Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Aroeira trabalha com charge política desde o regime militar
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Paula Moraes
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07/04/2021 - 12h

Com cinquenta anos de carreira, o chargista Renato Aroeira (57) começou aos dezessete anos como ilustrador nos livros de pedagogia da mãe. Nascido em uma família de artistas, com pai e avô pintores, se aproximou da arte desde cedo, o que o levou a virar chargista político.

            Após ilustrar os livros de sua mãe, foi trabalhar no Jornal de Minas, onde se tornou ilustrador da coluna de esportes que seu pai escrevia. Depois de um tempo ilustrando a coluna de esportes, foi convidado pelo editor do jornal para fazer charges políticas.

Quando começou como chargista, ainda jovem e durante a ditadura militar, achava que o humor vinha da simplificação. Com o tempo percebeu que a simplificação acaba sendo injusta, e da origem para diferentes interpretações. “O humor simplificado costuma ser homofóbico, racista, sexista. Tem muitos preconceitos da sociedade embutidos, por que costuma trazer o riso mais fácil. O chargista tem que tomar cuidado com isso.”

            Houve muitas mudanças ao longo de sua carreira, e hoje não vê graça nas mesmas coisas de antigamente. Para aperfeiçoar suas críticas foi necessário muito estudo. “O meu aprendizado de política ocorre no movimento estudantil e na reconstrução da imprensa sindical. A partir dai, eu parei de simplesmente fazer uma charge política que os jornais tinham e comecei a entender realmente o que era política.” 

            Hoje em dia não gosta de usar o seu espaço para fazer piadas com minorias, e segue a linha do “politicamente correto” na criação de suas charges. “Não só incorporei o politicamente correto, como o lugar de fala dentro de uma maneira mais ampla de ver o mundo: eu sou um crítico social, e o crítico social tem a função de criticar o sujeito que engana a população”.

            Com cerca de quinze a vinte charges feitas semanalmente, Aroeira deseja que as pessoas reflitam em cima das suas críticas, mas não espera que as charges resolvam algum problema social ou provoquem alguma revolução.

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Marcelo Fernando Pereira Moreira
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07/04/2021 - 12h

Renato Aroeira é chargista, caricaturista e músico. Sua história na charge política começa no Jornal de Minas. De lá para cá, já alcançou alguns destaques por seus trabalhos críticos, como a conquista de uma edição especial do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes prêmios da comunicação brasileira. Suas artes são publicadas no site Brasil 247 e em suas redes sociais.

Em entrevista aos alunos do curso de jornalismo da PUC de São Paulo, Aroeira afirmou acreditar na mídia livre e disse que a charge é uma forma de expressar opinião e divertir o público, mas que isso não pode ser feito de qualquer jeito.  

“Na charge, você deve ter a mesma preocupação que um repórter tem com uma matéria, que é de ser preciso com o que você está dizendo. Se for uma coluna de opinião, que fique claro que é de opinião. A charge é de opinião. Então, é claro que aquilo é a minha opinião. Os elementos que consideram essa opinião estão dentro da charge. O humor simplificado tende a ser um humor muito rasteiro e tende a trazer um sorriso muito mais fácil. Prefiro complicar”, disse.

Historicamente, a forma de a charge chegar até o público sofreu grandes transformações. Não seria diferente, já que a evolução dos meios de comunicação mudou a maneira de se comunicar no mundo. Aroeira falou sobre como essa mudança impactou nos feedbacks do trabalho. Hoje, por meio da internet, suas produções são alcançadas por milhares de pessoas.

“Os comentários aparecem instantaneamente. Isso é toda diferença do mundo. No período de 30 anos, você fazia uma charge que falava de uma coisa de três, quatro dias atrás e era comentada com uma semana depois, ou seja, dez dias no processo, para uma coisa instantânea. Então, agora, é em tempo real”, completou.

Por seu estilo um tanto ousado, o cartunista, de 66 anos, já sofreu ameaças e foi até acusado de calúnia. Em 2020, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, solicitou a abertura de inquérito contra Aroeira, devido à publicação de uma charge que usa a suástica nazista para se referir ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas essas são só algumas das polêmicas envolvendo o artista.

Em meio ao caos da pandemia de coronavírus, Renato Aroeira se destaca por suas charges, que mostram o comportamento do governo brasileiro no cenário da crise sanitária. Os desenhos do chargista revelam o posicionamento negacionista das autoridades nacionais. Embora ele diga que “nem de longe é o chargista quem muda o mundo”, Renato Aroeira compartilha  indignações representadas por meio de caricaturas.

“Eu já faço isso há mais de 40, 50 anos. A charge é uma maneira de ver o mundo, antes de qualquer outra coisa. O que eu espero, quando eu publico uma charge, é que as pessoas se divirtam, mas que olhem para aquilo que eu estou apontando, que gostem de mim, mas que também entendam que a minha charge é para fazer rir, mas ela também tem um gosto amargo, no geral”, finalizou.

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Produtor lamentou a falta de exportação de “música boa” brasileira no Grammy, em face da homenagem de Cardi B ao funk carioca
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Hiero de la Vega de Lima
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06/04/2021 - 12h

Durante a cerimônia do renomado prêmio musical estadunidense Grammy Awards (14/03), este ano realizada remotamente devido à pandemia de covid-19, o produtor musical Rick Bonadio comentou a participação do Brasil na premiação: entre as performances realizadas durante o show, a rapper Cardi B apresentou uma versão de “WAP”, hit da cantora com Megan Thee Stallion, que incluía um trecho de um remix feito pelo DJ Pedro Sampaio.

O remix, de uma música já originalmente erótica, apresentava um trecho de funk de tom sexual, o que provocou a raiva de Bonadio. Em sua página no Twitter, ele afirmou: “precisamos exportar música boa, e não esse ‘fica de quatro’”, disse, em referência à principal frase presente na faixa. O comentário foi repudiado por artistas de funk, incluindo a cantora Anitta, que tuitou para o produtor: “escolhe um ritmo brasileiro à sua altura, faz uma música e exporta para o mundo”.

Para o cantor e multi-instrumentalista Melvin Santhana, ex-Os Opalas, o tuíte do produtor espelha uma tentativa de retornar à relevância. “Ele levantou da tumba, né? Porque nunca mais conseguiu lançar nada de pontual, mas aí conseguiu esquentar o nome dele”, diz. Santhana acredita que a resposta de Anitta acabou por “dar palco” para o discurso do produtor, que classifica como “elitista, classista e racista”.

Homem negro, barbado, de camiseta branca, batuca em tambor
Melvin Santhana (foto: reprodução/Instagram @melvinsanthana)

O músico aponta que, apesar de Bonadio ter produzido bandas como os Mamonas Assassinas, famosos por “esculachos xenofóbicos, até homofóbicos”, ele critica o tom erótico do funk. “Se fosse o Mamonas [no Grammy], ele ia dizer que foi um expoente do Brasil”, acrescenta. Apesar do comentário, Santhana acredita que o funk tem chance de alcançar popularidade no estrangeiro: as músicas do próprio têm influência do funk e rap, entre outros ritmos afro-americanos, como o samba.

Ainda que aprecie a atenção que Cardi B trouxe ao funk no estrangeiro, questiona: “que tipo de música é permitido se produzir no Brasil? Só existe sertanejo, funk e brega?”. Ele afirma que, mesmo com a ajuda da Internet, é difícil ficar famoso, mesmo nacionalmente, ao se desviar destes três ritmos. “A gente sabe que não é uma internet democrática, é um racismo comercial”.

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“É fácil criticar a Shein e não o sistema na qual está inserida”
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Isabela Lago, Ramon de Paschoa e Tabitha Ramalho
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06/04/2021 - 12h

A indústria da moda é considerada a 2ª mais poluente, por conta das fibras têxteis, como o poliéster que é derivado do petróleo e do algodão produzido com fertilizantes. Impactam em grande emissão de gás carbônico, alto gasto de água e poluição dos mares e oceanos. Com o surgimento do Fast Fashion, a produção de roupas foi acelerada, passando a ter 52 coleções anualmente, essas tendências permitem que o consumidor compre roupas de outono mesmo estando na primavera.

"A moda de uma hora pra outra virou 180º” diz a influencer do app “TikTok” Bruna Zanesco, já que a pandemia fez com que algumas peças de roupa voltassem à tona como por exemplo o tie dye, técnica de tingimento em tecidos, ele foi de esquecido para amado e esquecido de novo”.

A utilização da mão de obra escrava, vinda, principalmente, dos membros dos Tigres Asiáticos, como Bangladesh e Vietnã, é presente em muitas lojas, por sua mão de obra barata.

O aumento do consumo de roupas é originado pela moda rápida, preços baratos, peças diferentes, a compra de “preciso” passa a ser “quero”, motivada pelo impulso de estar acompanhando as novas tendências ao invés de comprar por necessidade. Com a prática iniciada em 1970, o conceito de moda rápida surgiu após a proibição do comércio de petróleo nos Estados Unidos e em alguns países europeus, isso fez com que as empresas têxteis pensassem em uma nova estratégia para sair da crise e conseguirem escoar a produção.

Em março de 2020 a pandemia de Covid-19 causou quarentena e lockdown em quase todos os países, mas o mercado da moda se manteve, as compras online cresceram no Brasil. Segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), que realizou estudos e fez pesquisas comparando o público e a procura por compras onlines, houve um aumento que passou de  39%, em 2018, para 70%, em 2020.

A influencer Zanesco conta que a marca Shein forneceu tendências e colocou tudo em seu site por um preço barato, “as pessoas vão comprar mesmo porque elas querem estar na moda”. Essa transição no mercado fez com que as lojas acompanhassem as tendências e quem pegou mais rápido e barato teve uma ascensão maior.

Assim como Bruna, Maria Eduarda Mazurega, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo, diz que muitas pessoas estão comprando na Shein e algumas blogueiras estão ajudando nisso, “uma das questões é que os produtos são baratos mas não são duráveis (...) A Shein produz muita coisa. De onde essas peças vêm e da onde são fabricadas? Quantas pessoas por trás delas não estão sofrendo e quanto elas ganham para produzir?”.

Para a jornalista, Iara Vidal, esse consumo na pandemia é um enigma, “o que as pessoas fazem com roupa nova dentro de casa?”. Sobre as questões das vendas e produções em massa, ela diz que é muito simples atacar a Shein e esquecer do mercado no qual está inclusa. “Não sei porque as pessoas escolhem essa ou aquela se todas estão inseridas em um sistema que está errado”.

Vidal faz parte do movimento Fashion Revolution desde 2017, em 2018 tornou-se representante em Brasília. “A minha questão é política, eu levei o Fashion Revolution para dentro do Congresso Nacional, para discutir as políticas públicas.”

Iara Vidal, representante do movimento Fast Revolution (Foto: acervo pessoal).
Iara Vidal, representante do movimento Fast Revolution (Foto: acervo pessoal).

 

O movimento surgiu logo após a queda do edifício Rana Plaza, Bangladesh - um dos principais países onde a mão de obra é voltada para a produção têxtil -, em 24 de abril de 2013, causando mais de mil mortes. O prédio possuía uma fábrica ilegal de producação que abasteceria, na época, marcas como PriMark e H&M entre outras lojas do Grupo Benetton.

A catástrofe chamou a atenção mundial e marcou o Dia da Revolução da Moda. Na semana do dia 24 de abril acontecem palestras de conscientização sobre a moda, ambiente e ética, com o principal objetivo: a busca pela transparência do modo de produção, alertar sobre as condições precárias que os trabalhadores vivem e o questionamento "quem fez as minhas roupas?"

Uma nova pergunta foi levantada pelo movimento “do que são feitas minhas roupas”?. Iara explica que a fibra do poliéster é a mais utilizada, sendo uma das principais agressores ao bioma marinho, “todas as vezes que lavamos uma roupa que é de poliéster, ela solta algum microplástico”, o algodão, sendo a segunda mais utilizada, é responsável por quase ⅕ do uso de agrotóxicos do mundo, principalmente o algodão transgênico.

 “Se a gente não sabe quem fez e do que é feito as nossas roupas, não terá mudança”, ressalta Vidal, que acrescenta que é preciso pensar no impacto no ambiente e na vida do trabalhador, sobretudo, a trabalhadora, sabendo que a mão de obra feminina representa cerca de 80%.

Fábrica de roupas em Daca, Bangladesh (Foto: Tareq Salahuddin/Wikimedia Commons)
Fábrica de roupas em Daca, Bangladesh (Foto: Tareq Salahuddin/Wikimedia Commons)

Tema levantado por Iara, a moda sustentável, métodos e processos de produção que não são prejudiciais ao meio ambiente, a jornalista diz que se angustia ver toda semana surgir uma nova marca com esse ideal. “Aí eu pergunto pra vocês, o que é moda sustentável? As pessoas precisam de seu sustento, mas todas estão inseridas no meio capitalista, mesmo a moda plus size, a-gênero”. 

Tanto Bruna como Maria Eduarda dizem que a moda sustentável existe, mas logo afirmam que é um produto caro e acaba sendo menos acessível para pessoas de baixa renda. “Seria um caminho ideal se toda a cadeia de produção entrasse na mesma pegada”, diz Bruna.

Apesar das alternativas sustentáveis e das propostas de visibilidade no processo de produção serem pautas amplamente populares entre ativistas da moda, a possibilidade de um fim da moda rápida ainda é distante.

Projetos de mobilização sobre moda rápida levantadas por coletivos como o Fashion Revolution e debates sobre o consumo de roupas, cada vez mais em alta nas redes que a incentivam como Instagram, TikTok e Facebook, são movimentações relevantes para que haja conscientização. Representante da geração mais jovem, Duda afirma que vê muita gente mudando e se utilizando mais de brechós e peças duradouras. 

Giorgio Armani propõe para Women's Wear Daily que a diminuição do ritmo de tendências seria a última saída para a moda. No entanto, o estilista está inserido numa cadeia de produção de grife, que não se sustenta em larga escala como a fast fashion. Sobre o fim dela, Bruna Zanesco afirma: "A fast fashion não acaba, mas tem que ser mais consciente”.

“Por que precisamos de uma revolução na moda?”. Gráfico: Fashion Revolution
“Por que precisamos de uma revolução na moda?”. (Gráfico: Fashion Revolution)

 

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O universo dos colecionáveis, tem se tornado cada vez mais comum e uma forte vertente, são os eletrônicos retrô. Como o videogame Philips Odyssey.
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Eduardo Rocha da luz – RA00047318 e Mateus França Tavares Beraldo – RA00274813
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01/04/2021 - 12h

Para conversar sobre esse assunto, convidamos um dos mais importantes colecionadores e cofundador da comunidade Odyssey Brasil. O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Victor Emmanuel Vicente.

 

Nos conte um pouco sobre a sua história com videogames e principalmente sobre o Odyssey.
Minha história com videogames e tecnologia começa na década de 80, enquanto criança. Basicamente tendo acesso ao primeiro console de videogame doméstico, o Telejogo, de um primo. Em determinado momento, eu e meus irmãos, ganhamos de nosso pai, o nosso primeiro videogame, o fantástico Odyssey da Philips. Esse passa a ser o meu primeiro contato próximo ao que tinha de mais moderno no início dos anos 80.

O Odyssey era o único console disponibilizado no Brasil?
Em meados dos anos 80, havia uma política de reserva de mercado. Dessa forma, como a Philips já atuava a algum tempo em território nacional, foi possível que iniciasse as vendas do console em nosso país. E apesar de ser o primeiro console a ter as vendas autorizada no Brasil em 1983 e ter liderado as vendas, havia muitos Ataris que eram trazidos de viagens internacionais ou mesmo via contrabando do Paraguai. Oficialmente, o Atari chega tarde ao país, distribuído pela Polyvox.

Como foi a apresentação desse console no Brasil?
Como dito, a Philips já era conceituada, estabelecida no país, com um vasto a suporte técnico e um grande gama de lojistas. Para a apresentação desse novo equipamento, o investimento em marketing foi massivo. Havia um comercial de televisão, com todo um conceito futurista, que era exibido em horário nobre, principalmente aos domingos. Na principal feira de utilidades doméstica (UD) de dezembro de 1983, foi montando um stand gigantesco, com direito a raios lasers nos céus de São Paulo, para apresentar o primeiro console de videogames do Brasil. E ainda, foram realizadas parcerias importantes, como o lançamento do jogo “Didi na Minha Encantada”, que aproveitou o sucesso do filme “Os Trapalhões na Serra Pelada” que fora lançado no ano anterior.

Quando e como se tornou colecionador de videogames?
Eu me defino como colecionador desde 2000, quando eu vou atrás do meu Odyssey novamente, busco entender como está o cenário de videogames antigos e encontro várias outras pessoas o mesmo desejo. Como naquela época ainda não existia ferramentas de redes sociais, criei uma lista de e-mail específica para falar de Odyssey. Essa lista foi criada em dezembro de 2000 e durante alguns anos, essa lista passa a receber colecionadores de videogames interessados em buscar, catalogar e organizar tudo que se conhece sobre Odyssey. Nesse processo, descobrimos algumas coisas interessantes, como um jogo perdido chamado “Missão Impossível: Viagem Programada”, que tudo indica ser o primeiro jogo desenvolvido totalmente no Brasil, alguns materiais que anunciavam lançamentos que nunca chegaram a ser lançado, como o jogo da “Turma da Mônica”. A intenção desse grupo de colaboradores é disponibilizar todo esse material para a comunidade de colecionadores.

Esse grupo, além de resgatar e manter viva a memória desse console, têm outros objetivos?
É nesse grupo do Odyssey Brasil começa a surgir algumas ideias interessantes, como desenvolver jogos. Umas das pessoas que está nesse grupo desde o começo, é Rafael Cardoso, que é um excelente desenvolvedor de jogos para essa plataforma, que utiliza um processador Intel 8048 e por essa característica, a programação é toda feita em Assembly (linguagem de máquina). Esses jogos desenvolvidos por Rafael e por outros, eram até aquele momento, lançados na Europa ou Estados Unidos e para realizar a distribuição, tinha-se que desmontar cartuchos originais e regrava-los. Esse processo era totalmente caseiro e destrutivos, mas é o que se tinha em mão na época, para manter viva a essência do console, com a distribuição de novos jogos.

Como é realizado esse processo atualmente?
A equipe do Odyssey Brasil, 20 anos depois das primeiras iniciativas de resgatar, catalogar e desenvolver jogos totalmente brasileiros, com muitas pesquisas, tentativas, erros e acertos, conseguiu criar, de maneira a não canibalizar cartuchos originais, seus próprios cartuchos, com materiais existentes hoje. Dessa maneira, somos capazes de criar um cartucho totalmente novo e 100% produzido no Brasil.

Conte-nos um pouco sobre os jogos desenvolvidos pela equipe.
O primeiro jogo lançado foi o “Floresta Assombrada”, desenvolvido por Rafael Cardoso. Já para esse jogo, fizemos toda a arte gráfica da embalagem, que remetia aos jogos lançados nos anos 80, manuais e guia em inglês. Tudo para fazer com que, ao adquirir esse novo jogo, o colecionador seja levado ao passado nostálgico de outrora.
E pretendemos ainda, até o final de 2021, apresentar mais 3 jogos. O desenvolvedor Rafael Cardoso é um verdadeiro expert em programação em linguagem de máquina e inclusive foi elogiado pelo principal desenvolvedor de jogos para Odyssey dos anos 80, Ed Averett.

Para quem não tem um Odyssey, de que maneira poderia ter contato com o console?
O projeto Odyssey Brasil, através de nossa comunidade, está juntando material, incluindo materiais que soubemos da existência muito recentemente, como um consoles do Canadá e Japão, e com isso, pretendemos, em breve, lançar um museu específico sobre Odyssey.
Existe também uma iniciativa chamada de Museu do Videogame Itinerante, que antes da pandemia, fazia exposições em shoppings pelo Brasil, onde se podia jogar com vários consoles antigos, incluindo o próprio Odyssey. Aguardemos o término dessa pandemia, para que essa exposição itinerante possa voltar as atividades.

Para mais informações sobre a iniciativa Odyssey Brasil, acesse o site: https://experienciaodyssey.com.br

 

 

 

 

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