Venda de “camisas tailandesas” gera controvérsias entre torcedores

Altos preços das originais e semelhança das réplicas vem mudando o consumo para Copa
por
João Bueno
Nicolas Beneton
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23/05/2026 - 12h

É cada vez mais comum vermos torcedores de futebol comprando as chamadas “camisas tailandesas”, principalmente, dado ao fato das marcas originais, como Nike e Adidas, cobrarem cada vez mais caro em seus materiais. Apesar da legalidade das “tailandesas” continuarem em questão, a qualidade do produto vem melhorando e se assemelhando com as originais, a alta na procura também se deve ao fato do acesso ter ficado cada vez mais simples, principalmente em lojas virtuais como Shopee e Mercado Livre, e até em lojas físicas, em São Paulo, locais como o Brás e a “25 de Março” estão repletas de lojas com essa finalidade. O termo “camisa tailandesa” surgiu porque muitas dessas réplicas começaram a ser produzidas em fábricas da Tailândia, conhecidas pela alta qualidade das cópias. 

Para compreender melhor como funciona a cabeça do cliente na hora de comprar uma camisa Calió destaca que sua primeira experiência comprando uma camisa tailandesa foi em 2020, de um time alemão, o RB Leipzig. A segunda pergunta foi ligada ao motivo dele ter escolhido as camisas tailandesas, e se tinha a ver com o preço das originais: “Com certeza o preço,Com as camisas hoje, modelo torcedor,sendo 400 reais.É um preço absurdo, a modelo jogador já tá 800, 700 reais. Então, eu vi um site de camisas tailandesas, de segunda linha, e acabei comprando pra ver como que era. Porque era um preço muito mais barato, que normalmente você costumava pagar numa camisa, 120 reais, 150 no máximo.

Como citado anteriormente, as marcas renomados cobram preços cada vez maiores em suas vendas, camisas que há 5 anos custavam menos de 200 reais, hoje já chegam na faixa de 500. Já as réplicas, ficam em torno de 60 a 150 reais. A disparidade no preço vem fazendo os torcedores considerarem as tailandesas como uma alternativa mais do que válida na hora de comprar uma camisa nova. Clubes e marcas esportivas afirmam que a pirataria provoca prejuízos bilionários ao futebol. Segundo o Fórum Nacional contra a Pirataria, quase metade das camisas vendidas no Brasil são falsificadas. Além disso, investigações já relacionaram parte dessa produção a fábricas clandestinas e até trabalho análogo à escravidão.

Nos últimos anos, grandes marcas intensificaram o combate às réplicas. Em 2026, por exemplo, uma loja paranaense foi condenada por vender camisas “tailandesas” do Flamengo por preços muito abaixo dos oficiais. Mesmo assim, o mercado segue crescendo. Entre debates sobre legalização, fiscalização e acesso popular ao futebol, as camisas tailandesas continuam dividindo opiniões, para alguns, pirataria; para outros, a única forma possível de vestir a paixão pelo time.