Entre sexta-feira (25) e quarta-feira (30), Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo, intensificou a agenda na reta final da campanha com participação em debates, caminhadas e atos políticos. Durante a semana, a candidata voltou a defender o fim da escala 6x1, propostas de adaptação às mudanças climáticas e políticas sociais, além de reagir à desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado.
Na sexta-feira (25), Marina participou de um debate promovido pelo g1, ao lado de Geraldo Rufino (Podemos), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Entre os temas discutidos estiveram meio ambiente, emendas parlamentares, crime organizado, trabalho e emprego, educação e a relação entre os Poderes.
Durante o encontro, a candidata afirmou que 177 municípios paulistas estão vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, atribuindo o dado ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O órgão, porém, informou que o número correto é de 172 municípios.
A sugestão da candidata para a preservação das áreas vulneráveis foram investimentos em obras de drenagem e contenção de encostas, além da ampliação do acesso à moradia para a população que vive em áreas de risco, que estão mais suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações. “Muitas pessoas vivem em áreas de alto risco. Essas pessoas precisam de moradia digna e vou trabalhar muito no Senado para que essas pessoas tenham acesso à moradia”, declarou a candidata.
No sábado (26), Marina participou da caminhada “Brasil Pronto pra Mais”, realizada no centro de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. O ato reuniu integrantes da chapa aliada formada pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), pelo candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e pela candidata ao Senado Simone Tebet (PSB), que também faz parte da coligação apoiada por Marina.
No domingo (27), a candidata participou de um ato em defesa das mulheres realizado na Praça da Sé, no centro de São Paulo, após uma missa de sétimo dia em homenagem à ativista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, na Catedral da Sé. Militante contra a ditadura militar, Amelinha foi presa e torturada durante o regime e, posteriormente, atuou na defesa dos direitos humanos, da democracia e dos direitos das mulheres. Ela morreu em 15 de setembro, aos 81 anos, em São Paulo. O encontro contou ainda com a presença de Simone Tebet, Fernando Haddad e outras lideranças políticas e teve entre os temas centrais a defesa da diversidade religiosa e do Estado laico.
A controvérsia começou após a circulação de informações nas redes sociais de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito. A informação ganhou repercussão após uma fala exibida pela GloboNews, que relacionava o candidato a uma suposta proposta nesse sentido. Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e esclareceu que não havia apresentado evidências de que Flávio tivesse defendido a retirada do título. O próprio candidato também negou a existência de qualquer proposta com esse objetivo.
A discussão ganhou novos contornos nos dias seguintes, quando Flávio acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem contribuído para a disseminação da informação. A entidade negou a acusação e afirmou não ter participado da produção ou divulgação de informações falsas sobre o candidato. A controvérsia passou a envolver, portanto, não apenas a suposta proposta atribuída a Flávio, posteriormente desmentida, mas também a disputa entre o candidato e setores da Igreja Católica em torno da origem e da disseminação da informação.
Durante seu discurso, Marina destacou a parceria com Simone Tebet e apresentou a candidatura das duas como uma representação da diversidade presente na sociedade. “Uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica”, afirmou, fazendo referência às diferenças de raça e religião entre as duas. Marina, que é evangélica, pediu votos para Tebet, para si própria e para Lula, ressaltando a possibilidade de união entre pessoas com diferentes identidades e crenças.
Na segunda-feira (28), Marina voltou a se posicionar sobre a disputa pelo Senado após Ricardo Salles (Novo) anunciar a desistência de sua candidatura e declarar apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A decisão foi anunciada ao lado do governador, que afirmou que a retirada de Salles tinha como objetivo evitar a divisão dos votos do campo da direita e concentrar o eleitorado nas duas candidaturas apoiadas por seu grupo. Marina criticou a articulação em uma publicação no X, afirmando que a desistência desrespeitava os eleitores e classificando a movimentação como um “vale-tudo” para conter o avanço das candidaturas dela e de Simone Tebet.
Sempre digo que a forma como se ganha determina a forma como se governa.
— Marina Silva (@MarinaSilva) September 28, 2026
A desistência da candidatura do Ricardo Salles ao Senado desrespeita seus eleitores ao abandoná-los às vésperas da votação, num vale-tudo do grupo da direita para conter o avanço das duas candidatas…
Na terça-feira (29), novas pesquisas eleitorais foram divulgadas. Levantamento da Quaest, realizado entre os dias 25 e 28 de setembro com 1.800 eleitores, apontou Marina com 15% das intenções de voto, empatada numericamente com Simone Tebet e atrás de Guilherme Derrite.
Já a pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 24 e 28 de setembro, mostrou Marina com 15%, atrás de Derrite, André do Prado e Simone Tebet. Os levantamentos utilizaram metodologias e períodos de coleta diferentes e apresentaram margens de erro de dois pontos percentuais.
Encerrando a semana, na quarta-feira (30), Marina participou do último debate entre candidatos ao Senado por São Paulo, promovido pela EPTV e transmitido pelo g1. O encontro contou com Marina, Simone Tebet, Geraldo Rufino e Soninha Francine; enquanto Guilherme Derrite e André do Prado não participaram.
Entre os assuntos discutidos estavam reforma política, violência contra a mulher, geração de emprego e renda, reforma trabalhista, saúde pública, segurança hídrica, Bolsa Família, segurança pública e regulamentação da inteligência artificial.