O uso exacerbado de IA em trabalhos acadêmicos apresentam riscos cognitivos se não forem usados com ética
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

O avanço das inteligências artificiais (IA) tem provocado transformações profundas no cenário educacional, exigindo novas posturas tanto de instituições de ensino quanto de professores. Com a praticidade das IAs na criação de textos dissertativos, alunos tem enfrentado uma maior dificuldade na geração e organização de ideias. O uso excessivo tem contribuído para a falta de prática em alunos do ensino básico e superior. Da falta de concentração à compreensão de simples textos, a dificuldade dos alunos tem assustado os educadores, que encontram alunos cada vez menos preparados para dissertar sobre assuntos socialmente relevantes. A ferramenta apresenta um déficit cognitivo em usuários compulsivos, em que áreas como memória e pensamento crítico são severamente afetados.

Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025, indica que o uso de inteligências artificiais pode ser relacionado com uma possível atrofia cognitiva. De acordo com Hugo Dória, Neurocirurgião, MD, PhD da Beneficência Portuguesa de São Paulo em entrevista à CNN, "O problema não é a inteligência artificial em si, mas o fenômeno chamado de cognitive offloading, ou terceirização cognitiva. Quando passamos a delegar funções essenciais, como pensar, estruturar ideias ou resolver problemas, o cérebro reduz seu nível de ativação nessas redes", explica.

O sistema de auto supervisionamento das IAs dificulta o auxílio do corpo docente aos alunos, já que eles têm encontrado uma dificuldade cada vez maior de detectar um texto produzido por IA, especialmente em teses e monografias. Ainda que existam programas que detectam plágio, especialmente em faculdades com mais recursos, a eficácia não é total.

Segundo Maria Eugênia D’Esposito, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, em entrevista à AGEMT, "se eu colocar uma redação hoje, ela vai corrigir de um jeito. Se eu colocar a mesma redação para corrigir amanhã, ela vai corrigir de outro jeito". Essa volatilidade da tecnologia torna difícil assegurar com certeza que um trabalho não teve intervenção de IA. Mas ainda existem alguns padrões fáceis de detectar, como a aparência de uma `colcha de retalhos´, em que as ideias do texto não conversam entre si", preocupa-se Maria Eugênia.

Letramento em IA para os professores seriam uma possível solução, mas a maioria das escolas não utilizam esse recurso. D’Esposito explica que qualquer atividade ou curso extra deve ser, por lei, remunerado. Essa obrigação dificulta para as instituições a implementação das especializações. Por outro lado, muitas instituições optam por “convites”, que desobrigam a remuneração, o que diminui o interesse e procura. 

Entre a conexão e o excesso: impacto no sono, na saúde mental e nas relações sociais
por
Guilherme Romero
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02/06/2026 - 12h

 O celular tornou-se uma ferramenta indispensável no cotidiano, mas o  seu uso excessivo tem despertado preocupação entre especialistas. A crescente dependência de dispositivos móveis, desde crianças até idosos, têm impactado hábitos de sono, concentração, relações sociais e saúde mental. Inclusive, comportamentos como ansiedade e estresse estão cada vez mais comuns no dia a dia das pessoas por serem dependentes do celular.

 Nesse contexto, vamos entender como essa dependência se desenvolve e quais são seus impactos na vida das pessoas. Assista a conversa com o psicólogo André Vasconcellos, em entrevista à AGEMT.

Grupo de estudantes publicitários da Belas Artes cria evento sobre a pobreza menstrual
por
Pedro Timm
Gabriel Giannini
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29/05/2026 - 12h

A quantidade de mulheres com falta de acesso às necessidades básicas e conhecimento sobre a menstruação é enorme no país. O Projeto Fluxos surge para ajudar nessa causa. A iniciativa surgiu dentro da faculdade Belas Artes, em São Paulo, por sete estudantes que promoveu dia 30/5, no Buffet Piatto, em Interlagos (SP) um evento com palestras e ativações proporcionadas pela Fluxos e seus parceiros para que mulheres tenham um espaço para falar sobre a saúde e o corpo. Para saber mais sobre o projeto, acesse @somosfluxos no Instagram. A AGEMT acompanhou o evento. Escute!

 

Saiba mais em @somosfluxos no Instagram.

Como grandes empresas conseguiram reverter o declínio do tabagismo trazendo de volta hábitos antigos e viciando jovens em novos produtos
por
Julia Naspolini
Leticia Falaschi
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22/05/2026 - 12h

Os resultados da pesquisa preliminar da Vigitel divulgados no início de 2026, revelam que houve um aumento no número de fumantes no Brasil, que estava estagnado desde 2019. A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, um crescimento de 25% em apenas um ano. Especialistas apontam preocupação diante dos números, principalmente entre os mais jovens, que além de fumarem cigarros tradicionais, se tornaram viciados nos formatos eletrônicos. O aumento no número de fumantes do cigarro original, pode ser explicado pela diminuição de campanhas públicas contra o tabagismo. Juntamente a isso, o preço mínimo do produto no país, imposto pelo governo, ficou paralizado, ou seja sem nenhum reajuste, entre 2016 e 2024.

Além disso, os “pods”, “vapes” e “juuls”, apesar de serem oficialmente proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), conseguiram se popularizar e se espalhar entre diferentes faixas etárias de forma bem rápida,  influenciando bastante o aumento do número de fumantes no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde Escolar, entre 2019 e 2024, o uso dos eletrônicos subiu de 16,8% para 29,6%, entre adolescentes de 13 a 17 anos. A indústria desses dispositivos cresceu de forma desenfreada nos últimos 10 anos, no Brasil e no mundo, principalmente no cotidiano dos jovens. Por alegarem não conter as substâncias cancerígenas e a fuligem resultantes da combustão do fumo, evitariam riscos de câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares.  A promessa era sedutora, mas a realidade é bem diferente.

Além de atrativos que parecem querer captar a atenção de jovens, como sabores artificiais, aparência compacta e tecnológica e propagandas chamativas, os fatores que mais alertam os especialistas é a composição e proporção química desses produtos. Quando os lucros começam a cair, os fabricantes se renovam para continuar vendendo, e ainda mais. Compactar a nicotina num dispositivo que não tem cheiro de fumaça parece mais palatável e mais aceitável. Mas será que eles são tão inovadores? O que os consumidores raramente sabem é que por trás das nuvens perfumadas havia os mesmos donos de sempre. A Altria, a maior fabricante de cigarros nos Estados Unidos, detentora das marcas Marlboro e Parliament, investiu US$12,8 bilhões na compra de 35% da Juul Labs, empresa que domina um terço do florescente mercado de cigarros eletrônicos do país. 

A resposta está no lucro. “Essas indústrias do cigarro convencional começaram a perceber que estavam perdendo dinheiro e compraram as indústrias do cigarro eletrônico”, explica a Dra.pneumologista Manuela Truiti, em entrevista à AGEMT. “O problema é que muitas vezes esses interesses econômicos avançam muito mais rápido do que as evidências científicas conseguem acompanhar. Então, enquanto a ciência ainda está estudando os impactos de longo prazo do vape, a indústria investe pesado em marketing, tecnologia e estratégias para ampliar o consumo, especialmente entre os jovens… quanto mais tempo eles conseguirem manter uma pessoa viciada, dependente da sua substância, mais dinheiro eles vão ganhar", ressalta Manuela. 

A estratégia é conhecida. “Durante décadas, no século passado, o cigarro com filtro e o cigarro light também foram vendidos como opções mais saudáveis… e depois a gente viu que isso não era verdade. Hoje muitos cigarros eletrônicos são divulgados com uma imagem de modernidade, redução de danos e até bem-estar, o que acaba diminuindo a percepção de risco, principalmente entre os jovens”, diz a médica. 

Trata-se de uma troca, e não de uma cura. Os especialistas são categóricos: “... trocar o cigarro branco por cigarro eletrônico? Não é parar de fumar… a pessoa só está transicionando de uma forma de tabagismo para outra”, afirma a Dra. “A gente tem estudos que avaliaram o uso do vape como uma ferramenta para cessar o uso do cigarro branco, e o que eles viram, acompanhando esses indivíduos depois de um ano, é que a maioria ainda estava usando vape”, diz. 

O que é avaliado é que o vape tende a intensificar a dependência comportamental, não apenas a química. “A pessoa continua mantendo a dependência e muitas vezes até aumenta a dependência de nicotina, porque os vapes têm concentrações altíssimas e também são usados ao longo do dia em situações ou locais em que o cigarro branco não seria usado nem tolerado”. 

Manuela ainda alerta para o perigo das substâncias tóxicas produzidas mesmo sem a combustão, como no cigarro tradicional: “O vapor que é formado pelo aquecimento do líquido possui dezenas de substâncias tóxicas e algumas cancerígenas já identificadas, fora a quantidade gigantesca de nicotina, que muitas vezes equivale a centenas de cigarros”. Estudos do INCA (Instituto Nacional do Câncer) indicam que o uso do dispositivo oferece riscos diretos como dependência, doenças respiratórias e cardiovasculares, e câncer, com toxicidade que pode ser tão prejudicial quanto a versão tradicional. 

Medidas contra o tabagismo

A Anvisa nunca permitiu a produção ou a comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil. Mas, os cigarros tradicionais são legalizados e facilmente encontrados em bancas, mercados e lojas de conveniência, por baixos valores. Em uma campanha contra o tabagismo, a Agência e o Ministério da Saúde anunciaram mudanças nesse valor. Desde 1 de maio, o preço mínimo do maço do cigarro subiu de R$6,50 para R$7,50, e até agosto deste ano, ainda haverá um aumento na taxação de impostos dele, levando o comerciante a subir mais o valor final. Essa medida do Ministério da Saúde, tenta diminuir a prática do tabagismo, eles defendem a elevação do custo como a forma mais eficiente de diminuir o hábito do fumo.

O problema é que às vezes, ao invés de abaixar o consumo do cigarro, o aumento no preço só estimula mais o mercado ilegal. Levando as pessoas a comprarem produtos sem fiscalização e de origem desconhecida, ao invés de um lugar de confiança. O professor de Economia da PUC-SP e Conselheiro do Conselho Federal de Economia, Claudemir Galvani, elucida a questão, "o mercado ilegal realmente pode ser beneficiado, sim, claro. Se aumenta o preço aqui e não aumenta lá, que não tem imposto, não paga imposto. E isso o governo, como é que ele resolve isso daqui? Pela polícia federal para ter o controle das fronteiras. Mas, é um estímulo a mais você correr o risco de comprar uma mercadoria, porque o preço ficou muito mais caro aqui, mas é uma forma que o governo tem também de usar o seu poder de polícia”.

Além do aumento do mercado ilegal e dos riscos disso, o professor ainda aponta que um fumante viciado, não deixa de comprar o produto de seu vício, por uma diferença de preço. "É o chamado bem de demanda inelástica, ou seja, é tão fundamental para a vida dele como alimentação, como a água. Então, para ele, vai impactar, sim, no sentido que ele vai continuar comprando e vai parar de comprar outras coisas que ele entende que seja menos necessária do que o cigarro”.

Esse questionamento da real efetividade desta medida para fumantes é colaborado pelo médico psiquiatra, Dr. Ivan Sérgio Petroucic, que aponta que “o dependente estabelecido pode migrar para marcas mais baratas, pode sacrificar necessidades básicas, ou migrar simplesmente para o mercado clandestino de contrabando”. Mas, essa norma de aumento no preço mínimo e dos impostos ainda pode ajudar a afastar os jovens do cigarro tradicional e pode ajudar a diminuir o número de novos fumantes. O aumento de preços, normalmente via aumento de impostos, tem o objetivo de prevenir que novos fumantes iniciem o árduo. Principalmente os jovens. Qualquer produto que você aumente o preço, na prática, você está reduzindo o acesso a ele”, complementa o Dr. Petroucic. 

“É necessário politizar o debate para discutir impactos sociais, ambientais e econômicos”, afirma coordenador pedagógico de Colégio de elite em São Paulo
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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05/05/2026 - 12h

Com o avanço exponencial da tecnologia, popularizando e facilitando o uso de Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) entre usuários de todas as idades, iniciam-se preocupações das instituições de ensino e do próprio estado de São Paulo em relação a estes sistemas. Por outro lado, pesquisas indicam que seu uso adequado e responsável pode trazer benefícios. Em fevereiro de 2025, a Secretaria de Governo Digital, juntamente com o Serpro, publicou uma cartilha de inteligência artificial generativa, com o intuito de explicar e abordar os riscos desta nova tecnologia. O texto, produzido em colaboração com diferentes órgãos públicos, traz como um dos riscos a “Criatividade Sintética”, resposta gerada a partir de invenções da IA por falta de informações sobre o tópico. 

A avaliação dialoga com a preocupação de Paulo Edson, professor de sociologia e coordenador pedagógico da Escola Nossa Senhora das Graças, popularmente conhecida como “Gracinha”, localizada no Itaim, que alerta: “a IA ainda inventa informações, inclusive referências que não existem. Ela ainda não tem este código de ética”. 

Para Edson, estes sistemas estão para a nossa sociedade como outras ferramentas tecnológicas estão para a história da humanidade, como instrumentos de auxílio. No entanto, seu uso deve ser embasado. “Ela pode facilitar os trabalhos, mas se você não tiver repertório, você não consegue formular prompts”, aponta. Sobre seu uso na didática escolar, o professor conclui: “Ela tem potencial, mas ela tem que ser avaliada, por cientistas e comitês de ética universitários”.

De acordo com pesquisa realizada em 2023 pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Educa Insights, cerca de 74% das instituições de ensino consideram muito importante o investimento em ferramentas de IA para a educação. Para o coordenador, a união entre escola e IA deve vir acoplada de  investimentos em uma educação que valoriza o repertório e o pensamento crítico. “Existe o risco de perder processos importantes do pensamento, como o esforço de interpretação e criação”, afirma.

Outros desafios na introdução do uso destes sistemas também foram apresentados no estudo da ABMES, tais como a falta de participação humana nas pesquisas e a possível dependência em tecnologias que podem falhar ou se tornarem ultrapassadas rapidamente. Diante desta avaliação, a cartilha do governo problematiza esta obsolescência e afirma que o impacto são decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas.

Ilustração presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa, com texto sobre "Alucinação e desinformação", seguido dos tópicos "Critividade Sintética: Na Ausência de dados confiáveis, a IA pode inventar informações, referências legais inexistentes ou interpretações incorretas" e "Obsolescência: O conhecimento da IA pode estar limitado à data do seu treinamento. em alguns casos, pode ignorar fatos novos, legislações recentes ou mudanças de contexto que ocorreram após essa data", seguido da observação "Impactos: decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas".
Ilustração de alerta sobre riscos do uso irresponsável de IA, presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa: Reprodução - gov.br 

 

Edson também colocou como medidas educacionais no Gracinha o aumento de exercícios manuscritos, leitura e por fim ensinar os alunos a usar o prompt (caixa de pergunta ou instrução enviada para IAG). Segundo ele, muitas vezes os estudantes têm dificuldade em fazer os pedidos de forma correta  o que resultam em respostas que não solucionam as dúvidas.  Apesar dos riscos apontados, os resultados do estudo da ABMES mostram que mais da metade das instituições consultadas consideram que a IA pode apresentar benefícios na rotina dos alunos. Dentre estes, são citadas a versatilidade de aprender a qualquer hora  ou lugar; o acesso diversificado a informações e a melhor eficiência na resolução de dúvidas e problemas.

Paulo Rota, coordenador do ensino médio no Gracinha e mestre em tecnologias na inteligência e design digital, em entrevista à AGEMT, acredita que ainda não alcançamos um uso satisfatório da inteligência artificial na educação, e acha que alguns professores ainda demonstram resistência em seu uso. Essa confiança das instituições está relacionada ao avanço contínuo da inteligência artificial generativa (IAG) no apoio aos estudos. A cada ano surgem sistemas mais refinados, práticos e eficazes, que auxiliam em processos de pesquisa e aprendizagem, o que amplia sua adoção como ferramenta educacional pelas escolas. Rota diz que não consegue pensar no ser humano sem dispositivos, mas ressalta: “tem uma contradição na IA e nas redes sociais. É uma coisa privatizada, e o controle da inteligência artificial e das big techs está na mão de algumas poucas empresas”.

Para Rota, a IA pode ser vista como ferramenta de auxílio externo ao estudante, e não deve ser ignorada. O coordenador do ensino médio ainda compara a visão diante da nova tecnologia com os princípios filosóficos de Aristóteles. “Para ele, o ser humano não podia ler livros. Deveríamos construir nossa opinião somente com base em nossa razão. Alguns professores que rejeitam a IA estão sendo aristotélico”, afirma. Ele ainda segue, ao afirmar que usar estas tecnologias é nossa natureza. “Somos como a aranha, e a IA é como nossa teia. Algo criado pelo ser humano, alheio, mas que devemos usar”. 

Com base na progressão do uso das IAGs entre estudantes e, a Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE) produziu o “Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsável de Inteligência Artificial”, em fevereiro deste ano. O documento trabalha através de princípios, diretrizes e recomendações que busquem orientar instituições de ensino à como utilizar sistemas de IA na educação. Assinado pelo Ministério da Educação, o referencial reúne diversos pontos que auxiliam a compreensão sobre como se pode usar a tecnologia como ferramenta para um aprendizado com inclusão e equidade, mantendo a ética e responsabilidade.

Dentre os tópicos, são destacados: a supervisão humana no acesso às IAGs pelos alunos, que devem ser orientados e acompanhados pelos professores; o combate às desigualdades, utilizando das ferramentas como promoção de um acesso à informação justo e não discriminatório; e a transparência diante dos dados apresentados, sempre esclarecendo a origem das informações e a checagem dos fatos. A conclusão do referencial afirma que o uso de IAGs e de pesquisa são uma possibilidade de auxílio no processo de aprendizado, contanto que o rigor de ensino, de checagem e presença do professor ao longo do uso se mantenham. “Ao reafirmar a centralidade do projeto pedagógico, a indispensabilidade da supervisão humana e a salvaguarda dos direitos fundamentais, busca-se promover o uso da inteligência artificial como instrumento de qualificação dos processos educacionais”, afirma o documento.

Parque que conta com programação diversificada e fica localizado no coração de São Paulo.
por
Ana Kézia de Andrade Carvalho
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01/04/2022 - 12h

Relaxamento, contato com a natureza, um verdadeiro oásis em meio ao deserto mais populoso do país. Localizado na Zona Oeste da cidade de São Paulo e com mais de 130 metros quadrados, o Parque da Água Branca proporciona lazer e atividades culturais. Ao entrar no ambiente do parque o visitante dispõe de diversas possibilidades de entretenimento, como aquário, museu, parque de diversões, espaço de leitura e a casa do Cabloco.

 

Dentro das instalações do local, há um parque de equitação, em que são oferecidos cursos regulares durante todo o ano, inclusive para pessoas com deficiência física e das mais variadas idades. A opção do Aquário, possui peixes originários da bacia hidrográfica do estado e regiões próximas, no espaço de 30 viveiros é possível encontrar arraia, tilápia, piranha e uma diversidade de espécies. O Aquário funciona de terça a domingo, das 9 às 17 horas. 

 

A casa do caboclo oferece uma experiência interiorana, com um cenário rústico, contendo fogão à lenha e mesas feitas de madeira para compor o ambiente. Próximo existe a trilha do Pau Brasil, e nela contém espécies de plantas nativas da Mata Atlântica. 

 

Além disso, no parque de diversões que conta com brinquedoteca e espaço para leitura infantil que conta com leitores de histórias, e espaço playground. Também conta com programações de feiras em determinadas épocas do ano, com comidas típicas e muita diversão. Sem dúvidas é um Parque de importância histórica e social enorme, com opções de relaxamento e entretenimento para toda a família, ou até mesmo para todas as idades.

 

A pandemia pelo olhar de um professor
por
Guilherme Deptula
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15/10/2021 - 12h

Presença ou ausência. Dois estados muito claros, está ou não está. Em uma chamada de escola, é um método simples para avaliar a frequência dos alunos. Mas para os professores, durante a pandemia, esses dois termos se tornaram bem mais profundos.

Todo dia, eles acordam, se preparam e tomam coragem para poder ensinar. Mas para quem? Para um monte de câmeras fechadas definidas por ícones? O estudante pode estar presente na sala on-line, mas ao mesmo tempo, está ausente. Ele está lá, mas não está. E o professor sente a ausência. Sente a falta da participação e do contato. Sente a falta dos olhos intrigados e confusos. Eles sentem.

Essa ausência, é uma sensação compartilhada fortemente por todos. Eles vivem na pele o sentimento da falta. A falta de tudo. De participação dos alunos, de preocupação do governo, de apoio, de energia. Todos esses elementos faltaram na chamada dos professores. Porém, eles ainda encontram forças para educar. Porque sabem que se pelo menos um estiver aprendendo, não estão falhando.

E essa é a realidade de Lucas Motte. Professor de 33 anos formado em História pela USP. Crescido nas ruas da Zona Norte de São Paulo, Lucas, na adolescência, aderiu ao movimento punk, e seguia-o firmemente. “Toda manhã, pra fazer o moicano, usava clara de ovo e sabão de coco” Ele comenta, em meio a risadas. “Eu dava só problema na escola, odiava estudar, era muito rebelde!”

 

Lucas em passeio com sua turma do EJA
Lucas (superior direito) e sua turma do EJA em passeio.

Ironicamente, toda a revolta que possuía contra a educação fez ele procurar a profissão menos adequada neste contexto, a de professor. Logo quando se formou, em 2013, Lucas teve suas primeiras experiências em uma sala de aula com alunos muito mais velhos que ele. Motte começou dando aula no EJA (Educação de Jovens e Adultos). E lá, aprendeu tanto quanto ensinou. “O que eu vivi no EJA mudou minha vida.” Ele afirma. “Eu vi gente muito mais velha do que eu querendo terminar os estudos. Pessoas que não desistiram. Mesmo tendo abandonado a escola na infância, por precisarem trabalhar ou por conta de bullying, eles não desistiram. E foi aí que descobri que queria fazer isso pelo resto da minha vida.”

O amor pela profissão floresceu dentro dele, mas ainda não havia vivido o mais desafiador: ensinar a adolescentes. Após ser aprovado no concurso público, Lucas passou a lecionar em uma escola estadual na Zona Norte. Em seus primeiros meses, entendeu as dificuldades de ser professor, e sofreu. “Ninguém te ensina a ser professor na faculdade, você aprende na tentativa e erro. Tem dias que dá super certo, outros que dão tudo errado.”

O começo não foi fácil. Mas deu a ele maturidade. Passou a perceber o que funcionava e o que não. E foi assim que ele conseguiu desenvolver seu formato de dar aula – ou como ele prefere chamar – “O Método”. Lucas adora acrescentar a suas aulas a participação do aluno. Sempre foi muito aberto ao diálogo. Por isso, promove debates e rodas de discussões para instigar o pensamento crítico. Com “O Método”, ele ganhou muita popularidade entre os estudantes, dando voz a jovens que antes não tinham essa oportunidade.

Lucas em festa de encerramento com seus alunos
Motte (à esquerda) em festa de fim de ano com sua turma de 2019 da E.E. Veridiana Gomes. (2019)

Posteriormente, ele decidiu se arriscar no ensino privado. Entregou currículo na porta de mais de 40 escolas por São Paulo, e conseguiu ser contratado em 2015. Ainda com seu “Método”, conquistou o carinho de seus alunos na educação particular. Estabeleceu uma boa relação com a diretoria dos colégios que trabalhava, participou de projetos extracurriculares e criou amizades, isso tudo até março de 2020.

A Covid-19 já havia chegado no Brasil, e estava devastando o resto do mundo. Ele sabia o que a doença poderia fazer, mas não esperava. Ninguém esperava. As primeiras semanas de quarentena foram caóticas na escola privada que Lucas trabalha. O completo desconhecimento do novo coronavírus deixou sua diretoria perdida. E o desconhecimento gerou o medo. E o medo gerou o autoritarismo de seus superiores. No antigo ambiente em que os professores tinham abertura para fazer sugestões e tomarem decisões, agora imperava apenas as “ordens de cima”.

Para Motte, foi terrível. Sendo uma pessoa aberta a diálogo, não poder ser ouvido só agravou a situação para ele. E ainda assim, a escola manteve a carga horaria que tinha no presencial. Mesma quantidade de conteúdo para ser passado em uma aula online reduzida de 40 minutos. E no fim de semana? Lucas vivia preparando trabalhos e corrigindo atividades. Estava à beira do colapso. “Passava das 7h às 17h dando aula. Eu não conseguia dormir depois. Precisava descansar, mas a cabeça não parava.”

A situação era caótica no ensino privado, mas e no público? Era pior, bem pior. Nos primeiros dias, as aulas foram canceladas e o governo não dava pistas de encontrar alguma solução. Lucas e seus colegas professores da Escola Estadual Prof.ª Veridiana Gomes – no bairro do Jardim Brasil – tentavam achar alternativas. “Sabíamos que a defasagem seria gigantesca, na verdade, está sendo. No começo, os trabalhos e atividades eram enviadas pelos próprios WhatsApp e Facebook. E quando tentamos fazer um sistema de aulas online, a maioria dos alunos não conseguiam assistir.”

As razões dos estudantes não irem para as aulas on-line eram diversas, como afirma Lucas: “Além de alguns não terem um acesso bom a internet, muito deles tinham que trabalhar ou cuidar de casa enquanto assistiam a aula. Já vi aluna cuidando de irmão de colo e aluno fazendo entrega de delivery enquanto ouvia aula. Era inviável.”

Depois de algumas semanas do início da quarentena, o governo trouxe um projeto. Um único professor seria responsável por dar aula para todo estado. Eram cerca de 40 mil alunos na chamada de vídeo. E, por volta, de mil comentários por segundo. Preciso dizer que deu errado?

A insatisfação com esse formato fez Lucas ter uma ideia. Com o grêmio estudantil que ele elaborou na escola particular, ele pensou em expor a situação da rede pública. Só que usando o espaço da rede privada para isso.

 Mas como? Motte e o grêmio elaboraram um projeto. Uma discussão sobre a crise da educação no Brasil. A ideia era fazer uma live no perfil oficial da escola no Instagram e trazer três pontos de vista. Primeiro, trariam um estudante da rede pública. Em segundo, um aluno da rede privada como mediador. E por fim, Lucas, com a visão de um professor que vivia as duas realidades.

Lucas discursando durante live. (2020)

Com o consentimento da diretoria da escola, a entrevista aconteceu. E foi um enorme sucesso para todos. Para escola, com a transmissão batendo recordes de acesso. Para os alunos, que puderam se expressar e serem ouvidos. E para Lucas, que conseguiu unir dois mundos diferentes e expor a realidade da educação pública no país, naquele momento.

E, ainda em 2020, com baixíssimas chances de retorno das aulas presenciais, Lucas lecionou de casa. E em meio a tudo, conseguiu se adaptar. “Não foi fácil, mas me adaptei melhor do que eu esperava”

Mas ele destaca outra questão decorrente do ensino à distância: a invasão de privacidade. “Meu maior problema é a exposição. Porque em um sistema de aulas online, você fica vulnerável a expor sua casa, sua família, sua privacidade. Isso, de alguma forma, acaba me incomodando.”

Agora em 2021, com o retorno das aulas presencias, os professores voltam aos colégios para lecionar, o que facilita muito as coisas para eles. Além de reduzir a exposição de suas privacidades, esse retorno fornece aos educadores respiros. Como diz o próprio Lucas: “Poder ver os alunos novamente, com os próprios olhos, é a maior satisfação. Acabar a aula sabendo que cumpri meu dever.”

E, mesmo com as dificuldades de ensino, a rede estadual também está aplicando o sistema presencial “Poucos ainda aparecem. Em um total de 1000 alunos na escola, 30 comparecem.” Afirma Motte, e explica: “Os pais perceberam que o colégio não tem condições de manter todos os protocolos de segurança, por isso, não cogitam levar seus filhos.”

Lucas ainda afirma que por conta do baixo número de estudantes, os casos de contaminação na escola são baixíssimos, e ainda destaca o outro ponto importante: a carência desses jovens. “. Dá para perceber essa carência em todos os aspectos, desde o ensino até as amizades deles. Então, até mesmo quando você propõe coisas simples, como ter aula na biblioteca ao invés da própria sala de aula, os olhos deles brilham. Como se fosse algo que eles precisassem muito. É emocionante.”

Motte (à esquerda) na biblioteca com seus alunos e colegas professores. (2021)

E também, a ausência que os professores sentiam ainda existe, mas está se desfazendo lentamente. A atenção dos alunos está voltando, mas lentamente. A educação está retornando, mas ainda lentamente. Tudo poderia ter sido feito antes, mais rápido. Mas não foi assim que nossos governantes lidaram com a pandemia. O regresso a vida como era antes é lento.

E, apesar de tudo, Lucas Motte sobrevive a pandemia de Covid-19. Mas, agora, as faltas diminuíram em sua chamada e de seus colegas professores. Agora eles não são mais ignorados. Seus alunos voltaram a ter rosto e eles já conseguem sentir o cheiro de giz e ouvir o sinal tocando. Agora, a escuridão está desaparecendo. E os professores renascem. Muito mais fortes.

O projeto independente discute o que é a brincadeira e a importância de preservá-la em todas as fases da vida
por
Esther Ursulino, Gabrielly Mendes e Laura Lima
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30/09/2021 - 12h

“Vida longa à brincadeira” discute as dificuldades de se conservar a ludicidade em uma sociedade que valoriza apenas o aspecto racional do ser humano. A fim de provar que o ato de brincar não é restrito à infância, as alunas do curso de jornalismo Esther Ursulino, Gabrielly Mendes e Laura Lima intercalam depoimentos de crianças, adultos e idosos, construindo pontes entre todas as fases da vida. 

Para discutir a temática participam também Rita de Cassia Oliveira, doutora em antropologia e professora da PUC-SP; Lúcia Helena Rangel, doutora em Ciências Sociais; e Anna Maria Pereira, pedagoga e fundadora do Colégio Viver.

Clique aqui para conferir “Vida longa à brincadeira”, disponível no YouTube. 

 

De início uma brincadeira, e agora necessidade para melhora da autoestima
por
Gabriella Maya
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21/09/2021 - 12h

Por Gabriella Maya

 

Os veículos de comunicação oprimem e controlam o corpo e a aparência das mulheres desde o seu surgimento, criando padrões de beleza praticamente inatingíveis e escravizando mulheres. Hoje, na era das redes sociais, essa questão se intensifica, com influenciadoras digitais e ‘publis’ de cirurgias plásticas aparecendo na nossa tela quase que diariamente. 

O Instagram é o quarto aplicativo mais baixado e usado no mundo, e também o mais problemático de todos eles. Nele é possível selecionar constantemente, e com cuidado, o que se quer postar e qual parte da vida compartilhar com os seguidores, sempre na procura por elogios, curtidas e novos seguidores.

Os filtros do Instagram começaram como uma forma divertida e inofensiva de "se fantasiar", com orelhinhas de cachorro, bigodes de gatinhos e óculos divertidos. Mas não demorou muito para surgiram os efeitos que transformassem completamente nossos rostos, aumentando a boca, afinando o nariz, puxando os olhos e maquiando a pele. O efeito "Kardashian" se popularizou no mundo inteiro e a Internet como intensificadora da sociedade e de suas rupturas, demonstrou isso como nunca antes.  

Por mais inofensivos que os filtros do Instagram possam parecer, eles transformaram a forma como as pessoas se enxergam ou como elas gostariam de serem vistas. Hoje em dia postar uma selfie sem nenhum filtro ou edição, se tornou um ato de coragem e quase um posicionamento político. As pessoas olham para suas imagens deformadas na tela do celular e enxergam isso como um upgrade de si mesmo, comparando sua real aparência com a versão computadorizada e nada humana que os filtros nos oferecem.  

Para refletir sobre essa questão, Maria Rosa Gomes e Andressa Bastos, duas psicólogas que tratam principalmente de questões sobre autoestima.

AgeMT: Na era das doenças mentais e baixa autoestima, na sua opinião profissional, os filtros do Instagram são um problema para a autoestima dos jovens?  

Maria Rosa Gomes: É interessante ressaltar que o uso dos filtros nos apps inicialmente tinha a proposta de diversão, era usado para brincar com amigos trocando partes do corpo humano como por exemplo o nariz, pelo nariz de um de gatinho. Porém com o passar do tempo foram sendo disponibilizados filtros para eliminar “imperfeições”. Mas essas correções começaram a se tornar uma mania entre os jovens. Existem aqueles que já apresentavam problemas com autoestima e por isso faziam uso dos filtros, e aqueles que estavam bem com sua aparência, mas que com o tempo passaram também a se sentirem diferentes e fora do padrão estético. Então a resposta a essa pergunta é sim, eles são um problema, entretanto eles não são sua causa mas sim seu recurso, o qual é facilmente disponibilizado e que colaboram, e muito, para que os jovens se sintam inadequados e busquem por uma perfeição que na verdade não existe. 

Andressa Bastos: Sim, eles são um problema, porque ali é como se fosse a busca pela pele perfeita, rosto perfeito, mostrar que estar sempre bem, mas quando na verdade, na adolescência, com a entrada da puberdade e todas as transformações de mentalidade, sentimentos e fisiológicos trazem uma série de transformações e qualquer defeito e imperfeição, que principalmente as meninas apresentam, elas tendem a se comparar com colegas. Os filtros ajudam os jovens a se sentirem mais porém estão mascarando uma realidade.

 

AgeMT: Por que será que as pessoas sentem essa necessidade de se esconder por trás de uma máscara? 

Maria Rosa Gomes: Vivemos em uma sociedade competitiva em que a indústria da beleza ganha milhões por ano com produtos cosméticos, roupas, acessórios e cirurgias plásticas. O ser humano está sempre a procura de ser aceito e amado e quando chega na adolescência essa busca se torna mais urgente pois precisam encontrar seu lugar, seu grupo, se firmarem, serem aceitos. Quando entram numa rede social e percebem que são muito diferentes do que vêem, usam as “correções” dos filtros para buscarem uma “perfeição”, querem se sentir adequados a um padrão de beleza irreal criado em uma realidade virtual. Ter uma boa auto-estima e assumir suas próprias características físicas e de comportamento é uma construção que começa desde criança e é validada pelas pessoas significativas de sua vida. 

Andressa Bastos: Pois é mais fácil de lidar com um mundo, principalmente nessa era digital que estamos vivenciando, onde tudo é informatizado, e as relações estão cada vez mais virtuais. Então as pessoas vestem uma máscara social para poder se relacionar com as pessoas e com o mundo. Elas sentem essa necessidade, porque ali elas podem colocar máscaras e fingir ser algo que não são.  

  

AgeMT: O número de cirurgias plásticas em jovens tem crescido de maneira surpreendente. O aumento foi de 140% só em 2021. Acha que as redes sociais influenciaram nesse crescimento?  

Maria Rosa Gomes: Sim. Fazer postagens recorrentes de fotos com filtros e ficar olhando para elas leva os jovens a uma comparação da imagem real com a imagem criada, passam a admirar a imagem criada e não se reconhecerem mais na imagem real. A cada vez que se olham no espelho passam a observar e desejar corrigir o “defeito” que vêem. Existe um transtorno chamado Dismórfico, nele a pessoa tem um foco obsessivo em um “defeito”, que pode ser pequeno ou imaginário, mas a pessoa passa horas por dia tentando corrigi-lo. Sendo assim estamos diante de uma questão importantíssima que requer atenção de pais, amigos, professores ou qualquer pessoa que perceba um comportamento exacerbado de um jovem nesse sentido. 

 Andressa Bastos:  Sim, as redes sociais nos aproxima de artistas e de pessoas que são consideradas padrões de beleza, e fazemos sempre essa comparação. Ficamos frustradas que não somos bonitas igual a artista que seguimos. Acompanhar essas pessoas com milhões de seguidores, considerada um ícone, uma pessoa bela, nos gera essa vontade de estar consertando o corpo. Queremos uma cirurgia de nariz, diminuir os seios, aumentar os seios, fazer lipo, deixar a cintura fina, enfim, muitos detalhes do corpo que não precisariam ser um problema, mas acabam sendo com essa comparação do ‘padrão de beleza’, onde quem está fora se tornar feio e precisa se corrigir para se tornar bonita, então as redes sociais influenciam muito essa necessidade de inclusão.  

No Instagram todos são perfeitos, ne? Precisamos nos conscientizar quanto à essa cultura doentia das redes sociais. Tá tudo bem não ter a pele perfeita, o corpo perfeito, afinal, quem decide o que o 'perfeito' não é mesmo?

A esquerda, psicóloga Maria Rosa Gomes, e a direita, psicóloga Andressa Bastos.

por
Fernando Figaro Garcia
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16/06/2021 - 12h

O Brasil tem hoje uma política atrasada e retrógrada no que se diz ao combate as drogas. Com o apoio da ideologia conservadora ministrada pelo governo Bolsonaro, o país ainda aposta na guerra e no combate armado, deixando de lado qualquer relação com o prisma da saúde pública.  

No entanto, para que se possa fazer uma análise efetiva, é preciso entender como nossa política chegou nesse estado de repressão. Na década de 1970, o “problema das drogas’’ se tornou pauta internacional quando o presidente americano Richard Nixon declarou que o abuso de drogas era o inimigo número um dos Estados Unidos da América. A partir desse ponto, formou-se uma aliança com os países integrantes da ONU, que interpretaram e declaram quais substâncias psicoativas eram legais e quais eram ilegais. 

Já na década de 1980, foi a vez do presidente Ronald Reagan declarar que a tolerância ao uso de drogas deve ser zero. E que as consequências para aqueles que usarem, comercializarem e distribuírem substâncias ilícitas seriam severas. A partir desse ponto as condenações em massa causa uma explosão na população carcerária. 

Dessa forma, iniciou-se um combate extremamente custoso e que efetivamente, não estava diminuindo o tráfico, a grande realidade é que o combate intensivo sofisticou e modernizou o mercado ilícito, encareceu os produtos vendidos e proporcionou uma nova era de “barões da droga’’.  

As nações foram pouco a pouco percebendo que o combate armado não era efetivo, já que o uso de drogas estava só aumentando e as mortes por overdose e outras consequências do uso contínuo estavam acontecendo em pessoas cada vez mais jovens.  

Portugal é um exemplo perfeito para se explicar o porquê da redução de danos, do apoio ao usuário e da discriminação das drogas serem um caminho efetivo para se controlar a epidemia de uso.  

No ano de 2001, nosso país colonizador decidiu parar de tratar usuários como criminosos, descriminalizando o uso e a posse de todas as drogas. Essa foi uma maneira de se contornar o fracasso do combate direto que se deu na década de 1990.  

Nesse período Portugal vivia uma epidemia de heroína, o uso estava descontrolado, e estima-se que na época, uma a cada cem pessoas era dependente de heroína. A alternativa então foi acolher, apoiar e reduzir os danos, dessa forma, a política pública passou a tratar o usuário como doente e não como criminoso.  

Mesmo sendo um exemplo efetivo de como lidar com esse problema, muitos países continuam apostando nessa guerra irracional, um exemplo, o Brasil. E aqui, a reportagem irá analisar as consequências e os danos causados ao tecido social, nessa aposta cega e cara. 

Apenas em agosto de 2006, o Brasil deixou de considerar usuários como criminosos. O Art.28 da Lei de número 11.343 do código penal determinou que aqueles que forem apanhados fazendo o uso ou com a posse de drogas ilícitas deveriam assinar o artigo, porém não poderiam ser presos, apenas teriam de prestar serviços sociais ou pagar algum tipo de multa para o Estado. 

No entanto, o problema desse artigo está localizado em seu segundo parágrafo, em que diz que a determinação do destino da substância se submete a interpretação do juiz, o qual analisará “à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.” Ou seja, existe uma enorme diferença entre um branco classe média sendo abordado com 10 g de maconha em Higienópolis e um preto periférico sendo abordado com a mesma quantidade no Capão Redondo. 

Tendo em vista que o Brasil é o segundo país onde mais se consome maconha e cocaína no planeta, um país com uma população periférica exorbitante, as condenações por tráfico de drogas (enquadrada no Art.33 do Código Penal) são as mais presentes no sistema carcerário.  

Segundo dados divulgados pelo G1, no ano de 2017 um a cada três presos no país respondia por tráfico de drogas. E ao observar que temos a segunda maior população de detentos do mundo, percebe-se que realmente tem algo de errado. Já que tantos traficantes estão presos, como o comércio, a distribuição e o consumo estão em níveis tão altos? 

A resposta para essa questão não é tão simples, já que existem muitos fatores contribuintes para essa situação alarmante. No entanto, aquilo que destaca o fracasso da guerra as drogas, é o mal direcionamento das buscas e apreensões.  

Enquanto a polícia militar enquadra traficantes “pé de barro”, ou seja, pessoas que estão na periferia trabalhando de aviõezinhos, fogueteiros, traficantes do chamado baixo clero, e até mesmo determinando tráfico no flagrante sem nenhuma prova que aquela pessoa estava realmente traficando drogas. Deixa-se lado os reais cabeças do tráfico, aqueles que estão em postos de alto escalão no governo, em grandes empresas etc. São eles  os responsáveis pela entrada e distribuição de drogas no país. No entanto, esses são os mesmos que comandam a política nacional e lucram com o combate armado e a morte de policiais, criminoso e civis. 

Para uma análise mais humana e menos numérica, a reportagem entrevistou duas pessoas que representam dois lados distintos da mesma moeda. Um policial e um traficante. Ambos não quiseram ser identificados, por isso foram dados nomes ficcionais. 

O policial Fábio, 29, tem uma opinião progressista e racional sobre a criminalização das drogas. Para ele, a legislação é inadequada, “mais atrapalha do que ajuda (...) ou mantemos esse mercado na ilicitude provocando violência ou legalizamos”. Essas afirmações vêm de uma pessoa que está na linha de frente da batalha. Uma pessoa que vê o desperdício de tempo, dinheiro e vidas em uma luta a qual não se combate nada. Na visão do entrevistado, integrante de uma instituição retrógrada e punitivista, é nosso dever “lutar por uma legislação que nos permita realizar um enfrentamento mais do que eficaz, um enfrentamento real e científico. Um enfrentamento somente no ambiento penal (prender, processar e julgar) de nada resolverá, apenas ajudará e/ou auxiliará senão no extermínio da juventude preta e periférica.” 

Do outro lado da moeda, o traficante de luxo, Márcio, 24, diz não ter opinião formada sobre uma possível descriminalização das drogas. Márcio se diz um traficante de luxo, já que faz suas vendas por delivery. Ou seja, ele claramente atende uma parcela selecionada de usuários, que compram drogas de qualidade muito superior comparadas as vendidas em biqueiras convencionais espalhadas pelo Brasil. Para Márcio, que há 10 anos além de vender cannabis, cultiva em seu apartamento em São Paulo, a descriminalização poderia ser uma deixa para pessoas que hoje são consideradas criminosos, se tornarem simples cultivadores, que plantam e cultivam sua planta para fins recreativos. 

A guerra que se instaurou no país parece estar longe do fim, mesmo com inúmeras propostas apresentadas no Congresso e no Senado, as autoridades parecem não se preocupar com um problema gritante que já demonstrou não se encolher diante da política combativa. 

Ou até se preocupam, mas o muro do conservadorismo e do obscurantismo cruel da sociedade brasileira barram qualquer tipo de proposta progressista.  

Nosso país vive hoje um genocídio da população negra periférica, as grandes cidades sofrem com a epidemia de crack, pessoas cada vez mais jovens estão usando drogas cada vez mais pesadas tendo em vista que boca de fumo não pede RG. E à medida que a questão fica mais popular e a pauta começa surgir em grande escala em manifestações populares como a “Marcha da Maconha” , percebemos que a política reacionária de Jair Messias Bolsonaro, sua trupe de negacionistas, a chamada bancada da bala e a bancada da Bíblia impedem qualquer discussão racional e razoável sobre uma questão tão grave que atinge a saúde pública de uma nação inteira.