Na última quinta-feira (1), a Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé determinou a suspensão imediata do contrato de patrocínio entre o Sport Club Corinthians Paulista e a plataforma online de conteúdo adulto Fatal Fans.
A liminar estabelece o prazo de 15 dias para retirada ou cobertura da marca nos uniformes, espaços esportivos, canais digitais do clube e outras áreas. A decisão também determina a adoção de mecanismos eficazes de verificação de idade para restringir o acesso de crianças e adolescentes aos conteúdos do site patrocinador.
Em nota, o órgão destaca que a publicidade da plataforma alcança, de maneira significativa, o público infanto-juvenil, colocando em risco a dignidade, integridade emocional, e desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes.
A ação foi protocolada pelo Ministério Público de São Paulo e tramita sob segredo de justiça, por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Eu concordo com a vara da infância. Tem que poupar e preservar as crianças. O Corinthians como qualquer outro clube grande, televisão, novela, a própria escola tem que se preocupar sim com aquilo que tá sendo transmitido para as crianças, porque elas são como esponja”, declarou a pedagoga e coordenadora pedagógica do Centro de Educação Infantil Carmen Diva Martins, Fabiana David, em entrevista a AGEMT.
Fabiana comparou essa decisão com a recente medida provisória tomada pelo Governo Federal de proibição das Bets. “O exemplo das Bets mesmo patrocinando os clubes ou induzindo ao público adulto e olha onde isso chegou. Então, por mais que a gente entenda que o adulto tenha mais consciência, muitas vidas se perderam, muita coisa aconteceu, enfim, só para exemplificar, imagina as crianças expostas a isso ”, finalizou.
Em julho deste ano, o Corinthians anunciou o patrocínio da empresa Fatal Fans, com acordo válido até dezembro de 2027 e possível extensão até o fim de 2028. A parceria previa o pagamento de R$22 milhões ao clube até o final do contrato. O comunicado foi seguido de um vídeo estrelado por atletas de diferentes modalidades poliesportivas. Na legenda, o Timão afirmou que o patrocínio é o maior da história já destinado às práticas multidesportivas.
Atualmente, o emblema da marca está presente nos uniformes das equipes masculinas de futebol, basquete e futsal. Já no futebol feminino, o patrocínio se faz visível somente em ações de conscientização.
O clube, em fevereiro deste ano, firmou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularizar os débitos fiscais pendentes no valor de R$1,2 bilhão. Essa dívida foi acumulada durante duas décadas devido a impostos federais não pagos, contribuições previdenciárias atrasadas e débitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O contrato diminuiu o valor pendente para R$679 milhões. Contudo, o Corinthians soma quatro parcelas não pagas, três delas atrasadas e uma do mês de setembro.
O Corinthians, no decorrer desta semana, recebeu uma proposta de R$120 milhões da empresa que atua como plataforma de anúncios de acompanhantes de luxo, Fatal Model (do mesmo grupo da Fatal Fans), para assumir o título de patrocinador máster. A empresa assumiria o lugar da Esportes da Sorte após proibição das casas de apostas.
Eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, e com a perda dos dois principais patrocínios, o clube vive uma situação financeira delicada em 2026. A dívida atual do clube, somando o acordo com PGFN, o financiamento da Neo Química Arena e débitos pendentes com empresários e jogadores, gira em torno de R$2,8 bilhões.