Aeronave perde controle sob altitude e atinge prédio de três andares na região nordeste do município
por
Vitoria Wu
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06/05/2026 - 12h

 

Nesta segunda-feira (4), um avião de pequeno porte colidiu com um prédio no bairro Silveira, em Belo Horizonte.  Antes do acidente, a aeronave saiu de Teófilo Otoni (MG) e pousou no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). No terminal, duas pessoas desembarcaram e outra embarcou. 


Na sequência, às 12h16, a aeronave decolou na capital mineira e seguia para o Campo de Marte, em São Paulo (SP), quando, três minutos depois, perdeu altitude e bateu no prédio. A colisão ocorreu a uma distância de aproximadamente 3,7 quilômetros, em linha reta, da cabeceira da pista.


De acordo com informações do corpo de bombeiros, havia cinco pessoas dentro do avião. Wellington de Oliveira, piloto de 34 anos e Fernando Moreira Souto, passageiro de 36 anos que se sentava no banco do copiloto, morreram no lugar do acidente. Outros três passageiros foram resgatados e levados até o hospital João XXIII , porém, Leonardo Berganholi de 50 anos morreu logo depois de dar entrada ao centro médico, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).


Em entrevista à AGEMT, Patrícia Barbosa, testemunha que estava próximo ao local do acidente relata que a aeronave não apresentava uma boa posição de decolagem. “Como gosto muito de observar os aviões, fiquei observando, mas aparentemente, ao invés de estar em posição de decolagem (subindo) estava numa posição reta, o sentido que o avião estava indo não tinha aeroporto e pouco local de aterrissagem. Estava tão baixo que deu para ver claramente alguns detalhes, principalmente as cores que eram brancas e azul escuro.” afirma.


Renato Barbosa, estudante de medicina, relatou que o avião estava voando em altura baixa e que, em poucos segundos, se curvou e bateu contra o edifício. “ Na hora, pensei que fosse algum piloto de manobras, porém, alguns instantes depois, ele se curvou para a direita e bateu no prédio. Muita gente correu para o local e ficou com cheiro de combustível, não deu para ver ninguém da tripulação na hora da batida, só os destroços do avião”, contou em entrevista à AGEMT.

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Corpo de bombeiros atuando sob os destroços. Reprodução: Corpo de bombeiros de MG.

Não houve mortos no edifício na qual o avião colidiu, afirmam os bombeiros.


 Em nota, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que o prédio foi interditado preventivamente pelo Corpo de Bombeiros e que, após avaliação de riscos no local, realizou o isolamento preventivo do estacionamento do supermercado ao lado do prédio e de dois apartamentos.  Os moradores das unidades foram realocados para casas de familiares, segundo o órgão. O condomínio foi notificado em decorrência da queda de material, para preservar os destroços da aeronave até que finalize a perícia pelos investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA).


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) ressalta que ainda é cedo para determinar as causas exatas do acidente. As investigações devem prosseguir e um relatório será divulgado nos próximos meses.

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O aplicativo lançado em 2024 facilita o preenchimento de boletins de ocorrência online e o acionamento imediato da Polícia Militar em casos urgentes
por
Thayná Patricia Alves
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23/04/2026 - 12h

 

O SP Mulher Segura foi disponibilizado pelo Governo do Estado de São Paulo em 8 de março de 2024, data que marca o Dia Internacional da Mulher. Desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública, o app surgiu com o objetivo de ampliar e facilitar o acesso a serviços de proteção para mulheres vítimas de violência, reunindo, em uma única plataforma, funcionalidades que antes estavam separadas.

Gratuito e disponível 24 horas por dia, o SP Mulher Segura incorporou funcionalidades do antigo programa SOS Mulher, que já oferecia suporte emergencial para vítimas com medida protetiva. Porém, as informações para o acesso ao programa eram preenchidas de forma manual. 

Com o novo aplicativo, esse fluxo foi simplificado, diminuindo a burocracia e o tempo de resposta. Ele permite registrar boletins de ocorrência diretamente pelo celular, de forma discreta e sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia.

Outro recurso principal é o botão do pânico, que possibilita o acionamento imediato da Polícia Militar em situações de risco, principalmente para aquelas mulheres que possuem medida protetiva ativa. A partir da localização em tempo real, o sistema cruza informações da vítima e do agressor e, em caso de aproximação, aciona automaticamente a polícia e envia uma viatura ao local. 

O sistema é integrado à conta gov.br, o que permite o preenchimento automático dos dados e a verificação de eventuais medidas judiciais ativas.

Print de tela mostrando as funcionalidades do SP Mulher Segura Reprodução: Thayná Alves
Funcionalidades do SP Mulher Segura. Reprodução

 

Nos primeiros meses de funcionamento, o aplicativo registrou 1.592 boletins de ocorrência, 1.339 acionamentos do botão do pânico e 496 solicitações de medidas protetivas realizadas diretamente pela plataforma.

Atualizações mais recentes, de março de 2026, apontam que o aplicativo já superou 50 mil downloads, com mais de 2.100 boletins de ocorrência registrados, cerca de 7 mil acionamentos do botão do pânico e 101 mil solicitações de medidas protetivas. Outro dado destacado é a redução no tempo de resposta policial, que passou para menos de dois minutos em ocorrências acionadas pelo app.

Apesar de funcional, o SP Mulher Segura só passou a ser mais divulgado e acessado em 2026, devido ao aumento exponencial dos casos de feminicídio e à divulgação por parte da Secretaria de Políticas para a Mulher. Entretanto, em uma pesquisa pessoal para um grupo de 100 pessoas, apenas ⅓ têm o conhecimento da plataforma, enquanto o restante desconhece a existência do aplicativo.

O SP Mulher Segura integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à proteção feminina, articuladas no âmbito do movimento São Paulo Por Todas. A iniciativa busca dar visibilidade aos serviços disponíveis e à rede de acolhimento, promovendo ações relacionadas à saúde e à autonomia financeira das mulheres.

O lançamento do app ocorreu junto a outras medidas, dentre elas, a criação de 62 novas salas de atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), aumentando para o total de 141 unidades no estado. Elas funcionam 24 horas por dia e contam com atendimento por videochamada com equipes especializadas, permitindo o registro de ocorrências, orientação às vítimas e solicitação de medidas protetivas.

Apesar dos avanços, o principal impacto do aplicativo está na melhoria do acesso a serviços que já existiam, tornando o processo mais rápido e menos burocrático, mas não cria soluções totalmente novas. Na prática, seu impacto depende de fatores como a rapidez da resposta da polícia, a estrutura das delegacias e o quanto as mulheres conseguem, de fato, usar o aplicativo. 

O aplicativo facilita o pedido de ajuda, mas ainda depende de todo um sistema funcionando de forma eficiente para, de fato, fazer diferença no enfrentamento à violência contra a mulher.

Seu período de teste Premium terminou
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Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Monotrilho entra em operação com linha mais curta e anúncio de expansão feito pelo governador
por
Danilo Belluzzo
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01/04/2026 - 12h
Trem do Monotrilho viajando pela Marginal Pinheiros
Trens do Monotrilho foram construídos pela empresa chinesa BYD. Foto: Divulgação/Governo de SP

O Monotrilho da Linha 17 - Ouro do Metrô foi inaugurado nesta terça-feira, 31 de março, em uma cerimônia que contou com a presença do governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A nova modalidade de transporte foi entregue depois de um atraso de doze anos e com menos da metade do trajeto planejado inicialmente.

A ideia de um modal que conecte o Aeroporto de Congonhas à rede metroviária é antiga. Foi em 2012, na gestão do atual vice-presidente Geraldo Alckmin como governador e na onda de obras de preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014, que se decidiu pela nova tecnologia do Monotrilho - meio de transporte em que o trem transita suspenso acima de avenidas. Diferentemente do metrô, os autores do projeto argumentaram que a modalidade seria mais rápida de ser construída e com menos impactos para a população, já que não é necessário escavar o solo para a passagem dos trilhos, o que também reduziria a necessidade de desapropriações para a realização da obra.

A realidade, porém, foi outra. Planejado para ser entregue na Copa, a obra ficou anos parada, com apenas as pilastras, que servem de base para os trens, construídas. O projeto inicial previa uma extensão de 18 quilômetros, interligando o aeroporto ao Terminal Jabaquara, da linha azul do metrô e seguindo até o Estádio Morumbi, hoje Morumbis, também conectando a favela de Paraisópolis à rede ferroviária. Nada disso se tornou realidade.

Com apenas oito estações em funcionamento e 6,7km de extensão, a obra fez com que comunidades inteiras desaparecessem. É o caso da antiga Favela Buraco Quente, que ficava localizada no fim da Espraiada, na parte em que se conecta com a Avenida Pedro Bueno, e que foi completamente destruída e seus moradores, expulsos. A motivação para a desapropriação era de que o caminho do monotrilho continuaria, como mencionado, até a estação Jabaquara do metrô. Como não aconteceu, o lugar onde antes ficava a comunidade se tornou um parque, a Área de Lazer Água Espraiada, inaugurada em julho de 2019, quando as obras foram retomadas.

 

Tarcísio de Freitas cumprimentando apoiadores na entrada do evento.
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chega ao local do evento ao som de “Tempo Perdido” do grupo Legião Urbana. Foto: Lívia Soriano/Agemt.

 

Em seu discurso no evento de lançamento do Monotrilho, Tarcísio de Freitas retomou a promessa de expansão da linha Ouro. “Autorizar no dia de hoje o próximo projeto, a extensão, a fase dois. Agora, a gente começa a contratar o projeto de engenharia,  a revisão do projeto básico e o projeto executivo. Para fazer mais quatro estações, para fazer mais quatro quilômetros de linha dezessete, para levar esse metrô lá para Paraisópolis, para fazer a conexão com a linha quatro, e a gente não pretende parar por aí”, disse ele na ocasião.

No momento, os trens circulam em fase de testes operacionais, das 10h às 15h. A expectativa é de que, em até 90 dias, ela esteja operando totalmente.

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Representante de bloco tradicional da cidade faz alerta sobre o fenômeno de entrega da folia a iniciativa privada
por
Cecília Schwengber
Helena Barra
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29/03/2026 - 12h

A Prefeitura de São Paulo contrariou as próprias regras ao liberar, no dia 8 de fevereiro, a saída do megabloco da Skol, marcado pela superlotação. O desfile comandado pelo DJ Calvin Harris aconteceu na Rua da Consolação, no Centro, reunindo aproximadamente 1,6 milhão de foliões. Tradicionalmente, a via é destinada somente ao Acadêmicos do Baixo Augusta. Segundo o Guia de Regras e Orientações do Carnaval da prefeitura, não seriam aceitas novas inscrições para os períodos de pré e pós-carnaval em nenhuma região da cidade. 

"Eu acho que a primeira coisa importante da gente estabelecer é que o carnaval é um direito garantido na Constituição Federal. Há uma cidadania cultural. […] Eu estou falando isso porque, numa cidade do tamanho de São Paulo, é preciso organizar minimamente o carnaval de rua. Principalmente quando se têm blocos gigantes. É papel do poder público garantir a existência, a tradição e as práticas dos blocos”, afirma Lira Alli, porta-voz do Vai Quem Qué, que analisa a ascensão dos blocos comerciais em detrimento dos blocos comunitários, que fazem parte da tradição do carnaval de rua paulistano. 

Para os desfiles fora do calendário oficial, as exceções seriam avaliadas pela Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026. O desfile do bloco Skol foi, portanto, a exceção especialmente aprovada. O domingo de pré-carnaval na Rua da Consolação é reservado ao Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair mais de 1 milhão de foliões. Neste ano, no entanto, seu desfile teve de dividir o espaço com o Bloco Skol, com horários de concentração separados por apenas três horas. A ocorrência previsível de superlotação causou tumulto e fez com que dezenas de pessoas precisassem ser socorridas após passarem mal. Na tentativa desesperada de aliviar o gargalo humano, grades e estruturas foram derrubadas. 

Financiamento público se tornando privado 

A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua de São Paulo deste ano. Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões em infraestrutura, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. Para 2026, o valor caiu para R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Tal valor foi integralmente bancado pelo patrocínio da multinacional, que custeou toda a estrutura necessária para os oito dias de folia, como banheiros químicos, gradis, tapumes e contratação de produtores. Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é responsável por toda a infraestrutura e produção do carnaval, incluindo a contratação de banheiros químicos, equipamentos, produção de material informativo, organização dos locais de desfile e sinalização dos circuitos. Durante coletiva de imprensa realizada no dia 30 de janeiro, o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, anunciou que 100% da estrutura do carnaval seria paga pela iniciativa privada (Ambev).  

Apenas os custos das áreas de segurança — que envolvem as polícias Militar, Civil e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) — e de trânsito, sob responsabilidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), continuaram a cargo do poder público municipal e estadual. 627 blocos de rua foram registrados e desfilaram nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos — um recorde de blocos inscritos. Com o orçamento do patrocínio de 2026, houve queda de 37% no número de banheiros químicos disponíveis. Em 2025, os circuitos contavam com cerca de 6000 banheiros. Já em 2026, estima-se que havia apenas 3800. 2200 a menos que no ano anterior. 

Enquanto privatiza a sua organização, São Paulo viveu em 2026 o maior carnaval de sua história. De acordo com o Observatório do Turismo, a festa reuniu 17,3 milhões de pessoas nos blocos de rua e no Sambódromo do Anhembi, movimentou R$ 4 bilhões na economia da capital e gerou 55 mil empregos diretos e indiretos, consolidando-se como a maior edição já realizada na cidade. 

 

“A verdade é que esses c*nalhas não suportam nossa alegria. porque alegria não é só um sentimento pra gente: é forma de viver, construir comunidade, libertar nossos corpos e desejos”. Foto e legenda no post de @liraalli no Instagram.
Crédito: @liraalli no Instagram.

A Lei nº 14.845, sancionada em abril de 2024, reconhece blocos e bandas de Carnaval como manifestação da cultura nacional. A norma federal assegura o livre desfile dessas manifestações, protegendo suas músicas, práticas e tradições como patrimônio cultural. O bloco Vai Quem Qué, assim como outros, sofreu uma dispersão truculenta com o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra os foliões realizada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo. Lira ressalta a negligência de manter estruturas básicas para os foliões nas mãos da iniciativa privada. “Considero que é papel da prefeitura oferecer e custear as estruturas para a cidade funcionar bem no carnaval e poder acolher essa festa popular que é tão importante, e que gera tanto recurso” e acrescenta: "o fundamental é principalmente os banheiros. Na verdade, se vivêssemos numa cidade minimamente decente, teríamos banheiros públicos em lugares de grande circulação não apenas durante o carnaval".

Os foliões também precisam de água gratuita, bebedouros de água potável nas ruas. Ainda mais em tempos de crise climática. Lira argumenta que o que tem acontecido com o carnaval é que a lógica imposta, não somente sobre a folia, mas sim toda a cidade de São Paulo, é uma lógica de privilegiar os mega eventos e as empresas em detrimento das pessoas. Atualmente a Ambev, empresa que coordena o carnaval de São Paulo, manda mais do que a própria prefeitura e os blocos. É o que se tem chamado como “ambevização” do carnaval de rua. “Estamos passando por um momento de crise do carnaval de rua comunitário”, alerta Lira. O carnaval que transformou a capital paulista numa grande potência tem como característica justamente a diversidade: bloco de tudo quanto é tipo, em tudo quanto é lugar, tocando todos os tipos de música, com as mais variadas formas de expressão… é o carnaval mais diverso do nosso país", afirma.  

Lira argumenta que “esse carnaval vem sendo pasteurizado na medida que é entregue à iniciativa privada, de modo a se adequar a um formato que consiga atrair um público maior, gerando renda para a patrocinadora. E isso não é exatamente carnaval, é uma coisa extremamente comercial. O carnaval de São Paulo se transformou em um grande negócio”. 

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Catarine Figueiredo, Diana Ribeiro, Emily Moura, Kauan Miquelino e Sarah Melchior
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28/02/2020 - 12h

Desde o nascimento, somos condicionados a seguir padrões pré estabelecidos pela sociedade referentes ao nosso sexo biológico: masculino ou feminino.

Na infância, a regra geral é se comportar de acordo com ele. No entanto, quando não há identificação com o sexo de nascimento, isso pode ser insuportável - o que leva a uma jornada em busca de uma forma de se sentir bem dentro do seu próprio corpo.

O documentário a seguir relatou a história de três homens transexuais e suas dificuldades ao enfretar o papel de pai dentro da cidade.

 

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Giovanna Morais, Leonardo Pratt e Raul Vitor
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21/11/2019 - 12h

As hamburguerias cada vez mais ganham espaço no gosto paulistano. Nos últimos anos, houve um crescimento muito grande  no número de restaurantes especializados em hambúrgueres, sejam eles gourmets, artesanais ou smashs. Mesmo com esse boom, as hamburguerias tradicionais não perderam espaço. Muito pelo contrário, elas souberam se reinventar para concorrer de igual para igual.

O Contraponto Digital visitou quatro hamburguerias mais tradicionais e outras quatro mais modernas e experimentou alguns dos melhores hambúrgueres de cada restaurante. Nesta review, você encontrará informações sobre os ambientes, opções do cardápio e preços das oito hamburguerias analisadas.

 

TRADICIONAIS

 

Joakins

Se é tradição que você procura, o Joakins está no topo do ranking. Inaugurada em 1965, seu cardápio é o mais democrático. O restaurante tem de tudo. Hambúrgueres, beirutes, omeletes, panquecas, saladas e outras variedades que preenchem o cardápio. Nos reservaremos aos hambúrgueres aqui.

O preço, comparado a outras hamburguerias do mesmo estilo, como The Fifties e Milk & Mellow, é razoável. O clássico Cheese Salada (hambúrguer de 120g, queijo, alface, tomate verde e maionese da casa) custa R$ 27,30. A disposição dos ingredientes que compõem o lanche nem sempre é realizada da melhor maneira. A carne quente murchou a salada trazendo um toque de amargor ao lanche.

A casa também conta com um hambúrguer vegano, o Veggie Kin's. Composto por hambúrguer de cogumelos, queijo branco, tomate, rúcula, molho de mostarda e pão de hambúrguer integral, o lanche pode até surpreender, mas a surpresa fica no cardápio. Falta suculência ao lanche.

A opção mais barata é o hambúrguer no pão (R$16). O ambiente te faz voltar aos anos 60 e é super agradável. O Joakin's Hamburger fica localizado na Rua Joaquim Floriano 163, no Itaim Bibi.

Lanchonete da Cidade

Desde o momento em que a Lanchonete da Cidade decidiu focar em hambúrgueres, o restaurante se transformou. Eram muitos pratos diferentes, sanduíches e os hambúrgueres não eram os protagonistas. Com cinco endereços em São Paulo, todos com uma pegada vintage e muito iluminados, a Lanchonete da Cidade rapidamente se transformou em um ponto tradicional. Mas o restaurante não perdeu sua essência. Outros pratos como cachorros quentes e saladas ainda estão no cardápio, com menos opções.

Com hambúrgueres fininhos, os modernos smash burguers, ou mais altos, o Bombom, são feitos todos os dias nos restaurantes e o que acaba fazendo deles muito suculentos. O restaurante oferece 10 opções de lanches com carne, variando entre R$ 26 e R$ 37. Opções de hambúrguer de grão de bico, frango, burger veggie, falafel e salmão também estão presentes. Mas a grande inovação da Lanchonete da Cidade é o LC Futuro, um hambúrguer feito com produtos naturais e vegetais mas com sabor e textura de carne. Há também a opção de pão sem glúten para quem preferir.

O Cooper é uma opção com relish de pepino, um cheddar diferenciado e mostarda dijon. Quando adicionado bacon, a combinação fica melhor ainda. A Lanchonete da Cidade é uma ótima opção para ir com a família ou em um encontro mais tranquilo entre amigos.

Milk & Mellow

Inaugurada em 1976, o Milk & Mellow é uma das hamburguerias mais tradicionais da cidade de São Paulo. Seu cardápio, que contempla hambúrgueres e beirutes, não é barato. Por mais que existam opções justas, como o clássico Cheese Salada (R$28), os pratos mais atrativos excedem o valor de 30 reais.

O preço do Cheese Salada pode até não ser dos mais amigáveis, mas cada mordida vale a quantia desembolsada. O pão, envolto em um saquinho, ainda unido na extremidade traseira, é macio e se abre em formato de pac-man. A carne, o queijo, a alface e a maionese – e que maionese! - da casa são bem-dispostos e harmonizam de forma exemplar da primeira, até a última mordida.

A casa, ainda oferece uma opção em que o cliente pode montar seu próprio hambúrguer. Spoiler alert: É cilada bino! A carne mais barata é a de 100g e custa 17 reais. Suponhamos que um tradicional Bacon Burger (inexistente no cardápio) fosse montado. Carne (R$17,50), queijo prato (R$5), bacon (R$7), picles e molho (R$7). Total, R$36,50.

Esse mesmo hambúrguer seria o Lumberjack no Bullguer, que custa 22 reais. Ok, deve-se levar em consideração que são conceitos diferentes de hamburguerias, mas nunca é demais destacar a disparidade entre os preços.

O Milk & Mellow se encontra em dois estabelecimentos. O tradicional, na Av. Cidade Jardim 1085 e no Shopping Granja Viana. Vale ressaltar que o ambiente das franquias é diferente. O localizado na Cidade Jardim é bem charmoso, enquanto o da Granja Viana deixa a desejar”.

 

MODERNAS

 

Capital Burguer

A hamburgueria inaugurada em 2017 tem um ambiente moderno e muito agradável. Além disso, o espaço em Osasco é muito iluminado e conta com uma decoração descolada. O cardápio da Capital Burguer foi recentemente renovado. No dia 15 de setembro, mais combinações foram adicionadas ao menu, que já contava com dez opções - incluindo uma veggie.

Os hambúrgueres são todos artesanais e além do tradicional de carne, o Capital Burguer oferece opções de frango, calabresa e costela suína. O hambúrguer vegetariano é à base de batata. Falando em batatas, as porções de fritas são generosas, e podem servir até três pessoas. Elas são vendidas à parte.

O "Double Burguer Smash" é um dos novos lanches da casa e vem com dois hambúrgueres de 100 gramas cada, uma mistura de queijos e bacon. A carne é muito suculenta, o bacon muito crocante e a apresentação foge do tradicional: todos os lanches são servidos em tábuas de madeira.

A hamburgueria da cidade da grande São Paulo não é das mais baratas. Os lanches custam em média R$ 32, fora fritas e bebidas. Não há opções de combo - somente em pedidos por aplicativos de delivery. Uma pessoa gasta entre R$ 50 e R$ 60 reais em uma refeição no Capital Burguer. O restaurante também tem uma unidade na Vila Olímpia.

 

Madero

A rede de restaurantes do chef Junior Durski é uma das mais conhecidas e bem-conceituadas do Brasil. Presente em 17 estados e com 13 lojas somente na cidade de São Paulo, o Madero se autointitula[AQ1]  o "melhor hambúrguer do mundo". Em um vídeo publicado pelo próprio restaurante, o chef afirma ter comido em 70 diferentes hamburguerias americanas para saber exatamente como queria o seu hambúrguer. Segundo divulgação no mesmo vídeo, os hambúrgueres do Madero têm um blend (mistura) de 85% de carne e 15% de gordura.

A ambientação de todos os restaurantes do Madero segue um padrão: muita madeira, tijolos a mostra e uma releitura da fachada do primeiro restaurante, fundado em Curitiba e que em 2019 completou 13 anos. Mudanças mais significativas são vistas no "Madero Container", que são unidades menores (em espaço físico) e com o cardápio reduzido.

Com 27 opções de hambúrgueres e sanduíches, além de massas, peixes e outros pratos, o Madero é mais que uma hamburgueria. O "Madero Bacon" é uma dessas opções. Com um pão assado na hora que lembra muito um pão francês, salada fresca, bacon crocante e carne de 100g, esse é um dos pratos mais vendidos do restaurante. As deliciosas batatas fritas já acompanham o lanche, sem necessidade de pedir uma porção a parte. Vale lembrar que de segunda a sexta-feira há o "happy hour", com descontos em diversos pratos e chopp em dobro. Um dos detalhes mais saborosos do Madero é ketchup próprio, elaborado pelo próprio chef Durski. Uma refeição no Madero fica por volta dos R$ 55 reais, mas cada mordida compensa cada real gasto.

Meats

Se hambúrguer diferente é o que você procura, o Meats não irá te desapontar. Inaugurada em 2012, a hamburgueria faz sucesso na região de Pinheiros com seus hamburgueres inovadores. O cardápio é abrangente e se renova a todo momento, mas se você não gosta de bagunça entre a carne e o pão, a casa tem três opções clássicas que não saem de lá.

Dentre os fixos estão: o clássico dos clássicos, o Cheese Burger (R$27,50), pão, carne e queijo (cheddar brasileiro), que vem acompanhado de maionese e picles. O cheese salada, que no Meats é chamado de BLT (R$31), é composto por pão de mandioquinha, carne, cheddar brasileiro, alface, tomate e bacon. E por fim, para os mais conservadores, a casa tem uma opção sem queijo, o curto e grosso Hamburguer (R$22), que contém, pão de forma, carne, cebola roxa e picles.

Para os amantes do cheese salada, o BLT é imperdível. Por mais que o preço não seja amigável e ficará claro que não é, a suculência e maciez da carne, junto dos acompanhamentos básicos cria um sabor que compensa cada centavo.

Na parte “Chef’s Choice”, onde se encontram as misturas que despertam o interesse pelo local, é possível encontrar o Fancy touch. Notem os ingredientes: brioche de mandioquinha, carne, muçarela, honey-wasabi sauce e maçã verde laminada. Você já se imaginou comendo um hambúrguer com honey-wasabi sauce e maçã verde laminada? Melhor, você já se imaginou comendo um hambúrguer com honey-wasabi sauce e maçã verde laminada, dizendo que adorou? É isso que torna o Meats especial.

Vale lembrar que a carne de todos os hambúrgueres pode ser substituída por falafel e que a casa possui uma opção de ketchup de maracujá imperdível. A hamburgueria está localizada na Rua dos Pinheiros 320 e funciona do meio-dia à meia-noite.

 

 

 

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Eva Vila Pacheco
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05/11/2019 - 12h

Desde o século XIX, a imigração tornou-se um processo chave para a construção do território e da identidade nacionais. Em um primeiro momento incentivada pelo governo e, a partir de meados do século XX, realizada de forma espontânea, a entrada de estrangeiros no Brasil moldou a composição das grandes capitais, transformando cidades como São Paulo em verdadeiros centros cosmopolitas.

Hoje, fala-se em “fluxos migratórios”, numa tentativa de organizar os deslocamentos que se dão ao redor do globo terrestre. No caso do Brasil, estes movimentos vêm, especialmente, de continentes como África e Ásia (Oriente Médio). As razões são diversas: conflitos armados, escassez de recursos e até perseguição política.

Marcelo Haydu, diretor executivo do ADUS — Instituto para Reintegração de Refugiados, explica: “A lógica da migração forçada é buscar os países mais próximos. No entanto, com as fronteiras europeias e norte-americanas cada vez mais restritas, os emigrados passaram a enxergar no Brasil uma alternativa”.

CONGOLINÁRIA

Em uma colorida placa, lê-se: “Vegan Food — Descobrindo os Sabores do Congo”. Mais adiante, uma seta aponta a escada que leva ao segundo piso da Fatiado Discos, sebo de música e bar ao ar livre, localizado na Av. Alfonso Bovero (próximo às estações Sumaré e Vila Madalena do Metrô).

A escada dá num pequeno salão, igualmente alegre. Na parede, grafites de animais do continente africano. Contam-se nove mesas. Nelas, casais e grupos de amigos saboreiam — a maioria, pela primeira vez — a comida Congolesa. E suas expressões não disfarçam: ela é deliciosa.

Inaugurado em 2016, o Congolinária foi idealizado pelo Chef Pitchou Luambo. Advogado de formação, Pitchou emigrou para o Brasil em 2009, em função da guerra civil que tomou conta de seu país na década de 1990. Desde então, tem se tornado referência em ações afirmativas para refugiados, combatendo o preconceito e a discriminação.

O cardápio

No almoço, por R$ 30, o cliente opta por um prato principal, um suco e uma sobremesa, preparados pelo sous-chef. Para cada dia da semana, há um especial: refeições que buscam trazer o sabor do Congo para a mesa do brasileiro, com releituras e ingredientes encontrados aqui.

Mbuzi (fofu [polenta africana] de farinha de milho, couve na mwamba [pasta de amendoim] e banana da terra frita) 
​​​​​​Foto: Divulgação

O restaurante não utiliza nenhum produto de origem animal. Os pratos, inclusive, os homenageiam. Bata (servido apenas aos domingos), Kuku (às quintas-feiras) e Simba (todos os dias), querem dizer, respectivamente, pato, galinha e leão, em Suaíli, língua da família Banto.

Além disso, o local preza pelos ingredientes orgânicos, em vez dos industrializados. No sábado, a “Feijoada do Chef” (feijão preto refogado no azeite de dendê com legumes, mix de cogumelos, arroz branco cozido no suco de gengibre, farofa de banana da terra e couve na mwamba) é a mais pedida pelos clientes.

Recepção

Foto: Eva Pacheco

Os universitários Pedro, Pedro Bairrão, Gabriel e Guilherme são moradores do bairro e nunca haviam ido ao Congolinária. A ideia partiu de Guilherme, estudante de engenharia elétrica da USP, que conheceu o restaurante pelo Facebook, por meio do check in de seus amigos.

Eles confessam que não tinham muitas expectativas com relação a culinária do local, mas que foram surpreendidos positivamente pelos pratos degustados: a “Feijoada do Chef” e o Okapi (massa de mandioca fermentada, servida com feijão branco refogado no alho e azeite de dendê e funghi). “Achei a mandioca interessante, pois é preparada de um jeito com o qual não estamos acostumados. Geralmente, comemos frita, ou como um purê”, comenta Guilherme.

Gabriel, que estuda Publicidade & Propaganda, acrescenta: “A comida é um jeito bacana de entrar em contato com a cultura de um país. É legal ver que há oportunidades para pessoas que vêm de fora, e eu me sinto muito feliz em fazer parte disso”.

Já Gabriela e José, estagiários de moda e de planejamento, respectivamente, escolheram o Congolinária para comemorar o seu aniversário de quatro anos de namoro. Buscando por algo “diferente”, o casal provou e aprovou o Ngombe (nhoque de banana da terra com molho de tomates frescos e shimeji). “Eu gostei da mistura do doce com o salgado. Com certeza recomendaria para outros casais”, diz José.

Jantar dos Refugiados

Todas as terças-feiras, a partir das 19h, a área externa da Fatiado Discos recebe Gladis Villalobos, boliviana especialista na preparação de quitutes árabes, como o Saj (massa típica fininha, com diversas opções de recheio) e o Falafel (bolinhos de grão de bico fritos, servidos no pão folha com tomate, alface e tahine).

Saj de carne, R$ 20. Também nas versões queijo e zaatar
Foto: Divulgação

Após emigrar para o Brasil, no ano passado, Gladis foi acolhida por uma república de africanos, no bairro da Liberdade. Por meio de um conhecido, foi apresentada ao palestino Wessam Othman, com quem trabalha hoje.

“Eu fazia doces, e não conhecia nada de comida árabe. Perto do Ramadan, Wessam passou a me ensinar a cozinhar. A primeira coisa que aprendi foi o charutinho de uva. Depois veio a kafta, o frango…”, ela se recorda.

Emigrado da Síria em 2015, Wessam atuava como designer de moda e estudava Direito na capital do país, Damasco. Dois anos após o início da guerra civil, veio para São Paulo com seu primo. “Comecei fazendo esfiha em casa, para vender no Brás”, ele conta. Hoje, administra o próprio restaurante, o Falafel SP, com a ajuda da esposa Doha Qodsieh.

Burger Falafel, do Falafel SP (pão de hambúrguer, bolinhas de falafel, tomate, picles, salada de maionese, molho de romã e pasta de alho), R$ 35
Foto: Divulgação

Refúgio & empreendedorismo

Ainda de acordo com Haydu, grande parte dos emigrados possuem um viés empreendedor. “São pessoas que, na primeira oportunidade que tiveram de abrir o seu próprio negócio, o fizeram. Enxergo isso como uma forma de sentir-se valorizado”, aponta.

É o caso, também, de Muna Darweesh, refugiada síria que hoje trabalha com catering (serviço de buffet a domicílio). Em sua casa, no Cambuci, ela prepara grandes banquetes árabes, que serão servidos em festas e confraternizações. “Na Síria, esse não era o meu trabalho. Mas lá temos muitas festas e, como toda mulher, eu aprendi a cozinhar” diz Muna, que antes dava aulas de inglês no ensino básico.

A chef Muna Darweesh, ao lado de uma de suas mesas, cuidadosamente montadas
Foto: Divulgação

É por meio das redes sociais — mas também do “boca a boca” — que Darweesh divulga o seu negócio. Em grupos de Facebook e em sua fanpage, é possível conhecer os pratos que prepara e fazer a sua encomenda. “O meu trabalho é o meu cartão de visita”, orgulha-se, enquanto mostra as embalagens de kibes, esfihas e charutos de folha de uva que saem para a entrega.

Em bazares e encontros de empreendedoras, Muna expõe iguarias típicas de países como Síria e Líbano, a exemplo da Makdous (mini berinjela em conserva, recheada com nozes e pimentão), do chancliche de ricota (no azeite, com páprica doce) e dos doces “ninho” e de massa folhada.

Quando tiveram de emigrar, Muna e seu marido não puderam eleger o destino de sua preferência. Hoje, são felizes no Brasil. E ela faz questão de dizer: “A cozinha não é apenas uma forma de mostrar a minha cultura; é um espelho do meu amor pelo país que me acolheu”.

 

Serviço:

Congolinária

Av. Prof. Alfonso Bovero, 382

Telefone: (11) 2615–8184

Facebook: /congolinaria

 

Fatiado Discos e Cervejas Especiais

Av. Prof. Alfonso Bovero, 382

Telefone: (11) 2769–0083

Facebook: /fatiadodiscos

 

Falafel SP

R. Safira, 293

Telefone: (11) 97795–4915

Facebook: /FalafelSp

 

Chef Muna Darweesh

Sob encomenda

Telefone: (11) 95437–0682

Facebook: /munacozinhaarabe

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