AGEMT na Copa: Conheça o grupo F

Holanda, Japão, Suécia e Tunísia disputam a competição com outras 44 seleções.
por
Gabriel Thomé
João Moura
Maria Mielli
Rafael Jorge
|
16/06/2026 - 12h

O Grupo F é composto por seleções já familiarizadas com o mundial. Todas buscam seu primeiro título na Copa do Mundo de 2026. As equipes, já experientes, entram em um clima competitivo entre si e geram muita expectativa de suas respectivas torcidas para ir longe na competição. 

HOLANDA

A seleção holandesa de futebol possui tradição no futebol e se posiciona como uma das mais competitivas do mundo. A Holanda ocupa a sexta posição do ranking Fifa de seleções à frente de equipes já campeãs mundiais, como Alemanha e Uruguai.

A equipe dos Países Baixos já se classificou para doze mundiais, incluindo o de 2026. Apesar de não ter nenhum título, a seleção neerlandesa detém três vice-campeonatos como sua melhor campanha, em 1974, 1978 e 2010, em que foram superados por Alemanha Ocidental, Argentina e Espanha, respectivamente. A Laranja Mecânica vem para sua segunda participação consecutiva em mundiais, uma vez que, de forma vergonhosa, não se classificou em 2018, quando foi superada nas eliminatórias europeia pela França e Suécia. O histórico holandês na Copa do Mundo é de 55 jogos, 30 vitórias,14 empates e 11 derrotas.

O maior artilheiro da Holanda em Copas é o atacante Johnny Rep, com 7 gols marcados entre 1974 e 1978.  Wesley Sneijder e Robin van Persie dividem o recorde de mais partidas pela seleção neerlandesa em mundiais. Ambos disputaram 17 partidas em três edições da Copa do Mundo, de 2006 a 2014.

O país europeu teve a sua “geração de ouro” no final do século XX, quando foram vice-campeões duas vezes consecutivas. Liderados pelo atacante Johan Cruyff e pelo técnico Rinus Michels, o futebol holandês encantava quem assistia. No mundial de 1974, a Holanda superou, com certa facilidade, o Uruguai e o Brasil, duas das melhores seleções do mundo na época. Nesta mesma Copa, surgiu o apelido “Laranja Mecânica”, usado até os dias de hoje. Esse apelido faz referência ao filme “Laranja Mecânica” associando a cor laranja do uniforme e o estilo de jogo extremamente organizado e “mecânico” do time, que lembrava a precisão de uma máquina. 

Hoje em dia, a seleção dos Países Baixos segue com nomes de destaque, em que quase todos seus jogadores disputam os melhores campeonatos do mundo. O principal atleta e capitão da equipe é o zagueiro Virgil Van Dijk, que atua no Liverpool (ING). Virgil ficou em segundo lugar na Bola de Ouro de 2019 e venceu, neste mesmo ano, o prêmio de melhor jogador do mundo da UEFA. Além dele, outros nomes de destaque são os meio campistas Ryan Gravenberch e Frenkie de Jong, respectivamente do Liverpool (ING) e Barcelona (ESP), além do atacante Memphis Depay, do Corinthians, que é o maior artilheiro da história da seleção.

 

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Seleção holandesa ganha da Noruega em amistoso pré Copa do Mundo. Foto: Reprodução Instagram / @onsoranje

 

Nos últimos dois mundiais de que participaram, eram treinados pelo experiente treinador Louis van Gaal, que se aposentou após o mundial de 2022. No evento em questão, a Holanda caiu nas quartas de final para a Argentina, a atual campeã, nas penalidades após um empate heróico em 2 a 2. Os holandeses começaram perdendo de 2 a 0, mas com um “doblete” de Wout Weghorst, o jogo foi para a prorrogação. Em 2014 a equipe foi derrotada no último jogo antes da final. Curiosamente, a eliminação também foi para a Argentina nos pênaltis, mas dessa vez o jogo se encerrou sem gols.

Treinados por Ronald Koeman, a Holanda está sem perder uma partida desde outubro de 2024, quando foi derrotada por 1 a 0 pela Alemanha pela UEFA Nations League. Koeman disputou em 2026 seu primeiro mundial como treinador. Ele mantém a equipe em um esquema tático padrão, uma 4231, com dois pontas de velocidade e dois laterais que ajudam ofensivamente. Com transições rápidas, tabelas e aproximações, o treinador equilibra diferentes gerações em seu plantel, com líderes consolidados e jovens em ascensão.

Alguns jogadores vêm para seu primeiro Mundial em 2026, como é o caso do zagueiro Van de Ven, o meio campista Tijani Reijnders e o atacante Justin Kluivert, peças importantes para a seleção. O atacante considerado titular Xavi Simons, do Tottenham (ING), sofreu uma grave lesão, ao romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Simmons não estará à disposição para a Copa do Mundo de 2026, sendo uma baixa para a seleção holandesa.

A Laranja Mecânica se classificou de forma invicta para o mundial, vencendo seis das oito partidas disputadas nas eliminatórias. O grupo era composto por Polônia, Finlândia, Malta e Lituânia, em que a Holanda perdeu pontos nos empates em 1 a 1 dentro e fora de casa contra a seleção polonesa.

No mundial de 2026, a Laranja Mecânica é considerada favorita em seu grupo. O grupo F também é composto por Japão, Suécia e Tunísia, seleções consideradas menos tradicionais. A expectativa é uma classificação sem sustos à fase mata-mata, para, quem sabe, começar a sonhar alto.

Em entrevista com Luan Chen, brasileiro que se mudou para a Holanda pouco mais de um ano atrás, ele afirma que o país não parece tão empolgado para o início da Copa do Mundo: “ Mesmo com um ótimo desempenho recente, eu não vejo uma grande empolgação dos holandeses, principalmente se comparar com o Brasil. O pouco que ouvi, veio de pessoas mais velhas, que comentaram e demonstraram ânimo para o mundial“. Além disso, Chen usa como exemplo a febre do álbum de figurinhas, o qual, segundo ele, será pouco colecionado nos Países Baixos. Por fim, ele comenta sobre os programas de TV, que geram uma maior motivação para o torneio: “ Em alguns canais de TV famosos por aqui, existem programas onde pessoas ficam discutindo sobre a Copa. Tem bastante gente que consome e gosta. A galera aqui sempre pergunta do Memphis Depay, por exemplo. Eles querem saber como ele está no Brasil, porque ele é um dos principais jogadores da Holanda”.

O futebol ocupa papel central na cultura esportiva neerlandesa, que é bem diferente quando comparada ao Brasil. Ambas nações se assemelham, entretanto, quanto à paixão pelo esporte bretão. Assim como por aqui, o futebol é o esporte mais popular dos Países Baixos, com cerca de 3 mil clubes nacionais. Ainda em competições esportivas, o país também é apaixonado por hóquei em campo, natação e patinação no gelo.

Para além do futebol, a Holanda é um país extremamente rico culturalmente. O país é marcado por uma culinária única e modos não repetidos mundo afora. Um exemplo de diferença quando comparada ao Brasil é a presença extrema de bicicletas nas ruas, preferidas até, muitas vezes, do que os carros. Além disso, algumas curiosidades típicas dos Países Baixos, envolvem, por exemplo, um não interesse da população por eventos de premiação, como o Oscar e Grammy, que não são transmitidos. Lá, também, não existe um grande “culto ao natal”, em que os presentes costumam ser entregues no início de dezembro e a figura do “Papai Noel” é praticamente ignorada.

Após décadas batendo na trave, a seleção chega como uma das favoritas. O povo holandês apaixonado por futebol deposita sua fé na geração liderada por Virgil van Dijk para transformar o sonho em título.

 

JAPÃO

Para os xintoístas, o Monte Fuji é considerado a morada dos deuses. O vulcão adormecido desde 1707 também é o lugar que representa a conexão entre a terra e o céu. O símbolo do Japão. A montanha sagrada, de 3.776 metros de altitude, se impõe sobre o setor norte do estádio IAI Nihondaira, localizado na cidade de Shimizu. O campo é a casa do time da primeira divisão nacional, Shimizu S-Pulse, e possui capacidade para 20.250 torcedores. 

Esse contraste explica bem a essência do Japão. Arquipélago formado pelas ilhas Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku, banhado pelo Oceano Pacífico e localizado no ponto de intersecção de quatro placas tectônicas, é a sexta maior economia do mundo.

A nação milenar possui aproximadamente 122 milhões de habitantes, que são organizados dentro de uma monarquia constitucional parlamentarista. A primeira-ministra, Sanae Takaichi, é responsável por definir políticas nacionais e coordenar operações do governo, enquanto o imperador, Naruhito, é o símbolo do Estado e da unidade do povo.

Nesse cenário, o futebol ganha força na cultura esportiva do país e se torna um dos elementos fundamentais na construção da sociedade japonesa.

Raízes

A Associação Japonesa de Futebol (JFA), entidade máxima do esporte, foi criada em 1921. No mesmo ano, a Copa do Imperador, torneio mais antigo do país, foi idealizada. A primeira partida oficial disputada pela seleção nacional aconteceu somente dois anos depois, nos Jogos do Extremo Oriente, em Osaka, com uma derrota expressiva de 12 a 1 para as Filipinas. Anteriormente, o país havia sido representado por uma equipe da Escola Superior de Tóquio, na edição de 1917 do mesmo torneio. Em 1965, a JFA propôs a criação de uma liga semiprofissional, a Japan Soccer League.

A profissionalização, no entanto, só viria a acontecer no ano de 1987. Seguindo as determinações estabelecidas pelo então presidente da federação, Kenji Mori, os atletas foram registrados como profissionais. Nos anos seguintes, comitês foram criados para a discussão de uma nova liga. 

Em 1991, a Liga Profissional de Futebol do Japão (J.League) foi fundada. Sua inauguração aconteceu dois anos depois, em 15 de maio de 1993, em partida entre Verdy Kawasaki e Yokohama Marinos. Inicialmente, o campeonato era formado por dez times que serviam como uma extensão do departamento de marketing de grandes empresas. 

O início do projeto de disseminação do esporte foi marcado por uma intensa migração de jogadores renomados do futebol. Figuras emblemáticas passaram por lá, como o inglês Gary Lineker, o italiano Salvatore Schillaci e Dragan Stojkovic, da antiga Iugoslávia. Com atletas brasileiros não foi diferente. Dunga, Leonardo, Evair e Alcyndo são alguns que viajaram para a terra do sol nascente e marcaram a geração do começo dos anos 90. O mais simbólico entre eles foi o ídolo do Flamengo, Zico, que jogou entre as temporadas 91 e 94 pelo Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers. O Galinho de Quintino se tornou a estrela da liga e o maior jogador do clube, onde atuou após a aposentadoria como diretor e técnico da equipe.

Com essas estrelas, o futebol aumentou sua influência e popularidade no decorrer das décadas de 80 e 90. Esse impulso teve como principal fator as disputas das Copas Intercontinentais, final jogada entre o campeão da Libertadores da América e da Copa dos Campeões da Europa, ocorrida em Tóquio, e a criação de produções culturais, como o anime "Captain Tsubasa", lançado em 1981. Em comparação, o número de jogadores de futebol registrados no início da publicação dessa história era de 68.900. Sete anos mais tarde, os valores haviam ultrapassado a marca de 240.000 pessoas.

O impacto dessa expansão é visto nos resultados esportivos dos próximos anos. Nas eliminatórias para o mundial de 1994, os japoneses ficaram a uma vitória de participarem de sua primeira copa. No jogo, que ficou conhecido como “Agonia de Doha”, válido pela última rodada da seletiva, os Samurais Azuis precisavam vencer a seleção do Iraque para se assegurarem na competição. O resultado estava sendo obtido até o minuto 91, quando a bola alçada à área encontrou a cabeça de Jaffar Omran que estufou a rede, sacramentando a eliminação.

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Tetsuji Hashiratani, capitão da seleção japonesa, chora após desclassificação para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Tokyo Sports Press

 

O trauma foi profundo, mas não desencorajou os japoneses. Quatro anos mais tarde, a seleção finalmente estreava para sua primeira participação em copas.

Mundiais

O estádio de Toulouse foi o palco da estreia. O jogo era contra um sul-americano, a forte seleção argentina, comandada pelo centroavante Gabriel Batistuta. O resultado foi o esperado, 1 a 0 para os hermanos. O desempenho nas duas últimas partidas não mudaria muito. Três derrotas em três jogos, diante da Croácia e Jamaica. Mesmo eliminado na primeira fase, o país entendia que aquele era apenas o início de um projeto.

Desde então, a seleção nipônica nunca mais deixou de participar de uma Copa do Mundo. A regularidade transformou o Japão em uma das maiores forças do futebol asiático. Em oito participações consecutivas, os nipônicos alcançaram quatro vezes as oitavas de final, em 2002, 2010, 2018 e 2022.

A melhor campanha da história aconteceu na Copa sediada em casa, em 2002. Dividindo a organização com a Coreia do Sul, o Japão viveu uma explosão nacional em torno do futebol. Sob o comando do francês Philippe Troussier, os Samurais Azuis lideraram o Grupo H com sete pontos, após empate contra a Bélgica e vitórias diante de Rússia e Tunísia. A campanha levou o país, pela primeira vez, ao mata-mata de um mundial. A eliminação veio nas oitavas de final, diante da Turquia, por 1 a 0.

Em 2018, tornou-se a primeira seleção asiática a derrotar um sul-americano em mundiais ao vencer a Colômbia por 2 a 1. Já em 2022, no Catar, liderou um grupo composto por Alemanha e Espanha.

 

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Kaoru Mitoma salva bola em cima da linha e dá passe para o gol da vitória do Japão. Foto: Reprodução/X (Twitter)

 

Japan Way

Em 2005, a JFA publicou a declaração “Dream courage to achieve” (sonhe, coragem para conquistar), em que expunha em alguns tópicos o projeto nacional de futebol para os próximos anos. A meta é a conquista da Copa do Mundo até 2050 e o crescimento da base de fãs no esporte. Para isso, os japoneses focaram em três pontos principais: aprender com os europeus por meio do intercâmbio de seus jogadores, investimento na categoria de base e no futebol nacional, e formar bons treinadores.

Norteando esse projeto está a filosofia “Japan Way”, preceito que enxerga o futebol como um gerador de felicidade e orgulho nacional para todos os cidadãos. O planejamento é dividido em duas áreas: o setor de aproveitamento, em que há um incentivo na prática do esporte amador e universitário, muito presente na cultura nipônica, e o futebol competitivo. O plano visa à fomentação estratégica do esporte e uma contínua profissionalização dentro do país.

Eliminatórias

O Japão chega para a Copa respaldado por uma forte campanha nas eliminatórias asiáticas. Ao manter a consistência construída nas últimas décadas, a equipe confirmou classificação com antecedência e demonstrou superioridade técnica sobre os adversários do continente.

A seleção apresentou um futebol baseado em intensidade, posse de bola e transições rápidas pelos lados do campo. Entre os principais resultados do ciclo estão vitórias importantes contra Alemanha, Inglaterra e Brasil, além de atuações dominantes contra seleções de menor expressão técnica.

O técnico Hajime Moriyasu manteve a estrutura que encantou em 2022. A equipe chega embalada por uma geração que atua nas principais ligas europeias e vive um dos períodos mais fortes da história do futebol japonês. 

Convocação 

Na dia 15 de maio, o técnico Hajime Moriyasu anunciou a lista dos 26 jogadores selecionados para a disputa do mundial. A grande ausência foi a estrela do Brighton, Kaoru Mitoma. O meia atacante foi cortado por uma lesão muscular na parte posterior da coxa.  

Os convocados foram : 

  • Goleiros: Zion Suzuki (Parma) , Tomoki Hayakawa (Kashima Antlers), Keisuke Osako (Sanfrecce Hiroshima).

 

  • Defensores: Yuto Nagatomo (FC Tokyo), Shogo Taniguchi (Sint-Truidense VV), Ko Itakura (Ajax), Tsuyoshi Watanabe (Feyenoord), Takehiro Tomiyasu (Ajax), Hiroki Ito (Bayern Munich), Ayumu Seko (Le Havre AC), Yukinari Sugawara (Werder Bremen), Junnoske Suzuki (FC Copenhagen).

 

  • Meio-campistas: Wataru Endo (Liverpool), Junya Ito (KRC Genk), Daichi Kamada (Crystal Palace), Ritsu Doan (Eintracht Frankfurt), Ao Tanaka (Leeds United), Keito Nakamura (Stade de Reims), Kaishu Sano (1. FSV Mainz 05), Takefusa Kubo (Real Sociedad).

 

  • Atacantes: Koki Ogawa (NEC Nijmegen), Daizen Maeda (Celtic), Ayase Ueda (Feyenoord), Yuito Suzuki (Freiburg), Kento Shiogai (Wolfsburg), Keisuke Goto (Sint-Truidense VV)

     

SUÉCIA

A seleção da Suécia, lanterna da sua chave nas Eliminatórias Europeias, se classificou para a Copa do Mundo 2026 com uma trajetória desastrosa. Na fase de grupos, a seleção sueca terminou na última colocação do grupo B, atrás de Suíça, Kosovo e Eslovênia. Em seis jogos, garantiu dois empates, quatro derrotas e nenhuma vitória, somando um total de apenas dois pontos. Esse fraco desempenho facilmente a deixaria fora da Copa se não fosse a repescagem. 

As seleções europeias, diferentemente das outras seleções ao redor do mundo, possuem um sistema de repescagem exclusivo. Ao todo, 16 países participam dessa fase. Competem, os 12 segundos colocados de cada grupo das Eliminatórias e os 4 vencedores de seus respectivos grupos da Liga das Nações. A liderança do grupo C da Nations League manteve a ambição sueca de jogar a copa de 26 viva. Nas semifinais, enfrentaram a Ucrânia e venceram por 3 a 1. Na final, aos 43 minutos do segundo tempo, o atacante Viktor Gyökeres marcou o gol que garantiu a vitória em cima da Polônia de Lewandowski por 3 a 2 e carimbou o passaporte para a Copa das Copas. 

O elenco dos Vikings, liderado por Graham Potter, conta com nomes como os atacantes Viktor Gyökeres, artilheiro do Arsenal com 14 gols marcados em 26 jogos como titular. Anthony Elanga, do Newcastle, Alexander Isak, do Liverpool e o promissor Lucas Bergvall, meio campista de apenas 20 anos, do Tottenham Hotspur. 

Viktor Gyökeres integra a seleção como o “herdeiro” de Zlatan Ibrahimovic. Com características semelhantes a do ídolo sueco, Gyökeres, em sua primeira temporada pelo clube Sporting, garantiu 44 gols, sendo 29 somente no Campeonato Português, por onde foi campeão. 

Viktor, o leão, como foi carinhosamente referenciado em uma das músicas da torcida de Lisboa, imediatamente caiu nas graças dos torcedores. Sua comemoração foi popularizada e abraçada pela torcida. As duas mãos entrelaçadas, fazem referência ao vilão Bane, do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. 

Para além da popularidade, os números não mentem, a seleção sueca está muito bem servida de atacante nesta era pós-Ibrahimovic. Somente em 2024, Gyökeres foi artilheiro da Champions, do Campeonato Português e da Nations League. 

Em 2016, o centroavante Ibrahimovic anunciou sua aposentadoria da seleção sueca. Na época, as indagações perante o sucesso sueco eram tamanhas. Poucos acreditavam que a equipe conseguiria se manter organizada sem o craque. As dúvidas, quase que unânimes,  perduraram até a classificação para a Copa do Mundo de 2018. Tendo em vista que a seleção estava em um grupo com França e Holanda, nas eliminatórias e Itália na repescagem. 

Apesar das dúvidas, os Vikings, não só se classificaram, como chegaram nas oitavas de final do torneio, sendo a primeira colocada de seu grupo, deixando a Alemanha pelo caminho. Perderam nas quartas de finais para a Inglaterra por 2 a 0.

 

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Seleção Sueca após vencer a Polônia por 3 a 2 e garante vaga na Copa do Mundo de 2026. Foto: Reprodução Instagram/@swemnt

 

Graham Potter, portanto, encontrou uma seleção fragilizada emocionalmente, com gostinho de “quase” e que carrega com si o peso de uma campanha decepcionante. Com pouco tempo, e com quase nenhuma margem para erro, o treinador inglês conseguiu restabelecer a equipe e jogar um futebol quase que de sobrevivência, longe dos ideais “estéticos”. Não jogou bonito, sofreu em campo, não teve controle do jogo, mas competiu com vontade de ganhar e muita raça. 

A classificação carrega com si um simbolismo importante. Devolveu, em algum lugar, o espírito de competição a uma equipe que, com o passar do tempo, principalmente após a saída de Ibrahimovic, vinha perdendo relevância no cenário mundial. 

 

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O “herdeiro” de Zlatan Ibrahimovic após a classificação da Suécia. Foto: Reprodução Instagram/ @swemnt

 

Mesmo com a caótica classificação, a equipe azul e amarela pode ser considerada uma seleção tradicional em torneios mundiais. Sua primeira participação no torneio foi em 1934, na Itália. Derrotou a Argentina vice-campeã de 1930 por 3 a 2 nas oitavas de final. Nas quartas de final, por outro lado, foi derrotada pela Alemanha de Karl Hohmann por 2 a 1. 

Em 1958, foi anfitriã do evento e conquistou o vice-campeonato mundial. Perdeupara a seleção brasileira de Pelé por 5 a 2. Em 1938, ficou em quarto lugar. E em 1950 e 1994, garantiu o terceiro lugar. Em 2022, ficou de fora após perder para a Polônia por 2 a 0.

2026 marca a 13ª participação da seleção em Copas do Mundo. O atacante Henrick Larsson é o jogador que mais jogou pela Suécia, totalizando 13 partidas. Com cinco gols, Larsson divide a artilharia histórica da equipe escandinava com o centroavante Kennet Andersson. 

De maneira geral, as expectativas em relação à seleção sueca são divergentes. Apesar da classificação fora do comum, há quem diga que essa equipe, com um ataque de milhões– só o Gyökeres e Isak somam juntos uma dupla de ataque de 165 milhões de euros– têm potencial para fazer história no torneio mundial. 

A Suécia integra o grupo F composto por Japão, Holanda e Tunísia. A estréia dos suecos ficou marcada para o dia 14/06 contra a Tunísia, no estádio BBVA, no México. Se avançar na fase de grupos, enfrentará uma das quatro seleções do grupo C, composto por Marrocos, Haiti, Escócia e Brasil. 

Curiosidades 

A Suécia, um país nórdico localizado no extremo norte da Europa, é conhecido, para além do futebol, por sua alta qualidade de vida e inovação tecnológica. Segundo a EBSCO, Information Services, a principal provedora mundial de bases de dados de pesquisa, o país possui uma população média de 10 milhões de habitantes. 

É considerado, pela OMS, Organização Mundial da Saúde, um dos países com maior expectativa de vida do mundo. Sendo 84 anos para mulheres e 80 para homens. 

Os pratos típicos regionais não tem nada demais, mas tem uma palavra que chama muita atenção por ser utilizada em cafés— a palavra fika. Fika, significa fazer uma pausa para, mais do que tomar um café, socializar com amigos e relaxar. É um ritual, quase que sagrado, no qual quem participa deve estar 100% presente para saborear a companhia de pessoas queridas. Normalmente, o fika, é acompanhado do famoso pãozinho de canela, de origem sueca. 

A Suécia é altamente procurada por turistas interessados em viver a experiência de ver, ao vivo, a Aurora Boreal. A melhor época do ano para observar o fenômeno é entre os meses de setembro e março, ao extremo norte do país, onde fica o vilarejo de Abisko. 


TUNÍSIA

A seleção da Tunísia viaja para a América do Norte para sua sétima participação em Copas do Mundo. Os africanos estão no grupo F, com Suécia, Japão e Holanda. A estreia está marcada para o dia 14 de junho, contra os suecos, no estádio BBVA, em Guadalupe, no México. A seleção é comandada pelo técnico francês Sabri Lamouch. Antes de estrear no mundial, as Águias de Cartago, apelido da seleção,  tem um amistoso marcado para o dia 1 de junho contra a Áustria, e outro contra a Bélgica, no dia 6. 

Pré copa

Nas eliminatórias para a copa, os tunisianos fizeram uma campanha histórica, ganharam nove jogos e empataram apenas um, assim conquistaram 28 pontos dos 30 possíveis. Além disso, a seleção não tomou nenhum gol nas classificatórias. Por outro lado, nas outras competições que a Tunísia disputou, a história não foi a mesma. Na Copa Africana de Nações, foi eliminada pelo Mali, nas oitavas de final, e na Copa das Nações Árabes ficou pelo caminho na fase de grupos. 

A falta de consistência nos resultados ocasionou na demissão do antigo técnico Sami Trabelsi, que comandava a seleção desde fevereiro de 2025. Desde a troca do técnico em janeiro, a seleção da Tunísia realizou dois amistosos, já comandados por Sabri Lamouch, um contra o Haiti, ganhando de 1 a 0 e outro contra o Canadá, ficando no empate por 0 a 0. 

Apesar de ter jogadores do campeonato local, a Tunísia conta com alguns atletas atuando nas principais ligas do mundo. O meio campista Ellyes Skhiri, do Eintracht Frankfurt, da Alemanha, é um dos destaques. Nascido na França, ele optou por se naturalizar tunisiano, nacionalidade de seu pai. Outro jogador para ficar de olho é o meia ofensivo Hannibal Mejbri, do clube inglês Burnley. A dupla é uma grande esperança para a Tunísia, já que são os jogadores mais criativos do elenco e podem ser destaques individuais em uma seleção que tem como filosofia o jogo defensivo.

 

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Jogadores da Tunísia comemorando mais uma ida para a Copa. Foto: Reprodução Instagram/@ftf.tn

 

Histórico em copas

A Tunísia jogou seu primeiro mundial em 1978, na Argentina, e logo fizeram história: foram a primeira seleção africana a ganhar um jogo de Copa do Mundo, a vitória veio contra o México, por 3x1, em Rosário. Nesta edição, as Águias de Cartago também fizeram sua melhor campanha, terminando no nono lugar geral. 

Porém, os tunisianos só voltaram a jogar outra copa em 1998, saindo na fase de grupos, campanha que se repetiu em suas outras participações ( 2002, 2006, 2018 e 2022). Apesar das campanhas de pouco destaque, no último mundial, a seleção africana conseguiu uma vitória contra a França, que era a atual campeã, se mostrando um adversário complicado.

Principais conquistas 

Em 2004, a Tunísia, como país sede, conquistou a Copa Africana de Nações pela primeira e última vez até o momento. A grande final aconteceu contra a seleção de Marrocos, com os tunisianos vencendo por 2x1. O artilheiro e um dos grandes destaques da campanha foi o brasileiro Francileudo Santos, que se naturalizou em 2003 e foi um dos principais jogadores da Tunísia até sua aposentadoria. Hoje, Santos é o quarto maior artilheiro da história da Tunísia.  

Curiosidades sobre a Tunísia

A Tunísia é um país do norte da África, banhado pelo Mar Mediterrâneo, com cerca de 12 milhões de habitantes. Sua capital, Tunis, concentra 2,6 milhões de pessoas. A cidade é o grande polo econômico, político e cultural da região. O idioma oficial é o árabe, embora a língua francesa também seja falada na região, devido ao período de colonização da França sobre a Tunísia. O país se destaca no continente devido aos indicadores sociais altos, segundo o Banco Mundial, a taxa de alfabetização entre adultos alcançou 86,25% em 2023.

Herança histórica

No século VII a.C, Cartago foi fundada pelos fenícios, onde hoje fica a Tunísia. A cidade foi uma grande potência do mundo antigo e chegou a rivalizar com Roma, antes de ser destruída nas Guerras Púnicas em 146 a.C. As marcas desse passado histórico são visíveis até hoje no país africano: o Anfiteatro El Jem, terceiro maior do Império Romano, as Ruínas de Dougga, cidade preservada intacta e o Sítio Arqueológico de Cartago, ficam todos na Tunísia e são considerados patrimônios culturais históricos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

 

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As Ruínas de Cartago, localizadas na Tunísia. Foto: Digr

 

Primavera Árabe

Em dezembro de 2010, na cidade tunisiana Sidi Bouzid, Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante, teve seu carrinho de frutas confiscado pela polícia. Após o episódio, o jovem foi até a sede do governo local para tentar recuperar seus produtos, mas não foi recebido. Sem conseguir trabalhar, Bouazizi entrou em desespero e ateou fogo no próprio corpo. A notícia rapidamente se espalhou e gerou uma série de protestos contra a corrupção e desemprego na Tunísia e, em janeiro de 2011, o presidente Zine al-Abidine Ben Ali , que estava no poder havia 23 anos, abandonou o cargo. O ocorrido deu início a Primavera Árabe, uma série de protestos, nos países árabes, contra governos autoritários.