Recém-lançado pelo Disney+, o filme “Rise” conta a história dos irmãos Antetokounmpo (Giannis, Thanasis e Kostas), que enfrentaram o processo de migração da Nigéria para a Grécia, preconceito e dificuldades financeiras, mas encontraram no basquete a oportunidade de transformar suas vidas. Hoje, os três irmãos são milionários e campeões da NBA (National Basketball Association), e Giannis, o melhor entre eles, já soma dois prêmios de MVP (melhor jogador da temporada) na liga norte-americana.
“O esporte muda vidas”. É nisso que acreditam os irmãos Antetokounmpo e tantas outras pessoas que buscam impactar crianças e adolescentes por meio dele. Rodrigo Mussini, criador do Instituto Recanto Basketball, crê que não existe ferramenta mais transformadora do que o basquetebol.
O Recanto é um projeto social que atua desde 2012 dando aulas de basquete para meninas de 10 a 17 anos na região de São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Coordenado pelo professor Rodrigo Mussini, o projeto já atendeu mais de 200 meninas e tem resultados expressivos - não só esportivos, mas também sociais.
Rodrigo trabalha desde 2007 na Escola Estadual Recanto Verde Sol e, após cinco anos de vivência no bairro, viu a necessidade de criar uma iniciativa que levasse alguma modalidade esportiva diferente para a comunidade da região. “Eu montei as turmas de treinamento de basquete feminino, e hoje a gente está completando 10 anos, com objetivo maior de formar e transformar vidas pelo esporte”, diz o professor, em entrevista concedida à reportagem.
O projeto tem histórico vitorioso nas competições de base que disputa: são três títulos da Liga Nescau, além do bicampeonato dos Jogos Escolares do Estado de São Paulo e da jr. NBA. Mussini conta que já disputou - e venceu - torneios apenas contra clubes estruturados. “Quando a gente chega, o pessoal respeita. Pelo trabalho, pela nossa história, imaginam até mesmo que é um clube, mas é uma escola do estado, uma quadra em que a gente não tinha quase nada. Eu procurei compensar isso com muito estudo, pesquisa e trabalho com elas em quadra, ao mesmo tempo com a dedicação delas conseguimos transformar essa realidade”, complementa.
Mas os troféus não são o que o professor mais busca. Rodrigo fala com orgulho do trabalho em prol da transformação social: “Esse é o grande legado que fica, é isso que me enche os olhos. O basquete é um trampolim para que elas alcem voos altos na vida, através da profissão e da vivência que o basquete vai proporcionar para essas meninas”.
Um dos principais resultados da equipe foi conseguir, em 2018, levar três atletas para representar o continente sul-americano no mundial da jr. NBA. Julia Fonseca foi uma das selecionadas e contou à reportagem sobre a experiência: “Foi muito gratificante poder fazer parte disso. Eu confesso que de primeira foi um choque, realmente não estava esperando. Mas fiquei muito feliz, porque pude ver que os meus esforços estavam valendo a pena e não somente os meus esforços, mas como de toda a equipe - pois não teria conseguido se não fossem as meninas e o trabalho do Rodrigo”. Júlia encerrou seu ciclo como atleta no Recanto em 2022. Atualmente estuda fisioterapia, sonha em ser assistente técnica ou fisioterapeuta da seleção brasileira, e envia semanalmente alguns exercícios para as alunas do instituto.
Capitaneado por uma campeã mundial de basquete, um projeto social do interior de SP também merece atenção: o “Cesta de Três” foi idealizado pela ex-armadora Helen Luz, integrante dos times da “era de ouro” do basquete feminino brasileiro, e atende quase 500 crianças das cidades de Jundiaí e Louveira - onde mora com seu marido e parceiro de projeto, o espanhol Octavio. As aulas são ministradas em escolas parceiras, geralmente no fim do período da tarde, duas vezes por semana - meninas e meninos treinam em dias separados, para que as crianças “possam se soltar”, segundo Helen.
Medalhista olímpica em 2000 e campeã mundial em 1994 ao lado de nomes como Hortência, “Magic” Paula e Janeth, Helen iniciou o projeto após sua aposentadoria das quadras e busca fazer do basquete uma ferramenta educacional. “Não olhamos o esporte só como um desenvolvimento físico da criança. Muitas vezes as crianças são desencorajadas por serem ‘gordinhas’ ou ‘baixinhas’, e não vemos dessa maneira”, conta a ex-atleta. “Principalmente um esporte coletivo como o basquete, você passa os valores para as crianças. Disciplina, respeito, de ser solidário, de ser companheiro, respeitoso... Valores que o esporte traz, junto com a educação. Entendemos que é importante para o crescimento de uma criança, e a gente faz isso no nosso projeto”.
Apesar do sucesso com o Cesta de Três, Helen acredita que o Brasil não conseguiu aproveitar a geração vitoriosa (da qual ela fez parte) dos anos 90 para impulsionar o basquete, e que o esporte não recebe o tratamento devido no país. Campeã nacional jogando pelo Barcelona enquanto atleta, a ex-armadora compara o incentivo à modalidade em solo espanhol. "A maior diferença é na mentalidade com que o esporte é tratado. Lá na Espanha, a criança de seis, sete anos, recebe o mesmo treinamento de basquete seja em Zaragoza, cidade pequena, ou em Barcelona, muito mais rica e estabelecida. Existe uma unidade - ao contrário daqui do Brasil”, conta. “Tem a cultura do basquete por lá. Zaragoza tem 800 mil habitantes, mas deve ter uns 30 times femininos de basquete. Enquanto isso, campeonatos de base em São Paulo quase não tem quatro times - sendo que cabem uns dois ou três países da Europa ‘dentro’ de SP”, conclui a vitoriosa jogadora.
A falta de incentivos maiores acaba impactando muito os projetos sociais, como conta Rodrigo: “A gente tem uma final sábado (02/07) e eu não tenho transporte, a gente não sabe como vai para lá. Em um país com tantas empresas, com tanto dinheiro na política, não temos uma política de esporte forte. Era pra sermos potência em qualquer modalidade olímpica e a gente não é”. “Vemos os países pequenos da Europa mais organizados e que conseguem ser potência olímpica, né? Infelizmente a gente não tem apoio, a gente não tem incentivo, é na raça mesmo. Se hoje o basquete de base sobrevive é por conta da paixão de professores que estão no peito e na raça para fazer o basquete acontecer”, completa Mussini.
Para Helen, conquistar apoio é a maior dificuldade de liderar esse tipo de projeto: “Acho que o maior desafio é passar que a gente precisa do apoio e da parceria, mostrar a importância de se investir no esporte, no crescimento, no desenvolvimento da criança. Saber que aquela pessoa ajudando a gente, investindo na criança, ela vai ter uma sociedade melhor, um ambiente de trabalho melhor, aquela criança vai estar afastada da droga, vai estar com sonhos, vai estar focada em conquistar coisas, em ter uma carreira profissional. Isso para mim, acho que é o mais difícil, das pessoas do outro lado entenderem que o esporte é essa ferramenta, ele é esse caminho para a transformação na vida da criança”, afirma a campeã mundial.
A NBA Brasil tem procurado diminuir essa difícil situação. Programas como a NBA Basketball School tem incentivado o esporte nas escolas e promovido, por exemplo, a visita do Projeto Cesta de Três à NBA House, evento que aconteceu entre os dias 2 e 19 de junho. Além disso, a NBA Basketball School reformou a quadra do Instituto Recanto: foram instalados um placar eletrônico e novas estruturas de treino, além da doação de bolas de basquete para os alunos. Ainda é pouco, como relatam Rodrigo e Helen, mas o basquete brasileiro precisa desse tipo de apoio.
Os Jogos Paralímpicos são o evento que reúne mais pessoas portadoras de deficiência no mundo, e em Tokyo-2021 houve um aumento da audiência para este evento. Esse novo público que recém começou a acompanhar as transmissões, muitas vezes, ainda busca entender como funciona um jogo de basquete em cadeira de rodas ou um futebol de atletas com deficiência visual.
Essa nova audiência que os Jogos Paralimpicos deram a esses esportes, gera a necessidade de comentar mais sobre os atletas que o disputam. E o mais importante sobre eles, é conscientizar os novos telespectadores de que qualquer resultado não significa uma superação e tampouco algo positivo. Quando o torcedor vê o atleta paralímpico como um indivíduo que já superou desafios e qualquer resultado está bom, pratica o capacitismo (uma forma de discriminar pessoas deficientes), pois acabam dando a alusão de que esses atletas são menos capazes dos que não possuem deficiência. O que é uma mentira, já que, todos tem capacidades iguais e não existe um padrão “correto” das estruturas físicas e mentais do corpo humano. Bem como, a deficiência não é uma doença ou falha, e os atletas paraolímpicos também são atletas profissionais.
Diante disso, é importante ressaltar que o Brasil terminou os Jogos Paralímpicos de Tokyo-2021 na 7ª posição no quadro de medalhas, sendo a melhor campanha da história e superando a colocação do país nas Olimpíadas, em que terminou na 12ª posição. Para analisar essa diferença é preciso dizer que: Um dos fatores importantes para esses bons resultados são as divisões das modalidades, de acordo com os 3 tipos de deficiências (física, intelectual e visual). Portanto, existe uma subdivisão entre as deficiências, ocasionando no aumento das competições para 539, sendo 200 eventos esportivos a mais que nas Olímpiadas, o que possibilita maiores chances de conquistas.
Porém, embora existam mais competições, a 7ª posição foi possível pelo investimento a partir da Lei das Loterias, no qual destina parte dos lucros das apostas para os esportes olímpicos e paralímpicos, gerando as paraolimpíadas resultados mais positivos, pelo uso desse faturamento em investimentos para melhores condições aos atletas e equipes. Como por exemplo: O Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro, em São Paulo, no qual é uma potência mundial, com suas qualidades semelhantes aos melhores centros do mundo e instalações para 15 modalidades esportivas. Essas melhorias, começaram a vingar com a harmonia da gestão interna do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que aumentou arduamente sua divulgação e distribuiu de forma organizada esses recursos, para o crescimento do rendimento de todos que fazem parte do time Brasil.
Além disso, o dinheiro é investido em amplas áreas, como equipamentos, instalações, projetos para encontrar novos talentos e principalmente em novos educadores, como afirmou o próprio Comitê em nota: “O CPB investe em projetos e melhor qualidade de equipamentos, mas foca em investir na qualificação de professores que atuam com atletas iniciantes e de alto nível em esportes com deficiência”.
O professor de educação física e técnico paralímpico de atletismo do Comitê, Sérgio Henrique Braz, explica que o CPB trouxe a oportunidade de aumentar a competitividade do país nos Jogos Paralímpicos. Entre as contribuições estão os novos equipamentos de primeira linha, próteses e cadeira de rodas para que os atletas alcancem alto grau de competitividade em diferentes modalidades. Para se ter uma ideia, no atletismo, um atleta paralímpico consegue correr os 100m mais rápido que os atletas convencionais.
O atleta Petrucio Ferreira, citado pelo professor, hoje é o velocista mais rápido do mundo e sempre busca homenagear sua terra natal, Paraíba. “Desde novo eu aprendi a correr atrás dos meus sonhos, meus pais sempre me disseram que eu sou uma pessoa eficiente e que nunca deveria ficar triste”, comentou Petrucio.
E mesmo que ainda os atletas paraolímpicos possuam dificuldades, como o transporte para os centros de treinamento que geralmente são apenas nas grandes cidades, o professor de educação física também acredita que somos preparados para enfrentar dificuldades. "Em muitas das modalidades dos esportes adaptativos, somos melhores que os esportes tradicionais. Me dá uma sensação de que possuímos um DNA paralímpico de maior riqueza, o brasileiro cresce aprendendo a nunca desistir".
No entanto, Sérgio acredita que a audiência ainda precisa aumentar, para maiores investimentos que possam melhorar a situação do Brasil no quadro de medalhas. “O empecilho para essa maior audiência é a falta de conscientização da população, uma vez que, acreditam que seria um esporte de “coitadinho”, mas são atletas como qualquer um. Focados, disciplinados e sonhadores”, afirmou o treinador.
Embora ainda haja necessidades, a diferença de quantidade de esportes disputados na Paraolimpíadas comparada a Olimpíadas, alegra o educador: "O bom que nós temos mais medalhas em disputa. Nas Olimpíadas, o Brasil não teve essa oportunidade de ter mais atletas. Nas Paraolimpíadas o nosso foco não precisa ser somente os esportes coletivos, isso é uma ótima diferença se for comparar".
O Brasil continua em crescente quando se trata de resultados nos Jogos Paralímpicos. Nas últimas edições, o país conquistou 43, e duas vezes 72, medalhas. Contudo, ainda assim, o Brasil é visto como atrasado em comparação aos 6 países que estão na nossa frente, já que, a diferença de medalhas para o 6º colocado são de 22. Sendo assim, para que existam soluções e uma melhora contínua, é necessário o investimento em grande escala, em mais estados e cidades, aumentando a prática dos esportes e permitindo a chance de encontrar novos talentos, com mais facilidade.
Os Esportes Eletrônicos ou apenas eSports, como é mundialmente conhecido, vêm dominando o mundo gamer e tecnológico. Num contexto mais simples, os eSports giram em torno de competições de jogos eletrônicos em que atletas profissionais disputam partidas, seja presencial ou on-line. Na maioria delas, os espectadores estão presentes no local do evento ou em plataformas de streaming.
O que muitos não sabem, é que a primeira competição dos jogos eletrônicos ocorreu nos Estados Unidos, em 1972, entre estudantes de Stanford que se duelaram com o jogo "Spacewar". Claro que para a época, sendo a primeira competição, e ainda fora de cogitação um grande investimento, o prêmio foi simbólico: 1 ano de assinatura da revista Rolling Stone. Conversamos com Murilo Moraes, designer, fotógrafo e hoje sócio da "Liga Goat", liga que promove eventos tanto em esportes convencionais, como em esportes eletrônicos, fazendo inscrições de equipes que se destacam no meio dos esportes eletrônicos e procuram um ambiente que apostam nas suas jogadas. Quando questionado o principal motivo de jovens estarem buscando nos esportes eletrônicos um lugar de abrigo, Murilo relata que de um pequeno jogo para diversão, existem jovens com talento para isso. "[...] o menino, o jovem criou-se um sonho em querer ser jogador de futebol, eu já tive esse sonho de querer ser jogador de futebol, mas hoje você vê uma geração diferente que não quer ser jogador de futebol, eles querem ser jogador profissional de esporte eletrônico. Então, você está vendo que os valores estão mudando bastante, e eu acho que daqui uns anos [...] estou falando de 10, 15 anos, eu acho que o esporte eletrônico vai tomar algum rumo diferente, porque o jogo ele acompanha a tecnologia, e hoje existem muitos jogos de realidade virtual que estão vindo aí que é a nova sensação do momento, e que vai crescer muito mais e a ‘rapaziada’ está acompanhando isso, essa geração está nascendo já nesse mundo virtual.”
As competições vão muito além de jogadores batalhando e telespectadores assistindo. Profissionais de diferentes regiões tem unificado para competir mundialmente, patrocinadores com alto índice de investimento, como é o caso de bancos como Santander e Itaú, consumidores de todas as redes de artefatos da área, e até os narradores que fazem a vozes e emoção no eSports e por fim os que fazem transmissão ao vivo de um determinado jogo estão por trás de todo o trâmite para fazer um esporte ser reconhecido e mundialmente jogado hoje em dia. Obviamente que muitos anos se passaram para tal investimento ser um fenômeno hoje em dia. Fenômeno também é no Brasil, país que hoje é um dos maiores consumidores, patrocinadores e fanático por esse mundo dos eSports. Interessante pensar que Brasil, sendo o país do futebol, enxergou no e-sports uma oportunidade para crescer ainda mais. Os grandes times do mundo offline estão estabelecendo também equipes de e-sports, como Corinthians, Flamengo e Cruzeiro, que hoje possuem grandes times não apenas de uma modalidade.
Não é novidade que os países de terceiro mundo sempre acabam prejudicados e saem atrás em tudo, no e-sports não é diferente. Apesar de revelarmos grandes talentos para o mundo como “Fallen” duas vezes campeão mundial de CS-GO, temos o streamer “Gaules” que bate record atrás de records em transmissões ao vivo de jogos eletrônicos. Mas ainda assim, podemos observar uma certa desvalorização por parte do mundo diante do nosso cenário, todas as grandes empresas estão concentradas, nos EUA, Europa e China, portanto, tudo que é novo, sempre acaba chegando depois para os nossos profissionais.
Mas claro que o fato de sermos um país subdesenvolvido se compararmos a esses, a dificuldade de chegar ao mesmo nível de competitividade é muito alta, principalmente pela falta de estrutura se formos comparar, hoje temos organizações gigantes no Brasil, como a “Pain Gaming”, “Red Canids” e até mesmo o “Flamengo e-sports", que já está consolidada no cenário a algum tempo e mostra que veio para ficar. Mesmo assim, é difícil conquistarmos o mesmo nivel de estrutura e de trabalho se compararmos a um desses lugares citados.
Recentemente, houve polemica, o “major” campeonato mundial de CS-GO, decidiu que os playoffs seriam transmitidos presencialmente no Brasil, no Rio de Janeiro, porém, todos foram pegos de surpresa quando souberam que apenas 18mil ingressos seriam vendidos, curioso, sendo que somos o país com mais espectadores de campeonatos do jogo do mundo inteiro, muitos fãs do e-sport, se sentiram frustrados, pois nunca temos um evento desse porte por aqui, e quando acontece algo do tipo, as organizações do campeonato não se prezam a dar o devido valor de estrutura que o Brasil merece. Entre essas e outras, muitos reclamam e pedem mais atenção “[...]A nossa região merece muito mais atenção e reconhecimento, pois todos tem certeza de que somos apaixonados e temos muito a agregar no cenário de e-sports mundialmente [...]”, disse “Roland Theil”, um grande fã de CS-Go a 10 anos.
Mas ainda assim, com todas as dificuldades, podemos ter esperança, questionamos Murilo sobre essa questão, e respondeu de maneira positiva “[…]Hoje existem muitas empresas que investem no e-sporte principalmente no Brasil a gente tem o Santander que é patrocinador oficial da modalidade, temos vários bancos né não somente o Santander, como Banco do Brasil e Itaú que também patrocinam. Então temos uma das maiores organizações hoje no mundo do e-sporte, então hoje quem tem um talento, quem é realmente muito bom no jogo, realmente tentam viver disso, não é então existem muitas organizações, é realmente o fato de sermos um país pobre, porque se você for ver o Brasil é um dos países que mais consome dentro do esporte eletrônico dentro dos jogos no mundo do game[...]”
SK gaming, campeã do Major 2016, fonte: Google imagens.
Portanto, apesar de todas as dificuldades que encontramos por aqui, já está mais que provado que temos talentos, público e muita paixão. É possível acreditarmos que ao passar do tempo o Brasil só vai crescer no cenário, algo meio involuntário devido a grande comunidade gamer que temos. Espera-se que as grandes empresas valorizem mais o nosso cenário, pois só temos a acrescentar no e-sports mundial.
Por Pedro Pina
Troquei uma ideia rápida com a skatista olímpica Dora Varella, atleta de 20 anos, de São Paulo. Confira: dora, encontrei no seu site a frase: “O skate me ensinou muitas lições: torcer pela vitória dos outros não interfere na sua; tratar a todos com respeito independente das diferenças, transforma nossa própria existência; caiu, levanta, como tudo na vida.”.
Vimos skatistas que são contra a entrada da modalidade nas olimpíadas, você acha que a repercussão mundial do esporte vista nos jogos pode ser prejudicial para o skate?
Dora Varella: de uma forma diferente, a repercussão do companheirismo positiva entre como competidoras e competidores tiveram mais impacto e aconteceram uma lição de vida para o público, vendo a camaradagem para o olhar pelos telespectadores que assistem aos jogos. Com o skate, aprendi a me divertir e competir por amor, com a consciência sobre a importância de torcer pelo próximo e querer que todos se saiam bem, isso eleva o nível do skate e na prática a essência real do esporte. E com os jogos antes que nunca levaram o skate para pessoas tiveram ao esporte, isso é incrível!
O que você pensa sobre a falta de incentivo do Estado que apoia a forma rasa dos futuros atletas brasileiros?
DV: Tenho visto muitas crianças andando e curtindo o skate, isso é incrível. Sobre a falta de incentivo, é triste perceber que isso é o fator responsável para que muitas atletas desistam de suas carreiras, mas acredito e tenho esperança que este cenário mude, já que as competições trouxeram essa visibilidade e também mostraram a importância do incentivo ao esporte, para melhor desempenho e desenvolvimento das atletas. Mesmo que aos poucos, acho que esperamos que os esportistas planejem para um futuro com mais apoio e sonhos, todos os recursos disponíveis para nunca desistirem de seus sonhos.
Por outro lado, como é o meu carinho de crianças que dizem “u sonho é ser como você”? Muita responsa ou é um sentimento gostoso?
DV: É um sentimento muito bom! Um dia já fui uma criança que sonhava ser uma skatista profissional, e novos que hoje sou uma inspiração para adeptos do esporte, me faz refletir sobre toda a minha trajetória e ver como valeu a pena minha dedicação e amor ao skate. Sinto que estou no caminho certo e isso me dá mais impulso para sempre focar em dar o meu melhor e nunca desistir.
Por fim, gostaria de saber um pouco sobre sua trajetória no skate e você acredita que as dificuldades serão para as atletas pós-olimpíadas?
DV: Quando homens foram apostos a andar de skate eram os campeões que havia a categoria feminina, as premiações e mulheres eram diferentes e o investimento de marcas no skate feminino não era suficiente, então não um caminho seguiram para conseguir viver do caminho. Ao longo dos anos mudanças isso foi mudando, o cenário foi crescendo e pudendo presenciar como se igualar as premiações entre as categorias. Sinto que abri várias portas e hoje em dia temos um cenário muito mais consolidado, claro que ainda temos um longo caminho pela frente! As Olimpíadas abrirão as portas para novos patrocínios, interessando mais marcas e empresas a contribuírem no desenvolvimento do esporte. Além de também apresentar o skate para mais pessoas, isso possibilita mais visibilidade, incentivo e mais construções de pistas e rampas.
Os jogos Olímpicos de Tóquio-2020 apresentaram uma série de novas modalidades, dentre elas o Skate, que rendeu ao nosso país 3 medalhas de prata com os atletas Kelvin Hoefler, Rayssa Leal, no street, e Pedro Barros, no park.
A nova modalidade olímpica chamou a atenção do público devido ao desempenho muito bom do Brasil. Dentre os atletas, Rayssa Leal, a “Fadinha”, de apenas 13 anos acabou se transformando em uma febre nacional
Segundo a CNN Brasil, vendas de segmentos como peças, acessórios e Shapes de Skate mais que dobram em alguns canais eletrônicos. Além disso, a procura nas plataformas de busca pela palavra “skate” aumentou 600%, impulsionada principalmente pela Fadinha.
O esporte vive muito da força dos ídolos, o atleta se torna inspiração para os próximos e, sobre isso, em uma entrevista, Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSK), disse que acredita firmemente na possibilidade de o Skate estar passando por um processo semelhante com o que o tênis teve 1997, com o Guga”.
A importância da representatividade no esporte é essencial para encorajar novos atletas e isso finalmente está acontecendo com o Skate em nosso País. O Brasil criminalizou o esporte, durante os anos 80, mais precisamente em junho de 1.988, na gestão de Jânio Quadros. Sair andando de skate foi proibido em São Paulo, em meio a uma onda que ainda é muito estigmatizada pelos mais reacionários. Graças a Luiza Erundina, à época no Partidos dos Trabalhadores (PT), o esporte que hoje é motivo de orgulho para os brasileiros após as olimpíadas foi salvo, a atual deputada federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) liberou o esporte logo após se sentar na cadeira da prefeitura no mesmo ano de 1988.
O lifestyle do Skate vai muito além de manobras radicais, o esporte promove inclusão e transformação social de crianças e adolescentes. Os valores apresentados dentro das pistas entre os praticantes do esporte são muito nobres, onde um sempre incentiva e ajuda o próximo, além de ser uma forma de expressão, cultura e representatividade que transforma a vida de quem pratica o esporte.
O skate com certeza está em ascensão, mas não pode parar por aí, assim como o Brasil é reconhecido como o país do futebol agora também podemos dizer que é o país do skate. Devemos continuar apoiando e incentivando a pratica deste esporte para que continuem passando sua mensagem de torcer pelo próximo; tratar a todos com respeito e transformar a nossa própria existência.
O skateboard, uma das modalidades olímpicas e esportes mais praticados no mundo, surgiu nos Estados Unidos por volta dos anos 50 e desde então evolui sua forma de prática até chegar ao Brasil nos anos 70 e se tornar uma das modalidades mais queridas pelos brasileiros. Ele foi inventado como um derivado dos patins e do surfe, já que os primeiros modelos eram de rodas de patins montadas em pranchas de madeiras com os praticantes tentando reproduzir os movimentos do esporte aquático, já que não haviam mais ondas nas praias da Califórnia, local em que o skate apareceu. O esporte começou a ser desassociado do surfe após os jovens descobrirem que era possível praticá-lo em locais de transição como as piscinas, que na época foram esvaziadas devido à grande seca que atingiu todo o estado da Califórnia, e dessa forma surgiu o skate vertical. Ele se tornou uma grande febre pela cultura do “do it yourself” (faça você mesmo), onde se tornou possível construir rampas de madeira em ruas, praças e nos quintais das casas.
Não demorou muito para o Skateboard chegar ao Brasil. No início dos anos 70 ele chegou ao Rio de Janeiro possivelmente trazido por filhos de norte americanos que visitavam o país ou por alguns raros brasileiros que viajavam aos Estados Unidos para surfar, e ele inicia sua trajetória sendo chamado de Surfinho, sendo construído de eixos de patins com rodas de borracha ou ferro pregadas em madeira. Ele se popularizou de maneira rápida no país, com a divulgação sendo feita numa revista voltada para o público jovem que começou em 1972, e em 1976 a primeira pista da América Latina foi inaugurada em Nova Iguaçu no Rio de Janeiro, mas no final da década o skate começou a decair, já que as fabricantes de peças não comercializavam produtos próprios para a modalidade, e os investimentos feitos nos atletas e campeonatos se encerrou, mas os que ainda praticavam o esporte construíam rampas particulares, e dessa forma o cenário continuava vivo, mesmo correndo o risco de desaparecer.
No ano de 1984 a modalidade ressurgiu por iniciativa dos próprios skatistas e a vinda de alguns ídolos internacionais do esporte ajudou ainda mais o trabalho que era feito pelos amantes do esporte, e em 1986 a Associação Brasileira de Skate foi fundada, mas durou apenas dois anos, dando lugar à União Brasileira de Skate, que durou até 2000, e o skate sofre dois duros golpes: O primeiro , com a proibição da prática da modalidade pelo então prefeito da cidade de São Paulo, Jânio Quadros, que inicialmente proibiu que se andasse de skate no Parque do Ibirapuera, mas após uma passeata dos praticantes, ele proíbe o esporte em toda a cidade de São Paulo. O outro revés foi em 1990 com o presidente do Brasil, Fernando Collor, que devido ao chamado “Plano Collor” freou todo o desenvolvimento do skate no Brasil, e diversas empresas relacionadas ao Skateboard faliram da noite para o dia, mas mesmo assim, os skaters não interromperam suas atividades e trabalharam para a consolidação e profissionalização do esporte no Brasil.
Esse período foi sombrio e gerou muitas dúvidas nos praticantes. Por ser um movimento que lutou contra o sistema, o skate foi marginalizado e foi até chamado de “esporte assassino” numa manchete do Jornal Estado de São Paulo, numa clara tentativa de chamar os skatistas de bandidos, mas alguns representantes do Skateboard continuaram com a luta pelo simples direito de se divertir com o esporte. Um dos que participou dos movimentos naquela época, o skatista Marcos Santos, diz que a repressão foi muito grande: “A Guarda Municipal confiscou as rampas e os skates de todo mundo que andava no Ibirapuera. Um dos nossos amigos, o Álvaro, se revoltou e retornou ao local para buscar tudo que havia sido preso, e o prefeito decidiu tornar a proibição uma lei”. Ele conta como foi o dia da marcha organizada contra a proibição: “Tinham umas 200 pessoas. Muitos levaram faixas e megafone para protestar, e a marcha partiu do metrô Paraíso até chegar no Parque Ibirapuera. Eu não estava lá, mas conheço vários que participaram do protesto. O intuito era entregar uma carta pro prefeito com diversas assinaturas, que pediam a revogação da proibição apenas, mas todo mundo foi barrado, por que o parque estava fechado, e isso gerou uma grande revolta”. Marcos está no movimento desde os anos 1980 e vê uma grande evolução: “Hoje está tudo mais fácil para quem quiser andar”. “Tem várias pistas por aí e hoje a gente é bem aceito pela sociedade, mas o trabalho ainda é duro, já que as marcas nacionais ainda não investem tanto nos atletas, por falta de estrutura mesmo.” “O cara que quiser ser profissional tem que ir para os Estados Unidos, por que o mundo todo do skate está reunido lá”.
O skate brasileiro realmente ainda tem muito a evoluir, mas caminha bem. Alguns dos principais skatistas do ranking da Street League (principal campeonato de skate do mundo, que terá a sua última etapa realizada no Brasil nesse ano) são brasileiros, e o Brasil possui cinco títulos.