A Copa do Mundo 2026 será a maior de todos os tempos. Com a participação de 48 seleções, o torneio acontece nos Estados Unidos, Canadá e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Confira os integrantes do Grupo J:
Argentina
A seleção argentina faz parte do grupo J, junto com Argélia, Áustria e Jordânia, adversários que em teoria não devem apresentar dificuldades para a atual campeã. A estreia será contra a equipe argelina, no dia 16 de junho, às 22h (horário de Brasília).
A Albiceleste vive uma boa fase, principalmente neste ciclo para 2026. Além do tricampeonato mundial na última edição, é a atual campeã da Copa América, chegando ao seu 16º título da competição. Nas Eliminatórias para o Mundial, foi líder absoluta com 38 pontos, nove pontos de vantagem para o segundo colocado, o Equador, vencendo 12 dos 18 jogos disputados.
O ciclo pré-Copa foi consistente. Em 2023, a tricampeã entrou em campo dez vezes e perdeu apenas uma partida, para o Uruguai. Em compensação, venceu a Seleção Brasileira em pleno Maracanã por 1 a 0. Em 2024, o bom momento continuou com o título da Copa América, sobre a Colômbia, garantindo o bicampeonato seguido da competição.
Em 2025, confirmou sua vaga para a Copa do Mundo de 2026 em uma goleada histórica sobre o Brasil por 4 a 1, mesmo sem Lionel Messi em campo. Após o fim das Eliminatórias, disputou cinco amistosos e venceu todos, porém parte dos torcedores e da imprensa questionou o nível dos adversários, que eram considerados fracos. Inclusive foi por essas vitórias contra seleções mais fracas que a Argentina caiu no ranking da FIFA para a terceira colocação.
Por ser a atual campeã da Copa América, existia a expectativa de disputar a Finalíssima contra a seleção da Espanha, atual campeã da Eurocopa. No entanto, não houve esse jogo por falta de acordo entre UEFA, CONMEBOL e a Associação de Futebol Argentino (AFA) sobre datas e local da partida. O jogo estava previsto para acontecer no Catar, mas a instabilidade no Oriente Médio devido a guerras dificultou a realização no país. Depois disso, divergências sobre a sede e o calendário das seleções impediram a realização da Finalíssima.
O capitão Lionel Messi, já veterano e atual campeão, chega a Copa do Mundo fazendo 39 anos durante a competição. Depois de muitas frustrações com a sua seleção, Messi agora vive dias de glória no seu país. Mesmo acumulando ótimos números no campeonato americano, pelo Inter Miami, Messi pode gerar dúvidas nos torcedores sobre conseguir ter um desempenho de alto nível, principalmente por estar longe do futebol europeu desde sua saída do Paris Saint-Germain.
Lionel Scaloni, técnico da seleção, chega à Copa do Mundo confiante em seu elenco e renovando parte do time. A chegada de jovens, como Nico Paz, Mastantuono, Thiago Almada e Giovanni Simeone, ganharam espaço neste ciclo. Por outro lado, não houve uma renovação no sistema defensivo e segue contando com jogadores experientes, como Otamendi, de 38 anos.
O que pode preocupar a seleção argentina durante a copa, já que segundo dados do Transfermarkt, a média de idade argentina gira em torno de 28 anos, enquanto seleções como França possuem média de 27, e a Espanha, 26,7. Além disso, a aposentadoria de Ángel Di María da seleção também representa uma perda importante, principalmente pelo protagonismo na campanha do título de 2022.
O setor mais consolidado da seleção é o meio-campo, com um trio consolidado entre Rodrigo de Paul, Enzo Fernandes e Alexis Mac Allister, que combina força física de marcação e aceleração na transição ofensiva. Para esta Copa, a profundidade do elenco aumentou com a entrada de Ezequiel Palácios, Giuliano Simeone, Tiago Almada, Franco Mastantuono ou Cláudio Echeverri. O meio campo argentino já demonstrou controle absoluto dessa região central em jogos decisivos e é uma das peças chaves, se não a principal, da equipe de Lionel Scaloni. Em comparação com 2022, a estrutura da Argentina deve ser mantida, com cerca de 17 jogadores do elenco campeão presente nesta Copa do Mundo.
Devido a condição física de Lionel Messi, já com 38 anos, há uma grande dúvida sobre como o time se comporta sem seu craque em campo. Porém, pelas Eliminatórias, a Albiceleste deu boas respostas mesmo sem seu capitão, como a goleada por 4 a 0 contra o Brasil e a vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, mostraram que a equipe possui alternativas dentro de seu próprio elenco, tanto para jogar sem Messi, quanto para o futuro da seleção.
Muito se aposta no craque Julián Álvarez, que é destaque nesta temporada pelo Atlético de Madrid. Ele é o principal cotado para assumir o protagonismo da nova geração argentina e seguir o legado de Messi. Álvarez, foi decisivo na última copa, marcando quatro gols, sendo dois na semifinal contra a Croácia. Agora o atacante de 26 anos é titular da equipe e é referência tanto na seleção, quanto no time espanhol.
Sobre a forma de jogar, a Argentina possui um meio-campo muito forte e estruturado, sendo uma das principais armas da equipe de Lionel Scaloni. A seleção costuma atuar com bloco compacto, pressão intensa sem a bola e agressividade na recuperação pós-perda.
Na construção ofensiva, geralmente realiza saída de bola com três jogadores, utilizando os dois zagueiros junto de um volante recuando entre eles, ou até o goleiro Emiliano Martínez. Com a ideia de atrair a pressão adversária para atacar espaços nas costas da linha da defesa.
Scaloni valoriza as triangulações por dentro na criação de jogadas entre laterais, meias e pontas. Lionel Messi costuma desacelerar a passada para receber entrelinhas, onde encontra espaço para criar chances para os atacantes Lautaro Martínez e Julián Álvarez atacarem em profundidade. Quando pressionada, a Argentina recorre à ligação direta de “Dibu” Martínez para disputarem fisicamente a posse de bola e sustentarem o ataque. Defensivamente, Messi possui poucas obrigações de marcação, ficando mais avançado e “engatilhado” para os contra-ataques.
Por outro lado, o modelo de jogo argentino também apresenta riscos, em especial a saída de bola que atrai a pressão adversária podendo ficar vulnerável, principalmente contra seleções mais qualificadas.
A Argentina é tricampeã mundial e protagonizou alguns dos episódios mais emblemáticos dos Mundiais. O principal deles aconteceu em 1986, quando Diego Maradona, ídolo nacional, marcou o polêmico gol da “Mão de Deus” contra a Inglaterra durante as quartas de final, usando a mão para abrir o placar em um dos jogos mais históricos da Copa. Na mesma partida, o argentino também marcou o chamado “Gol do Século”, driblando quase todo o time inglês.
Outra curiosidade envolve a Copa de 1990, quando surgiu a polêmica da “água batizada”. Após a eliminação do Brasil para a Argentina, o lateral Branco acusou a comissão argentina de oferecer uma garrafa de água com tranquilizante durante o jogo. Anos depois, o Maradona, que estava em campo, confirmou o episódio e virou uma das histórias mais controversas dos bastidores das Copas.
Toda essa mística em torno da seleção ajuda a explicar a força da torcida argentina, considerada uma das mais apaixonadas do mundo. Diferentemente das torcidas organizadas brasileiras, as argentinas possuem uma estrutura de hierarquia e financiamento para apoiar a Albiceleste. Na Argentina, o povo se une por uma questão de identidade nacional para torcer pela seleção, e agora sem o peso do jejum e sendo a atual campeã, o apoio à equipe de Lionel Scaloni se fortalece ainda mais.
Confira a lista de convocados para a Copa do Mundo 2026:
Goleiros: Emiliano Martínez (Aston Villa), Gerónimo Rulli (Olympique Marselha) e Juan Musso (Atlético de Madrid);
Defensores: Nahuel Molina (Atlético de Madrid), Gonzalo Montiel (River Plate), Cuti Romero (Tottenham), Otamendi (Benfica), Lisandro Martínez (Manchester United), Leonardo Balerdi (Olympique de Marselha), Nicolás Tagliafico (Lyon) e Facundo Medina (Olympique de Marselha);
Meio-campistas: De Paul (Inter Miami), Enzo Fernández (Chelsea), Paredes (Boca Juniors), Mac Allister (Liverpool), Valentín Barco (Strasbourg), Lo Celso (Betis), Exequiel Palacios (Bayer Leverkusen), Thiago Almada (Atlético de Madrid) e Nico Paz (Como);
Atacantes: Lionel Messi (Inter Miami), Nico González (Atlético de Madrid), Giuliano Simeone (Atlético de Madrid), Flaco Lopez (Palmeiras), Julián Álvarez (Atlético de Madrid) e Lautaro Martínez (Inter de Milão).
Argélia
A seleção argelina de futebol, reconhecida internacionalmente pelo apelido de "As Raposas do Deserto" (Les Fennecs), detém um retrospecto de relevância na história do esporte africano. Até o presente momento, o país classificou-se para quatro edições da Copa do Mundo FIFA: Espanha (1982), México (1986), África do Sul (2010) e Brasil (2014).
Embora não apresente o mesmo volume de participações de outras equipes do continente, como Camarões e Nigéria, a Argélia registrou resultados expressivos e recordes táticos em suas campanhas globais. Atualmente, a federação e a equipe técnica estruturam o ciclo preparatório com o objetivo de garantir vaga e um desempenho competitivo na Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.
A inserção da Argélia no cenário global de forma contundente ocorreu na Copa do Mundo de 1982, sediada na Espanha. A seleção norte-africana protagonizou um marco estatístico ao se tornar a primeira equipe do seu continente a derrotar uma seleção europeia na história da competição. A vitória ocorreu contra a Alemanha Ocidental pelo placar de 2 a 1, com gols de Rabah Madjer e Lakhdar Belloumi. Além deste feito, a Argélia foi a primeira seleção africana a registrar duas vitórias em uma única edição de Copa do Mundo, derrotando também a seleção do Chile.
Entretanto, a campanha foi encerrada na primeira fase devido a um evento esportivo que gerou intensa repercussão internacional, batizado pela imprensa europeia como o "Desastre de Gijón". Na rodada final do grupo, Alemanha Ocidental e Áustria entraram em campo cientes de que uma vitória alemã pela margem de exatos um ou dois gols de diferença classifica ambas as seleções, resultando na eliminação direta da Argélia. Após a Alemanha Ocidental abrir o placar aos dez minutos de jogo, as duas equipes diminuíram drasticamente a intensidade competitiva, limitando-se a trocar passes no meio-campo sem objetividade ofensiva até o encerramento da partida.
A eliminação da Argélia sob estas circunstâncias provocou uma revisão formal do regulamento por parte da FIFA. A entidade determinou que, a partir da Copa do Mundo de 1986, todos os jogos decisivos da última rodada da fase de grupos passassem a ser realizados de forma simultânea.
Esta regra é mantida até os dias atuais para evitar manipulações de resultados baseadas em vantagens matemáticas pré-calculadas. No ciclo seguinte, a seleção argelina confirmou sua consistência ao se classificar para o Mundial de 1986 no México, sendo a primeira nação africana a registrar participações consecutivas no torneio.
Apesar das glórias, o caminho da Argélia também é pavimentado por dores profundas. Após uma campanha desastrosa nas eliminatórias para a Copa da Rússia em 2018, terminando na amarga lanterna de um grupo que contava com Nigéria, Zâmbia e Camarões, a expectativa de redenção estava totalmente voltada para a Copa de 2022, no Catar.
A vaga seria decidida em um confronto de playoffs diretos e dramáticos contra o velho algoz: Camarões. O que aconteceu naqueles dias entrou para a história como um dos traumas esportivos mais brutais já vividos no continente.
No jogo de ida, disputado em solo camaronês, a Argélia mostrou enorme maturidade tática e venceu por 1 a 0, graças ao gol do veterano e artilheiro Islam Slimani. A vaga parecia nas mãos. O jogo de volta ocorreu no Estádio Mustapha Tchaker, na cidade argelina de Blida. Contudo, em um duelo tenso, Camarões devolveu o placar no tempo normal, com gol de Choupo-Moting, forçando a prorrogação. No tempo extra, aos 118 minutos, Ahmed Touba subiu mais alto que a defesa e marcou o gol de empate. A explosão de alegria tomou conta de Blida; o gol dava a classificação à Argélia.
Entretanto, no último lance da partida, Karl Toko Ekambi encontrou espaço na área argelina e marcou o gol da vitória por 2 a 1 para Camarões. Pelo critério de gols marcados fora de casa, a Argélia estava fora. A imagem que resumiu o fracasso de uma seleção que tinha tudo para brilhar no Catar foi a do ex-técnico e ídolo da nação, Djamel Belmadi.
O respeito imenso que a Argélia impõe hoje é fruto direto do talento de ídolos que desbravaram o mundo. Nomes que não são apenas lembrados, mas reverenciados. Lakhdar Belloumi é considerado, em consenso quase unânime, o maior jogador argelino de todos os tempos. Cerebral e elegante, o meia foi o grande craque da Argélia nos anos 1980 e a principal mente por trás da histórica vitória sobre a Alemanha Ocidental na Copa do Mundo de 1982.
Outro histórico é Rabah Madjer, tornou-se ídolo do FC Porto e entrou para a história do futebol mundial pelo lendário gol de calcanhar na final da Liga dos Campeões da Europa de 1987, sendo reconhecido como um dos maiores nomes africanos daquela década. Por sua vez, Djamel Belmadi, além de ter sido um jogador de grande qualidade, eternizou-se como o treinador que conduziu a seleção ao título da Copa Africana de Nações de 2019, disputada no Egito.
Hoje, a seleção argelina é um reflexo direto de sua diáspora e de sua cultura, caracterizada pela altíssima técnica individual, transições rápidas pelos lados do campo e uma forte e indissociável influência da escola francesa de formação, visto que muitos de seus talentos nascem ou jogam na França. A espinha dorsal da equipe conta com uma mistura invejável de veteranos consagrados e jovens sedentos por glória.
Riyad Mahrez é o grande emblema da geração moderna e atual capitão da seleção. O ponta de pé esquerdo é famoso por seus dribles desconcertantes, passes milimétricos e chutes colocados com curva. Ismaël Bennacer é fundamental tanto na articulação das jogadas quanto na intensa marcação,pois ele dita o ritmo da equipe atuando no mais alto nível do rigor tático do futebol italiano, já que atua no Milan.
A Argélia é o maior país da África em extensão territorial e está localizada no norte do continente, entre o Mar Mediterrâneo e o deserto do Saara. Cerca de 80% do território argelino é formado pelo Saara, enquanto a maior parte da população vive nas regiões do norte, onde o clima é mais favorável.
A cultura argelina é resultado da mistura de influências árabes, berberes, africanas, otomanas e francesas. O árabe é a língua oficial, mas o francês é bastante usado no cotidiano, principalmente em escolas, empresas e meios de comunicação. Além disso, muitas comunidades preservam línguas berberes tradicionais.
A culinária tem como destaque o cuscuz, considerado um dos pratos mais populares do país. Chá, café e doces também fazem parte da rotina, especialmente quando há visitas em casa. A hospitalidade é valorizada na sociedade argelina, e encontros familiares costumam ter bastante importância.
Na música, o estilo Raï se tornou um dos símbolos culturais da Argélia, principalmente a partir da cidade de Orã. O gênero ganhou projeção internacional com artistas como Cheb Khaled.
A Argélia busca agora renovar suas forças com a integração plena de talentos como Bennacer, Gouiri e Aouar, mesclados à genialidade cadenciada de Riyad Mahrez. O objetivo é exorcizar o fantasma de Blida e brilhar na América do Norte. As Raposas do Deserto têm plenas condições de não apenas sobreviver a este Grupo J, mas de avançar e, quem sabe, surpreender e ser a zebra da competição.
Veja a lista dos 26 argelinos convocados para a Copa do Mundo 2026:
Goleiros: Luca Zidane (Granada), Oussama Benbot (USM Alger), Melvin Mastil (Stade Nyonnais) e Abdelatif Ramdane (MC Alger);
Defensores: Rafik Belghali (Hellas Verona), Samir Chergui (Paris FC), Rayan Ait-Nouri (Manchester City), Jaouen Hadjam (Young Boys), Aissa Mandi (Lille), Ramy Bensebaini (Borussia Dortmund), Zineddine Belaid (JS Kabylie), Achref Abada (USM Alger) e Mohamed Amine Tougai (Espérance de Tunis);
Meio-campistas: Nabil Bentaleb (Lille), Hicham Boudaqui (Nice), Houssem Aouar (Al-Ittihad), Farès Chaibi (Frankfurt), Ibrahim Maza (Bayer Leverkusen), Yacine Titraoui (Royal Charleroi) e Ramiz Zerrouki (Twente);
Atacantes: Mohamed Amine Amoura (Wolfsburg), Nadhir Benbouali (Gyor), Adil Boulbina (Al-Duhail), Farès Ghedjemis (Frosinone), Amine Gouri (Olympique de Marseille), Anis Hadj Moussa (Feyenoord) e Riyad Mahrez (Al-Ahli).
Jordânia
Pela primeira vez em sua história, a seleção da Jordânia disputará a Copa do Mundo. “Os Cavalheiros”, como são conhecidos, foram uma das primeiras equipes a se classificar para o torneio e dentre as seleções estreantes eles foram os que tiveram os melhores resultados durante o ciclo.
Atuais Vice-Campeões da Copa da Ásia e da Copa Árabe, a equipe se classificou nas eliminatórias após passar de forma vitoriosa por um difícil grupo com a seleção da Árabia Saudita, que era uma das favoritas a passar de maneira antecipada. A equipe do treinador marroquino Jamal Sellami surpreendeu a todos e conquistou a inédita vaga no maior torneio futebolístico do planeta.
Em entrevista à AGEMT, a jornalista esportiva jordaniana Hiba Sabbagh descreveu o momento como mágico. Ela relata que a classificação mudou o cotidiano na Jordânia de forma muito emocionante. As ruas ficaram cheias de comemorações, carros carregando bandeiras jordanianas, famílias reunidas para assistir aos jogos e cafés lotados de torcedores. “Até mesmo pessoas que nunca tiveram interesse por futebol passaram a se conectar emocionalmente com a seleção nacional, porque sentiam que os jogadores representavam os sonhos de todo o país".
A Jordânia tem 11 milhões de habitantes e é uma nação que faz fronteira com diversos países que enfrentaram ou enfrentam conflitos armados severos, porém, se tornou um "oásis" em meio a uma região marcada por tensões geopolíticas. O país é mundialmente reconhecido pelo apoio a refugiados de diversas nações, mas principalmente com palestinos. Hiba comenta que “culturalmente, a Jordânia é um país construído sobre resiliência, hospitalidade e orgulho.” Ela destaca que os jordanianos permanecem unidos nos momentos difíceis, e esse espírito se reflete na seleção nacional. “O futebol tornou-se um espelho da personalidade jordaniana: humilde, mas ambiciosa; calma, mas apaixonada"
Conhecida por ser parte da Terra Santa e por abrigar uma das 7 maravilhas do mundo moderno, – Petra, a cidade rosa, que foi esculpida inteiramente em rochas pelos povos Nabateus – além de ter o ponto mais baixo da Terra, localizado a mais de 420 metros abaixo do nível do mar. O local tem uma concentração de sal tão alta que oferece uma experiência de flutuação na água. Agora o desafio da seleção da Jordânia é ser reconhecida não só pelas atrações turísticas, mas também pelo futebol.
Após começo ruim nas eliminatórias da Copa do Mundo, o presidente da Federação Jordaniana de Futebol, príncipe Ali Bin Al Hussein tem promovido mudanças estruturais severas no futebol jordaniano, que gradativamente vai colhendo os frutos das políticas estratégicas adotadas pelo mandatário.
O príncipe foi responsável por trazer treinadores de renome internacional e investir pesado na seleção principal. Embora nomes como Harry Redknapp tenham passado pelo time, foi a estabilidade do trabalho recente sob o comando do marroquino Jamal Sellami, que chegou após o sucesso de outro compatriota, Hussein Ammouta, que consolidou o estilo de jogo da equipe. O presidente afirma que sua grande inspiração de projeto esportivo é Marrocos, que despontou como potência na última Copa do Mundo, chegando na semifinal e ficando com a quarta colocação.
A grande virada de chave do futebol jordaniano chegou novamente com inspiração na fórmula marroquina. Com o investimento pesado na construção das Prince Ali Football Academies, que hoje funcionam sob uma visão renovada de padrões internacionais para identificar talentos em todas as províncias do país. Esse investimento permitiu o surgimento de uma geração talentosa, liderada pelo craque da seleção, Musa Al-Tamari, jogador do Rennes da França e apelidado de "Messi árabe".
A equipe tem um DNA tático muito claro, saber sofrer e se defender, e se organizar rapidamente após a retomada da posse de bola. Na fase ofensiva, o time adota um 4-2-3-1 bem leve e prioriza o vigor físico e transições rápidas. Defensivamente a equipe se posta em um 5-4-1 tentando ao máximo compactar as linhas defensivas para roubar a bola e partir para o contra-ataque. Porém, a equipe enfrenta grandes dificuldades na fase de recomposição após os contra-ataques, tendo a maior quantidade de gols sofridos em bolas longas nas costas da defesa.
Em sua estreia no maior palco mundial, a Jordânia irá encarar um desafio. Presente no grupo J do torneio, a equipe tem pela frente a atual campeã do mundo, a Argentina, e também enfrentará Áustria e Argélia.
Além de estrear em um grupo extremamente difícil, a seleção ainda está convivendo com uma onda de lesões de jogadores que foram importantes no ciclo da equipe para chegar a copa, um exemplo são os atacantes Yezan Al-Naimat e Ali Olwan, que vem se recuperando de lesões graves.
Porém, mesmo com estas complicações a população está em profundo estado de celebração. De acordo com Hiba, só da seleção estar disputando o torneio, os jordanianos se sentem extremamente gratos aos jogadores que estão proporcionando este momento ao povo. “O sentimento é muito mais profundo do que apenas celebração. Claro que há felicidade e empolgação, mas também existe orgulho, gratidão e um forte senso de pertencimento. Para eles, isso significa provar que sonhos podem se tornar realidade quando paixão, união e crença se unem.”, afirma a jornalista.
A seleção já havia ficado próxima da classificação para a Copa do Mundo de 2014, a Jordânia eliminou Nepal, China e Singapura nas fases iniciais e terminou apenas três pontos atrás da Austrália no grupo que valia a vaga no Mundial. Entretanto, os Cavalheiros ainda tinha a repescagem continental, na qual venceram o Uzbequistão, após uma disputa de pênaltis que teve dez cobranças para cada lado. Entretanto, no confronto internacional, acabaram sendo goleados pelo Uruguai por 6 a 0 em casa.
Confira a lista de convocados para a Copa do Mundo 2026:
Goleiros: Yazeed Abu Laila (Al-Hussein), Abdullah Al-Fakhouri (Al-Wehdat) e Nour Bani Attiah (Al-Faisaly);
Defensores: Abdallah Nasib (Al-Zawraa), Saed Al-Rosan ((Al-Hussein), Yazan Al-Arab (Seul), Saleem Obaid (Al-Hussein), Mohammad Abualnadi (Selangor), Husam Abu Dahab (Al-Salmiya); Ihsan Haddad (Al-Hussein), Anas Badawi (Al-Faisaly), Mohannad Abu Taha (Al-Quwa Al-Jawiya) e Mohammad Abu Hashish (Al-Karma);
Meio-campistas: Nour Al-Rawabdeh (Selangor), Nizar Al-Rashdan (Qatar SC), Ibrahim Sadeh (Al-Karma), Rajaei Ayed ((Al-Hussein), Amer Jamous (Al-Zawraa) e Mohammad Al-Dawoud (Al-Wehdat);
Atacantes: Mahmoud Al-Mardi (Al-Hussein), Musa Al-Taamari (Rennes), Mohammad Abu Zrayq (Raja CA), Ali Al-Azaizeh (Al-Shabab), Odeh Fakhouri (Pyramids), Ibrahim Sabra (Lokomotiva Zagreb) e Ali Olwan (Al-Sailiya).
Áustria
A Áustria é uma das 48 seleções que garantiram uma vaga na Copa do Mundo de 2026. A última participação do país na competição havia sido em 1998, quando foi eliminada ainda na fase de grupos sem vencer nenhuma partida. Este ano, os austríacos retornam à Copa no grupo J, da atual campeã Argentina e das seleções da Argélia e Jordânia.
Essa será a oitava participação da seleção europeia em Copas, que tenta voltar a vencer uma partida após 36 anos — o último triunfo ocorreu em 1990, quando bateu os Estados Unidos por 2 a 1. Apesar de não ser uma equipe de tradição no torneio, conquistou em 1954 sua melhor colocação na história: um terceiro lugar, diante de um Uruguai que era o maior campeão do mundo até então.
Desde o fim da última Copa do Mundo, a Áustria disputou 36 partidas divididas em amistosos e competições (Liga das Nações, Eliminatórias da Euro, Eurocopa e Eliminatórias da Copa). Os comandados do treinador Ralf Rangnick tiveram um desempenho acima do esperado ao longo dos últimos quatro anos. Na Liga das Nações, foram 2° lugar da Liga B, com chances de promoção para a Liga A. Nas eliminatórias da Euro, conquistaram o 2° lugar de seu grupo, garantindo vaga para a Eurocopa 2024. Já na Eurocopa, a equipe disputou as oitavas de final. E, por fim, conquistaram o 1° lugar de seu grupo nas eliminatórias da Copa do Mundo, garantindo uma vaga para o Mundial deste ano.
Até o momento, a seleção austríaca venceu 23 partidas, empatou sete e perdeu apenas seis jogos neste último ciclo de Copa do Mundo (ainda vão jogar dois amistosos contra Tunísia e Guatemala), resultando num aproveitamento de 70,4%.
Alguns jogadores que foram destaques pela equipe nas competições vão marcar presença no Mundial de 2026. Marko Arnautović é considerado por muitos o maior ídolo da história da Áustria. O centroavante passou a ter duas marcas invejáveis em seu currículo: é o jogador com maior número de partidas disputadas (132) e gols feitos (47) por sua equipe nacional. Foi um dos artilheiros deste ciclo, com 11 gols marcados. Michael Gregoritsch, ao lado de Arnautović, é uma das esperanças de gols na competição. Com 17 gols marcados, foi o artilheiro da equipe nos últimos quatro anos.
Pelo meio-campo, Marcel Sabitzer é um dos jogadores mais técnicos do elenco, com passagens por grandes equipes como Bayern de Munique, Manchester United e Borussia Dortmund, onde joga atualmente. O atleta tem contribuído com excelência em gols e assistências nas partidas que atua por sua seleção. Na lateral esquerda, David Alaba teve problemas sérios com lesões ao longo das últimas temporadas, mas mesmo assim é um jogador que pode vir a ser útil se estiver em boas condições físicas. O atleta já jogou pelo Bayern de Munique e Real Madrid. É versátil e pode atuar também como zagueiro e meio-campista, que o torna uma peça coringa no elenco.
A seleção austríaca conseguiu se encontrar com o treinador Rangnick, que esteve à frente do cargo neste ciclo inteiro de Copa. Com pouca tradição no futebol, esta é uma das gerações com maior potencial em toda sua história.
Apesar disso, não terá vida fácil neste mundial: enfrentará a Jordânia, atual vice-campeã das Copas da Ásia e Árabe; a Argentina, atual campeã do mundo, da Copa América e uma das favoritas a vencer o torneio; e a Argélia, que conquistou pelas Eliminatórias da África uma vaga na competição sem maiores dificuldades.
O novo formato da Copa do Mundo pode ajudar a Áustria a garantir uma vaga no mata-mata. São 48 seleções divididas em 12 grupos, as duas primeiras colocadas de cada grupo passam para a próxima fase, assim como as oito melhores terceiras colocadas. Ou seja, é preciso vencer ao menos uma das três partidas para sonhar com uma vaga na fase eliminatória.
Veja a lista de convocados da Áustria para a oitava participação em Mundiais:
Goleiros: Alexander Schlager, Florian Wiegele e Patrick Pentz;
Defensores: David Affengruber, Kevin Danso, Stefan Posch, David Alaba, Philipp Lienhart, Phillipp Mwene, Alexander Prass, Marco Friedl e Michael Svoboda;
Meio-campistas: Xaver Schlager, Nicolas Seiwald, Marcel Sabitzer, Florian Grillitsch, Carney Chukwuemeka, Romano Schmid, Christoph Baumgartner, Konrad Laimer, Patrick Wimmer, Paul Wanner e Alessandro Schopf;
Atacantes: Marko Arnautović, Michael Gregoritsch e Sasa Kalajdzic.