O Parque Ibirapuera é um polo cultural da Cidade de São Paulo que se manifesta de diferentes formas. Para além de suas exposições únicas, obras icônicas e expressões artísticas, o parque conta com uma série de projetos arquitetônicos desenvolvidos por Oscar Niemeyer, essencialmente inspirados na arquitetura modernista e que se mesclam com a natureza exuberante do parque em uma espécie de simbiose.
Dentre as muitas estruturas modernistas atribuídas à lenda da arquitetura no Brasil, o Planetário é, sem dúvida, a mais excêntrica, e curiosamente não foi projetada por Niemeyer. Na realidade, o projeto foi desenvolvido por Eduardo Corona, Roberto Tibau e Antonio Carlos Pitombo, no entanto, o edifício foi concebido para se integrar perfeitamente ao conjunto arquitetônico moderno do Parque Ibirapuera e inaugurado sob a coordenação de Niemeyer. A ideia era criar uma estrutura que impactasse pela estranheza e despertasse a curiosidade nas pessoas, com o objetivo de difundir o conhecimento científico astronômico no Brasil. O formato pouco ortodoxo, que lembra uma nave espacial, como se ela tivesse pousado delicadamente em meio a densa vegetação do parque, ajudou na fama e o espaço segue até hoje como um dos principais pontos turísticos da localidade. Foto: Felipe Achoa Coelho da RochaO Museu Afro Brasil é mais uma enorme estrutura de concreto armado que, apesar da brutalidade e do tamanho exorbitante, se encaixa suavemente na delicada natureza do Ibirapuera por meio de grandes painéis de vidro e vãos abertos que borram os limites entre o interior do pavilhão e o verde ao redor. Vários elementos da arquitetura moderna brasileira marcam essa proposta de união entre espaço construído e paisagem, como os painéis de vidro na parede, o aproveitamento da luz natural e a continuidade visual, permitindo ao visitante ver o entorno do parque de dentro do museu. Foto por: Felipe Achoa Coelho da RochaA Marquise é talvez o projeto mais genial da carreira de Oscar Niemeyer. Com cerca de 28.000m em laje de concreto, mais de 600 m² extensão sinuosa e um solário no centro, de onde se desenvolve uma exuberante vegetação, a obra tinha o intuito original de ser um passeio coberto, que serviria como ligação para os diferentes prédios culturais do Parque Ibirapuera, como a Oca, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil (MAB) e a Bienal, protegendo as pessoas do sol e da chuva. Foto por: Felipe Achoa Coelho da RochaO que Niemeyer não projetou, mas reescreveu o intuito original do projeto da Marquise foi que, com o passar dos anos, skatistas, patinadores e afins, descobriram que o chão de concreto armado e, naturalmente, a proteção da chuva, eram perfeitos para a prática dos esportes até nos dia mais chuvosos. Com isso, a Marquise ganhou uma nova forma e a manifestação cultural no local continua, mas de forma totalmente diferente, adaptada ao que o parque pedia. Foto por: Ivo de CarvalhoApesar de outras estruturas terem suas próprias individualidades, a Oca surgiu com um propósito ligeiramente diferente. Consolidada como uma obra de arte em si, com seu projeto arquitetônico único em formato de domo, como um recanto, um lar em meio à natureza, a ideia do espaço é receber diferentes tipos de manifestações culturais em exposições temporárias. Foto por: Ivo de Carvalho O Museu de Arte Moderna (MAM), além de um dos principais centros de exposição na cidade de São Paulo, com um vasto acervo fixo e exibições rotativas, ainda é uma das estruturas mais complexas do Ibirapuera. São cerca de 900 m² de concreto armado sob a marquise do parque, com fachadas de vidro que permitem que as obras escapem e o meio ambiente do entorno invada a estrutura, que ganha vida com a mescla de arte, arquitetura e meio ambiente. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha Desenhado pelo próprio Oscar Niemeyer, o Auditório é a estrutura mais intrigante do Parque Ibirapuera. Com seu desenho e criação sendo contemporâneos às demais estruturas do parque, a execução efetivamente só foi sair do papel 51 anos depois, devido a impasses políticos e ficou de fora da inauguração do Ibirapuera em 1954. As obras só começaram em 2003, após brigas judiciais sobre o tombamento da área e, em 2005 o espaço projetado por Niemeyer foi aberto ao público. Com uma forma geométrica que se modela idealmente ao campo aberto da área, a estrutura conta com um detalhe na entrada que remete diretamente ao movimento de uma fita no vento e muda o horizonte do céu aberto em meio ao mar de prédios que o parque propicia. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha