AGEMT na Copa: conheça as seleções do grupo H

Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde disputam a competição com outras 44 seleções
por
Kaleo Ferreira
Jorge Zats
Pedro Premero
Pedro Timm
|
17/06/2026 - 12h

O Grupo H da Copa do Mundo é o único desta edição com duas seleções campeãs mundiais. A Espanha, uma das favoritas ao título, busca seu bicampeonato. Já o Uruguai tenta se reerguer e voltar ao topo do mundo após 76 anos. O grupo também tem a Arabia Saudita com objetivo de superar sua melhor campanha, em 1994, quando chegou às oitavas, e o inédito arquipelogo Cabo Verde.

Espanha

A Espanha chega para sua 17ª Copa do Mundo em busca do bicampeonato. Campeões em 2010, em cima da Holanda, na África do Sul, os espanhóis são um dos favoritos para levantar o troféu. A seleção busca uma campanha melhor em relação à edição anterior, quando caíram nas oitavas para o Marrocos, nos pênaltis.

A imagem mostra o elenco da Espanha no pós-classificação
La Furia está em segundo no ranking da FIFA, atrás apenas da França. Reprodução: Instagram/@sefutbol

Antes do primeiro título mundial, a La Roja era uma seleção modesta. Tinha apenas um título de Eurocopa, em 1964, e não era uma seleção tão presente no mundial até 1978. Porém, da década de 80 para cá, foram treze participações seguidas. Além disso, nesse período, a Espanha teve uma geração de ouro que encheu a sala de troféus.

Entre 2008 e 2012, a Espanha dominou os campeonatos de seleções. O primeiro título foi a Euro 2008, após uma seca de 44 anos sem títulos. Após a conquista, Luis Aragonés deixou o cargo de técnico. Vicente del Bosque assumiu e levou La Furia para o título inédito da Copa em 2010, na África do Sul, quando venceu a final sobre a Holanda por 1 a 0, gol de Andrés Iniesta. A hegemonia permaneceu até a conquista da Euro 2012. Nesse período teve nomes como Casillas, Xavi, Iniesta e Fernando Torres, que encantaram o mundo ao derrotar seleções tradicionais como Alemanha, Itália e Holanda durante essa dinastia.

Apesar de toda empolgação com os títulos, as competições seguintes foram decepcionantes. Na Copa de 2014, no Brasil, os então campeões mundiais não passaram da fase de grupos, etapa em que ganharam apenas da Austrália e tomaram um 5 a 1 da Holanda, jogo marcado na história das Copas pelo gol de peixinho de Robin van Persie. Já na Euro de 2016, a La Fúria não liderou seu grupo e foi eliminada nas oitavas para a Itália. Os péssimos resultados culminaram na saída do lendário del Bosque da seleção.

Após a demissão, a Espanha passou por muita instabilidade no comando técnico. Julen Lopetegui (2016-2018), Fernando Hierro (2019) e Luis Henrique (2018-2022) não conseguiram boas atuações nos campeonatos seguintes e não continuaram no cargo.

Porém, a La Roja reencontrou o caminho das conquistas. Desde dezembro de 2022, após a Copa, no comando da seleção, Luis de la Fuente foi responsável pela reconstrução da equipe. O técnico conseguiu achar o equilíbrio de jovens jogadores, como Lamine Yamal, com atletas mais experientes, como o Carvajal. Até agora, de la Fuente e seus comandados conquistaram a Liga das Nações 2022/23, contra a Croácia, e a Eurocopa de 2024, diante da Inglaterra, além do vice da Liga das Nações 2024/25 para Portugal, nos pênaltis.

Nas eliminatórias europeias, os espanhois não tiveram dificuldades para passar em primeiro no grupo E e garantir a vaga direta para os EUA, México e Canadá. A tendência é que a La Roja passe pelas eliminatórias da Copa e chegue forte no mata-mata.

Curiosidades

A Espanha ganhou o apelido de “La Fúria” nas olimpíadas de 1920, na Antuérpia, na Bélgica. Os espanhóis chegaram para o campeonato sem expectativas, porém, eles mostraram um futebol muito ofensivo e conquistaram a medalha de prata. Um jornal holandês comparou o estilo de jogo da equipe com a fúria da invasão espanhola realizada em 1576, na Antuérpia, no qual saquearam o local.

Agora sobre o país, o território espanhol tem 50 cenários naturais e culturais considerados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio da Humanidade, incluindo maravilhas arquitetônicas, cidades históricas e belezas naturais. 

O país também tem seis idiomas oficiais: espanhol, catalão, galego, basco, valenciano e aranês. Também há dialetos que não possuem status cooficial, mas são falados e protegidos localmente, como o asturiano e o aragonês.

Além disso, há um costume na população chamado “Siesta”, no qual lojas e mercados fecham durante duas horas para descansar. O objetivo é recuperar as energias e evitar trabalhar no pico de calor.

Estilo de jogo e elenco

A seleção espanhola joga em um sistema tático base 4-3-3, priorizando o controle através da posse de bola, mas de forma muito mais vertical e agressiva do que o tradicional tiki-taka. A equipe combina intensidade, velocidade pelos flancos e pressão no campo ofensivo. 

Lamine Yamal, de apenas 18 anos, é o principal destaque desse time da Espanha. Golden Boy em 2024, duas vezes vencedor do Troféu Kopa e atual segundo melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA e a France Football, o ponta do Barcelona se destaca pelos dribles, pela velocidade, pelo chute potente com efeito e pelos gols em momentos decisivos.

Além dele, La Furia tem peças no meio campo de de clubes da elite europeia com uma qualidade muito acima da média em relação às outras seleções: Pedri, Rodri, Merino, Fabián Ruiz, Zubimendi, Gavi e Baena.

Convocados

A surpresa do anúncio de Luis de la Fuente foi a não convocação de jogadores do Real Madrid, algo inédito na história da seleção. Nas outras 16 participações, havia ao menos um jogador do time Merengue. 

Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal) e Joan García (Barcelona);

Defensores: Cucurella (Chelsea), Grimaldo (Bayer Leverkusen), Paul Cubarsí (Barcelona), Aymeric Laporte (Athletic Bilbao), Marc Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham);

Meio-campistas: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Martín Zubimendi (Arsenal), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal);

Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).

Uruguai

O Uruguai chega na Copa do Mundo em busca de se redimir do fiasco do último mundial. Em 2022, no Catar, o país foi eliminado na fase de grupos ao empatar o último jogo em 0 a 0 contra a Coreia do Sul, que avançou em segundo do grupo, junto com Portugal. 

O time de Diego Alonso, demitido após a competição, não teve um desempenho satisfatório. A equipe era considerada favorita a avançar para as oitavas em seu grupo, juntamente com os gajos, mas decepcionou seus torcedores.

A imagem mostra o elenco do Uruguai na foto pré-jogo do amistoso contra a Inglaterra
A Celeste Olímpica vai disputar sua 15ª Copa. Reprodução: Instagram/@aufoficial

O Uruguai já se sagrou duas vezes campeão do Mundo. O primeiro título foi na edição inaugural da competição da FIFA, em 1930. A seleção vinha de dois títulos olímpicos, em 1924 e 1928 e foi escolhida para sediar a competição. 

Para a realização da Copa, o Estádio Centenário foi construído em homenagem aos 100 anos da independência do país. Na final, jogada no lendário estádio, os uruguaios venceram a Argentina por 4 a 2 na frente de um público de 93 mil pessoas. Gols de Dorado, Cea, Iriarte e Castro.

O segundo título veio 20 anos depois, em 1950. A Copa foi realizada no Brasil, e de virada a Celeste venceu os donos da casa e se sagraram a segunda seleção bicampeã da Copa do Mundo (Itália venceu em 1934 e 1938). O jogo final foi realizado no Maracanã e ficou conhecido como “Maracanazo” pelo placar heroico e inesperado da seleção uruguaia. Os gols marcados foram de Schiaffino e Ghiggia. 

Depois do título em 1950, o Uruguai nunca mais chegou a uma final de Copa do Mundo, batendo na semifinal três vezes: 1954, 1970 e 2010. 

Um momento marcante que a seleção uruguaia vivenciou em Copas do Mundo foi em 2010. Nas quartas de final, a Celeste enfrentou Gana, umas das surpresas daquela edição, em um dos jogos mais emocionantes que o mundo já viu. 

Contrariando as expectativas, a seleção africana abriu o placar com um golaço de fora da área de Muntari. O empate do Uruguai veio com o craque da competição Forlán em uma cobrança de falta cheio de curva. 

O ápice do jogo veio apenas na prorrogação. No último minuto de jogo os ganeses tiveram uma oportunidade clara de gol e Luís Suárez salvou duas vezes em cima da linha, a segunda, porém, de mão. Uma das defesas mais bonitas da Copa. O árbitro, Olegário Benquerença, marcou a penalidade máxima e expulsou o atacante uruguaio. Asamoah Gyan foi para a cobrança de segurança e chutou forte no meio, porém acertou o travessão e a bola subiu para a arquibancada. Luisito vendo o jogo da entrada do vestiário, se tornou heroi nacional e comemorou efusivamente. 

Porém o jogo não havia terminado, tinham os pênaltis. Uruguai, com as energias renovadas, abriram o placar com Forlán. Gyan, diferentemente do pênalti recém cobrado, marcou para Gana. Victorino e Appiah marcaram para a Celeste e Estrelas Negras, respectivamente. Scotti marcou para os sul-americanos, enquanto Muslera pegou a cobrança de Mensah. Pereira teve a chance de cravar a vaga, mas bateu com força e isolou, porém a penalidade de Adiyiah parou no paredão uruguaio. O pênalti decisivo veio com Sebastian “Loco” Abreu, que com frieza, e um pouco de loucura, cobrou com cavadinha e classificou seu país às semifinais.  

Para a Copa do Mundo de 2026 o sentimento é parecido com o de 2022. É esperado uma classificação tranquila do Uruguai na primeira fase. Já na fase de mata-mata é uma equipe que pode surpreender seleções consideradas favoritas.

O ciclo inteiro foi comandado pelo técnico Marcelo Bielsa, desde maio de 2023. A Bicampeã do mundo se classificou, com tranquilidade, na quarta posição nas eliminatórias da América do Sul. Foram 18 partidas, sete vitórias, sete empates e quatro derrotas. 

As atuações marcantes foram: a vitória contra o Brasil, na quarta rodada. O triunfo na quinta rodada fora de casa contra a Argentina, jogo na La Bombonera. A vitória contra a Colômbia na 11ª rodada com gol nos acréscimos do segundo tempo. 

Em 2024, a seleção sofreu um grande baque para a continuidade do ciclo, Luis Suárez, maior artilheiro da seleção uruguaia (69 gols) se aposentou dos seus serviços com seu país após enfrentar o Paraguai na sétima rodada. Com a aposentadoria da seleção de Suárez e de Cavani, também em 2024, a dificuldade em marcar gols tem sido o maior desafio da Celeste.

Após o fim das eliminatórias, em setembro de 2025, o Uruguai jogou seis amistosos preparatórios para a Copa do Mundo. Entretanto, os jogos geram preocupação: apenas duas vitórias em outubro de 2025 contra a República Dominicana e Uzbequistão. Desde lá, quatro jogos, três empates contra México, Inglaterra e Argélia, e uma derrota por 5 a 1 para os Estados Unidos.

Curiosidades

Ainda que sejam bicampeões da Copa do Mundo, a camiseta do Uruguai exibe quatro estrelas e diversos torcedores esbanjam quatro títulos mundiais, considerando assim a seleção como tetracampeã. As duas primeiras estrelas vem das Olimpíadas de 1924 (Paris) e de 1928 (Amsterdã), já as outras duas vem das Copas do Mundo de 1930 e de 1950.

A questão do tetracampeonato mundial se dá pela não existência da Copa do Mundo, quando a Celeste ganhou as Olimpíadas. Considerando isso, o Uruguai, se autointitula tetracampeão considerando as Olimpíadas como campeonatos mundiais, já que foram as primeiras que permitiram a participação de jogadores profissionais. 

Estilo de jogo e elenco

Dentro de campo Bielsa gosta de variar suas escalações, porém com padrão definido. Ele monta seus jogadores normalmente em um 4-3-3, sua formação favorita, variando às vezes para o 4-2-3-1, e nas partidas mais recentes utilizou a 4-4-1-1. O argentino tem como característica um futebol propositivo e ofensivo, caracterizado pela constante pressão alta e pressão pós-perda. 

Uma das características que o argentino mais valoriza em seus jogadores é a polivalência. Ele gosta de jogadores que consigam atuar em mais de uma posição em campo e exercer diversas funções. Outra característica dos times treinados por Bielsa são os pontas bem abertos dando amplitude ao time, junto com a liberdade de movimentação dos seus jogadores. O técnico aprecia um futebol que busca o gol a todo momento e que não seja muito posicional.

A geração uruguaia para a Copa de 2026 tem o craque Fede Valverde, meio campista do Real Madrid, conhecido pela capacidade de se adaptar em campo e render em diversas posições. 

Ronald Araújo é peça importante na defesa uruguaia e pode cumprir mais de uma função, como a de lateral exercida em alguns jogos do Barcelona. Junto dele tem José María Giménez, zagueiro de 31 anos do Atlético de Madrid, o capitão uruguaio. Fernando Muslera, atualmente no Estudiantes e goleiro histórico da Celeste, já disputou quatro Copas do Mundo e é um dos líderes do elenco.

Darwin Nunez, do Al-Hilal, é o nome esperado para comandar o ataque uruguaio. Existe grande expectativa para que o atacante assuma a responsabilidade de fazer gols, que nas últimas copas foi de Forlán, Cavani e Suárez.

Outros nomes como Arrascaeta, Maxi Araújo, Facundo Pellistri, Nicolás De La Cruz, Nahitan Nández são de grande importância para El Loco.

Convocados

Goleiros: Sergio Rochet (Internacional), Fernando Muslera (Estudiantes) e Santiago Mele (Monterrey);

Defensores: Guillermo Varela (Flamengo), Ronald Araujo (Barcelona), José María Giménez (Atlético de Madrid), Santiago Bueno (Wolverhampton), Sebastián Cáceres (América-MEX), Mathías Olivera (Napoli), Joaquín Piquerez (Palmeiras) e Matías Viña (River Plate);

Meio-campistas: Manuel Ugarte (Manchester United), Emiliano Martínez (Palmeiras), Rodrigo Bentancur (Tottenham), Federico Valverde (Real Madrid), Agustín Canobbio (Fluminense), Juan Manuel Sanabria (Real Salt Lake), Giorgian De Arrascaeta (Flamengo), Nicolás de la Cruz (Flamengo), Rodrigo Zalazar (Sporting), Facundo Pellistri (Panathinaikos), Maximiliano Araújo (Sporting) e Brian Rodríguez (América-MEX);

Atacantes: Rodrigo Aguirre (Tigres), Federico Viñas (Oviedo) e Darwin Núñez (Al-Hilal).

Arábia Saudita

A Arábia Saudita tem um caminho complicado pela frente no grupo H, mas o sonho de uma campanha histórica que supere a de 26 anos atrás segue. A melhor participação da seleção foi em 1994, quando avançaram até as oitavas de final.

Essa será a sétima Copa do Mundo que o país vai disputar. Na última edição, os sauditas venceram de forma histórica a Argentina na estreia. A vitória por 2 a 1, sobre a seleção que veio a ser campeã, foi muito celebrada no país, inclusive foi decretado um feriado nacional pelo rei.

A imagem mostra o elenco da Arabia Saudita tirando a foto pré-jogo
Essa é a terceira participação consecutiva da Arabia Saudita. Reprodução: Instagram/@saudint

A seleção também chega com novidade na lateral do campo, Georgios Donis, ex-jogador grego, foi anunciado como novo técnico no dia 23 de abril de 2026. O comandante treinava times do campeonato saudita desde 2021, com seu último trabalho sendo no Al-Khaleej.

Curiosidades

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, e detém uma grande parte das reservas mundiais do recurso, o que coloca o país em uma posição de grande importância no cenário global.

Atualmente com os conflitos no Oriente Médio, o país enfrenta dificuldades, tanto com a mobilização do petróleo, quanto com a infraestrutura da produção. Os preços do produto vêm disparando, e a busca por rotas alternativas e a limitação da exportação são necessárias.

O conflito, também afeta o campeonato nacional saudita, gerando incerteza e insegurança ao projeto de alto investimento que vem sendo feito no esporte. Existe possibilidade de que jogadores deixem seus times após a Copa do Mundo, o que seria um grande problema para o projeto.

Sport washing

Um fator negativo dos investimentos absurdos que vêm sendo feitos no futebol, pelo governo saudita, é a questão do “sport washing". A expressão se refere a quando um governo ou uma corporação desvia a atenção de violações de direitos humanos, corrupção e escândalos utilizando o esporte como distração. 

Isso já foi feito e vem se tornando perceptível em alguns países. Um dos casos em que essa questão se tornou visível foi a Copa de 2022 no Catar, onde foi utilizado mão de obra escravizada nas construções da competição. A Arabia Saudita será a sede de 2034. Uma Copa do Mundo disputada no país será uma grande distração para as questões de violação dos direitos humanos que surgem, como o plano do governo de construir uma cidade apenas para a competição, algo que foi feito na Copa do Catar. Essas questões em relação a Arábia Saudita não são algo atual. O país sempre foi um regime monárquico absoluto teocrático.

O país também vem sendo criticado em anos recentes, pelo histórico de desrespeito aos direitos humanos, como a posição inferior das mulheres dentro da sociedade saudita e a discriminação religiosa, algo muito forte no país, além da falta de libertade política e de credo. Fatores percebidos no fato de a Arábia Saudita ser o único país arábe que nunca teve eleições, além de ser um dos poucos países a não aceitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Estilo de jogo e elenco

O estilo de jogo que será adotado por Donis ainda é dúvida, mas a expectativa é de que não se distancie muito do trabalho anterior de Hervé Renard (2024-2026). A Arábia Saudita deve vir para a Copa jogando com um sistema próximo do 5-4-1, com três zagueiros e um estilo mais defensivo, algo que foi utilizado nas eliminatórias.

A expectativa é de duas posturas nas partidas da fase de grupos. Contra Espanha e Uruguai, mais tradicionais na competição e com elencos mais estrelados, a Arábia Saudita jogará com um bloco baixo, apostando em contra-ataques rápidos. Por outro lado, na partida contra Cabo-Verde, a seleção pode trazer um esquema mais ofensivo, utilizando da agilidade do time, tendo boas opções pelas alas.

Alguns nomes que criam expectativa para a Copa são Salem Al-Dawsari, capitão da seleção nas últimas convocações. O jogador tem dez gols e dez assistências na temporada atual, em que está jogando pelo Al-Hilal. Outro destaque para a seleção é Saud Abdulhamid, lateral direito que atua no Lens da França. Ele é o primeiro atleta saudita a atuar na Ligue 1.

Essa presença de jogadores sauditas em outras ligas, além das nacionais, é algo incomum, e atualmente se torna pouco a pouco uma questão para a seleção.

Nos últimos anos, ocorreram diversas movimentações de grandes nomes do futebol europeu para o Campeonato Saudita. Essas transferências, que por um lado, aumentaram a atenção no futebol do país, se tornaram um pouco negativas para a seleção, devido ao fato de que a imensa maioria dos jogadores da Arábia Saudita atuam no próprio país. Com isso muitos atletas da seleção perderam minutagem nos seus clubes, mas seguem sendo convocados.

Convocados

Goleiros: Ahmed Al Kassar (Al-Qadsiah), Mohammed Al Owais (Al-Ula) e Nawaf Al Aqidi (Al-Nassr);

Defensores: Saud Abdulhamid (Lens), Mohammed Abu Al Shamat (Al-Qadsiah), Khalid Al Ghannam (Al-Ettifaq), Moteb Al Harbi (Al-Hilal), Abdulelah Al Amri (Al-Nassr), Nawaf Boushal (Al-Nassr), Hassan Kadesh (Al-Ittihad), Ali Lajami (Al-Hilal), Ali Majrashi (Al-Ahli), Hassan Tambakti (Al-Ahli) e Jehad Thikri (Al-Qadsiah);

Meio-campistas: Nasser Al Dawsari (Al-Hilal), Alaa Al Hajji (Neom), Ziyad Al Johani (Al-Ahli), Musab Al Juwayr (Al-Qadsiah), Abdullah Al Khaibari (Al Nassr), Mohammed Kanno (Al-Hilal), Sultan Mandash (Al Hilal) e Ayman Yahya (Al-Nassr);

Atacantes: Feras Al Brikan (Al-Ahli), Salem Al Dawsari (Al-Hilal), Abdullah Al Hamdan (Al-Nassr) e Saleh Al Shehri (Al-Ittihad).

Cabo Verde

Uma seleção começa a chamar atenção nos bastidores do futebol internacional: A Seleção de Cabo-Verde. Representando um pequeno arquipélago localizado no Atlântico, o país vem construindo nos últimos anos uma trajetória marcada de organização, evolução técnica e competitividade crescente no cenário africano.

A imagem mostra o elenco de Cabo Verde tirando a foto pré-jogo
Cabo Verde é o segundo menor país em extensão territorial a disputar a Cola, atrás alenas do Curaçau. Reprodução: Instagram/@fcfcomunica

A classificação para o Mundial não é apenas mais uma conquista, é um marco inédito. Cabo Verde nunca havia disputado uma Copa do Mundo. O feito coloca o arquipélago ao lado de gigantes do futebol mundial pela primeira vez em sua história, tornando a participação em 2026 um momento sem precedentes para o país e para os seus mais de 500 mil habitantes.

Cabo Verde se tornou uma das menores nações da história a disputar a Copa, feito que ganha ainda mais peso pelo caminho percorrido: A equipe superou seleções tradicionais do futebol africano, como Camarões, e terminou na liderança de seu grupo nas eliminatórias.

O desempenho recente também ajuda a explicar o crescimento da expectativa em torno da seleção. Nas últimas edições da Copa Africana das Nações (CAN), o país mostrou que não chegou ao cenário atual por acaso. A equipe passou a frequentar fases decisivas do torneio e consolidou sua imagem como uma adversária difícil de ser batida. A classificação para a Copa de 2026 surge, portanto, como resultado de um processo gradual de amadurecimento esportivo e não como uma surpresa isolada.

A história do futebol cabo-verdiana é relativamente recente quando comparada à das grandes potências do continente, levando décadas para ganhar protagonismo. Filiada à FIFA apenas em 1986, durante muitos anos a seleção viveu à sombra de equipes mais tradicionais da África.

Diante de adversários de maior tradição, o grupo H representa tanto um teste quanto uma vitrine para uma seleção que chega pela primeira vez ao maior palco do futebol mundial.

A estreia na Copa representa o ponto mais alto dessa trajetória, Cabo Verde chega sem favoritismo, mas com o status de uma das histórias mais curiosas e inspiradoras da competição. Para muitos, os Tubarões Azuis podem ser uma das grandes surpresas do ano, carregando a esperança de um povo que vê no futebol uma forma de afirmar sua identidade diante do mundo.

Para um país que demorou décadas para ser notado no mapa do futebol mundial, chegar a uma Copa do Mundo já seria motivo de celebração. Seja qual for o resultado dentro de campo, o arquipélago já garantiu algo que nenhum placar pode apagar, seu lugar na história do esporte mais popular do planeta.

Curiosidades

Antes de falar de futebol, vale conhecer um pouco mais sobre o chão que deu origem aos “Tubarões Azuis”, como são conhecidos. Cabo Verde é um pequeno arquipélago africano situado a cerca de 500 quilômetros da costa da África Ocidental, próximo ao Senegal, composto por 10 ilhas habitadas e vários ilhéus, cada um com características próprias.

Há mais cabo-verdianos fora do país do que dentro, principalmente em Portugal. Esse fenômeno tem impacto direto no futebol, boa parte dos jogadores convocados cresceu ou se formou fora do arquipélago.

O país é o berço da morna, gênero musical que se tornou Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Em cidades como Mindelo, na Ilha de São Vicente, a música está em toda parte, como bares, restaurantes e ruas. 

“Morabeza” é uma palavra muito utilizada no país, sem tradução literal, mas que resume o espírito dessa população: uma mistura de gentileza, alegria e hospitalidade que faz qualquer visitante se sentir em casa. Não é à toa que os torcedores levam esse espírito para as arquibancadas, e os atletas carregam esse nome no peito ao carregar o nome do país.

Estilo de jogo

Os cabo-verdianos deixaram de ser apenas uma equipe emergente para se transformar em uma seleção respeitada dentro das eliminatórias africanas. Com uma geração formada por atletas que atuam em ligas europeias, especialmente em Portugal, França e Bélgica, Cabo Verde aposta na disciplina tática e na intensidade física como armas para surpreender adversários tradicionais do continente.

A proposta de jogo do técnico Pedro Brito, Bubista, encontra inspiração na intensidade do futebol sul-americano. Ele é admirador de Marcelo Bielsa, treinador argentino, e o considera como um grande mestre e um pai para o futebol, assim impregnando a equipe com um ritmo vertical, dinâmico e de muito sacrifício físico. A equipe acumula 47% de aproveitamento em vitórias ao longo de 60 partidas, com média de 1,62 pontos por jogo, números que traduzem consistência e não sorte.

O sistema base é o 4-2-3-1 como formação de contenção, que muda com facilidade para um 4-3-3 agressivo ao recuperar a posse. A organização tática é a maior virtude do combinado insular, divisão lógica de zonas e contra-ataques rápidos quando surgem oportunidades, um estilo adequado a equipes que não contam com os mesmos recursos das grandes potências.

Entre os principais nomes da história recente estão atletas como Ryan Mendes, referência ofensiva e um dos rostos da seleção nos últimos anos; e o goleiro Vozinha, figura experiente e símbolo da solidez defensiva da equipe. Esses jogadores ajudaram a consolidar a identidade competitiva do time, mesclando experiência internacional com o orgulho de representar um país pequeno, mas cada vez mais presente no mapa do futebol mundial.

Convocados

Goleiros: Josimar Dias - Vozinha (GD Chaves), Márcio da Rosa (FC Montana) e Carlos Santos (San Diego FC);

Defensores: Steven Moreira (Columbus Crew), Wagner Pina (Trabzonspor), Sidny Cabral (Benfica), Logan Costa (Villarreal), Roberto Lopes (Shamrock Rovers), Kelvin Pires (SJK Seinäjoki), Ianique Tavares (União Torreense) e Edilson Borges (Al-Bataeh CSC);

Meio-campistas: Jamiro Monteiro (PEC Zwolle), Deroy Duarte (Ludogorets Razgrad), Kevin Pina (Krasnodar), Laros Duarte (Puskás Akadémia), Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães), Yannick Semedo (SC Farense) e João Paulo Fernandes (Steaua Bucareste);

Atacantes: Garry Rodrigues (Apollon Limassol), Jovane Cabral (Estrela da Amadora), Ryan Mendes (Iğdır FK), Nuno da Costa (Başakşehir FK), Dailon Livramento (Casa Pia AC), Gilson Benchimol (Akron Togliatti), Willy Semedo (Omonia Nicosia) e Hélio Varela (Maccabi Tel Aviv).

Jogos do grupo H

Dia 15

Espanha X Cabo Verde, às 13h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;

Arabia Saudita X Uruguai, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;

Dia 21

Espanha X Arabia Saudita, às 13h (horário de Brasília), Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;

Uruguai X Cabo Verde, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;

Dia 26

Uruguai X Espanha, às 21h (horário de Brasília), no Estadio Akron, em Guadalajara, México;

Cabo Verde X Arabia Saudita, às 21h (horário de Brasília), no NRG Stadium, no Houston, Estados Unidos.