Refugiados resistem em meio a crises

Por entre ruas movimentadas e prédios de São Paulo, existem as histórias de quem atravessou países, guerras e perdas em busca de ajuda e paz.
por
Lawanny Nasc
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09/04/2026 - 12h

O Brasil tem se tornado um destino importante para pessoas em situação de refúgio. Segundo dados do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), entre 2015 e 2024, o Brasil recebeu solicitações de refúgio de pessoas oriundas de 175 países, totalizando 454.165 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. A Venezuela liderou com, “27.150 solicitações, que corresponderam a cerca de 39,8% dos pedidos recebidos pelo Brasil naquele ano . Logo em seguida, (...) nacionalidade cubana: 22.288 solicitantes (...), que alcançam 32,7% do total de solicitações, em 2024”.

Mulher adulta sentada em uma rede e meninas ao fundo.
Mulher e meninas refugiadas em um abrigo seguro. Foto: Reprodução/Instagram:@acnurbrasil

Em São Paulo, esse cenário se intensifica, a cidade concentra uma das maiores comunidades de refugiados do país, sendo porta de entrada e também palco de desafios diários. Apesar da acolhida legal e institucional, a realidade está longe de ser simples. A dificuldade com o idioma, o acesso ao mercado de trabalho e a adaptação cultural são barreiras constantes. Ainda assim, é na resistência cotidiana que surgem histórias de coragem.

 

Foi o que destacou Giovanna Pedroni Radaelli, coordenadora de Restabelecimento de Laços Familiares (RLF) da Cruz Vermelha São Paulo, em entrevista. Segundo ela, “A RLF trabalha no primeiro contato, o inicial, entre refugiados.”

Equipe de RLF em palestra.
Restabelecimento de Laços Familiares (RLF) levantam novas questões sobre refugiados. Foto: Reprodução/Instagram:@cruzvermelhasaopaulo

O programa de RLF atua com maneiras de evitar o desaparecimentos de pessoas e procura maneiras de reconectar famílias fragmentadas pelos mais diversos motivos. Em meio a documentos, buscas internacionais e ligações, em que a própria instituição em parceria com a Surf Telecom, distribui chips (SIM cards) a imigrantes e refugiados com 6 meses de internet grátis. Assim, o trabalho é silencioso, mas profundamente transformador. Cada reencontro representa mais do que proximidade, significa pertencimento. 

Giovanna também acredita que em meio a tantos conflitos mundiais, os dados atuais, provavelmente, serão modificados. Segundo ela, “com os conflitos que estão passando no oriente médio é capaz de que possa aumentar o fluxo. Mas, eu não acredito que seja algo muito rápido”. Em seu relato ela cita que a distância e questões financeiras podem dificultar de primeiro momento o contato com refugiados. Logo, possivelmente, a primeira escolha, será por nacionalidades próximas ou até mesmo, migrações dentro do próprio país para zonas seguras.

Desse modo, o segundo passo após contato com sistema de RLF e o encaminhamento a organizações sociais, igrejas e ONGs que têm desempenhado um papel fundamental nesse acolhimento, oferecendo desde aulas de português até apoio psicológico e profissional. Ainda assim, a demanda cresce em ritmo mais acelerado do que a estrutura disponível.

Enquanto isso, nas ruas da cidade, os refugiados seguem reconstruindo suas vidas; trabalhando, estudando e criando novas redes. Muitos carregam diplomas, experiências e sonhos que ainda buscam espaço para florescer.

A história dos refugiados não é apenas sobre deslocamento. É sobre resistência, reconstrução e, sobretudo, humanidade. Em meio ao caos que os fez partir, São Paulo se torna, para muitos, não apenas um abrigo, mas a possibilidade de um novo começo.