Preço do álbum da Copa pode afastar jovens de completá-lo

Nova edição possui custo de 1 mil reais e dificulta manter colecionadores ativos
por
Lucas Leal
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05/05/2026 - 12h

O novo álbum da Copa do Mundo de 2026 chegou às bancas na quinta-feira (30) de abril por valores de até R$79,90, com pacotes de figurinhas por sete reais cada. O livro tem sua maior edição, com 980 figurinhas distribuídas em 112 páginas, devido ao novo formato com 48 seleções. Junto com as novidades, o custo para completar a coleção também aumentou, podendo chegar a R$1.004,90 na versão mais barata do livro.

Álbum da Copa da Mundo de 2026
Edição de brochura chega nas bancas por R$24,90 Foto: Lucas Leal

Em comparação, o custo teórico para completar o álbum em 2022 era cerca de R$550,00, o que representa um aumento de 81% na edição atual, superando a inflação acumulada de 21% no período, segundo dados da CBN. O encarecimento do álbum, que até então é uma tradição popular nos períodos de Copa do Mundo, dificulta o acesso a classes mais pobres, segundo Gustavo Bortoleto, em entrevista à AGEMT, colecionador de álbuns e figurinhas de futebol: “o encarecimento dos álbuns da Copa é resultado de uma combinação de fatores, mas o principal costuma ser o aumento no preço dos pacotinhos. Além disso, quando o número de páginas cresce por conta da expansão do torneio, aumenta também a quantidade de figurinhas necessárias para completar o álbum, elevando o custo total. A raridade de determinadas figurinhas pesa mais no mercado paralelo e entre colecionadores, mas para a maioria das famílias o maior impacto está mesmo no custo acumulado para completar a coleção”, explica Bortoleto. 

O hábito de colecionar figurinhas e completar álbuns pode indicar uma mudança de comportamento, já que os jovens estão cada vez mais ligados ao meio digital. Junto ao preço alto, isso pode diminuir a expectativa das novas gerações pelo novo álbum. “Ainda existe apelo entre os jovens, principalmente pelo aspecto social de troca, pertencimento e conexão com grandes eventos como a Copa do Mundo. O álbum continua forte como tradição, mas precisa se reinventar para manter relevância entre as novas gerações”, diz colecionador. 

Apesar dessa tendência, o hype do álbum nas redes sociais ganha força, com vídeos de abertura de pacotes e trocas, e mantém a relevância do produto na sociedade. Bortoleto defende que a Panini, editora italiana do álbum, deveria providenciar caminhos para melhor adaptação em regiões mais pobres, como o Brasil, trazendo estratégias mais econômicas e incentivo a pontos de trocas, fortalecendo a comunidade de colecionadores e manter viva essa cultura. “Na prática, esse processo de elitização já está acontecendo. Os preços atuais afastam muitas famílias”, afirma Bortoleto. Segundo ele, o que antes era uma tradição popular, acessível a diferentes classes sociais, hoje pesa mais no orçamento médio, especialmente pelo custo acumulado com pacotes e figurinhas repetidas. A experiência de viver a Copa está atrelada ao hábito de completar o álbum e criar laços nos momentos de troca de figurinhas, ajudando a jovens conectados ao celular a sair das telas, apesar da dificuldade no acesso ao álbum pelos altos preços.