“Quando se é uma mãe, que não tem babá ou qualquer respaldo financeiro, tudo se torna mais difícil. Minha vida parou, mas as contas ainda chegavam. Eu precisei me virar”, afirma Maria Bethânia Souza, 25, mãe de uma menina de seis anos, e chefe de família na periferia do interior de São Paulo, diretamente afetada ao perder seu emprego durante o período pandêmico.
Com a chegada do vírus Sars-CoV-2, o Brasil enfrentou crises econômicas no que tange a população pobre, a taxa de desemprego esteve em alta e alarmou a todos. Entretanto, para aquelas que carregam a função de mãe solo, as dificuldades perduram sem previsão de melhora.
A busca para conquistar um espaço no mercado é árdua para o sexo feminino, fato que se perpetua ao longo de uma cultura que ainda não possui equidade de salários e, a todo instante, coloca em questionamento a capacidade das mulheres. Dentro do cenário de desespero vivido mundialmente, muitas famílias acabaram nas ruas, sem condições de continuar mantendo um lar.
“Até hoje estou sem emprego fixo, e já estamos em 2022. Precisei me reinventar para sobreviver, e ainda sobrevivo.” Souza conta que em dado momento, chegou ao ponto de não saber como resolver a situação de sua casa, e passou a receber a ajuda da mãe.
“Eu fiz o que pude para ajudar minha filha, pois minha neta estava sem ir para a escola, e além da falta de serviço ainda tem a dificuldade de criar uma criança sozinha. Muitas mulheres não tem a sorte de uma mãe que auxilie” conta Fátima, mãe de Maria Bethânia, ambas moradoras da COHAB (Conjunto habitacional).
Os obstáculos não se restringem ao financeiro para as mães solo. Com a paralização das instituições educacionais, os filhos necessitam de atenção redobrada, as sobrecarregando emocionalmente e fisicamente, com as tarefas diárias. “Ser mãe é um trabalho sem folga e remuneração, muitos não enxergam o peso de ser sozinha nessa caminhada.” Completa Souza.
Os impactos são claros e ainda carregados por quem viveu situações de incertezas, tanto financeiras, como mentais. Maria Bethânia encontrou, após os decretos de saúde mais brandos, uma forma de se reerguer: O empreendedorismo.
“Comecei a fazer decorações de festas pequenas, reuniões. Tudo muito simples, mas é o que tem me salvado agora, já que ainda não consegui ser contratada. Talvez dê certo e seja minha chance de ter meu próprio negócio. Mas confesso que ainda tenho crises de ansiedade e pânico com tudo isso.”
Souza, por sua vez, demonstra um olhar otimista mesmo que as cicatrizes existam. “Estou indo a luta, mesmo que ninguém esteja me dando oportunidade, resolvi cria-la. Mas é triste pensar que muitas mulheres estão passando dificuldade e sem ajuda.”
O salão Fragonezzi Studio, onde a massoterapeuta Ana Flávia dos Santos trabalha, perdeu mais de 70% de seus clientes durante a pandemia, o que gerou dívidas e prejuízos ao estabelecimento. Santos afirma que ‘’com a falta de atendimentos, não entrava dinheiro, tive que arcar com as despesas como aluguel, com o pouco das reservas que eu tinha’’.
‘’Nas massagens acontece o contato direto com o corpo das pacientes, e muitas tinham medo de se contaminar’’, conta Santos. Ela acredita que mesmo após o fim das restrições, o medo da contaminação foi uns dos motivos para a queda contínua do fluxo. Além da crise financeira, que afetou muito a sua área de trabalho, pois mesmo com a volta do salão, em suas palavras ‘’a massagem é vista como 'luxo', não cabendo mais no orçamento das clientes’’.
A pandemia ‘’educou’’ boa parte da população, as pessoas começaram a se atentar mais em termos de higiene, e essa é uma das partes positivas que Santos encontra nesse momento tão difícil da pandemia. Fragonezzi Studio já tinha protocolos de higiene antes da Covid-19, nas sessões de massagem, por exemplo, já era obrigatório o uso de máscara e touca descartável, o que acabou permanecendo e intensificando esse protocolo, com intervalos de 30 minutos entre cada cliente, para ser feita a higienização da maca, e o uso de álcool gel para limpeza das mãos.
A cabeleireira Ana Carolina Reis, 25, diz que no começo a volta aos atendimentos foi bem devagar, as clientes demoraram a ter confiança para sair de casa e passar horas em um salão de beleza. Com a vacinação em massa e a retomada das festas e eventos, a procura por procedimentos começou a aumentar e a renda financeira do estabelecimento melhorou.
Reis conta que uma de suas clientes retornou ao salão com uma aparência totalmente diferente. A cliente fazia o uso de alisamentos nos cabelos, e como não podia ir ao salão por conta da pandemia, resolveu assumir os cachos. E hoje com a volta do atendimento, sua visita ao salão não é mais para alisar, e sim, para um auxílio em sua transição capilar, o que melhorou sua autoestima, ’’As pessoas passaram a valorizar mais a nossa profissão e voltaram a cuidar de si mesmas’’.
Seguindo todos os protocolos da vigilância sanitária, como distanciamento entre bancadas, esterilização dos equipamentos, uso de máscaras e álcool em gel disponível na entrada, os salões de beleza ficam mais seguros para reabrir as portas e poder atender os clientes com toda a segurança necessária, declara Reis.
A adoção de animais de estimação, principalmente por parte dos “Pais de Pet” de primeira viagem, aumentou durante a pandemia da COVID-19, tornando-se uma saída para suprir a solidão decorrente do isolamento social.
A União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), apresentou uma pesquisa em que a procura por adoção de animais aumentou 400% durante o primeiro trimestre de 2020 e em um outro levantamento feito pelo Radar Pet 2021, foi observado que, 30% dos animais de estimação foram adotados durante o período pandêmico, sendo 23% foram os primeiros bichinhos de seus donos.Esses dados se confirmam com as entrevistadas Jaqueline Gomes, 54, e Ágatha Chaignon, 18, que adotaram, respectivamente, o “vira-lata” Rock e o gato Alecrim, sendo a primeira vez que as duas adotaram um animalzinho. Elas confessam que antes de ter um bichinho de estimação em casa, elas sentiam falta de uma companhia e devido ao lockdown, agravou-se esse sentimento.
Para Chaignon, após a chegada do animal, o ambiente é outro: “Muda totalmente o clima, ele gosta muito de ficar perto quando estou fazendo minhas coisas em casa.” Ela conta ainda que “com certeza virou um amigo muito importante, não vivo mais sem ele.”
Jaqueline Gomes acredita que a reclusão em casa com o seu recém adotado trouxe uma confiança a mais na relação entre eles, aprendendo a conviver e amar um ao outro. Segundo ela “acima de tudo eu tinha que cumprir com todas as responsabilidades da adoção, sabendo dos meus compromissos e que ele teria que me acompanhar pra cima e para baixo”.
No âmbito do pós-pandemia, a jovem de 18 anos afirma que a socialização do seu animal de estimação foi tranquila, e que o contato com pessoas e outros animais não foi um problema, e que, se houver a possibilidade, adotaria novamente.
Com a diminuição de casos e o início da volta ao normal o Rock teve que descobrir o mundo fora de um apartamento e acompanhar seus donos no máximo de coisas que ele possa fazer, mas o isolamento contribui para adquirir confiança e ter um crescimento seguro.
Já Paola Giordani, 50, é presidente da UPA (União Protetora dos Animais) em Lorena, interior de SP, há 10 anos, e confirma que, durante a pandemia, houve uma procura maior em relação ao período anterior ao vírus, mas que os critérios de adoção continuavam os mesmos.
Entretanto, o índice de abandono também cresceu: “Houve muito mais abandono, de todos os tipos de animais. Alguns eu acredito por não ter como sustentar, nem com o básico ou mesmo sem condições de levar num veterinário que sabemos que é caro. Outros porque adotaram de impulso, se arrependeram e pra muita gente o mais fácil é prático é se ver livre abandonando.”
A instituição cuida de vacinar, alimentar e castrar o animal, para garantir a adoção responsável, e entregá-lo saudável para o futuro dono. A associação não possui fins lucrativos, e sobrevive a partir de doações e patrocínios.
A partir do aumento da vacinação e a flexibilização das medidas restritivas, Giordani lamenta que a situação relacionada a adoção e abandono piorou. “O abandono e os maus tratos continuam, sinceramente a humanidade não aprendeu nada com essa pandemia, a cada dia os animais sofrem mais. Ficou pior e a procura diminuiu.”
O veganismo é um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade animal, seja na alimentação, no vestuário ou em outras esferas do consumo, de acordo com a Vegan Society, a mais antiga e respeitada sociedade vegana do mundo.
Esse movimento difere do vegetarianismo pelo fato de que o segundo restringe-se ao regime alimentar e que, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira(SVB), sofre variações entre os adeptos .As principais vertentes do vegetarianismo são o ovolactovegetarianismo que mantém na alimentação ovos, leite e lacticínios, o lactovegetarianismo que consomem leite e lacticínios, o ovovegetarianismo que utiliza ovos na alimentação e o vegetarianismo restrito que não utiliza nenhum produto de origem animal. Não há pesquisas no Brasil sobre o número de praticantes do veganismo, mas segundo estimativa da SVB, dentre os 30 milhões de adeptos do vegetarianismo, 7 milhões seriam veganos, em 2018.
Afinal, o veganismo é ou não é caro? Depende, é o que ressalta a ativista vegana e estudante de nutrição Caroline Soares. “Eu adiei meu veganismo por achar que era caro porque eu sou uma mulher periférica, mas eu comecei a entender que a alimentação vegana é básica, é o arroz e o feijão”.
Ainda assim, a ativista percebe que há certa elitização do movimento a partir da apropriação do mesmo realizada pela indústria. “Assim como qualquer alergia alimentar, a cabeça da indústria funciona assim: se ela [pessoa vegana] não comer essa opção, ela não vai comer nada, então se tem uma opção vegana no cardápio por R$ 40, as pessoas que são veganas vão ter que consumir porque é isso ou é nada”, explica a ativista.
A publicidade alimenta ainda mais a ideia do veganismo ser para pessoas ricas e não considera a realidade da maioria dos brasileiros. Caroline aponta que a classe média-alta aborda o veganismo associando à alimentação saudável, o que não é, necessariamente, verdade. ”Nós temos que ter consciência de classe dentro do movimento para aproximar as pessoas da luta porque, quando a gente olha para preços assim, a gente imagina que o movimento é burguês, sendo que não é”.
Uma das preocupações de pessoas que aderem à dieta vegetariana é o suprimento das necessidades nutricionais, o que, segundo a nutricionista Renata Herrera, é totalmente possível “O que acontece é que, às vezes, é preciso um volume maior (de alguns nutrientes) em uma refeição”.
Quando se fala em veganismo popular, outra pauta que emerge é a insegurança alimentar, que impacta principalmente a parcela mais pobre da população brasileira, ainda mais no cenário socioeconômico atual. “Eu comecei a estudar nutrição porque, na periferia, não existe esse papo de nutrição. A favela já é ‘vegetariana forçada’ porque carne é algo que não entra, então a periferia tem péssimos hábitos alimentares. Ela come o resto do resto da indústria da carne, enquanto a burguesia come bem, tem atendimento nutricional e come na quantidade certa”, ressalta Soares.
Renata também se posiciona sobre o papel do profissional de nutrição diante desse contexto. ”O nosso papel é conseguir te ajudar independentemente do seu poder de compra. Se não dá pra comprar o leite vegetal enriquecido com ferro ou b12, dá pra ensinar a fazer o leite em casa com amêndoas ou até amendoim, que é uma opção mais barata”.
Além dos benefícios para a saúde, como a redução do risco de desenvolver doenças cardiovasculares, e ao meio ambiente com a queda na emissão de gases do efeito estufa por exemplo, o movimento vegano resulta ainda em uma aproximação da alimentação mais natural.’ ”Falamos sobre autonomia alimentar, porque depois de me tornar vegana passei a ter mais consciência do que eu tô comprando. A gente tem que aproximar as pessoas da alimentação para que elas saibam o que estão comendo”, ressalta Caroline.
Em março houve um aumento considerável e o percentual de jovens para quem o voto é facultativo chegou a 13,6%. Apesar disso, o número total ainda é baixo, principalmente quando em comparação com fevereiro de 2018, quando o número chegou a 23,3%.
Em fevereiro deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a menor quantidade de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor da história. Naquele mês, foram emitidos 12.297 documentos. Já em março, o cenário mudou para melhor. Houve um crescimento de novos título - tudo em meio à manifestações de artistas incentivando jovens a emitirem o título de eleitor. Um dos principais eventos em que isso ocorreu foi o Lollapalooza Brasil. Para saber mais sobre a atuação dos jovens nas eleições de 2022, confira a reportagem em vídeo sobre o assunto.






