Rock in Rio encerra edição com diversidade musical

Último fim de semana do festival reuniu grandes nomes da música nacional e internacional, além de apresentações marcadas por colaborações entre artistas e pela chuva
por
Amanda Lemos
Maria Paula Alves
Elisa Rabaço
|
24/09/2026 - 12h

O segundo fim de semana do Rock in Rio reuniu, ao longo de três dias, diferentes estilos musicais e grandes espetáculos nos palcos da Cidade do Rock. A programação teve pop, K-pop e apresentações de grandes artistas nacionais e internacionais.

Sexta-feira 

O Stray Kids fez história sendo o primeiro grupo de K-pop a ocupar a posição de headliner no Rock in Rio, no principal palco do festival. O grupo performou músicas de sucesso como “Topline”, “Maniac” e “God’s Menu”, além de faixas do recém-lançado mini-albúm “This & That”. A passagem do grupo contou com banda ao vivo, performances coreografadas e forte interação com o público. 

Palco de show dos Stray Kids em montagem, com o nome da banda exibido em um grande telão e área do público vazia à frente.
Passagem de som do grupo headliner Stray Kids. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

A estreia do K-pop no festival ocorreu com a primeira apresentação do NEXZ no Brasil. Outro momento histórico da noite foi protagonizado por Hwasa, que se tornou a primeira artista solo de K-pop a se apresentar no Palco Mundo. A cantora levou ao público sucessos de sua carreira, incluindo “I Love My Body” e “Maria”.

O dia também contou com o show de Alok, que transformou o palco em um espetáculo tecnológico. Com a apresentação “Keep Art Human”, o DJ brasileiro impressionou o público ao combinar drones, efeitos pirotécnicos e um painel humano formado por dançarinos em coreografias sincronizadas.

Por fim, o cantor Jão realizou um show especial no pavilhão do Itaú, marcando seu retorno aos palcos após uma pausa na carreira. Em uma apresentação intimista, o artista cantou oito músicas e surpreendeu os fãs ao anunciar o lançamento do clipe oficial de “Aurora”.

Sábado 

Inaugurando as atrações do Palco Mundo no segundo dia de apresentações do último final de semana do Rock in Rio, Pedro Sampaio fez um show repleto de hits. O DJ estreou o palco principal do festival distribuindo leques customizados com o nome de sua nova turnê “Abraça o Amigo e Pula” e transformou o gramado em uma festa de "leques batendo". “Sequência Cunt”, música que finalizou a apresentação de Pedro Sampaio, contou com a presença de Clementaum, Isma, Vita e Tasha Kaiala e conquistou o público.

Público em um festival ao ar livre assistindo a uma apresentação exibida em grandes telões coloridos durante o entardecer.
Plateia “batendo leque” e colorindo o gramado de amarelo, no show de Pedro Sampaio. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

J. Balvin pintou novamente o público de amarelo ao fazer uma parceria com Pedro Sampaio e Mellody, trazendo os dois para o palco com a performance de “Jetski”. O colombiano esquentou a multidão com suas músicas de sucesso e suas artes visuais, que foram destaque nos novos leds do palco Mundo. Misturando o Brasil com a Colômbia, J. Balvin fez remixes de “Bum Bum Tam Tam”, “Downtown” e “Bola Rebola”. Suas músicas como “Safari”, “Amarillo” e “In da Getto” em ritmo de reggaeton foram a única apresentação latino-americana que não foi brasileira, no palco principal do Rock in Rio. 

O palco Sunset contou com a apresentação dos Gilsons. O grupo, que leva para o palco membros da família Gil, convidou para sua apresentação Olodum e Daniela Mercury e trouxe para o evento a representação da música baiana, do axé e do samba-reggae. 

Com músicas e batidas contagiantes, a apresentação dos Gilsons e convidados animou o público, que dançava e cantava junto com os artistas. No final da apresentação, Daniela Mercury transformou o palco em uma roda de samba, e levantou uma bandeira da Estação Primeira de Mangueira, em homenagem ao samba carioca. Além da representação do samba, a cantora trouxe provocações sobre a atual situação da política brasileira; um cavalo preto distribuía dinheiro para o público, em alusão à origem dos fundos do filme “Dark Horse” e estão sendo investigados pela ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O longa conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho e atual candidado à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, teve áudios vazados em que pedia verba a Vorcaro.

  

Palco de festival iluminado ao anoitecer, com feixes de luz apontando para o céu e montanhas em silhueta ao fundo.
Pôr do sol visto do palco Sunset durante apresentação dos Gilsons e convidados. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Também representando a música brasileira, João Gomes e a Orquestra Brasileira, grupo criado especialmente para essa apresentação, transformaram o Sunset em um desfile da cultura nordestina. Reunindo diversas representações do carnaval brasileiro, o pernambucano trouxe para o palco estandartes, O Homem da Meia-Noite, o Boi da Macuca, um grupo de pernas de pau, e bonecos de Olinda de João, Chico Science e Gonzagão. Encantando o público, o brasileiro cantou músicas como “Lembrei de Nós” com a participação de Mestrinho, que também se apresentou no palco Global Village, no mesmo dia de festival. Sucessos como “Mete um Block Nele” e “Filho do Dono” também fizeram parte do espetáculo encantador protagonizado por João Gomes.

No palco Supernova, o destaque foi de Milo J, cantor argentino que trouxe para o público a memória indígena de seu país. Apesar da apresentação em um palco menor do Rock in Rio, Milo J reuniu espectadores ansiosos para seu show. Em seu álbum “La Vida Era Más Corta”, o argentino mistura rap com músicas folclóricas, clássicos latino-americanos e até música popular brasileira. 

De volta ao principal palco do festival, com um dos shows mais esperados da noite, Demi Lovato balançou o público com músicas de seu novo álbum “It’s Not That Deep”, iniciando sua apresentação com três novos hits. Apesar da nova “era”, a cantora não deixou de lado antigos sucessos que marcaram uma geração de fãs: “Heart Attack”, “Sorry Not Sorry” e “Give Your Heart a Break” fizeram parte do show e levaram o público ao delírio. “Cool for the Summer”, música de Demi Lovato que destaca a representatividade queer, contou com a participação de Pabllo Vittar, que cantou ao lado da estadunidense. Com esse feat, Demi Lovato encerrou seu show de sucessos globais, contando com grande participação do público. 

No fim da noite, no palco Mundo, a banda Maroon 5 deu início ao seu espetáculo com “This Love” e “Stereo Hearts”. Esbanjando presença de palco e carisma, o vocalista Adam Levine interagiu com o público carioca e entregou uma série de músicas marcantes. “Memories”, “Payphone” e “Moves Like Jagger” movimentaram o público que esperava pelo show do grupo. Mesmo com presença recorrente em festivais no Brasil, Maroon 5 reuniu cerca de 100 mil pessoas no Rock in Rio, finalizando a noite no palco principal do festival com uma apresentação clássica e bem planejada. 

Com o encerramento da noite no Palco Mundo, o DJ Alok acendeu as luzes da Cidade do Rock no New Dance Order, palco eletrônico do festival. Em seu show “Alok & Family Pres. Rave the World”, Alok, ao lado de seus pais — os DJ’s Ekanta Jake e Swarup —, transformaram o evento em uma rave. Com uma proposta diferente do espetáculo pirotécnico apresentado no dia anterior no festival, o DJ usou o New Dance Order como forma de reconexão com a música eletrônica e a nova geração. 

Formação de drones cria o desenho de um rosto no céu noturno durante um festival iluminado por lasers e luzes de palco.
Apresentação de drones no show do Alok no dia 11. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Domingo

No domingo, o Rock in Rio fechou sua edição de 2026 com uma programação marcada pela diversidade musical e pela presença de grandes nomes nacionais e internacionais. A chuva acompanhou parte das apresentações na Cidade do Rock, mas isso não impediu o público de aproveitar muito os shows de artistas como Halsey, Marina Sena, Zara Larsson e Twenty One Pilots. 

Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo e levou ao festival um repertório com influência de ritmos latinos, além de sucessos que marcaram sua carreira como “Festa”, “Sorte Grande” e “Tempo de Alegria”. A apresentação marcou sua 20° participação no festival, incluindo também edições realizadas fora do Brasil. Apesar da chuva, Ivete conseguiu manter o público animado durante todo o show. 

Marina Sena e Céu foram destaque no Palco Sunset. A apresentação aconteceu à noite e combinou músicas e elementos teatrais com elementos de terror, que chamaram a atenção do público. Apesar da dificuldade de circulação na área, ocasionada pela chuva, os fãs aproveitaram o show. 

Palco de festival iluminado em azul durante a noite, com telões laterais exibindo o show e público reunido à frente.
Efeitos especiais e homem mascarado em pernas de pau no show de Marina sena e Céu. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Halsey também foi destaque no Palco Mundo. A cantora fez sua estreia a noite, com um show performático com músicas como “Nightmare”, “Bad at Love” e “Without Me”. A sueca Zara Larsson encerrou o Palco Sunset com os sucessos de sua carreira “Lush Life”, “Never Forget You”, “Ain’t My Fault” e “Midnight Sun”, com uma estética colorida, sua marca registrada. Ela também se apresentou com uma banda formada exclusivamente por mulheres e apesar da chuva e do público reduzido, Zara manteve a energia do espetáculo.  

Enquanto isso, os outros palcos do festival mantiveram a programação. O Espaço Favela contou com apresentações de Marvvila, Suel e Dennis. No Supernova se apresentaram Ar Baby, Bruna Black, Sant e Lourena e por fim, o New Dance Order recebeu Illusione, Roddy Lima e John Summit, nomes da música eletrônica. 

Twenty One Pilots zerou a programação do Palco Mundo de madrugada. A apresentação teve muita interação com o público e muita chuva. A banda ainda convidou um fã ao palco durante a música “Ride”, uma das mais famosas. 

A despedida do festival foi no Pavilhão Itaú, onde É o Tchan realizou uma apresentação surpresa com Beto Jamaica, Compadre Washington e Sheila Mello. O Rock in Rio 2026 reuniu mais de 700 mil pessoas e já confirmou seu retorno para 2028.

 

 

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