Rio Fashion Week: terceiro dia une tradição e identidade brasileira

Entre homenagens afetivas, desfiles reuniram emoção, espetáculo e estreias
por
Marina Garcia
|
23/04/2026 - 12h

O terceiro dia da Rio Fashion Week, realizado na última quinta-feira (16), reuniu marcas que transitam entre tradição e inovação. Com o Píer Mauá como palco principal, a programação se expande para diferentes cenários emblemáticos da cidade, reforçando a conexão entre moda e território. 

Backstage da marca Patricia Viera no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Backstage da marca Patricia Viera no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

Abrindo o terceiro dia, Patricia Viera apresentou uma coleção carregada de afetos e referências pessoais. Em homenagem à sua cidade natal, ao artesanato brasileiro e à sua mãe, Vera Magalhães, a estilista construiu uma narrativa que celebra as relações femininas em sua trajetória. O inverno surge leve, com elementos visuais inspirados no Rio de Janeiro, de mosaicos e paisagens a ícones como a Igreja da Penha, o calçadão de Copacabana e os jardins de Burle Marx. A riqueza de técnicas destacou-se no desfile. A coleção celebra cinco décadas de carreira de Patricia Viera.

Na sequência, a Handred, comandada por André Namitala, apresentou a coleção Akáshica. Inspirada na ideia de memória universal, a coleção trouxe peças com caimento fluido, sobreposições e uma paleta que transita entre tons sóbrios e nuances etéreas. A presença da Companhia de Ópera da Lapa, sob regência do maestro Felipe Prazeres, ligado ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, potencializou a atmosfera do desfile, transformando a passarela em um espaço imersivo onde moda e música dialogaram em tempo real.

Foto do desfile da marca Handred no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Foto do desfile da marca Handred no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

O retorno da Blue Man às passarelas veio acompanhado de uma coleção que reafirma sua identidade tropical, ao mesmo tempo em que atualiza códigos clássicos da moda praia. Sob o comando de Sharon Azulay e Thomaz Azulay, a marca apostou em estampas vibrantes, com referências à fauna e à flora brasileiras, além de padrões gráficos que remetem ao imaginário solar e praiano do Rio de Janeiro. A coleção chamou a atenção ao equilibrar sensualidade e frescor, características históricas da marca, com uma leitura atualizada do estilo de vida carioca. O desfile ganhou ainda mais destaque com a presença de Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, que, aos 82 anos, assumiu o posto de musa nesse retorno vibrante da marca. Ao mesmo tempo, a proposta mais performática da apresentação, com participação de influenciadores na passarela, alimentou debates fora do evento sobre a crescente valorização do espetáculo e do engajamento digital em relação ao rigor técnico tradicional da moda.

Encerrando, a Hisha marcou sua estreia na passarela da Rio Fashion Week, trazendo uma proposta que une memória, técnica e identidade regional. Sob direção criativa de Giovanna Resende, inspirada nas referências de São João del Rei e no barroco mineiro, onde o bordado assume protagonismo, estruturando as peças por meio de linhas, relevos e desenhos que criam superfícies densas e sofisticadas. 

Desfile da marca Hisha no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Desfile da marca Hisha no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

Apesar dos destaques criativos ao longo do dia, a programação voltou a enfrentar atrasos, repetindo um ponto já observado na abertura do evento. As mudanças no cronograma impactaram a sequência dos desfiles e exigiram ajustes por parte de convidados e profissionais, destacando um aspecto de organização que ainda pode evoluir nas próximas edições da Rio Fashion Week, especialmente diante da proposta ampla e dinâmica do evento.



 

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