no mesmo patamar, uma estabilidade crítica do atual presidente. A pesquisa tentou mensurar qual o impacto do feriado de 7 de setembro em que Bolsonaro convocou sua base para mostrar força nas ruas.
A nova pesquisa IPEC indica um cenário de estabilidade das eleições, o que segue sendo cada vez melhor para Lula, há 19 dias das eleiçõs. Para Bolsonaro, a nova pesquisa é um péssimo resultado, pois todas as suas tentativas de se erguer não tem surtido efeito.
- Lula (PT): 46% (44% na pesquisa anterior, em 5 de setembro)
- Jair Bolsonaro (PL): 31% (31% na pesquisa anterior)
- Ciro Gomes (PDT): 7% (8% na pesquisa anterior)
- Simone Tebet (MDB): 4% (4% na pesquisa anterior)
VOTOS VÁLIDOS
No cenário apresentado pelo IPEC, ainda há a possibilidade de Lula vencer o pleito no primeiro turno, mas está dentro da margem de erro. Segundo o Instituto, o petista tem 51% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos. Se antes era tratada como uma possibilidade quase remota a vitória na primeira rodada, a nova pesquisa reacende a chama da decisão já no dia 02 de outubro
- Lula (PT): 51% (50% na pesquisa anterior, de 5 de setembro)
- Bolsonaro (PL): 35% (35% na pesquisa anterior)
- Ciro (PDT): 8% (9% na pesquisa anterior)
- Tebet (MDB): 4% (4% na pesquisa anterior)
A nova pesquisa para o lado de Bolsonaro é ainda mais preocupante. Um cenário de estabilidade consolidado evidencia que Bolsonaro não tem mais margem de crescimento, apesar de suas tentativas no 7 de setembro.
O discurso do atual presidente contra Lula e o histórico de corrupção nos governos petistas já não colam na população, ainda mais depois da matéria do portal UOL que mostrou que a família Bolsonaro comprou dezenas de imóveis com dinheiro vivo. Cada dia que passa, fica mais difícil a vida do atual presidente.
TERCEIRA VIA EMPACADA
Figurinha carimbada na terceira colocação, Ciro Gomes (PDT) tem 7% das intenções de votos. O ex-ministro oscilou um ponto para baixo em comparação com a última pesquisa IPEC. A diminuição do ex-ministro pode ser um sinal de alerta, pois Simone Tebet pode chegar no candidato do PDT.
Falando em Tebet, a candidata do MDB continua com 4% em comparação com a pesquisa de 05 de setembro e segue correndo atrás de Ciro Gomes. Caso consiga passar o candidato do PDT, seria histórico a sigla de Tebet que nunca teve candidatos acima de 4% de votos.
2º TURNO
Em um cenário de 2° turno, Luiz Inácio Lula da Silva segue na dianteira com 53% das intenções de votos contra 36% de Jair Bolsonaro. Em relação à pesquisa anterior, Lula oscilou 1 ponto para cima, enquanto Jair Bolsonaro se manteve estável.
- Lula (PT): 53%
- Bolsonaro (PL): 36%
A pesquisa ouviu 2.512 pessoas entre os dias 9 e 11 de setembro em 158 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01390/2022.
Nesta quinta-feira (8), a comitiva do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sofreu um ataque em Cordeirópolis. Segundo constam imagens capturadas por uma câmera de segurança, a equipe do petista foi atacada com ovos.
Haddad visitou a cidade de Cordeirópolis pela manhã para assinar uma carta de compromisso com a Associação dos Municípios de Pequeno Porte do Estado de São Paulo (Amppesp). Após breve coletiva de imprensa, fez uma caminhada pela região central do município. Na ocasião, um homem atirou dois ovos na direção do ex-prefeito de São Paulo, atingindo o vereador Sérgio Balthazar, um cinegrafista e dois apoiadores. Haddad não foi atingido. Veja o vídeo:
Segundo a prefeitura de Cordeirópolis, uma câmera residencial conseguiu identificar o responsável. Se tratava de um morador local e ele foi conduzido até a delegacia.
Apesar do ataque, o petista e seus apoiadores prosseguiram com a caminhada. Haddad visitou, ainda no mesmo dia, as cidades de Rio Claro, Santa Bárbara d'Oeste e Sumaré.
Vale lembrar que a equipe de Haddad cancelou a visita à Presidente Prudente na quarta-feira (7) por ameaças de ataque contra o candidato.
O candidato à presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, se manifestou, nesta quarta-feira (07), contra a atitude de Jair Bolsonaro de promover propaganda política e campanha eleitoral a seu favor durante as comemorações do dia da independência brasileira.
Ciro, durante sua campanha pela cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, se pronunciou em relação à postura do presidente e a caracterizou como “promíscua e desonrosa”. Lamentou pelo desrespeito para com os militares condecorados e fardados que precisaram se envolver com os apoiadores mais fanáticos do presidente. Segundo o candidato, Bolsonaro foi “capaz de transformar um ato cívico, uma solenidade cívico-militar, num comício com milhões de recursos públicos envolvidos”.
As críticas do candidato do PDT também se focaram na escolha do presidente de convidar o empresário Luciano Hang para acompanha-lo nas comemorações. Atualmente, Hang é investigado por envolvimento em discussões em grupos de whatsapp, que incitavam golpes contra a democracia.
Mesmo tendo seus conteúdos cada vez mais próximos do antipetismo e até mesmo tendo suas postagens compartilhadas por grupos bolsonaristas, Ciro não perdeu tempo em criticar enfaticamente o adversário Jair Bolsonaro.
O pedetista criticou a comparação estética feita por Bolsonaro, entre sua esposa e Janja, esposa do ex-presidente Lula. O pedetista categorizou o comentário como absolutamente estúpido e grosseiro.
Ciro também ressaltou a necessidade de investigação sobre atos bolsonaristas e questionou a omissão do judiciário em relação aos eventos ocorridos.
O candidato à reeleição a governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), esteve presente durante a celebração do 7 de setembro, que marcou os 200 anos de Independência do Brasil no recém aberto Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Rodrigo esteve presente no museu juntamente com estudantes da rede estadual, referidos por ele como “o futuro do Brasil”. O governador também ressaltou a importância da proclamação durante o evento. “Nunca a Independência foi tão importante para todos nós. Ela significa liberdade, democracia e respeito às nossas opiniões”, afirmou para os jornalistas presentes.
O candidato também foi perguntado em relação às recentes pesquisas, nas quais aparece em terceiro lugar, e afirmou que “as pessoas ainda estão conhecendo quem é o novo governador”. Rodrigo também negou quando perguntado se sua visita teria tido um “uso político”.
Além de estar presente no museu do Ipiranga, o candidato também publicou em seu Twitter um vídeo em que ressalta o fato da proclamação da Independência ter ocorrido no Riacho do Ipiranga, na cidade de São Paulo, que assim como a maioria dos rios da cidade, foi canalizado em 1942.