Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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A pandemia da Covid-19 ocasionou o fechamento de estabelecimentos, como os cinemas - que foram paralisados no dia 14 de março. Consequentemente a pausa interrompeu lançamentos que estavam previstos para esse ano e também produções cinematográficas.
por
Maria Luiza Oliveira e Giulia Palumbo
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06/11/2020 - 12h

Claramente, 2020 não foi o ano do audiovisual. Com milhares de séries e filmes travados, produtores e distribuidores consideram esse um ano perdido em virtude da pandemia do novo coronavírus. A paralisação teve início em meados de março, mas reabriu dia 10 de outubro. O que não reparou os danos causados ao longo desses meses, pelo contrário, acaba abrindo porta para outros, como por exemplo, uma nova onda da doença. 

Para a indústria cinematográfica, a crise já significou uma perda de 10 bilhões de dólares em bilheterias. Enquanto isso, o sindicato da indústria de entretenimento dos EUA, a Aliança Internacional de Empregados Teatrais (IATSE), relata que até agora 120.000 trabalhadores foram demitidos em Hollywood como resultado da suspensão das atividades. O impacto imediato foi trágico, mas a preocupação também está crescendo em relação ao futuro da produção cinematográfica. À medida que o distanciamento social e o isolamento se tornam a nova norma, será que um negócio construído em torno de uma experiência comunitária consegue sobreviver? 

Dizem que uma nova onda vem por aí, assim como já chegou em outros países como Itália e Portugal, mas segundo André Sturm, diretor do Petra Belas Artes, o novo normal não existe, as coisas já estão como eram antes, “Primeiro que eu não acredito em “nova normalidade”, ela não existe. É só você olhar em volta, você vê as praias lotadas, os bares lotados, os cinemas, os restaurantes lotados. A vida voltou, vai voltar completamente ao normal, com exceção para meia dúzia de pessoas, que enfim, são chatas”, ressalta Sturm. 

Para aqueles que estão no meio de uma produção, a paralisação pode ser ainda pior. Até então, a pandemia interrompeu pelo menos 34 filmes e 144 séries de TV.  Entre os filmes, estão incluídos lançamentos de grande orçamento, como A Pequena Sereia, Matrix 4, Jurassic World 3, The Batman. Essa pausa pode ocasionar um custo de até 350.000 dólares por dia para a Disney, de acordo com o The Hollywood Reporter. Dessa forma, o verdadeiro impacto do encerramento pode não ser sentido por meses.

Aos poucos, as lacunas deixadas na programação tanto nas telonas quanto nas telinhas estão sendo preenchidas, com o retorno das gravações que seguem todos os protocolos de segurança. O produtor e sócio da Kurundo Filmes, Alexandre Petillo afirma que no início da pandemia parou totalmente com seus trabalhos e projetos e só em meados de agosto voltou com suas atividades, mesmo que remotamente: “ficamos durante um mês parados. Tudo que estava em produção ou em pré, parou. Paramos para entender como seriam os próximos passos do mundo cinematográfico. Logo na sequência, os clientes começaram a entender a importância da linguagem do audiovisual e a partir daí, começamos a fazer algumas edições com imagens captadas pelo próprio cliente. Por dois meses isso ajudou de verdade a pagar as contas. ”, ressalta Petillo. Alexandre também aponta que 2020 adiou os dois projetos mais importantes que a produtora tinha em mente, o que não deve ter sido diferente para milhões de produtores espalhados pelo Brasil.

Vida normal às avessas: 

O Estado de São Paulo, além de outros, entrou na fase verde da pandemia, e com isso foi autorizada a reabertura dos cinemas no dia 10 de outubro na capital paulista, porém eles precisam seguir uma série de medidas de segurança, como explica o diretor do Petra Belas Artes, André Sturm: "O comitê de covid do Estado criou um protocolo para o cinema, um tanto rigoroso e o cinema está cumprindo. Os funcionários estão usando máscara, fizemos marcações no chão de distanciamento e pontos de álcool em gel." 

Já as gravações do audiovisual tiveram seu retorno antecipado, porém sob novas regras de segurança, "(...) parei durante 3 meses, mas depois não tive escolha a não ser voltar às atividades, com todos os procedimentos de segurança. ”, é o que fala o diretor e produtor da Agrião Filmes, Lucas Valentim. Com o atraso nas produções e nos lançamentos previstos para 2020 tudo precisou ser realocado e readaptado: “Muitos filmes que iam estrear tiveram adiamento de suas estreias. Tem filmes que foram reprogramados para começar só em 2021. Então você tem aí um estoque de filmes para estrear. ”- afirma Sturm.

Com o isolamento social muitas pessoas começaram a usar serviços de streamings. Segundo pesquisa da Conviva (empresa de inteligência integrada de dados), no mês de março houve um crescimento de 20% na utilização desse recurso. É o caso da jovem estudante, Gabriela Pires (22): “(...) a facilidade de encontrar filmes nessas plataformas aumentou significativamente a quantidade de filmes que eu assisto, contudo não trocaria a experiência de ir ao cinema por nada! ”  Diferente do fotógrafo João Pedro Garcia (21), ele diz que não assistiu muitos filmes online, “a quantidade de filmes que eu assistia diminuiu bastante”, Garcia frequentava o cinema cerca de três vezes ao mês antes da pandemia.   

Além disso, há também quem aproveite a oportunidade para assistir a programação do cinema drive-in. Na opinião de Petillo, essa a prática veio para ficar, uma vez que o retorno dos cinemas será um processo lento. Ao contrário, o diretor do Petra Belas Artes não teme a concorrência: “(..) acho que foi uma solução daquele momento, que você não tinha nenhuma possibilidade de diversão, que estava tudo fechado e o drive-in surgiu. Teve uma mistura de uma coisa de nostalgia e uma curiosidade de conhecer”

Agora, com os cinemas voltando a funcionar, muitas pessoas voltam a frequentá-los, mas Garcia questiona sobre a segurança desse lugar, “(...) é algo que fico muito inseguro ainda, não sinto necessidade, gostaria, mas não agora. Não me sinto seguro, é muito incerto o que estamos vivendo, então prefiro evitar. “ Mas há quem discorda, como Pires: “(...) acredito que no cinema é mais fácil de aplicar as medidas de segurança, é muito mais fácil controlar o número de pessoas do que em um bar, por exemplo. ”

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A criação de apps que possibilitam a publicação de textos online e o advento dos E-books, criam uma geração de autores independes que autopublicam seus trabalhos.
por
Lidiane Domiciano Miotta
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18/09/2020 - 12h
Aparelhos usados para ler e-books

Não é novidade a dificuldade que os autores encontram para publicar livros no mercado editorial brasileiro, principalmente se o escritor não tiver o apoio de uma grande editora, se for pouco conhecido ou novo no mercado. Porém, com o surgimento de apps que possibilitam que qualquer pessoa poste seus trabalhos online e dos E-books que facilitaram a publicação de livros nesse formato, uma nova geração de autores independentes é criada.

Essa nova geração de escritores não precisa de uma editora para ter seus livros publicados, pois eles passam a ter uma maior liberdade, já que o próprio autor passa a ter o poder autopublicar seus trabalhos a qualquer momento na internet por meio dos apps ou no formato de E-books, que demora no máximo 48 horas para aparecer para o público leitor. Porém para esses autores surge uma maior dificuldade para publicar seus trabalhos no formato físico, já que ele mesmo tem que financiar os gastos com a fabricação do livro físico, por isso para muitos desses escritores é uma grande vitória a publicação de seus livros em formato físico.

Segundo a autora independente Aline Santos de 19 anos, que acaba de publicar seu primeiro livro “E eu vos declaro, Aro” nos dois formatos e que está muito animada com essa conquista, todo autor deveria ter a experiência de ter seu livro publicado em formato físico e, assim, ter a oportunidade de poder segurar em suas mãos, já que segundo ela que viveu essa experiência, é indescritível ver o trabalho que você sonhou e trabalhou nele publicado e ter a chance de o tocar.

A dificuldade da publicação de livros físicos faz com que o público desses escritores seja limitado, já que limita que o contato do leitor com a obra seja apenas pela internet, porém também fez com que esses autores alcançassem de forma notória o público das redes sociais, principalmente o público jovem, já que esse é o principal meio de divulgação de suas obras. Muitos desses autores também utilizam grupos e fóruns nas redes sociais que são dedicados a autores independentes e que tem como objetivo dar voz e espaço a todos que querem publicar e apresentar suas obras para o público. Além disso, esses autores têm costume de criar parcerias entre eles, pois todos eles sabem da dificuldade de conseguir alcançar um maior número de leitores sem o marketing que uma editora poderia fornecer.

Apesar da dificuldade de alcançar leitores, a relação desses autores e seus leitores acaba ficando mais próxima, com as redes sociais os leitores acabam acompanhado todo o processo de criação e publicação do autor e acabam entrando em diálogo direto com o ele, criando assim uma maior liberdade de interação entre as duas partes. Além disso muitos apps que são usados por esses autores tem mecanismo que dão ao leitor a possibilidade de comentar os textos, deixando assim suas opiniões e interações para o autor ler e até mesmo responder a esses comentários.

Sendo assim, ser um autor independente significa que recai sobre ele todo o trabalho para a publicação e marketing do seu livro, isso é, ele que tem que planejar, escrever, revisar, editar e pensar a melhor estratégia de marketing que se encaixe com seu livro e com o seu público leitor.

Apesar de toda a dificuldade e trabalho que ser um autor independente significa, é uma jornada muito única e prazerosa e que traz para os autores uma maior liberdade criativa, maior direito sobre suas obras e maiores royalties que esses autores não teriam caso fossem contratados por uma editora. Em sua maioria, esses autores optam por autopublicar suas obras por terem sido rejeitados por editoras, principalmente por estarem no começo de suas carreiras.

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Carnaval de São Paulo passa por uma dura crise provocada pela pandemia, entrevistei pessoas ligadas ao carnaval em diversas áreas para saber a melhor solução que estão encontrando para sobreviver
por
Lucas Malagone
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18/09/2020 - 12h

 

Carnaval de São Paulo passa por uma dura crise provocada pela pandemia, entrevistei pessoas ligadas ao carnaval em diversas áreas para saber a melhor solução que estão encontrando para sobreviver

A pandemia do Coronavirus impactou diversas áreas da sociedade e da economia brasileira, mas nenhuma outra foi tão afetada como a cultural, uma área que já vem sofrendo diversos ataques pelo atual governo com diversos cortes de verbas. Mas uma em especifico vem sofrendo mais nessa pandemia é o carnaval nossa maior festa popular brasileira que no ultimo ano movimentou de acordo com dados da prefeitura de São Paulo cerca de 15 milhões de pessoas na cidade com um faturamento próximo da casa de 2,3 bilhão de reais. A grande atração principal é o desfile das escolas de samba que acontece todo ano no Sambódromo do Anhembi.

Apesar das dificuldades a LIGA  que organiza os desfiles junto ao atual prefeito da cidade Bruno Covas preferiram invés de cancelar a festa preferiam adiar a festa para o meio de 2021 em coletiva dada no dia 22 de julho Estamos definindo ou final de maio ou começo de julho. "Estamos definindo tanto com os blocos quanto com as escolas e com as outras cidades a nova data que deve se dar a partir de maio do ano que vem. Muito dificilmente ocorrerá em junho porque coincide com os festivais de São João no Nordeste. Estamos definindo ou final de maio, ou começo de junho para realização do carnaval na cidade de São Paulo", afirmou Covas.Ele ainda ressaltou que essa previsão pode ser revista mais pra frente “É claro que essa data (maio ou julho) pode ser revista lá pra frente, da mesma forma que aconteceu com a Marcha para Jesus e a Parada LGBTQI+, que passaram os eventos para novembro e agora estão ou cancelando ou revendo o modelo do evento. Não há a menor dúvida que, de repente, lá na frente, seja preciso uma nova avaliação. Estamos tentando dar é a maior previsibilidade possível para as pessoas e, neste momento, não há como garantir nada em fevereiro, razão pela qual resolvemos adiar

Covas ainda afirmou que esta conversando constantemente com prefeitos de outras cidades do estado e do pais sobre essa decisão “Estamos definindo isso em conversa com outras cidades, pra que a gente possa fazer esse movimento em conjunto. E também estamos conversando com as escolas de samba e com os blocos. Segurança ninguém pode dar com o que vai acontecer mês que vem e é exatamente pela falta de segurança que adiamos os preparativos para a realização em fevereiro. Adiar o carnaval e os preparativos para fevereiro do ano que vem é ter tranquilidade em relação a como estaríamos em algumas semanas, que é quando as escolas começariam seus ensaios, que reúnem 2, 3 mil pessoas em um espaço fechado”

O presidente da LIGA Sidnei Carriuolo disse que a medida precisou ser tomada para garantir tempo hábil para as escolas se preparem para os desfiles, porem garantiu um carnaval totalmente diferente do que estamos habituados “Carnaval nos mesmos moldes de costume é impossível, já pensamos em adaptações. O que toma muito tempo e suporte financeiro é o preparo de fantasia e alegoria", afirmou. Sidnei também afirmou que a LIGA seguira tudo que for determinado pelas autoridades sanitarias“Nós estamos defendendo muito o posicionamento da Prefeitura, estamos indo muito em cima daquilo que os órgãos governamentais colocam pra gente. Não vamos fazer nada fora daquilo que seja determinado pelas autoridades”

Alguns presidentes de Escolas como Luciana Silva da Tom Maior se mostraram favoráveis a decisão ressaltando a importância de pensar em quem trabalha no dia a dia da escola “Nós participamos dessa mudança de data e ela mudança se deu pela necessidade do momento, onde a prioridade é preservar vidas. Mas em paralelo a isso, não podemos ignorar que o profissional do carnaval precisa sobreviver. Com isso fomos trabalhando em conjunto com a prefeitura, para assim determinar uma nova data”, disse Luciana, em entrevista publicada no site da escola. 

O carnavalesco da escola Tom Maior, Flavio Campello também se pronunciou como a crise vem afetando a rotina da escola e do carnaval  “Enquanto isso, seguimos no desenvolvimento do projeto. Vamos pensar num cronograma onde possamos pelo menos deixarmos pilotos das fantasias prontos, projeto de alegorias engatilhados”, explicou o artista. “Assim que tivermos o start quanto a data do desfile e informações sobre o aporte que cada escola terá, darmos sequência ao trabalho de barracão e reprodução dessas fantasias”

A presidente da escola Mocidade Alegre Solange Bichara também se posicionou sobre o adiamento “A gente tem que entender que a construção do desfile é uma coisa, o desfile é outra. Para construir, para trabalhar no barracão e dar andamento aos processos, nós não necessitamos de aglomeração. Podemos todos trabalhar com máscaras, luvas, utilizar o álcool em gel e respeitar as normas. E a gente consegue empregar as pessoas que são profissionais do Carnaval, que necessitam desse trabalho para sobreviver”, explicou Solange.

Ensaios como esse não são possíveis no momento as escolas tiveram que achar outros caminhos ( FOTO: Reprodução)
Ensaios como esses realizados na Mancha Verde não serão possíveis, as escolas tiveram que se reinventar (FOTO: Escola Mancha Verde)

Mesmo com o carnaval garantido as escolas de samba tem toda um ciclo que funciona o ano todo gerando receitas, empregos e eventos culturais para colocar a festa na rua todo ano em fevereiro, como eventos em suas quadras que deixaram de acontecer, eram importantes fontes de renda extra. Agora as escolas tem sua rotina comprometida e todo esse sistema comprometido. Para Saber mais o que se passa entrevistei três pessoas ligadas ao dia a dia das escolas de São Paulo

Juliana Eyko Yamamoto tem 22 anos é porta- bandeira e já trabalhou na Unidos de Vila Maria atualmente trabalha como reporter e produtora do site especializado em carnaval o Carnavalize; Dean Fábio Gomes tem 30 anos é pesquisador acadêmico e ligado a escola Vai-Vai; Carlos Costa tem 28 anos é harmonia de mestre sala e porta bandeira pela Unidos do Vale Encantado além de produtor do programa Carnaval Show. Nessas entrevistas eles mostram diversas perspectivas do que esta acontecendo no âmbito do carnaval e das escolas de samba nesse período, confira:

Como a crise do Coronavírus atrapalhou o seu trabalho no carnaval? Qual foi a solução que foi encontrada para enfrentar essa dificuldade ?

Juliana: Por ser porta-bandeira, esse ano estava me organizando para fazer cursos e aulas particulares. Porém, com a pandemia os cursos presenciais foram adiados e meus planos também. Para não ficar parada, comecei a treinar em casa e também iniciei um curso de mestre-sala e porta-bandeira totalmente online. Mesmo sendo à distância, é uma forma de adquirir conhecimento e não ficar parada durante esses tempos difíceis.

Dean : Alterou toda a rotina da Escola, problemas que ela já passavam se intensificaram. As medidas foram o contato com a comunidade por meio de lives é uma aproximação maior via digital com os setores da Escola buscando unir esforços para a crise da pandemia

Carlos: A crise atrapalhou meu desenvolvimento como harmonia e coordenador de Mestre Sala e Porta Bandeira. A solução foi investir em vídeos online e na produção do Carnaval Show.

Você conhece alguém que perdeu seu trabalho no carnaval por conta da Pandemia? por qual motivo?

Juliana: Não conheço, mas sei que muitas pessoas que trabalham em barracões e ateliês de fantasias vem sofrendo muito com a pandemia. Perderam seus empregos ou tiveram seus salários diminuídos drasticamente. Grande parte desses vivem do carnaval, é sua principal fonte de renda e não tem outra opção.

Dean: Vários. Costureiras principalmente. Prestadores de serviço em geral

Carlos: Ainda não conheci nenhum profissional prejudicado, mas sei que principalmente o pessoal dos ateliês encarregados por fantasias e do barracão responsáveis pelas alegorias estão sofrendo com a crise.

Quais foram a saídas que o carnaval encontrou para manter empregos e o planejamento com a crise? 

Juliana: Infelizmente eu vejo que as escolas de samba não estão procurando formas para manter os empregos dos seus funcionários e muito menos como lidar com a crise. Já vem de anos que as agremiações precisam se reinventar e buscar novas formas de adquirir recursos para driblar possíveis crises como essa e não ficarem a mercê apenas do governo. No Rio de Janeiro, as escolas dependem muito da subvenção para colocar seus desfiles na rua. E várias já cortaram metade dos quadros de funcionários e não parecem se mexer à procura de soluções para criar um “caixa” e manter os salários dos atuais empregados. Já em São Paulo, a escola que vejo que está se mexendo para conseguir novas formas de arrecadar recursos é a Dragões da Real com sua lojinha online e os seus ensaios drive-in. Pode ser pouco, mas é a escola mais “ativa” da cidade e conseguindo gerar renda mesmo em época de pandemia. As agremiações precisam se reinventar em tempos de crises, são patrimônios culturais do país e faz parte da nossa identidade; é preciso procurar novas formas de se sustentar.

Dean: Penso que optar pelo essencial para manter a comunidade vinculado com a Escola seja por lives encontro virtual , para evitar assim uma debandada dos membros sobretudo dos mais jovens .

Carlos: Acho que a forma foi ajudar e incentivar a comunidade através dos trabalhos sociais que ficaram ainda mais importantes nesses tempos de crise, é uma forma também de aproximar a escola com seu povo já que temos no momento uma rotina de eventos e ensaios praticamente inexistente.

Você acredita que deveríamos ter o carnaval com uma vacina mesmo que seja fora de época ano que vem? Qual o modelo ideal para realizar os desfiles dado as dificuldades financeiras encontradas pela pandemia? 

Juliana: Deveríamos ter carnaval ano que vem sim caso surja a vacina, mesmo fora de época. Antes de mais nada, o carnaval é resistência. O carnaval é uma festa popular brasileira, faz parte da nossa cultura e da nossa identidade, não podemos deixar passar em branco. Além disso, muitas pessoas trabalham com o carnaval e vivem dessa festa que gera milhões de empregos diretos e indiretos. Ter um carnaval mesmo que fora de época e menor porte, é gerar empregos para essas pessoas, é fazer a economia girar. Ao meu ver, os desfiles só devem acontecer depois da vacina. Com isso, acredito que os desfiles serão com uma quantidade menor de carros e um número também menor de componentes. O importante é a festa acontecer, mesmo que os foliões desfilem apenas de blusa e calça. Carnaval é representatividade, é patrimônio e não podemos deixar passar.

Dean: Sem Vacina sem Carnaval! Penso que se não houver vacina as Escolas devem buscar algum evento alternativo com o intuito de apenas celebrar mesmo que seja a distância para manter a tradição viva ! Em relação aos recursos se tivermos vacina e ele for realizado penso Maio uma boa data , que seja um desfile menor por conta dos recursos .

Carlos: Não, pois atrapalharia todo o projeto para 2022. O que deveria ser feito são desfiles simbólicos, reforçando que quando tudo voltar ao normal, a festa vai crescer ainda mais.

 

 

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Sem poder realizar debates e exibições presenciais, eventos para cinéfilos tem maior adesão na realização à distância.
por
Pedro Kono
|
18/09/2020 - 12h

Em meio à pandemia, festivais de cinema do Brasil contabilizam seus maiores números de público entre todas as edições. A marca se deve à adequação ao formato online com o intuito de respeitar o isolamento social.

 

Daniel Diaz (27), coordenador geral do Festival Ecrã, que presencialmente acontecia no Rio de Janeiro, relata que, se a edição física de 2019 teve um público de cerca de 2 mil pessoas, a digital deste ano atingiu um número que superou a marca de 20 mil usuários e 49 países. ‘‘Tínhamos uma expectativa de multiplicar o público do ano passado, talvez um pouco mais por ser online, mas foi muito além do que a gente imaginava’’.

 

Além da popularidade, Diaz conta que as plataformas digitais ‘‘abriram portas e possibilidades que, na verdade, eram muito óbvias’’. Identificado como um festival que extrapola o cinema e possui experimentações mais livres que envolvem o audiovisual, o Ecrã aproveitou a oportunidade para explorar meios de exibições mais criativos. Dois exemplos são os filmes ‘‘Nelson’’, de Matheus Strelow, obra de 13 minutos filmada com uma webcam que foi expandida para uma instalação de 24 horas em uma plataforma digital, e ‘‘E Eu Vivi Minhas Fantasias’’, de Naama Freedman, que foi exibido na ferramenta de transmissão ao vivo da rede social Instagram.

 

‘‘O que nós não imaginávamos era sair da esfera de São Paulo e entrar para a esfera do Brasil.’’, diz Ricardo Albuquerque (22), social media do Kinoforum, associação responsável por realizar o Festival Internacional de Curtas-Metragens de SP. Confirmado no formato digital em Junho, o festival aconteceu no mês de Agosto e, segundo Albuquerque, conseguiu extrapolar seu nicho e alcançar um público maior.

 

Albuquerque também conta que a interação entre os espectadores, realizadores e pessoas do meio do audiovisual, um dos principais atrativos de um festival de cinema, aconteceu na edição não presencial deste ano. Além do elevado engajamento pelas redes sociais, a instituição realizava happy hours via plataforma digital Zoom após as sessões, juntando entusiastas e cineastas para um bate-papo mais descontraído. Os já tradicionais bate-papos e mesas redondas com diretores e elenco, antes e depois da exibição de seus filmes, também foram adaptados para o formato à distância. ‘‘Alguns realizadores me falaram que até preferem que esses debates continuem via online’’, conta Diaz.

 

Questionado sobre a possibilidade de uma edição online em um mundo pós-pandemia, Albuquerque responde que ‘‘essa é a pergunta que todos os festivais de cinema estão fazendo agora...precisaríamos de um desenho de produção totalmente novo, mas é uma questão’’. A resposta positiva à edição deste ano não levantou a questão apenas para o Kinoforum, na medida em que Diaz relata que pretende utilizar novamente as possibilidades de um evento à distância para futuras edições do Ecrã: ‘’Nós não pensamos mais a edição online deste ano como uma coisa pontual.’’. Diaz também conta que a equipe do festival está realizando uma coleta de dados para talvez idealizar uma edição mista entre o presencial e o online no futuro.

 

Financeiramente, os festivais cortaram os custos de equipamentos e locomoção de seus realizadores. Preservando, como sempre, a entrada gratuita, e se mantendo com o pagamento das inscrições e a ajuda de parceiros, as instituições não sofreram grandes prejuízos.

 

Apesar de acontecerem online, ambos os festivais realizaram projetos que ocuparam espaços físicos. O Festival de Curtas contou com um cinema drive-in e o projeto ‘‘A Cidade é Uma Tela’’, caracterizado pela exibição de curtas-metragens na parede de um prédio situado na Vila Buarque. O Festival Ecrã também projetou filmes em paredes e prédios para o público de algumas regiões do Rio de Janeiro. Diaz conta que fez a curadoria destas obras e que buscou exibir filmes que se adequassem ao formato, priorizando curtas sem áudio.

 

No Brasil, os cinemas já foram reabertos em algumas cidades selecionadas. O Festival De Volta Para o Cinema teve início no começo de Setembro e conta com a exibição de blockbusters americanos consagrados, como ‘‘Vingadores’’, ‘‘Star Wars’’ e ‘‘Harry Potter’’. Perguntado se a realização presencial deste festival tão próximo da edição deste ano do Ecrã tenha resultado em algum desconforto, Diaz respondeu que ‘‘nem estava sabendo da existência (do festival)...particularmente, não acho que é o momento, mas talvez eles tenham uma estrutura para cumprir com as recomendações de higiene.’’. Albuquerque também nega qualquer tipo de repercussão no Kinoforum e acredita que são eventos para públicos diferentes.

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Críticos e estudiosos do cinema visualizam um cenário de maior acesso a filmes que estão longe do grande circuito comercial
por
Gabriel Iquegami
|
03/07/2020 - 12h

Cássio Starling Carlos, crítico cinematográfico do jornal ‘Folha de São Paulo’, acredita que o cinema independente pode ganhar uma maior audiência por meio da ascensão das plataformas de streaming – também chamadas de VoD. “Festivais menores vão incluir um novo público que antes [da pandemia da Covid-19] limitava-se ao acesso presencial”, diz Starling Carlos.

Filmes que se restringiam a um circuito comercial de baixa visibilidade, ganharam um novo destaque com a sua migração ao VoD. Com isso, os limites geográficos que determinavam o acesso de tais obras já não existem, fazendo com que elas alcancem um público muito maior. “Festivais secundários podem tirar mais proveito, tive a possibilidade de assistir a um pequeno festival italiano que há anos tinha interesse”.

Antes da pandemia, o blockbuster chegava a ocupar tamanho espaço na grade horária que os filmes independes acabavam sendo limitados. Já sobre o atual momento, o crítico afirmou “todos agora estão, de certo modo, no mesmo nível”. Portanto, com a migração ao streaming – ainda que os filmes de apelo popular tenham o maior destaque – a película menos comercial tem mais chance de ser notada.

Carol Moreira, youtuber e apresentadora, ressaltou a possibilidade de descobertas quanto ao cinema estrangeiro por meio do VoD, filmes considerados de um nicho muito específico. “Existem ótimos exemplos de séries de outros países que, em outro contexto, nunca veríamos no Brasil e isso serve também para que vários filmes, que chegam ao alcance do público com muito mais facilidade”, disse Moreira.

Além disso, a apresentadora ainda ressaltou a possibilidade do streaming receber uma maior aceitação após a pandemia por parte de um público mais tradicional e pouco familiarizado com as tecnologias. “Até o Oscar teve que ceder, liberando filmes que estrearam nada mais nas plataformas”, referiu Moreira ao comentar a mudança feita pela Academia, que antes só aceitava filmes com um tempo mínimo de exibição nas salas de cinema.

Quanto ao futuro da indústria cinematográfica, tanto Starling Carlos quanto Moreira dizem que irá se confirmar algo já esperado, a consolidação do streaming e o surgimento de novas plataformas.

Imagem do acervo pessoal de Carol Moreira
Imagem: Acervo Pessoal

Já o professor de multimeios da PUC-SP, Mauro Peron, conta detalhes sobre suas descobertas na pandemia. “A pouco tempo atrás o festival de documentários ‘É Tudo Verdade’, abriu sua plataforma. Ele dificilmente chegaria ao grande público sem o auxílio da internet”, disse o professor, referindo-se, também, questão de filmes de nicho ganharem mais destaque.

Ademais, Peron aborda a questão sobre o fechamento das salas de cinema, ele explica que esse cenário pode se manter por muito tempo. Tais locais acabaram se tornando um ambiente propício à propagação do vírus e mesmo quando a pandemia termine, ele acredita que demorará muito para a ocupação das salas com a mesma frequência de antes.

Ainda assim, os três cinéfilos entrevistados compartilham da visão de que a experiência de ir ao cinema físico é incomparável, ressaltando o fato de que a imersão ao ver um filme em casa é diferente das telonas. “Há uma mística no imaginário daqueles que frequentam o cinema físico. A experiência na tela grande é algo que não se reproduz no ambiente doméstico”, disse Peron.

(Foto: Acervo Pessoal)
Imagem: Acervo Pessoal

Saindo do ambiente acadêmico e conhecendo a opinião do público apreciador de cinema, Pedro Ghiotto, estudante de direito, disse concordar com a ideia de Peron. “Quando você está na sala de cinema a experiência é algo totalmente diferente, o ambiente é mais imersivo. Já em casa temos muitas distrações”. Além disso, o futuro advogado acrescentou “é diferente assistir algo pela tela do celular, você capta muito menos os detalhes”.

Por fim, Ghiotto confirmou aquilo que se espera dos cinéfilos. “Eu vou continuar indo ao cinema mesmo depois da pandemia, mesmo que demore um pouco”, declarou o estudante ao valorizar o ato tradicional de se assistir a um filme.

Quanto as plataformas que Ghiotto consome, ele relata ser é cliente da Netflix e Amazon Prime. Também comenta ter tido grande proveito no seu consumo cultural durante sua quarentena, uma vez que se tornou um consumidor mais assíduo por estar sempre em casa. “Assisti muitos filmes e séries, isso ajuda não só a passar o tempo, mas também a ampliar meu conhecimento de mundo”.

Imagem do acervo pessoal dde Ghiotto
Imagem: Acervo Pessoal
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