Gabriel Medina vence etapa em Cloud 9

Brasileiro se tornou o primeiro campeão de uma etapa oficial da elite mundial nas Filipinas
por
Bruno Caliman
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04/11/2026 - 12h

Na madrugada da última terça-feira (3), Gabriel Medina conquistou a etapa em Cloud 9, nas Filipinas, ao vencer o australiano Jack Robinson na final. O tricampeão do mundo terminou com um somatório de 16.93 pontos contra 14.50 de seu adversário. Com o resultado, Medina assumiu a segunda colocação do ranking geral da World Surf League (WSL) e quebrou um jejum de mais de três anos sem vencer na elite, já que a última vez havia acontecido em abril de 2023, quando foi campeão em Margaret River, na Austrália.

A final em Cloud 9 foi a quarta de Gabriel Medina na atual temporada. Antes disso, o brasileiro foi vice-campeão em todas as vezes que chegou na decisão. O primeiro deles foi em Margaret River, quando perdeu para o australiano George Pittar. Ao ser derrotado pelo americano Cole Houshmand, na etapa de Cloudbreak, em Fiji, Medina bateu na trave novamente. O vice mais recente foi em Peniche, Portugal, diante do também americano Griffin Colapinto e agora quarto colocado na classificação.

No feminino, a americana Caitlin Simmers foi campeã após fazer um somatório de 12.00 contra 10.77 da australiana Isabella Nichols. Quanto ao restante dos brasileiros, João Chianca e Samuel Pupo foram eliminados na primeira fase. Já Italo Ferreira e Miguel Pupo caíram nas oitavas de final, enquanto Luana Silva e Filipe Toledo chegaram até as quartas. Por fim, Yago Dora parou nas semifinais, ao perder para o campeão Gabriel Medina.

A trajetória de Medina foi marcada por momentos cheios de emoção, com direito a duas viradas para garantir o avanço de fase nos minutos finais das oitavas e quartas de final, contra os australianos Liam O’Brien e George Pittar, respectivamente. Na semifinal, duelo contra o compatriota Yago Dora, atual campeão mundial e número um do ranking. Diferentemente do que ocorreu no início do ano, na semifinal de Bells Beach, na Austrália, onde os dois também se encontraram e Yago levou a melhor, Gabriel Medina ganhou de 15.76 a 13.50 para disputar a final com Jack Robinson.

Na final, Gabriel Medina conquistou a segunda maior nota de todo o evento em Cloud 9. Foto: Matt Dunbar/World Surf League
Na final, Gabriel Medina conquistou a segunda maior nota de todo o evento em Cloud 9. Foto: Matt Dunbar/World Surf League

A bateria

A final começou movimentada logo nos minutos iniciais, quando Jack Robinson pontuou 6.17 em sua primeira onda. O australiano entrou em um bom tubo e, na saída, tentou um aéreo com rotação completa para finalizar a onda, mas não concluiu a manobra. Em seguida, Gabriel Medina já respondeu com uma onda e recebeu 7.50. Mesmo com a onda sem tanta velocidade, o brasileiro saiu do tubo e deu duas rasgadas na água, mas também caiu ao tentar o aéreo na junção.

Sem perder tempo, Jack Robinson encontrou uma nova oportunidade e surfou outro tubo, que lhe rendeu 5.00 pontos e a retomada da liderança. No entanto, depois de ver seu adversário não obter sucesso em algumas tentativas, Medina aproveitou a prioridade e surfou um tubo espetacular para voltar ao topo. Repleto de técnica para passar pelas seções do tubo, o tricampeão mundial conquistou a pontuação de 9.43.

Enquanto os juízes avaliavam a nota de Gabriel Medina, Robinson aumentou seu somatório após pegar um tubo e tirar 6.27. Mesmo assim, o australiano ainda precisava combinar duas novas notas para ultrapassar o brasileiro, já que o placar naquele momento era de 16.93 contra 12.44. Por mais de dez minutos, a bateria abaixou o ritmo, tanto pela dificuldade do australiano quanto pela postura de Medina, confortável com a vantagem construída.

Com menos de doze minutos para o fim, Jack Robinson melhorou sua pontuação depois de entrar em mais um tubo e encerrar a onda com uma batida. O resultado foi uma nota de 8.23. Com isso, o australiano atingiu 14.50 na soma geral e precisava de 8.71 para assumir a liderança. Ciente disso, o brasileiro utilizou sua prioridade em um tubo curto e alcançou 7.03, nota insuficiente para ampliar sua pontuação.

O mar se acalmou nos minutos finais e, com o estouro do cronômetro e 16.93 a 14.50 no placar final, Gabriel Medina garantiu sua 18ª vitória em etapas da elite do surfe e seu primeiro título em 2026. “Isso significa muito. Tenho me esforçado bastante ao longo de todo o ano e viajado muito com minha equipe. Eu queria muito vencer este ano. Tem sido divertido, a jornada é divertida”, afirmou o surfista ao final da bateria, ainda na água.

A próxima etapa da WSL acontece em Pipeline, no Havaí, entre os dias 8 e 20 de dezembro. O Pipe Masters encerra a temporada e é nele que será decidido o campeão mundial de 2026. No top 5 do ranking, os brasileiros Yago Dora, Gabriel Medina, Italo Ferreira e Miguel Pupo são os favoritos para a conquista do título mundial. Se acontecer, será o nono troféu da vitoriosa geração da Brazilian Storm nos últimos doze anos.