A menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) intensificou as agendas de campanha, recebeu o apoio de Pablo Marçal e passou a buscar aproximação com outros nomes da direita, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o vereador Lucas Pavanato (PL). Ao mesmo tempo, o candidato enfrenta uma reta final marcada pela disputa acirrada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas e a repercussão de uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Poucos dias antes do primeiro turno, novas pesquisas revelaram a proximidade entre Flávio e Lula em ambos os turnos. Na última segunda-feira (28), o instituto Quaest publicou levantamento presidencial em que o petista lidera com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador do PL com 34%. Ambos os candidatos oscilaram para cima em relação à pesquisa anterior, Lula dois pontos e Flávio um. No segundo turno, os candidatos aparecem empatados com 42%.
Um dia depois, na terça-feira (29), a Atlas/Bloomberg divulgou novo levantamento que revela mais um empate técnico entre os presidenciáveis. No primeiro turno, Lula segue à frente com 45,3% das intenções de voto, já Flávio aparece com 42,2%. No segundo turno, a situação fica ainda mais apertada. O filho de Jair Bolsonaro aparece com 47,7%, um décimo a mais que o atual presidente. A pontuação de Flávio no segundo turno foi exatamente a mesma da última pesquisa divulgada pelo instituto, enquanto Lula cresceu 0,2%.
No mesmo dia, a Palver registrou nova pesquisa. Desta vez, os candidatos aparecem numericamente empatados já no primeiro turno, ambos com 44%. No segundo turno, Flávio lidera com 47%, dois pontos percentuais a mais do que o rival. A margem de erro revela, mais uma vez, empate técnico entre os candidatos.
Os últimos levantamentos presidenciais encaminham Flávio Bolsonaro para um segundo turno contra Lula, que promete ser tão disputado quanto em 2022. Na eleição passada, o petista venceu com 50.9%, e quase 2 milhões de votos a mais.
Um episódio que ocupou a campanha foi a circulação da informação falsa de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Durante uma carreata em Goiânia, no domingo (27), o candidato afirmou que “gente de dentro” da CNBB teria ajudado a disseminar o conteúdo. A entidade negou participação na produção ou divulgação da informação e afirmou repudiar conteúdos falsos, independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado por eles.
No dia seguinte, durante visita ao Mercado Municipal de São Paulo, Flávio apareceu segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e agradeceu à CNBB por ter confirmado que a informação era falsa. A controvérsia também chegou ao Judiciário. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, deu parecer favorável à ação movida pela campanha de Flávio e determinou a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet, que dizia que "a família miliciana odeia tanto a mulher preta que resolveu atacar N. Sra. Aparecida", E mais de mil postagens relacionadas ao tema. O Ministro Flavio Dino, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, aceitou os argumentos do humorista de que sua liberdade de expressão havia sido atacada e determinou a liberação das publicações sob a justificativa de que a remoção do conteúdo equivaleria a admitir que a expressão 'família miliciana' designa a família Bolsonaro. Em novo recurso da campanha de Flávio, que teve como relator o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão do ministro Flávio Dino foi suspensa. No dia seguinte, em decisão colegiada do plenário virtual do TSE, a proibição de publicações que associavam Flávio à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida foi mantida, com exceção feita pelo ministro André Mendonça, à publicação de Tabet. Na quinta-feira (1), Dino encerrou o processo no STF por perda de objeto.
A agenda de rua também ganhou espaço nos últimos dias. No domingo (27), Flávio passou por Aracaju, em Sergipe, onde participou de um ato com apoiadores e voltou a criticar Lula pela proibição das apostas online. Durante o evento, também defendeu a exploração de petróleo no estado e retomou propostas de sua campanha, como a redução da maioridade penal, a possibilidade de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) a partir dos 16 anos e a castração química de estupradores.
De Sergipe, o candidato seguiu para Goiás. Durante uma carreata em Goiânia, ovos foram arremessados de um prédio contra o grupo que acompanhava Flávio, ninguém foi atingido. O candidato classificou o episódio como “tentativa de homicídio” e pediu que a polícia identificasse o responsável. No mesmo ato, confirmou que participará do último debate antes do primeiro turno.
Na segunda-feira (28), Flávio chegou a São Paulo. Pela manhã, às 10h, cumpriu agenda com Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Brás, onde passou por uma galeria comercial. Mais tarde, ainda ao lado do governador e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), visitou o Mercado Municipal e conversou com comerciantes.
À noite, após participar do podcast católico “SantoFlow Podcast”, segundo apuração da CNN ,o candidato telefonou para Romeu Zema (Novo) para discutir uma possível união entre os candidatos de direita ainda no primeiro turno. Zema não abriu mão da candidatura. No dia seguinte, o candidato do Novo afirmou, para jornalistas, que permaneceria na disputa até o fim do primeiro turno e que só se manifestaria sobre um eventual apoio no segundo turno após a votação.
Na terça-feira (29), durante visita a uma academia de jiu-jítsu na Vila Olímpia, em São Paulo, Pablo Marçal anunciou apoio a Flávio e afirmou que passaria a integrar a equipe do candidato. Segundo Flávio, Marçal deverá colaborar nas áreas de empreendedorismo e mobilidade social. O influenciador teve sua candidatura à Presidência pelo PRTB rejeitada por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 11 de setembro.
Além da conversa com Zema, o senador também buscou aproximar-se de outros nomes do campo da direita, como Lucas Pavanato (PL) e o governador Tarcísio de Freitas. A estratégia ganhou força após Ricardo Salles (Novo) desistir da candidatura ao Senado por São Paulo e declarar apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Tarcísio também passou a defender publicamente uma união da direita em torno de Flávio ainda no primeiro turno.
Em São Paulo, a campanha também passou a produzir peças direcionadas à disputa pelo eleitorado feminino. Nesta semana, a equipe de Flávio preparou materiais para explorar uma declaração de Lula durante uma agenda em Belém. Ao falar sobre a resistência de homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata, o presidente fez uma comparação com exames realizados por mulheres: “O homem é covarde, ele não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem, não. Ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que quando ele tiver câncer próstata vão dar muito toque nele”. A declaração foi utilizada por aliados de Flávio nas redes sociais, enquanto a campanha petista afirmou que a fala estava sendo retirada de contexto.
A assessoria de Lula, que entrou com uma ação no TSE sobre o caso, justificou a fala do presidente: “Lula obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem. O homem, pela predominância de uma cultura ainda machista, resiste a exames urológicos preventivos”.
A atenção ao eleitorado feminino não começou nesta semana. Levantamento Quaest divulgado em setembro já havia identificado uma redução da diferença entre Lula e Flávio entre as mulheres em uma simulação de segundo turno. Segundo a pesquisa daquele momento, Lula registrava 41% e Flávio, 38% nesse segmento, dentro da margem de erro específica do recorte. A campanha do candidato do PL também vinha aumentando a participação de mulheres em atos públicos, incluindo a presença de sua esposa, Fernanda Bolsonaro.
Nos últimos dias antes da votação de domingo (04), Flávio concentrou parte de sua agenda no Sudeste e se prepara para o debate da TV Globo, previsto para quinta-feira (1º). Segundo a Folha de S.Paulo, o candidato reservou a quarta-feira para a preparação do encontro e pretende cumprir compromissos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais durante a reta final. Será a primeira participação de Flávio em um debate presidencial nesta eleição.