Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
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Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Giovanna Linck, Carolina Novaes, Carine Roma, Fernando Netto, Guilherme Menezes e Lucas Estanislau
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28/02/2020 - 12h

A poesia de rua se manifesta em diversas regiões da cidade de São Paulo. Os slams, eventos que reúnem poetas independentes da periferia da cidade, são batalhas de poesias que servem como canal para que marginalizados possam ter um lugar na cena artística da metrópole. O podcast "Vozes da Rua" conversou com especialistas, organizadores, fãs e alguns desses artistas que fazem dos slams um símbolo de arte e resistência na capital.

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Carla Matsue, Gabriel Freire, Giovanna Caliope e Marina Monari
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28/02/2020 - 12h

Em três episódios do PodFalá, mães de diferentes perfis contam suas experiências. Por exemplo, Cibele, que tem cinco filhos e é separada há 8 anos, fala das dificuldades financeiras e sociais que enfrenta no episódio “Mãe de Cinco”.
Já a Luana tem 21 anos e uma filha de quatro, e explica, no episódio “Mãe aos 17”, como foi ser mãe tão cedo e as dificuldades no início da carreira profissional. E no terceiro episódio, “Mãe Lésbica”, Lilian diz o que é ser mãe solo e homossexual. Todos os episódios estão disponíeis abaixo:

Episódio 1: Cibele, Mãe de Cinco

 

Episódio 2: Luana, Mãe aos 17

 

Episódio 3: Lilian, Mãe Lésbica

 

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Karinny Galvão Leite
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20/11/2019 - 12h

O Brasil é repleto de misturas culturais, nas quais boa parte é proveniente da imigração. Uma delas é a arte oriental conhecida como charão, que corresponde à extração da laca para revestir objetos. Poucos sabem que, nos anos 30, houve um forte esforço para que essa técnica se tornasse no país tão conhecida como um dos nossos tesouros, o futebol.

O método chegou pelas mãos do japonês Ryoichi Nakayama, um economista que, cansado das atividades monótonas que a profissão lhe causava, resolveu, diante das dificuldades enfrentadas pelo Japão após a primeira guerra e da crise de 1929, vir com sua família para tentar a sorte de uma vida melhor.

“Quando meu avô veio ao Brasil ele achava que aqui era tudo mato. Então, ele trouxe coisas suficientes [para a sobrevivência] até que os filhos, que eram pequenos na época, completassem 16 anos. Então imagina, por exemplo, ele trouxe uma quantidade de fósforos imensa”, conta Sergio Nakayama, neto de Ryoichi.

Ao pisar em solo brasileiro, Ryoichi Nakayama se deparou com uma realidade muito diferente. Ele não imaginava que aqui não se faziam peças do charão. As que existiam, eram frutos de importação. Assim, voltou ao Japão, aprendeu técnicas com artesãos locais, recolheu ferramentas e retornou ao Brasil trazendo sementes para plantar as árvores e o sonho de prosperar.

Mas, a espécie que ele trouxe não se aclimatou no Brasil. Dessa forma, ele buscou ajuda do então Serviço Florestal, que conseguiu sementes da Indochina Francesa, convencendo Nakayama de que essa técnica artística poderia passar de um interesse próprio para um indústrial, no qual São Paulo seria o palco para o desenvolvimento.

Natália Ferreira de Almeida, que é a responsável pelo Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo,  que possui acervos de charão explica: “na verdade, a técnica  pode ser aplicada em diversas superfícies, então tem aplicações em ferro, aço, papelão, madeira”.

Entretanto, para se fazer o charão é preciso muita paciência e tempo.

Basicamente é necessário plantar as sementes, esperar alguns anos para que a árvore atinja o período certo para a extração da laca (que é uma espécie de resina incrustada), passar diversas camadas dessa laca no objeto e, por fim, finalizar com um acabamento, que costuma ser sempre com um desenho artístico.

Exemplo de peças em charão. Foto: Japanese Lacquer “Urushi” (Japanese Culture Book).
   Exemplo de peças em charão.

Foto: Japanese Lacquer “Urushi” 
      ​​​​(Japanese Culture Book).

O charão costuma ser mais visto em utensílios de cozinha “hoje a culinária japonesa está mais que popularizada aqui no Brasil, então, se você vai em um restaurante japonês tem aqueles utensílios pretos, que remetem a estética do charão”, diz Natália Ferreira.

Mas o charão também reveste caixas de músicas, biombos, leques, dentre muitos outros objetos, além de estar presente na moda, como em cintos.

Porém, com a demora em fabricar as peças e com o surgimento de alternativas mais baratas, como é o caso do óleo da semente de caju, contribuíram para que essa arte fosse perdendo o espaço no Brasil e caísse no esquecimento.

A professora de História da Arte da Ásia da UNIFESP, Michiko Okano, conta os motivos pelos quais o charão foi esquecido: “o artesanato no Brasil é muito desvalorizado. As pessoas não conseguem se sustentar da arte. No Japão, as obras que são artesanais, são muito valorizadas. Lá temos artesãos que são considerados patrimônios culturais”, argumenta.

O artista francês Francis Jean Marie, que mora no Brasil há muitos anos, foi até a terra do sol nascente na década de 80 e teve aulas em uma universidade tradicional para aprender a fazer charão.

Ele tentou fazer suas obras aqui no Brasil, mas enfrentou dificuldades burocráticas e econômicas, o que fez com que atualmente desenvolvesse outro tipo de arte: “madeiras torneadas são um pouco mais fácil, tem um custo bem inferior e as pessoas tem um pouco mais de afinidade. O charão precisa fazer um curso, ter uma educação para ver como o trabalho é importante”, destaca.

Sérgio Nakayama também contou que ninguém mais da família faz o charão: “eu tenho a missão de fazer o resgate dessa história para passar para os meus filhos, para que eles saibam como o avô foi pioneiro”.

 Apesar das dificuldades, Michiko Okano revela uma vantagem de fazer esse tipo de arte no Brasil: “Aqui, não existe um consenso [tradicionalismo], então as pessoas se sentem com liberdade de fazer novas criações”.

Por mais que as esperanças pareçam acabar, no Instituto Florestal de São Paulo foram encontrados resquícios e novas mudas da espécie que produz a laca, que nasceram em função da própria natureza. Assim, o charão ainda revive. Para que ele esteja presente, basta desejarmos e termos o interesse de que ele renasça.

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Giulia Avventurato e Victória Marques
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14/11/2019 - 12h

Ao chegar na casa de um amigo, se é recebido na porta pelo anfitrião, e não é diferente na portinha da rua Álvaro de Carvalho, que dá acesso à Ocupação 9 de Julho. É de praxe a recepção feita por um dos 500 moradores para o tradicional almoço de domingo. Promovido por moradores e voluntários, o evento que acontece no último final de semana de cada mês tem se tornado ponto do circuito "cult" de São Paulo, servindo desde comida caseira até bebidas alcoólicas, sucos, diversos doces e um ambiente descontraído e amigável.

O prédio tem sido moradia de integrantes do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) desde 2016. Muito deles vindos da ocupação do Hotel Cambridge, que hoje está desocupado e passa por revitalização. O acordo é que, quando apto para habitação novamente, os apartamentos serão financiados pelo governo federal a valores flexíveis às famílias que lá residiam. Como o prazo para entrega da reforma é somente para 2021, grande parte dos moradores se abrigaram no prédio vizinho, dando início a Ocupação 9 de Julho.

O evento existe há aproximadamente dois anos e se expandiu rápido. Graças a uma rede de moradores, voluntários e ativistas, a abertura da Cozinha Ocupação 9 de Julho ao público é uma forma eficaz de romper a barreira com as pessoas de fora e se consolidar fisicamente. A popularidade vinda dessa interação se tornou também uma proteção. Com a quebra do isolamento, o movimento se integra de fato á sociedade ao invés de ser marginalizado. As pessoas passam a conhecer quem faz parte desse grupo pela convivência durante os fins de semana e assim podem quebrar estereótipos sobre ocupações urbanas.

Além dos tradicionais almoços, o edifício também é aberto para oficinas, palestras, exibição de documentário, e festas típicas, como o "Arraiá da Resistência" em junho com o apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Na ocasião, Felipe Catto, Mariana Aydar, Marcelo Jeneci, Ana Cañas é outros músicos se apresentaram gratuitamente para o público presente. Inclusive, a presença de artistas e personalidades conhecidas é frequente no espaço. O ex-senador Eduardo Suplicy, um dos maiores apoiadores do movimento, escolheu o local para celebração de seu aniversário neste ano.

"O investimento inicial foi de nove mil reais e a receita que circula durante o ano chega a praticamente 90 mil. Não é muita coisa, na verdade, mas é um capital de giro suficiente para continuar fazendo os próximos eventos. A reforma da cozinha também foi feita com esse dinheiro", contou Néle Azevedo, artista plástica e voluntária da ocupação. "Os almoços também ajudam na renda de algumas famílias. São 10 pessoas que trabalham cozinhando e recebem para isso. Além disso, as barraquinhas de fora também são de moradores do prédio".

À exemplo disso, o Coletivo Empodera foi um projeto que nasceu dentro da ocupação, formado essencialmente por mulheres que buscavam independência financeira, e hoje comercializam alimentos regularmente. Um curso profissionalizante foi feito por todas e hoje, elas conseguem vender quiches e alfajores caseiros e veganos sem adição de conservantes.

O prato da casa fica por conta de um grupo específico de moradores, que se organizam na cozinha sempre deixando o espaço de convivência limpo e democrático. No dia 22 deste mês Fernando Goldenstein Carvalhaes e Leonardo Andrade, membros da Companhia dos Fermentados, comandaram a cozinha oferecendo o prato do dia: chucrute, costela de porco, abóbora e arroz integral. Para os veganos, abobrinha, tomate e cebola grelhada também participam do cardápio. Todas as salas do mesmo andar disponibilizam mesas e cadeiras comunitárias e sempre existe fila até a cozinha, das 11 às 16 horas.

Além do espaço externo, onde quase todas as paredes são cobertas de grafites, o prédio fica aberto a visitação guiada e, no último andar, a galeria RE O CUPA fortalece os laços entre a produção artística e movimentos sociais. Inaugurada em outubro do ano passado, a galeria usa do espaço robusto e amplo do que anteriormente era o antigo saguão como forma de potencializar a ocupação e convergir as diversas experiências entre artistas, curadores e arquitetos que são fora do circuito. Acima de tudo, a criação da Ocupação e da galeria são instrumentos de articulação, que participam do meio cultural e já fazem parte da agenda da população de São Paulo.

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